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Anna Popplewell (em off): Anteriormente em Descobrindo...

 

Cena da 1ª temporada – Episódio 13.

 

Helen: Eu tava dando uma olhada nos meus vestidos, tem um que ainda não usei, é tão lindo, creio que irá ficar perfeito para amanhã à noite.

 

Corta:

 

Cláudio: Então, é meio chato falar isso. Mas ela acabou de bater na minha porta, me convidando para ir com ela ao baile.

Helen: Entendo perfeitamente... (sorri falsamente e da os ombros)... Então, você deve ir com ela.

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Léo: Ele permaneceu meses em coma, quando saiu, abandonou o jogo, ficando anos no esquecimento... (olha para Cláudio)... Talvez a culpa tenha sido a razão de ele ter jogado tudo para o alto... Mas fracassado, isso eu tenho certeza que ele nunca foi...

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Pri:... Gaby, nossa amizade está tão gostosa... Não vamos deixar as coisas se confundirem para depois estragar tudo... Vamos deixar do jeito que está, por favor? Não alimente nada entre a gente...

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Nicole: Não estou sendo sarcástica, ele viajou realmente. Deve voltar amanhã, talvez...

Pri (incrédula): Okay, pra onde ele foi então?

 

Corta:

 

Nicole: Foi visitar a namorada dele...

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Roger: Esse tempo em que ficamos de cara virada um para o outro, eu disse coisas que...

Amanda (interrompendo): Não. Vamos deixar o que ficou para trás, okay?

Roger (olhando-a): Mas mesmo assim, me desculpa...

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Cláudio (hesitante): Helen, não sei se vai gostar de ouvir isso agora... Mas, você não é mais bolsista...

Helen (confusa): Não? Como isso é possível?

Cláudio: A Márcia tem pagado seus estudos desde o começo do ano...

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Lívia: Num dia desses, você estava dormindo no meu colo e no meio do sono, disse a palavra “eu te amo”...

Roger (se entender): E que mal tem isso?

Lívia: Não teria mal nenhum se a frase não tivesse terminado com o nome da Amanda...

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Artur (fechando os olhos e respirando fundo): Eu sei que você anda tendo visões com a criança... Como se ela estivesse aqui conosco...

Vera (nervosa): Eu não estou ficando louca...

Artur: Eu sei que não, eu disse que pode ser apenas um pequeno distúrbio e se a gente a procurasse um especialista...

Vera (interrompendo/gritando): Eu não estou ficando louca!

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Artur está com as mãos no volante, pensativo. Depois de alguns instantes, ele abre a porta e sai. A câmera muda para o lado de fora, onde ele fica parado olhando para dentro do local. Em seguida, fecha a porta e começa a andar, indo na direção da entrada.

 

A câmera permanece parada, enquanto o vemos entrar. Depois, ela se movimenta devagar, mostrando uma placa no qual vemos escrito: “Clínica Psiquiátrica”.

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Tela preta. Som de uma multidão vibrante.

 

Música: Vertical Horizon - Everything He Wants

 

Abre mostrando a frente do portão do ginásio, como se fosse o ponto de vista de um personagem. Conforme vai avançando, o som da multidão vai se tornando mais forte.

 

Ele entra no local. A câmera dá uma geral na torcida, sua maioria trajada de vermelho e branco, pulando e incentivando o time. Corta para os jogadores em quadra, com seu tradicional uniforme camisa vermelha e calções brancos. O adversário veste camisa branca e shorts pretos. Paulo está em pé de braços cruzados em ao lado do banco de reservas. Ele observa seriamente a atuação da equipe.

 

Corta novamente para a torcida que pula e vibra. Na parte de cima, sozinha, aparentando abatimento, vemos Priscila. Desce a imagem para a entrada do ginásio, onde Cláudio está parado, observando tudo, dando a entender que se tratava de seu ponto de vista no começo. 

 

Cláudio (em off): Diria o sábio em uma de suas celebres citações: “Na vida, a gente faz escolhas e tenta ser feliz com elas. Porém não me envergonho de corrigir meus erros e mudar de opinião...

 

Close rapidamente no rosto de Paulo em quadra, voltando para o rosto de Cláudio.

 

Cláudio (em off): ... Porque não me envergonho de raciocinar e aprender.”

 

Centro da quadra. Gustavo está com a bola. Ele tenta tocar para um companheiro, mas imediatamente o adversário toma a bola. O mesmo corre e toca para seu companheiro, que toca para outro e chuta. A bola bate na trave direita e sai. Close em Felipe que olha sério para Gustavo.

 

Corta para Paulo que continua expressando a mesma feição. A imagem sobe mostrando o placar eletrônico que marca: “Gladiadores 0 x 1 Visitantes”.

 

Fixa essa imagem por alguns instantes. De repente, o som da torcida começa a diminuir até ficar tudo silencioso. A câmera desce, mostrando apenas os Gladiadores e Paulo em quadra. Eles vestem roupas de treinos. Paulo apita fazendo sinal para que os jogadores se aproximem dele.

 

Paulo: Inacreditável... Esse é o time mais indisciplinado que eu já treinei... (balança negativamente a cabeça) A situação é o seguinte... Nós temos duas opções para o jogo do próximo final de semana... Ou vencemos, ou vencemos. Não temos um mísero ponto na nossa chave e se não ganharmos essa partida, as chances de classificação se tornam praticamente zeradas. Ou seja... Adeus ao campeonato.

 

Corta para Gustavo que fala ao lado de Felipe.

 

Gustavo (falando baixo): Não foi ele que disse que seu time seria imbatível?

 

Paulo: Eu ouvi isso...

 

Gustavo: Desculpa, escapou...

 

Felipe: Acontece que estamos desfalcados, treinador. Perdemos dois jogadores importantes e uma única partida...

 

Gustavo: Exatamente... E quem sabe se buscarmos um reforço, a chance de classificação não se torna maior, huh?

 

Paulo: Nem pensar...

 

Felipe: Ele esteve conosco ano passado, sabe o que é jogar sob pressão... Sem falar que foi essencial na conquista do título...

 

Paulo: Já disse que não... Aliás, não o expulsei do time, ele saiu porque quis...

 

Gustavo (falando baixo): Na verdade foi o único corajoso...

 

Paulo: Dá pra falar mais alto?

 

Gustavo: E se ele se desculpar?

 

Paulo o olha por alguns instantes, ficando um pouco pensativo. Em seguida começa a caminhar até o banco de reservas.

 

Paulo: Não!

 

Corta para Gustavo que olha para Felipe e sorri.

 

Gustavo: Pois é, teremos que nos conformar com a vergonha que virá...

 

Felipe apenas o olha seriamente, em seguida começa a caminhar em direção ao banco. Gustavo desfaz o sorriso e o segue.

 

Gustavo (abrindo os braços): Qual é Felipe? Você não pode estar com raiva de mim ainda... Nós somos uma equipe, se lembra? Temos que nos unir num momento difícil como esse... É um por todos e todos por um...

 

 

Uma sala. Helen está sentada na sala vazia que contém almofadas. Ela junta alguns CDs que estão no chão, colocando-os em uma caixa. A câmera se movimenta até a porta, mostrando Cláudio parado na mesma. Ele dá duas batidas e entra.

 

Cláudio: Precisa de ajuda?

 

Helen: Não obrigado... Eu trabalho bem sozinha...

 

Ela junta uma pilha de CDs, quando vai colocar na caixa, derruba-os. Cláudio sorri e abaixa, pegando os CDs.

 

Cláudio: Aham, deu pra perceber...

 

Ela não responde, continuando a reorganizar os CDs. Cláudio a olha por alguns instantes.

 

Cláudio: Olha, seu eu puder fazer alguma coisa para consertar, voltar atrás... Sei que errei em não ter te contado antes, ainda mais sabendo que buscava um motivo para procurá-la... Me desculpa, okay?

 

Helen: Tudo bem, eu acabei me excedendo um pouco também... Não devia ter brigado com você daquele jeito...

 

Cláudio: Estamos bem então?

 

Helen: Estamos... Mas daqui pra frente, nada de esconder qualquer coisa um do outro, sendo boa ou ruim... Você promete?

 

Cláudio (sorrindo): Eu prometo.

 

Helen (sorrindo): Ótimo, porque um relacionamento tem que ser construído à base de confiança...

 

Cláudio (sorrindo): Concordo plenamente... (breve pausa) Então, pelo menos isso acabou trazendo algum benefício?

 

Helen (subindo as sobrancelhas): Sim, liguei para ela. Ficamos horas conversando...

 

Cláudio (sorrindo): Que ótimo!

 

Helen: Não muito...

 

Cláudio: Por quê?

 

Helen: Minha avó vai me matar quando vier a conta...

 

Eles começam a rir. Nesse instante ouve-se o barulho de uma corneta vindo do lado de fora. Cláudio desfaz o sorriso devagar.

 

Helen: A torcida já está antecipada para o jogo...

 

Cláudio (desanimado): Pois é...

 

Helen: Você não pretende fazer nada?

 

Cláudio: Eu saí do time por vontade própria...

 

Helen: Eu sei... Mas no fundo, não sente falta dessa agitação?

 

Lentamente a câmera se aproxima do rosto de Cláudio. O barulho da torcida volta a tomar conta da cena. Quando a imagem se afasta, vemos Cláudio no corredor do ginásio, na mesma posição do começo. 

 

Close no placar que agora marca: “Gladiadores 0x2 Visitantes”.

 

Corta para Helen que chega e fica ao lado de Cláudio.

 

Helen: Demorei?


Cláudio (olhando para o relógio): O jogo acabou de começar...

 

Ela olha no placar eletrônico, em seguida olha para ele.

 

Cláudio (subindo as sobrancelhas): Aham, mas já está dois a zero... Vamos procurar um lugar para sentar. 

 

Eles começam a caminhar. A câmera muda para um ângulo aéreo, mostrando o jogo por alguns instantes, cortando para o mesmo.

 

Close no goleiro dos Gladiadores espalmando a bola para a lateral. Paulo balança negativamente a cabeça. Depois, olha para a torcida. Cláudio e Helen caminham pelo corredor. Os olhares de Cláudio e Paulo se encontram. Ambos se encaram por alguns instantes.

 

Paulo volta a olhar para o jogo. Helen puxa Cláudio, para que ambos voltem a caminhar. Novamente a câmera muda para uma visão aérea do ginásio.

 

A tela escurece lentamente.

 

 

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Quarto de Gabriel – Noite.

 

Música: Third Eye Blind - Deep Inside Of You

 

Close na cômoda aberta. A imagem se afasta mostrando Gabriel pegando uma camisa de dentro e dobrando. Depois vai até a cama e coloca a camisa dentro de uma mala que está aberta sobre a mesma.

 

Após alguns segundos, ele caminha até uma mesinha onde está o computar. Ele sorri e digita algo. Close na tela onde vemos a imagem de uma garota na web cam. Ele acena para ela. Ela faz o mesmo. Close no rosto dele que fica pensativo.

 

A tela é invadida por um clarão, se desfazendo numa rodoviária. Gabriel está próximo a um ônibus, juntamente com uma garota que está ao seu lado.

 

Cont- Third Eye Blind - Deep Inside Of You

 

Gabriel (suspirando): Chegou minha hora…

 

Garota (triste): Eu queria muito que tivesse dado certo, Gaby...

 

Gabriel: Eu também, Jéssica. E espero que possamos ser amigos, sendo que há tempos já estávamos nos tratando assim...

 

Jéssica (sorrindo): Você é uma raridade, sabia?

 

Gabriel (sorrindo): É, às vezes nem eu gosto de mim mesmo por causa desse jeito amigável de sempre...

 

Jéssica: Mas tem que gostar... (sorri) Porque foi por ser assim, que eu te escolhi... (pausa longa) Ninguém me trataria com tanto respeito como você... Muito menos me deixaria tão segura com um namoro a distância, como fiquei conosco. (sorri) E eu sempre soube que você viria pessoalmente resolver isso quando sentisse que o fim estaria próximo... (pausa) Quando disse que você é uma raridade, acredite, foi um grande elogio, pois talvez jamais encontre alguém como você outra vez...

 

Ele a olha com ternura, esboçando um leve sorriso. Os olhos de Jéssica se enchem de lágrimas.

 

Gabriel: Eu preciso ir...

 

Jéssica (se segurando para não chorar): Eu sei...

 

Eles se abraçam fortemente e demoradamente.

 

Jéssica: Não se esqueça de manter contato...

 

Gabriel: Você também...

 

Eles desfazem o abraço. Gabriel pega uma mochila e se desloca até o ônibus, dando uma ultima olhada nela antes de subir. A câmera se aproxima do rosto de Jéssica que fecha os olhos, deixando as lágrimas escorrem. A câmera se aproxima mais, até desfocar. Quando se afasta, vemos a imagem dela sendo desligada na web cam. Gabriel continua olhando para a tela, sorrindo.

 

 

Ginásio. Corta para alguns takes do jogo.

 

- Felipe está com a bola, ele tenta dar o passe, mas sai errado.

- Gustavo está com a bola. O adversário a toma com facilidade.

- Outro Gladiador chuta a bola. A mesma passa longe.

- Paulo balança a cabeça negativamente perto do banco.

 

Gustavo está correndo. Felipe se aproxima dele, correndo ao seu lado.

 

Felipe: A princesa poderia jogar um pouco mais?

 

Gustavo: Estou dando o meu máximo, não está vendo?

 

Felipe: Então dê o máximo do máximo, se não quiser ir para o banco.

 

Gustavo: Okay capitão. Mas me responde uma coisa... Quem vai me substituir? Porque não vejo muitas opções...

 

Gustavo corre. Felipe pára e olha para o banco. Vemos três rapazes sentados. Dois indicando serem jogadores de linha e um goleiro. Ele balança negativamente a cabeça e volta a correr.

 

Corredor do ginásio. Roger caminha olhando para a arquibancada, como se estivesse procurando alguém. Ele passa perto de Cláudio e Helen que o abordam.

 

Cláudio: Você está bem?

 

Roger: Estou procurando uma pessoa...

 

Ele olha para Helen e abre a boca para perguntar.

 

Helen (antecipando): Não sei... Mas já era para ela estar aqui...

 

Roger sobe as sobrancelhas e suspira. Um flash toma conta da tela, desfazendo no refeitório do colégio. 

 

Música: Paramore - My Heart

 

Roger caminha procurando alguém. Ele pára em determinado ponto, observando algo. A câmera muda para a mesa onde ele e Lívia costumavam ficar. A mesma está vazia. Roger se mostra um pouco triste, abaixa a cabeça vira, na direção da saída do refeitório.

 

Corredor. Vários alunos estão espalhados pelo local. Alguns conversando próximos as suas salas. Amanda está encostada na parede, conversando com algumas garotas. Roger se aproxima delas.

 

Roger (sorrindo): Hey!

 

Amanda (sorrindo): Oi Roger!

 

Roger: Tem um segundo?


Amanda: Claro que tenho...

 

Eles se afastam dos demais, ficando no meio do corredor. Roger a olha por alguns segundos. Amanda franze a testa.

 

Amanda: Então?

 

Roger: Eu queria falar com você...

 

Amanda: Foi pra isso que você me chamou, não foi? (sorri).

 

Roger (rindo): Desculpa, estou meio desligado... (a olha) Eu me diverti bastante no parque...

 

Amanda (sorrindo): Eu também...

 

Roger: Eu estive pensando se você gostaria de sair um dia desses, fazer algum outro programa...

 

Amanda: Claro! É uma ótima idéia! A gente combina com a turma...

 

Roger: Na verdade eu queria que ...

 

Nesse instante o celular de Amanda toca. Ela olha no visor e atende.

 

Amanda (sorrindo): Oi! (feliz) Claro que sim!

 

Roger gira os olhos, impaciente. Amanda o olha, abaixando o celular.

 

Amanda: Desculpa, mas podemos conversar outra hora?


Roger (desanimado): Claro, vai lá...

 

Amanda (sorrindo): Obrigado!

 

Ela volta a falar no celular e vira, caminhando. Roger a observa por alguns instantes. Cláudio aparece e fica ao lado dele, olhando para frente.

 

Cláudio: Quer dizer então que o passado está de volta?

 

Roger: Você sabe que eu adoro a Lívia... Mas o que sinto pela Amanda é mais forte. Essa reaproximação, só me fez perceber o quanto eu devia ter dado uma chance a nós dois...

 

Cláudio: Talvez pela história que tiveram, vocês ainda estejam bastante interligados... Mas quer um conselho de melhor amigo? (o olha) Dá um tempo pra você, para pensar se é isso que realmente quer. Quando vocês terminaram, não demorou e logo você engatou um namoro com a Lívia. Agora recém terminou e já pensa em voltar com a Amanda... (pausa) Coloca a cabeça no lugar primeiro...

 

Roger fica pensativo. Cláudio olha para frente.

 

Cláudio: Faz que nem eu... Espera ter certeza...

 

Roger (olhando-o): E você tem?

 

Cláudio (sorrindo): Mais que tudo nessa vida...

 

Novamente Roger fica pensativo. A tela novamente é invadida por um flash, voltando para o ginásio. Cláudio olha para Helen e sorri admirado para ela.

 

Cont- Paramore - My Heart

 

Helen (sorrindo): O que foi?


Cláudio (sorrindo): Nada não...

 

Dentro da quadra. Um jogador adversário corre com a bola. Gustavo se aproxima e o empurra, fazendo-o cair. O juiz apita a falta. Outro rapaz do time adversário corre até Gustavo e o empurra.

 

Gustavo: Qual o seu problema?

 

Rapaz: Você fez de propósito, imbecil!

 

Gustavo: Não quer contato? Vai tênis, bolinha de gude, xadrez...

 

O rapaz parte para cima dele. Logo todos os jogadores intervêm, empurrando uns aos outros. O juiz corre, tentando separá-los. A câmera corta para Paulo que apenas observa tudo. Ele fecha os olhos e abaixa a cabeça. A tela escurece.

 

 

Quarto de Gabriel. Ele continua dobrando algumas roupas e colocando dentro da mala que está em cima da cama.

 

Música: Matt White – Wasteland

 

Gabriel: Você não precisa ficar aqui. Está tendo um jogo importante na cidade...

 

A imagem abre, mostrando Nicole parada na porta.

 

Nicole: E você acha que eu me importo com algum jogo? Até hoje não entendo a fascinação que essa cidade tem por esse campeonato...

 

Gabriel sorri. Ele caminha até a cômoda e olha para a mesma.

 

Gabriel: O que mais eu levo?


Nicole: Não esquece a câmera...

 

Gabriel: Bem lembrado...

 

Ela o olha por alguns instantes, aparentando estar um pouco triste.

 

Nicole: Tem mesmo certeza que quer ir?

 

Gabriel: É uma oportunidade que eu classificaria como única... Não posso perder...

 

Ela torce a boca e olha para o lado. Nesse instante, a tela é invadida por um clarão, desfazendo-se com Gabriel deitado na cama, olhando para cima, bastante pensativo. Nicole aparece na porta que está aberta.   

 

Cont- Matt White – Wasteland

 

Nicole: O jantar está pronto... (sorri) E não reclama do que vai comer, porque foi o melhor que pude fazer...

 

Gabriel esboça um leve sorriso e levanta da cama. Ela percebe a feição dele.

 

Nicole: Algum problema?

 

Gabriel: Não... É só uma decisão que terei que tomar...

 

Nicole: Posso ajudar em alguma coisa? Quer falar a respeito?

 

Ele dá leves passos para trás e senta na cama. 

 

Gabriel: Lembra quando nós chegamos aqui e estávamos entediados, brigas para todo lado e não tínhamos o que fazer?

 

Nicole (acenando com a cabeça): Uhum...

 

Gabriel: Eu acabei me inscrevendo para um concurso de intercambio de três meses no exterior...

 

Nicole: Não me diga que você ganhou?

 

Gabriel: Depois de quatro meses, eu nem esperava mais... Até que me ligaram hoje cedo...

 

Nicole: Okay... E vai fazer o que exatamente?

 

Gabriel: O mesmo curso de inglês intensivo que eu fazia em nossa cidade. Vai ser bom, irei aprimorar a língua, conhecer outra cultura, país... Será bom ótimo para o meu currículo...

 

Nicole: E o colégio?

 

Gabriel: Praticamente estamos de férias, minhas notas são ótimas... O máximo que devo perder é um bimestre... Além também que falarei com o diretor... Como é uma oportunidade ótima, creio que ele poderá me ajudar de alguma forma...

 

Nicole: Então você já se decidiu?

 

Gabriel: Pra falar a verdade ainda não. Preciso conversar com o pai, com a sua mãe, para saber o que eles pensam a respeito... Afinal, são três meses longe.

 

Nicole (esboçando um leve sorriso): Bom, se tiver pensando em mim, pode ficar tranqüilo que eu ficarei bem...

 

Gabriel: Tem certeza?

 

Nicole (subindo de leve a sobrancelha): Tenho...

 

O clarão volta a tomar conta da tela, voltando para Nicole encostada na porta enquanto observa Gabriel apertando as roupas na mala.

 

 

Vestiário do ginásio. Os jogadores estão espalhados sobre o mesmo. Alguns em pé, outros sentados no banco, com toalhas sobre a cabeça. Todos visivelmente desanimados. Corta para Gustavo que é um dos que está sentado no banco.

 

Gustavo: Nós estamos péssimos, uns lixos, umas desgraças... (bufa) E pior vai ser a bronca que iremos levar assim que ele pisar aqui...

 

Felipe: Então preparem os ouvidos... (acena com a cabeça).

 

A câmera se desloca para a porta, onde vemos Paulo entrando. Ele olha para os rapazes por alguns instantes, antes de tomar a palavra.

 

Paulo (falando calmamente): Pela primeira vez em toda minha carreira como treinador, eu não sei o que fazer... Estou literalmente perdido...

 

Os jogadores olham uns para os outros, visivelmente surpresos.

 

Paulo: Estou perdido não porque não sei o que fazer taticamente, pois um time disciplinado, com certeza ganharia esse jogo com facilidade... Mas um time desmotivado, esse sim necessita de algo a mais, que eu não sou saber dar...

 

Breve silêncio. Ele começa a andar pelo local.

 

Paulo: Eu não sou motivador, não sei me apegar e talvez, seja isso que esteja faltando a vocês... (pausa) Com muito custo eu estou começando a aceitar que um time, muitas das vezes necessita vencer por alguém, pelo seu treinador... E com certeza eu devo estar fora dessa lista...

 

A câmera passeia mostrando o rosto de alguns jogadores.

 

Paulo: Mas peço que tentem olhar para dentro de vocês... Quem sabe talvez possam encontrar esse motivo? Para provar que você é capaz... Para provar que o time não dependia apenas de um jogador o ano passado... Talvez vocês queria vencer por essa torcida que está na arquibancada, pelo povo fanático dessa cidade, que leva vocês e esse campeonato muito a sério... (pausa longa) Ou até mesmo vocês queiram vencer pelo ex-treinador Roma...

 

A câmera dá um close no rosto de Felipe, que novamente se faz surpreso.

 

Paulo: Com certeza, nesse momento ele teria as palavras de motivação que eu jamais terei... (pausa longa) Eu estarei lá fora, e espero que você possam encontrar o que os ainda mantém vivo nesse time... E que ainda há chances para os Gladiadores darem a volta por cima... (os olha) Eu acredito em vocês.

 

Ele abaixa a cabeça, em seguida sai do vestiário. Os jogadores começam a se olhar, confusos.

 

Gustavo: Alguém poderia me explicar o que acabou de acontecer aqui?

 

 

Arquibancada. Cláudio, Helen e Roger estão sentados no mesmo lugar. Este último demonstra estar impaciente.

 

Helen: Você está bem, Roger?

 

Roger: Claro, estou, muito bem...

 

Helen (olhando para Cláudio): O que ele tem?

 

Cláudio: Você sabe, quer que a... (sobe as sobrancelhas) Chegue logo...

 

Roger: Também não é só isso... Estou pensando na palhaçada que meu pai resolveu inventar...

 

Nesse instante a torcida começa a vibrar. A câmera gira rapidamente até a porta do vestiário, onde vemos os jogadores saindo em câmera lenta, sendo liderados por Felipe.

 

Música: Fall Out Boy - 7 Minutes In Heaven

 

Corta para Paulo que está de costas. Ele vira e franze a testa, ficando surpreso com a expressão determinada dos jogadores que logo se posicionam no centro da quadra, onde os adversários já estão. Os três reservas se dirigem ao banco.

 

Rapaz (para Paulo): O senhor conseguiu, treinador...

 

Paulo olha para o centro e esboça um leve sorriso. A imagem se desloca até o meio da quadra. Felipe e Gustavo estão próximos a bola, esperando o reinicio da partida. Gustavo olha para os adversários.

 

Gustavo: Hey, brejeiros... Aprendam uma coisa...

 

Felipe (completando): Aqui no nosso terreno, ninguém canta de galo...

 

O juiz apita e o jogo reinicia. Felipe toca para Gustavo, que toca para um companheiro mais atrás. Este, toca para outro companheiro que olha para frente. Felipe levanta a mão, pedindo o passe. Ele está de frente para um rapaz, com as mãos para trás, impedindo que o mesmo se desloque. O garoto toca para Felipe, que rapidamente toca para Gustavo. Gustavo avança até o goleiro e chuta em gol. A bola bate na trave e sai. Ele coloca as mãos na cabeça. Felipe corre até ele e o cumprimenta.

 

A câmera corta para o banco, onde Paulo sorri satisfeito. Depois, muda para a arquibancada, onde vemos Cláudio sorrindo por alguns instantes.

 

 

Cozinha da casa de Roger. O ambiente está escuro. Vemos um copo em cima da pia, de repente um liquido é derramado sobre o mesmo, e uma mão o pega, subindo. A câmera acompanha, mostrando se tratar de Artur. Ele introduz o copo à boca, bebendo de uma vez. Depois abaixa e coloca mais, mostrando na outra mão, uma garrafa de whisky.

 

Ele caminha até chegar à sala, parando no meio da mesma. A câmera se aproxima de seu rosto abatido.

 

A tela é tomada por um flash, desfazendo com Artur no quarto, olhando para a janela. O tempo está claro. Ouve-se alguns passos no corredor. Ele vira para ver quem é. A câmera mostra Roger passando em frente à porta. Artur o chama.

 

Artur: Filho...

 

Roger pára, depois aparece na porta e entra. Acenando com a cabeça.

 

Artur (triste): Senta aí...

 

Roger (preocupado): Algum problema com a minha mãe? A propósito, onde ela está?

 

Artur: Ela está ali no outro quarto... (respira fundo) Cuidando do seu irmão.

 

Roger fecha os olhos, sem ter o que dizer.

 

Artur: Sua mãe precisa de ajuda, filho.

 

Roger: Eu sei... Vou ficar mais perto dela daqui pra frente, tentar conversar...

 

Artur: Não... Ela precisa de outro tipo de ajuda...

 

Roger (confuso): Do que você está falando?

 

Artur hesita um pouco em falar, ficando com uma expressão de dor no semblante.

 

Roger (impaciente): Fala...

 

Artur: Sua mãe sofreu um grande choque com a perda do seu irmão, conseqüentemente causando um distúrbio... (pausa) Mental... (respira fundo) Ela precisa ser tratada, filho.

 

Roger: Obviamente. Já disse que vou ficar mais perto dela, fazer o impossível para ajudá-la...

 

Artur: Mas receio que apenas isso não irá adiantar...

 

Roger (confuso): Mas de que diabos você está falando? Não está pensando em...

 

Close no rosto de Artur que nada diz. Roger abre bem os olhos e balança a cabeça em sinal de reprovação.

 

Roger: Não, não. De jeito nenhum ela vai ser internada...

 

Artur: Ela precisa de tratamento...

 

Roger: Ótimo, chame um médico, um psiquiatra, o que for. Mas repito que ela não será internada...

 

Artur: Eu conversei com os médicos, e uma consulta diária com especialista não irá surgir efeito...

 

Roger começa a andar pelo quarto, visivelmente perturbado. Ele coloca as duas mãos sobre a cabeça, puxando o cabelo.

 

Roger (nervoso): Você não vai internar minha mãe feito louca...

 

Artur: Não pense assim, ela não será internada feito louca... Apenas receberá o tratamento necessário para que melhore...

 

Roger: Mesmo? Então me mostre um jeito mais carinhoso de fazê-lo?

 

Artur: Ela está passando por um momento bastante delicado...

 

Roger (nervoso): Mas é claro que está... Ela acabou de perder um filho, como você queria que ela estivesse? É mais que normal que esteja abalada com tudo isso... (pausa) Eu estou...

 

Artur: Não está simplesmente abalada. Vá ali no quarto ao lado e presencie ela andando com um pano nos braços, ninando como se fosse uma criança... Eu conversei bastante com os médicos e isso é um caso sério que precisa ser tratado, ou então... Ela pode piorar. Se começarmos imediatamente com o tratamento, é provável que em dois, três meses ela já esteja bem...

 

Roger novamente caminha pelo quarto, perturbado. Artur tenta se aproximar.

 

Artur: Filho...

 

Roger (nervoso/apontando o dedo): Não! Eu não vou consentir com uma crueldade dessas! Ela não merece, não depois de tudo o que passou...

 

Artur: É para o bem dela...

 

Roger (furioso): Para o bem dela uma pinóia... É para o seu bem, isso sim. Está na cara que você não está agüentando a pressão e quer se livrar disso o mais rápido possível...

 

Artur (triste): Isso não é verdade, você não pode pré-julgar o que está se passando dentro de mim...

 

Roger: Presta bastante atenção no que eu vou dizer... Se você ousar fazer isso, eu nunca mais falo com você, entendeu? Nunca mais!... (pausa) E não queira pagar pra ver.

 

Ele vira e sai do quarto, furioso. Artur coloca as mãos na cabeça, fechado os olhos e sentando na cama em seguida, sem saber o que fazer.

 

O flash novamente toma a tela, voltando para a sala num ambiente escuro. A câmera se movimenta até a escada, onde vemos Artur subindo devagar, trazendo consigo o copo e a garrafa. A tela escurece.

 

 

Ginásio. A torcida grita e pula eufórica, tentando empurrar o time.

 

::. Fall Out Boy - 7 Minutes In Heaven

 

Felipe em quadra dribla um jogador e chuta em gol. A câmera acompanha a trajetória da mesma até passar pelo goleiro e entra na rede. Corta para os jogadores pulando e comemorando.

 

Corta para Gustavo com a bola. Ele passa por um jogador e toca para o companheiro. Esse mesmo chuta em gol. Close na bola passando pelo canto esquerdo do goleiro e entrando. Novamente os jogadores comemoram e se abraçam.

 

A câmera sobe, e dá uma geral na torcida que se mostra ainda mais animada. Vai se aproximando do meio da mesma, onde é possível perceber que uma pessoa se diferencia de todas. Conforme se aproxima mais, vemos se tratar de Priscila. Ela carrega uma expressão triste, distante. Após alguns segundos, ela levanta e começa a descer a arquibancada.

 

Corta para o lado externo do ginásio. A câmera fica parada, enquanto a vemos passar pelo portão, de braços cruzados, com a mesma expressão de abatimento. Ao passar na frente da câmera, uma transição de cena acontece, mudando o ambiente que é noite, para dia.

 

Priscila está sentada sozinha a uma das mesas do refeitório. Gabriel se aproxima e senta ao lado dela.

 

Música: The Click Five - Say Goodbye

 

Pri: Finalmente veio falar comigo, huh?... Como foi de viagem?

 

Gabriel: Ótimo, muito bom...

 

Pri (subindo as sobrancelhas): É, imagino que de fato tenha sido... 

 

Gabriel: E você, como está?

 

Pri (sorriso forçado): Não poderia estar melhor (pára de sorrir). Eu só gostaria de saber se nós ainda somos amigos ou não? Você mal tem falado comigo ultimamente, não andamos mais juntos, não sentamos mais perto na sala... E olha que não foi por falta de tentativa minha...

 

Gabriel: Eu sei, desculpa... Eu estava tentando entender os meus sentimentos...

 

Pri: E conseguiu?... (gira os olhos) Que pergunta a minha... É claro que conseguiu, até foi visitar a namorada...

 

Gabriel: Na verdade, ex-namorada...

 

Pri (surpresa): Ex?

 

Gabriel: Nós colocamos um ponto final no que já havia terminado faz tempo... Por isso eu foi para lá...

 

Pri: Então quer dizer que...

 

Gabriel (sorrindo): Estou livre, leve e solto...

 

Ela se anima, esboçando um largo sorriso. Depois desfaz o mesmo, ficando séria.

 

Pri: Sobre o que aconteceu na praia...

 

Gabriel (interrompendo): Está tudo bem...

 

Pri: Não era verdade, Gaby...

 

Gabriel (após alguns segundo): Mas eu pensei bastante no que você disse, sobre não confundirmos as coisas, para não estragar nossa amizade...

 

Pri: É claro que eu tive que dizer aquilo, você tinha namorada, quem iria acabar se machucando era eu...

 

Gabriel: Mesmo assim você não deixou de ficar com o rapaz lá... (pausa) Onde você estava quando a confusão lá embaixo começou? O Gustavo teve que subir para te procurar depois...

 

Ela abaixa o olhar, sem ter o que dizer.

 

Gabriel: Ouça Pri... E se for isso mesmo? E se talvez estejamos realmente confundindo as coisas?

 

Pri: Não tem como saber se não tentarmos...

 

Gabriel: Ou, talvez poderíamos simplesmente deixar o tempo responder...

 

Pri: Pronto, e lá vamos nós com a filosofia barata dos politicamente corretos... (bufa).

 

Gabriel: Calma... (pausa) Vamos deixar como estar, pensar no que a gente realmente quer... E quando eu voltar, podemos dar o veredicto final... Nesse período muita coisa pode acontecer, então, será suficiente para que possamos decidir...

 

Pri (confusa): Um instante... Voltar da onde?

 

Gabriel (após alguns segundos): Eu estou indo fazer um curso de três meses no exterior...

 

Lentamente a câmera se aproxima do rosto de Priscila. Ela fecha os olhos e balança devagar a cabeça, incrédula.

 

Pri: Nada é bom por completo, huh? Uma boa noticia, tem que carregar uma ruim logo em seguida...

 

Outra vez ela balança a cabeça. Gabriel fica sem ter o que dizer. A câmera se afasta um pouco deles, escurecendo a tela em seguida.

 

 

Abre no ginásio, mostrando o placar eletrônico que marca: Gladiadores 2x2 Visitantes.

 

Paulo se move de um lado para o outro. Ele olha no relógio e dá instruções ao time. A câmera se move até a quadra, mostrando um jogador Gladiador com a bola. Ele toca para Gustavo. Gustavo corre e toca para Felipe que chuta. O goleiro espalma para a lateral.

 

Corta para Cláudio, Helen e Roger na arquibancada.

 

Cláudio (nervoso): Falta um minuto...

 

Roger: Não vai dar tempo...

 

Volta a cena para a quadra. Um jogador adversário cai e coloca as mãos sobre o joelho. O juiz apita parando a partida. Nesse instante Paulo faz sinal para que seus jogadores se aproximem. Eles se juntam até ele.

 

Paulo: É agora ou nunca... Joguem como se fosse o último jogo de suas vidas...

 

A câmera corta para Cláudio. Ele levanta impaciente e começa a andar. Roger e Helen se olham, sem entender. Ele se aproxima da grande, onde os jogadores estão reunidos com Paulo.

 

Cláudio: Felipe! Felipe!

 

Felipe o olha e franze a testa.

 

Cláudio: Vem aqui...

 

Paulo dispensa os jogadores que voltam para o centro. Felipe corre até Cláudio.

 

Cláudio: Lembra aquela jogada pela direita que a gente treinava como último armamento secreto?

 

Felipe: Aham...

 

Cláudio (abrindo os braços): Está esperando o que para executar?

 

Felipe: Você não esqueceu de um pequeno detalhe? Nós treinamos essa jogada, eu, você e o Bruno... Não tem como eu fazer sozinho...

 

Cláudio: Claro que tem... Faz o papel do condutor da bola e pede para o Gustavo e o Rodrigo fazerem o resto...

 

Felipe (indeciso): Eu não sei...

 

Cláudio: Por favor, tenta... Esse pode ser seu último jogo como Gladiador, lembra?

 

Felipe: Okay... Eu vou fazer...

 

Cláudio sorri. Felipe se começa a caminhar na direção de seus companheiros. Paulo o segura pelo braço.

 

Paulo: Faça a jogada que ele disse...

 

Felipe o olha extremamente surpreso. Paulo acena com a cabeça. Depois, Felipe corre até seus companheiros, reunindo-se com eles. Paulo olha para trás, encontrando seu olhar com o de Cláudio. Corta para Felipe conversando com os jogadores.

 

Felipe (falando baixo): Eu vou correr pela lateral e provavelmente, alguém afobado irá atrás de mim. Se eu conseguir cortá-lo, vou tocar para você (aponta para Rodrigo) perto da área... Você fará que todos pensem que irá chutar, inclusive o goleiro... Então, mais atrás surgirá você (aponta para Gustavo) Que chutará em direção ao gol que estará aberto...

 

Gustavo (assustado): Eu?


Felipe: Aham... Chegou a hora de se tornar herói... (bate palmas)... Vamos lá galera!

 

O jogo se reinicia. O adversário cobra, tocando para um companheiro. Um jogador dos Gladiadores rouba a bola, tocando rapidamente para Felipe, que sai correndo pela lateral direita. Um rapaz se aproxima dele, tentando interceptá-lo. Felipe finge que vai chutar, mas dá um corte, fazendo o rapaz passar com tudo para frente e escorregar. Ele olha para Rodrigo e toca. Rodrigo abre as pernas, deixando a bola passar.

 

Em câmera lenta, vemos a bola rolando, até parar nos pés de Gustavo. Já não se ouve som nenhum. Corta para um contador de tempo que marca: 00:10.

 

A câmera dá rápidos closes em Paulo, Felipe , Cláudio da arquibancada e por fim Gustavo com os olhos bem abertos. Ouve-se suas batidas do coração. Ele abaixa a cabeça e rola a bola. Ainda em câmera lenta o vemos chutando. A imagem segue a trajetória da bola na direção do gol. O goleiro outrora enganado, que estava indo para o outro lado, se estica, tentando pular na direção da mesma. Ela vai se aproximando até bater na trave.

 

Close no rosto de Felipe, de Cláudio que se levanta, Paulo e por último do próprio Gustavo. Corta para o goleiro caindo, a bola respingando na trave e girando até entrar devagar no gol.

 

Música: Longview - Further

 

O movimento da câmera volta ao normal. Corta para a torcida que pula e grita. Felipe corre até seus companheiros, comemorando. Cláudio e Helen se abraçam na arquibancada. Gustavo cai de joelhos, sem acreditar. Os companheiros se aproximam e pulam em cima dele, formando um bolo.

 

Nesse instante a torcida invade a quadra, comemorando com os jogadores. O juiz faz sinal de fim da partida. Os jogadores adversários saem de cabeça baixa.

 

Paulo é cumprimentado por um jogador no banco. Ele está sorrindo. Uma mão toca seu ombro. Quando ele vira, vemos se tratar de Cláudio. Ele estendo a mão para Paulo.

 

Cláudio: Parabéns...

 

Paulo se faz surpreso com a atitude. Depois, estendo a mão também e ambos se cumprimentam.

 

Cláudio: Eu queria me desculpar pelo que disse aquela vez... Foi um ato sem pensar... Desculpe...

 

Paulo (sorrindo): Ótimo! Mas não vai pensando que isso irá te trazer de volta para o time...

 

Cláudio (sorrindo): Não... Isso já não faz mais parte de mim... Foi bem melhor ficar na torcida...

 

Eles se olham por breves segundos. Cláudio vira e vai embora. Paulo esboça um leve sorriso.

 

Corta ainda para alguns takes antes de fechar a cena.

 

- Felipe, Gustavo, no meio da quadra, pulando juntos com outros jogadores e torcedores.

- Cláudio e Helen caminhando e conversando animadamente pelo corredor Do ginásio. 

- Paulo caminhando na direção da sua sala. Ele é tocado por alguém nas costas. Quando vira, vemos Isabel. Ela está sorrindo e mexe os lábios, dando a entender que se trata de um parabéns. Em seguida abre os braços e o abraça por impulso. Paulo fica sem reação de início, mas acaba cedendo e retribuindo o abraço.

 

Muda a imagem para um ângulo aéreo da quadra ainda lotada. Após alguns segundos, a tela escurece.

 

 

Abre na rua da casa de Amanda. Vemos o carro de Roger parado, duas casas antes da dela. 

 

Música: Travis - Turn

 

Corta para Roger sozinho dentro do veículo. Ele olha para o lado e sorri. A câmera se movimenta devagar, mostrando uma caixa média, embrulhada, em cima do banco do passageiro. Ele pega o celular e começa a discar. Ouve-se o barulho de uma porta abrindo. Roger rapidamente fecha o celular e pega o embrulho. Ele olha na direção da varanda de Amanda e sorri novamente.

 

A câmera muda, mostrando Amanda aparecendo na varanda. Segundos depois, Davi também aparece.

 

Corta novamente para dentro do carro. Roger começa a desfazer lentamente o sorriso.

 

Volta a cena para Davi e Amanda. Eles estão de frente um para o outro, sorrindo. Após alguns segundos, se abraçam e começam a se beijar demoradamente. Um clarão toma conta da tela.

 

Frente de uma porta. A mesma abre e Davi aparece. Ele sorri. A câmera gira, mostrando Amanda parada do lado de fora.

 

Cont- Travis - Turn

 

Davi (sorrindo): Eu disse que no final das contas, era comigo que você iria ficar...

 

Ela sorri e se aproxima, beijando-o apaixonadamente. Ele a abraça, conduzindo-a para dentro. A porta fecha e a imagem se afasta devagar, mostrando uma pequena kitnet. O clarão novamente toma a tela, voltando para frente da casa de Amanda, onde ela e Davi continuam se beijando.

 

Corta para dentro do carro. Roger abaixa a cabeça e joga o presente no banco ao lado. A câmera muda para o lado de fora, num ângulo aéreo, permanecendo assim por alguns instantes.

 

 

Quarto de Gabriel. Ele fecha a mala, em seguida respira fundo. Atrás podemos ver Nicole encostada na porta.

 

Cont- Travis – Turn

 

Nicole: Que horas você sai amanhã?

 

Gabriel: Vou madrugar, cinco e meia já tenho que estar de pé...

 

Nicole (desencostando da porta): Bom, eu não vou acordar para me despedir, então... Tchau.

 

Gabriel (sorrindo): Tchau, Nick... Se comporte na minha ausência... (sorri novamente).

 

Ela esboça um leve sorriso, em seguida vira para sair, mas fica parada, de costas para ele. Após alguns segundos, vira novamente, olhando-o.

 

Nicole: Desde que nossos pais se casaram, essa é a primeira vez que ficamos tanto tempo separados...

 

Gabriel: É verdade... Mas são apenas três meses...

 

Nicole (hesitante): Mas mesmo assim, sentirei sua falta...

 

Gabriel (incrédulo): Mesmo? Mas por quê?

 

Nicole (dando os ombros): Porque você sempre me protegeu, mesmo eu não merecendo. Porque quando eu fugi, tinha certeza que arrumaria um jeito de me buscar... (pausa) Porque você sempre se doou, sem querer nada em troca, e continuou a fazê-lo, mesmo depois de tanta patada da minha parte...

 

Nicole (rindo): Nicole, não leva a mal... Mas ainda preciso me acostumar com esse seu jeito carinhoso de me tratar...

 

Nicole: Acima de tudo, vou sentir sua falta porque... (pausa)... Você é meu irmão.

 

Gabriel fica em transe, olhando-a por alguns segundos.

 

Gabriel: O que você disse?

 

Nicole (com os olhos cheios de lágrimas): Você é meu irmão...

 

Imediatamente eles se aproximam e se abraçam fortemente, emocionados. Gabriel passa a mão no cabelo de Nicole que fecha os olhos, deixando as lágrimas escorrem dos mesmos. Devagar a câmera começa a se afastar dos dois, ao mesmo tempo em que a imagem começa a transparecer, transitando de cena.

 

 

Sala da casa de Helen. Cláudio está sentado no sofá, um pouco impaciente. Ao lado, vemos Helen sentada numa poltrona, concentrada na televisão. Após alguns segundos, Cláudio pega o controle e desliga o aparelho, olhando para Helen.

 

Cont- Travis – Turn

 

Helen: Eu estava gostando do filme, caso não esteja sabendo...

 

Cláudio: Eu tenho uma proposta para te fazer...

 

Ela franze a testa, confusa. Cláudio parece um pouco nervoso.

 

Cláudio: Na verdade não é uma proposta, é um convite... (respira fundo) Ano passo, eu recebi dois convites para ir ao baile e acabei fazendo a escolha errada... Esse ano, eu quero reparar esse erro. Mas não porque preciso fazer isso por estar em divida, ou coisa parecida. Mas porque a sua presença se tornou a mais importante para mim...

 

Close no rosto de Helen, voltando para o rosto de Cláudio.

 

Cláudio: Helen, você me daria a honra de ir ao baile comigo?

 

O som toma conta da cena. Helen fica sem reação. Cláudio sorri para ela. Após alguns segundos, ela também sorri. A tela escurece.

 

 

Frente da casa de Lívia. A porta abre e Solange aparece, expressando uma feição séria em seguida. A câmera gira mostrando Roger parado do lado de fora.

 

Roger: Oi dona Solange... A Lívia está?

 

Solange (séria): Não, não está.

 

Roger: Pode me dizer que horas ela vai chegar?

 

Solange: A Lívia viajou... Ela antecipou suas férias e foi passar um tempo na casa do pai...

 

Roger (desapontado): Ah... (pausa) Okay... Poderia dizer a ela que eu estive aqui então?

 

Solange: Não, não poderia. (pausa) Você tem noção do mal que fez a minha filha? Tem noção do quanto ela ficou chorando essa semana, à ponto de não querer ir ao colégio? (balança negativamente a cabeça) Escuta aqui garoto... Quando ela voltar, faz um grande favor a nós... Não a procure mais. Ela merece coisa muito melhor do que você...

 

Roger (abaixando o olhar): Eu sinto muito...

 

Solange: Sentir muito não irá adiantar de nada agora...

 

Ela entra e fecha a porta. Roger permanece parado, expressando uma feição triste. A câmera muda para um ângulo aéreo. Depois, a imagem sobe, mostrando o céu escuro. Quando desce, vemos a frente da casa de Roger.

 

Corta para dentro. Roger caminha pelo corredor, chamando por Vera.

 

Roger: Mãe? (pausa) Mãe?

 

Ele olha dentro do pequeno quarto que seria de seu irmão. Depois, se dirige até o quarto dela.  Artur está sentado na beira da cama, de costas para a câmera. Roger entra devagar.

 

Roger: Onde está minha mãe?

 

Artur não responde, continuando a ficar de costas, sem encará-lo. Roger se aproxima e começa a balançá-lo.

 

Roger: Onde está minha mãe?

 

Artur lentamente levanta a cabeça, olhando para Roger. Nota-se que seus olhos estão vermelhos, cheios de lágrimas.

 

Música: Oasis - Little By Little

 

Roger abre bem os olhos e se afasta um pouco.

 

Roger: Não... Você não fez isso...

 

A câmera dá um close no rosto de Artur. A tela é invadida por um clarão. Quando se desfaz, temos a visão do carro na garagem. Dentro, Artur segura com as duas mãos no volante, chorando que nem criança. A imagem se desloca para o lado, mostrando Vera de olhos fechados, aparentemente dormindo.

 

O portão da garagem começa a subir e conforme vai subindo, o choro de Artur se torna mais intenso. Ele olha para Vera.

 

Artur (chorando): Me perdoa meu amor...

 

A câmera muda para o lado de fora. O carro começa a sair, virar e descer a rua do condomínio.

 

O clarão toma conta da tela novamente, desfazendo no quarto de Roger. Ele joga algumas roupas dentro de uma bolsa, enfurecido. Artur entra desesperado.

 

Cont- Oasis - Little By Little

 

Artur (desesperado): Por favor, filho. Você tem que me entender...

 

Ele encosta a mão no braço de Roger, que furioso, tira.

 

Roger (furioso): Não encosta em mim...

 

Ele pega a bolsa e sai do quarto. Artur o segue. Corta para ele descendo apressadamente a escada. Artur vem logo atrás.

 

Artur (desesperado): Filho, por favor, espera!

 

Roger abre a porta e sai, caminhando pelo jardim. Artur corre até ele, segurando seu braço. Roger agressivamente puxa o braço e empurra Artur.

 

Roger (agressivo): Não me chame mais de filho!

 

Artur: Você tem que entender que isso vai curar a sua mãe...

 

Roger: Não! O que iria curar a minha mãe seria o amor, o carinho, a dedicação que nós daríamos a ela...

 

Artur (com dor): Por favor...

 

Roger (chorando de raiva): Sabe... Talvez um dia eu entenda essa vida injusta. Talvez um dia eu volte a ser feliz. Talvez um dia eu perdoe a Deus por ter permitido que uma coisa dessas acontecesse com ela... Mas nunca, nunca vou te perdoar pelo que fez... Você acabou com a vida da minha mãe... Você acabou com essa família... (pausa) Você matou o meu irmão!

 

Os lábios de Artur começam a tremer.

 

Roger: A partir de hoje, você morreu pra mim.

 

Ele vai até seu carro que está estacionado em frente. Abre a porta e entra, ligando-o e saindo cantando pneus.

Artur fica paralisado, com os olhos vermelhos e os lábios tremendo. A câmera sobe devagar, mostrando o condomínio numa visão aérea.

 

Após alguns segundos, a tela escurece.

 

 

 

 

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Créditos Finais:

 

 

Criado e Escrito por:

 

Thiago Monteiro

 

Participações Especiais:

 

Jamie-Lynn Spear – Jéssica

Amy Yasbeck – Isabel

Jesse Maccartney – Davi

Jennifer Ehle – Solange

 

Música Tema:

 

Switchfoot - Meant To Live

 

Trilha Sonora:

 

Vertical Horizon - Everything He Wants

Third Eye Blind - Deep Inside Of You

Paramore - My Heart

Matt White – Wasteland

Fall Out Boy - 7 Minutes In Heaven

The Click Five - Say Goodbye

Longview – Further

Travis – Turn

Oasis - Little By Little

 

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