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Calvin
Goldspink (em off): Anteriormente em Descobrindo... Roger: ... O importante é que estamos aqui, juntinhos... Para
esquecermos os problemas em Bom Destino e vivermos um momento de paz... ___________________________________________ Vera: Eu acho que não existe dor mais do que uma
mãe perder o filho... Eu quase perdi o Roger antes dele nascer, e tenho
certeza que minha vida não seria a mesma se tivesse acontecido... Corta: Silvia (sorrindo): E qual o nome ele terá? Vera (sorrindo): Cayro. ___________________________________________ Garota: Exatamente... Qual o seu nome? Gustavo (se animando e indo até ela): Gustavo... Garota (sorrindo): Bom Gustavo, poderia devolver o meu chapéu? Corta: Renata: É a republica que eu moro. Vamos dar uma
festinha hoje à noite... Aparece por lá... Quem sabe algo muito interessante
aconteça entre nós? ___________________________________________ Felipe: O que deu em você? Nicole: O que deu em mim? O
que deu em você para ficar se engraçando com aquelazinha lá... Felipe: Por favor... Crise de
ciúmes quando não somos nada, não! Corta: Nicole: Ótimo, então escuta
essa... (fala com gosto)... Vai a
merda! E fica com aquela biscate. Você acabou de provar que é igual aos
outros mesmo... ___________________________________________ Pri:... Gaby, nossa amizade
está tão gostosa... Não vamos deixar as coisas se confundirem para depois
estragar tudo... Vamos deixar do jeito que está, por favor? Não alimente nada
entre a gente... ___________________________________________ Nicole: Pára... Eu não
quero... (falando com mais força)
Não! Alex
(beijando o pescoço dela): É rapidinho, você vai adorar... Corta: Murilo: O que está acontecendo
aqui, Alex? Alex: Esses aí me
atacaram... (aponta para Nicole)...
Essa vagabunda quase esmagou meus miolos... ___________________________________________ Renata: Deixa que eles
resolvam isso... (segurando na mão
dele) Vem, vamos para cima... Gustavo
(tirando sua mão da dela): Não posso... Renata: Por quê? Gustavo: Porque eles são meus
amigos... ___________________________________________ Nicole: E não é só por ontem
que eu quero agradecer. Mas por sempre cuidar de mim... Ela
segura na mão dele, com os olhos brilhando. Gabriel e olha, surpreso. Nicole: Desculpa por tudo... ___________________________________________ Lucio:
O que
houve? Artur
(com as mãos no volante, tremendo): Alguma coisa está errada... Precisamos levá-la ao
hospital... Corta: Médico
(após alguns segundos): Lamento, mas receio que senhor terá que se preparar. Um
dos dois tem grandes chances de não sobreviver a cirurgia... ___________________________________________
Parte
interna da casa de Roger. Close na porta abrindo e Artur entrando
apressadamente, chegando à sala. Artur: Vera? ... (caminha)... Vera? Vera
aparece da cozinha. Vera: Posso saber o
porquê dessa afobação toda? Ele
coloca as mãos na cintura e acena com a cabeça. Artur: E aí? Vera: E aí o que? Artur: Já que não quis
atender os meus telefonemas, quer parar de me matar de curiosidade? Responde
mulher! Vera (desanimada): Não atendi para
não te desanimar mesmo... Artur
fica sério, expressando desapontamento. Artur
(suspirando): Outro alarme falso... Vera (triste): Pois é... (o olha e sorri)... Claro que não! Artur
imediatamente levanta a cabeça e arregala os olhos. Voltando a se animar. Artur: Não? Quer dizer
que nós? Ela
lhe mostra um envelope, animada. Vera (feliz): Estamos grávidos! Ele
se aproxima dela, abraçando-a e girando-a. Artur
(feliz/aliviado): Você adora me torturar, huh? Vera: Adoro! E agora
você terá de me agüentar mais uma vez... Artur: Eu te agüentei na
primeira gravidez. Agora dezessete anos mais madura, não será tão difícil... Vera: Isso, fala que eu
serei uma mãe velhota. Que meu bebê me chamará de vovó ao invés de mamãe...
Fala... Artur: Bom, acredito que
ele sentirá um pouco de vergonha no começo da adolescência, mas depois
acabará se acostumando... (ri). Vera: Verdade... Duvido
que ele queira ser visto com um pai careca... Artur: Mas quem disse
que eu sou careca? Vera: Daqui cinco anos
será... Ambos
começam a rir. Artur coloca a mão na barriga dela, emocionado. Artur: Nossa! Grávida!
Depois de tantas tentativas... Pensei que a vida nunca mais nos daria uma
chance dessas... Vera: A vida adora
pregar peças na gente... Assim quando havia mais esperanças, a notícia se
tornou muito mais emocionante... (sorri)...
Não vejo a hora de contar ao Roger... Voz de Roger: Contar o que? A
câmera corta para Roger chegando na sala. Artur abraça Vera, sorrindo. Artur: Temos ótimas
noticias... Vera (olhando-o): Eu quero
contar... Artur (sorrindo): Okay, conta
você... Vera: Querido. Seu pai
e eu temos uma ótima notícia para lhe dar... Roger (sorrindo): Finalmente vão me
dar um carro? Vera (séria): Definitivamente,
não! Artur (olhando
para Roger): Eu ainda estou negociando isso com ela... (pisca para ele). Vera: A ótima notícia é
que você... Roger (curioso): Eu? Vera (abrindo os
braços/feliz): Terá um irmãzinho! Close
no rosto de Roger. Após alguns segundos, ele começa a rir. Roger (rindo): Certo... Depois
de tantos anos, vocês iriam ter outro filho? Artur: E vamos... Roger
pára de rir devagar, começando a acreditar. Roger: Estão falando
sério? Estão grávidos? Vera: Sério, seriíssimo
e serião... (olha para cima)...
Céus, essas duas últimas palavras nem devem existir... Artur: Não esquenta
amor. É coisa da gravidez. Roger: Está mesmo
esperando um filho? Vera (entregando o
envelope): Olha o envelope, homem de pequena fé. Roger
pega o envelope, olha o exame e sorri em seguida. Roger (feliz): Mas que ótima
notícia! Ele
abre os braços e caminha até eles, abraçando-os. Roger: Parabéns!
Finalmente terei um irmãozinho. Tá certo que com muitos anos de atraso, mas
será muito amado... Artur (sorrindo): Muito amado! Vera (sorrindo): Muito amado! Os
três se abraçam e começam a pular dando voltas, como se estivessem
comemorando. A imagem começa a ficar lenta, mais e mais lenta. A
tela é tomada por um clarão, deixando a imagem branca por alguns segundos. Musica: Stephen Fretwell - Do You Want To Come With Vemos
um céu claro. Alguns pássaros voam como se estivessem dando voltas. A câmera
desce devagar, mostrando um cemitério gramado e com túmulos baixos. No local
há um grupo de pessoas com vestes de luto, próximos a determinado túmulo que
está aberto. A
câmera corta, mostrando Roger com uma expressão bastante triste ao lado de
Lívia. Cláudio (em off): A qualquer um, custa
falar da dor dos outros. Porque, por mais que digamos que entendemos e
imaginamos o quão grande ela pode ser, na verdade nem estamos perto de
saber... Roger
abaixa a cabeça. Corta para o rosto de Artur. Ele aparenta estar perdido, sem
chão. A câmera se movimenta devagar à sua direita, mostrando Vera. Ela usa
óculos escuro, escondendo sua expressão. Cláudio (em off): ...Principalmente
em casos tão dramáticos quanto à perda de um filho. Uma dor, para a qual eu
acho que nenhuma mãe está preparada. A imagem se desloca, mostrando um
pequeno caixão. Ao lado vemos um senhor de terno, com uma bíblia na mão,
narrando algo, mas a música encobre o que ele diz. Corta para o rosto de Cláudio,
fixando nele por alguns segundos. Em seguida se deslocando para o lado,
mostrando Helen. A imagem começa a passear mostrando Amanda, Davi, Gustavo,
Felipe, Nicole, Priscila, Gabriel, Lucio e Silvia, essa última com os olhos
cheios de lágrimas. Novamente frisa o pequeno caixão. O
som abaixa, deixando-nos ouvir o que o senhor de terno diz. Senhor: ...Deixar vir a mim os
pequeninos, não os embaraceis, pois dos tais é o reine de Deus.... O
caixão começa a descer. Close em Vera que desaba a chorar. Artur com dor a
abraça, tentando ser forte. Voz do senhor: E
pedimos forças a Ele, para que possamos suportar a navegação do nosso estágio
da perda, enquanto nos despedimos do pequeno Cayro, deixando-o descansar em
paz. Novamente
frisa o caixão descendo, enquanto ouvimos alguns choros. Cláudio
(em off): E
em toda perda, os envolvidos passam pelos piores estágios de sua vida. São
esses, “Estágios da Perda”... Roger
abaixa a cabeça e vira para o lado, saindo. Lívia sem saber o que fazer, fica
parada, apenas o observando com dor. A imagem sobe lentamente mostrando
algumas pessoas saindo e outras indo consolar Vera e Artur. A
tela escurece.
Casa de Roger – Quarto de Vera e Artur. Música Instrumental Lenta Vera está sentada na cama, olhando para um
espelho grande que está à sua frente. Ela parece estar perdida, desorientada.
Roger se aproxima e coloca a mão no ombro dela. Roger: Mãe, posso te trazer
alguma coisa para comer? Ela não responde, continuando a olhar para o espelho. Roger: Mãe? Vera (olhando
levemente para ele): Hã? Roger: Posso trazer
alguma coisa pra você comer? Vera (olhando
novamente para o espelho): Não... Roger
a olha por alguns instantes. Artur se aproxima, colocando a mão no ombro
dele. Artur: Deixa que eu
cuido dela... Roger
dá uma última encarada em Vera. Depois, abaixa a cabeça e sai do quarto.
Artur senta ao lado de Vera. Artur: Amor... Vem comer alguma coisa? Faz dias
que não há vejo colocando nada na boca... Vera: Não estou com fome... Artur: Mas você não pode
ficar fraca desse jeito... Vera: E o que me importa?
Ele a encara por alguns segundos. Depois, coloca a mão no
braço dela. Artur: Por favor, não faça
isso... Vera (puxando o braço, nervosa): Não fazer o que? Eu acabei de enterrar um filho, o que você
espera que eu faça? Artur a olha com espanto. Em seguida respira
devagar, fechando os olhos e falando pausadamente. Artur: Eu sei... Eu sei... Vera: Me deixa sozinha... Ele a olha por alguns instantes. Ela o
encara seriamente. Vera: Eu quero ficar sozinha! Artur abaixa o olhar, em seguida levanta
devagar e sai do quarto. A câmera se aproxima lentamente do rosto de Vera,
fixando assim por alguns instantes. A tela é tomada por um flash. Quando se
desfaz, temos a visão de Vera deitada em uma cama de hospital. Ela abre os
olhos devagar, franzindo a testa em sinal de estranheza. A imagem abre,
mostrando Artur sentado numa cadeira próximo à janela. Ele levanta ao olhar e
ao vê-la, vai ao seu encontro. Artur (aliviado): Graças a Deus você acordou... Vera: Quanto tempo eu fiquei assim? Artur: Praticamente quarenta e oito
horas... Ela olha para o lado. Depois franze a testa
como se estivesse percebido algo. Close em sua mão sendo levada a barriga. Vera: E o Cayro, como ele está? (sorri) Como ele é? Artur abaixa o olhar, expressando um perfil
triste. Vera o olha com desconfiança. Musica Instrumental Lenta Vera (séria): Pede para trazê-lo
aqui... Eu quero conhecê-lo... Artur (sem saber o que dizer): Vera... Ela o encara com serenidade. Vera (séria): Artur... Onde está meu
filho? O que você está me escondendo? Artur (com dor/mal conseguindo fala): Vera, houve grandes complicações durante o parto... Ele não consegue mais falar. Os olhos de Vera começam a
brilhar. Vera (sem acreditar): Não, não. Onde está
meu filho? Me leva para ver o Cayro agora! Artur (com dor no falar): Amor... (pausa e fecha os olhos)... Sinto muito. Vera desaba a chorar, segundos depois levanta da cama,
atordoada. Artur a segura. Artur: Aonde você vai? Não
pode sair da cama ainda... Vera (chorando/tentando sair/falando desesperadamente): Eu quero ver o meu filho... (chora)...
Ele está no berçário... Eu sei que está! Artur (segurando-a): Não! (segura mais forte ainda)... Não! Vera (chorando): Meu filho... (incrédula)... Não pode ser verdade... Ele a abraça fortemente, enquanto ela
encosta a cabeça no peito dele, aos prantos. Ela dá leves socos no braço de
Artur. Vera (chorando/desesperada):
Isso não é verdade... Não é verdade! Close na expressão de Artur, ele se segura
para não chorar. Seus olhos estão brilhando. Lentamente a câmera se distancia
deles, até que a tela é tomada novamente por um flash. Vera continua sentada na cama, em frente ao
espelho. Ainda é possível ouvir vagamente seus choros do flashback. Ela abre
bem os olhos e enfurecida, pega um objeto do chão e atira contra o espelho,
quebrando-o. Ela começa a respirar ofegante. Artur e Roger entram
apressadamente no quarto. Olhando-a assustados. Ela se inclina, apoiando os cotovelos sobre
as cochas e as mãos sobre o rosto. Corta para Artur e Roger, fechando a cena
na expressão dos dois. Casa de Cláudio – Quarto. Música: Gavin DeGraw - We Belong
Together Cláudio está sentado na cama, visivelmente
abatido. Ele ainda veste as mesmas roupas do enterro. Helen, que também
permanece vestida do mesmo jeito, se aproxima dele, sentando ao seu lado e
passando a mão em seu cabelo. Cláudio (olhando para frente):
A gente foi criados juntos, como irmãos. A dor que ele está sentindo, é
praticamente a mesma que eu estou... (a
olha)... Mas sabe o que é pior? Eu não consegui me aproximar dele... Breve silêncio. Helen apenas o olha com
pesar. Cláudio (balançando negativamente a cabeça):
Ele é meu melhor amigo e eu nem sei o que dizer num momento como esse... Helen: Acho que ninguém sabe... Por mais
que procuremos palavras de conforto, nada vai conseguir amenizar a dor que
eles estão sentindo nesse momento... Cláudio: Eu sei... Mas me sinto bastante
impotente... Helen: Talvez um abraço do melhor amigo,
surja mais efeito do que mil palavras que possa ter... Ele a olha e esboça um leve sorriso, mas com
uma expressão de dor. Cláudio: Você tem razão... Mas enquanto
isso, será que eu poderia receber um abraço da minha melhor amiga? Helen esboça um leve sorriso, em seguida o
abraça fortemente. Cláudio retribui na mesma intensidade, fechando os olhos.
Helen também fecha os olhos. A câmera se distancia ao mesmo tempo em que
começa a transparecer, transitando de cena... Rua da casa de Nicole. O carro de Felipe
estaciona, cortando para dentro. No banco do passageiro está Nicole e atrás
vemos Gabriel. Cont-
Gavin DeGraw- We Belong Together Felipe: Estão entregues… Gabriel: Obrigado, Felipe. Ele abre a porta e sai. Nicole faz menção de
sair, mas Felipe coloca a mão no braço dela. Felipe: Posso falar com você um instante? Ela desiste de sair, encarando-o. Felipe: Coisa todos nós presenciamos,
huh? Ainda mais você que estava dentro do carro na hora do ocorrido... Nicole: Foi muito triste... Felipe: Se precisar conversar sobre isso,
pode me procurar, okay? Nicole: Felipe, vai direto ao assunto,
por favor? Felipe (suspirando): Eu
queria falar sobre o que eu disse na praia... Nicole: Não há nada que precise ser
falado... Você deixou bem claro que éramos apenas amigos. Eu que acabei me
sobrepondo... Felipe: Eu sei, mas não era verdade... (a olha)... Nicole... Nicole (interrompendo): Não
completa a frase... (respira fundo)...
Olha, eu tive medo de me envolver novamente e quando nós ficamos sérios, eu
acabei me recolhendo para sofrer outra vez. Mas quando você foi me buscar
aquela vez, senti que você fosse diferente, que valeria a pena entrar de
cabeça nessa relação... Mas não, acabou provando que é igual a todos os
outros... Felipe: Não fala assim... Acha que eu
também não me senti inseguro em relação a nós? Em qual momento você chegou a
mim e disse que me queria de volta? Pelo contrário, mostrou que mudou, mas
não agiu... Nicole: Você tem razão e sabe o que é
melhor? Fazer o que combinamos desde o começo... Sermos apenas amigos, mas
dessa vez, sem esperança de qualquer outro tipo de envolvimento... Felipe fica sem ter o que dizer, apenas
balança de leve a cabeça. Nicole abre a porta e sai. Antes de fechar, o olha. Nicole: Eu não quero mais e não vou
voltar atrás nessa decisão... (pausa)
Obrigado pela carona. Ela fecha a porta e vira, indo na direção de
sua residência. A câmera se aproxima do rosto de Felipe que a observa sem ter
o que dizer. Ele liga o carro, em
seguida, a tela escurece. Centro da cidade – Lanchonete. Música: Radiohead - High And
Dry Amanda e Davi estão a uma mesa que
fica do lado externo da lanchonete. Eles ainda vestem as mesmas roupas do
enterro. Amanda está com uma expressão distante, deixando o lanche à sua
frente intacto. Davi a olha por alguns instantes. Davi: Pensando no que aconteceu? Amanda (olhando-o): No
Roger principalmente... (pausa)
Ficou com uma pena do rostinho dele no enterro... Eu acompanhei o começo da
gestação, presenciei os planos que eles faziam para o futuro junto com a
criança... (abaixa o olhar) Doe
tanto quando o vi recebendo a notícia no hospital... Tive muita vontade de
abraçá-lo... Close no rosto de Davi que dá um leve
sorriso e passa a mão no rosto dela. Amanda: Desculpa estar falando isso com
você... Davi: Não precisa. Afinal, vocês
tiveram uma história juntos, é normal que se sinta assim. Amanda passa o polegar no canto do olho
esquerdo, como se estivesse a limpar uma lágrima que estaria prestes a cair. Davi: Se que você quiser procurá-lo,
quero que saiba que não ficarei chateado... Amanda: Mesmo? Davi: Não encare isso como
autoconfiança exagerada, mas acredito que no final das contas, é comigo que
você vai estar... Amanda (esboçando um leve sorriso):
Autoconfiança exagerada realmente... Mas mesmo que eu queira ir, acredito ser
a última pessoa que ele queira ver na frente... Davi: Acho que num momento como esse,
não há espaço para mágoas passadas... Ela sorri, em seguida segura na mão dele.
Ele leva a mão dela a boca e beija carinhosamente. Quarto de Roger. Ele está deitado na cama,
olhando para cima, com uma expressão bastante abatida. A câmera se desloca
até a porta que está aberta. Lívia aparece, entrando devagar no quarto. Música: Susie Suh - Light On My
Shoulder Lívia: Hey… Roger
(triste): Hey… Lívia: Você quer dar uma arejada, sair do
quarto um pouco? Roger: Não Liv, obrigado. Ela o olha por alguns instantes. Depois, se
aproxima mais e senta na cama. Lívia: O não sei o que posso fazer para
que você se sinta um pouco melhor... (pequena
pausa) Se precisar fazer isso sozinho, eu vou entender. Mas se precisar
de mim, a qualquer hora, momento, mesmo que seja no meio da madrugada (passa a mão no rosto dele) Sabe onde
me encontrar... Ela beija carinhosamente o rosto dele. Em
seguida levanta e vai até a porta. Roger: A vida é tão injusta. Como pôde
permitir que algo assim acontecesse com pessoas tão boas? Lívia (olhando-o com pesar):
Eu sei que você busca respostas, mas infelizmente elas não existem... As
coisas simplesmente acontecem... Roger: Ela mal come, não dorme, fica
vagando pela casa... (balança
negativamente a cabeça) Sabe quando você acorda no meio da noite, todo
suado, e segundos depois respira fundo e agradece a Deus por ter tido apenas
um sonho ruim? Close no rosto de Lívia que acena de leve
com a cabeça. Roger: Eu estou esperando acordar... Ela se aproxima e deita ao lado dele na
cama, olhando-o. Lívia: Não carregue esse fardo sozinho.
Coloque para fora, divida comigo... Ele dá um leve sorriso, depois beija a testa
dela. Roger: Fica um pouco aqui comigo... Ele abre o braço, fazendo com que ela deite
em seu peito. Ela fecha os olhos. Ele continua olhos abertos, olhando para
cima. Lentamente a imagem sobe, ao mesmo tempo em que transparece para outra
cena... Sala da casa de Cláudio. Lúcio está deitado
no sofá. Sua expressão é triste e pensativa. Silvia aparece e senta ao lado
dele. Cont- Susie Suh - Light On My Shoulder Silvia: O Lucas pegou no sono… Ele continua pensativo, olhando para frente.
Silvia passa a mão no cabelo dele. Silvia: No que está pensando? Lucio: Quando descemos do carro, ela
apertou forte a minha mão e me implorou para que não deixasse que nada acontecesse
ao seu neném... (abaixa o olhar)...
Eu disse que tudo ia ficar bem... Silvia: Lucio, você fez tudo o que podia
ser feito... Lucio: Mesmo assim é difícil ver uma mãe
desesperada, lutando pela vida do filho... (suspira) Acredito que ali, sua própria vida já não importava
mais, contanto que ele sobrevivesse... Silvia (após alguns segundos):
Há coisas que me parecem imagináveis... Perder um filho em final de gestação,
ou nos primeiros anos de vida é uma delas. Deve ser uma dor que eu não seria
capaz de suportar, principalmente por saber que os filhos são a razão
completa de nossa existência. (pausa)
A lei natural da vida, dita que os pais devam partir antes dos filhos... Essa
premissa nunca deveria ser quebrada, nunca... Lucio (triste): É verdade... Silvia (olhando-o com pesar):
Vem cá... Ela coloca a cabeça dele em seu ombro,
beijando em seguida. A câmera começa a se afastar devagar, até o final do
cômodo. Após alguns instantes, a tela escurece. Casa de Roger – Cozinha. Musica Instrumental Lenta Vera lava a louça, aparentando estar bem
concentrada no que faz. Após alguns instantes, ela derruba o prato na pia,
que se quebra com queda. Ela passa a o braço na testa, olhando para cima em
seguida. Artur logo aparece, se aproximando rapidamente. Artur (preocupado): O que
aconteceu? Vera: Nada... Ela começa a juntar os cacos. Artur se
aproxima da pia. Artur: Deixa que eu faço isso... Vera: Não. Está tudo bem... Artur: Deixa apenas eu... Vera (nervosa): Eu já disse que está tudo bem! Artur se afasta até a mesa, continuando a
olhá-la. Artur: Não, não está (pausa) Vera, você não precisa fazer
isso... Vera: Ah não? E o que eu tenho que
fazer? Deitar na cama e lembrar o tempo todo daquele maldito dia? Artur: Eu também estou sofrendo com tudo
isso... Se soubesse como está dentro de mim... Vera (encarando-o seriamente):
Mas tem que sofrer mesmo, já que foi o grande culpado por tudo! Artur fica e choque, com os olhos bem
abertos. Vera: Talvez se você não tivesse
travado, eu não teria perdido tanto sangue e meu filho estaria aqui comigo! Artur fica sem respostas. Vera o encara pela
última vez, em sinal de condenação. Depois sai. Ele a acompanha com o olhar,
seus lábios começam a tremer. Quarto de Nicole. Ela está em pé perto da
penteadeira. Ousem-se dois batidos na porta. A câmera se movimenta mostrando
Gabriel encostado na mesma que aparentemente já estava aberta. Gabriel: Vim saber se você está bem... Nicole: Uhum, estou sim... Ela senta na cama, olhando para frente. Nicole: É meio impressionante quando se
está dentro do carro na hora do acontecido... Não consigo tirar essa imagem
da minha cabeça... Gabriel: Pra todos nós foi algo
impressionante... Cinco minutos atrás estavam felizes, dizendo que o ar fez
bem ao bebê, depois estavam chorando com a perda do mesmo... Breve silêncio por alguns instantes. Ambos
ficam expressivos, pensativos. Gabriel: Bom, mas você deve estar querendo
ficar sozinha... Estarei no meu quarto se precisar de mim. Ele vira para sair. Nicole o olha. Nicole: Espera... (pausa)... Fica mais um pouco aqui... Conversa comigo. Gabriel esboça um sorriso. Em seguida se
aproxima e puxa a cadeira da penteadeira, sentando de frente para ela. Eles
começam a dialogar, mas suas vozes são encobertas por um som instrumental. O
imagem começa a se afastar até transparecer e transitar de cena... Casa de Roger – Quarto de Vera e Artur. Música: Jeff Buckley - Hallelujah Vemos Vera de costas sentada na beira da
cama. Roger se aproxima sorrateiramente, levantando a mão para tocá-la. Vera (sem olhá-lo): Eu
quero ficar sozinha... Ele a olha por alguns segundos, em seguida
se aproxima mais. Roger: Mãe... Vera (num tom mais agressivo): Eu quero ficar sozinha... Ele pára imediatamente. Abaixando a mão. Vera (mais calma): Por favor... Roger (fechando os olhos): Okay... Ele sai do quarto. A câmera se aproxima de
Vera, cortando para seu rosto. Ela abaixa o olhar e a imagem dá um close numa
roupinha de bebê que ela segura. Vera sobe a roupa até o rosto, cheirando a
roupa e fechando os olhos, derramando em lágrimas. Depois, ela desaba a
chorar alto e amargamente. Parte interna de um bar – Noite. Cont- Jeff
Buckley – Hallelujah Artur está sentado, de cabeça baixa, próximo a um balcão. À
sua frente está um copo cheio, provavelmente de alguma bebida alcoólica.
Lucio aparece, sentando ao lado dele. Lucio: Oi Artur... Artur: Obrigado por ter vindo. Precisava
desabafar com alguém antes de pular da ponte mais alta da cidade. Lucio: Não fala isso, nem brincando... Artur (após alguns segundos):
A Vera me culpa por tudo o que aconteceu... Lucio: Ela está confusa, garanto que não
quis dizer isso... Artur: Eu não a culpo por pensar
assim... Pra falar a verdade, eu me condeno pelo que aconteceu... (abaixa o olhar)... Me culpo por ter
insistido naquela viagem, achando que faria melhor para o bebê... Me culpo
por ter paralisado no momento em que ela mais precisou de mim... Lucio: Artur, se não torture desse
jeito... Artur: O Roger não falou comigo desde
que voltamos do hospital... Eu vejo em seus olhos o desapontamento, a ira... (balança negativamente a cabeça)...
Como eu queria que tivesse sido eu... Lucio: Pra quê? Desde quando a dor e o
sofrimento seria menor? (breve pausa)
Olha, sua esposa está bastante vulnerável, é compreensível que ela queria
colocar a culpa em alguém... Assim se torna até mais fácil para ela passar
por esse estágio... (pausa) Mas lá
no fundo, ela também deve se torturar achando que de alguma forma, é
responsável por essa perda... Breve silêncio. A câmera dá um close na
expressão triste de Artur. Lucio: Sendo mais frágil, ela vai
precisar muito de você... (empurra o
copo) E sóbrio... Artur: Não, é só pedi isso aí, mas tomei
uma gota... Lucio: Vem... Vamos para casa. Apenas,
deixe-aela viver esse período de luto sem acreditar que a culpa é sua... E
você, chore um pouco, vai te fazer bem... O som toma conta da cena, enquanto os vemos
se deslocarem para a saída. Lucio coloca a mão no ombro de Artur e a câmera
fica parada, focando os dois saindo. Quarto de Roger. Ele está deitado na cama,
olhando para a parede, atacando uma bolinha de tênis na mesma. Ouvem-se duas
batidas na porta. A mesma se abre e Cláudio aparece. Música: The National - Daughters Of The
Soho Riots Cláudio: Posso entrar? Roger: Desde quando você precisa pedir
permissão para isso? Cláudio esboça um leve sorriso e entra,
parando perto da cama. Cláudio: Vim saber como você está... Roger não responde, apenas o olha. Cláudio
sobe as sobrancelhas. Cláudio: Desculpa, pergunta idiota. Pra
falar a verdade ensaiei buscando palavras para chegar até aqui, mas
infelizmente não tenho o que dizer... Roger: Está tudo bem. Eu no seu lugar
acredito que não teria também... Cláudio puxa uma cadeira e senta à frente
dele. Cláudio: Eu quero que você saiba que vocês
sempre foram uma segunda família para mim. E a dor que estão sentindo, eu
também estou... Roger: Eu fico me perguntando... Se Deus
existe, como pode permitir que uma criança que sequer teve o primeiro suspiro
fora do ventre, venha a falecer? Qual o propósito disso? Fazer milhares de
famílias sofrerem? (pausa)
Enquanto vários pais abandonam seus filhos, jogam em lagos para morrerem...
Quem ama incondicionalmente os perdem... (balança
a cabeça em sinal de reprovação) Eu não consigo aceitar uma coisa
dessas... Cláudio (após alguns segundos):
Olha, eu acredito muito em Deus, mas entender os seus propósitos, é
impossível. E se formos tentar buscar respostas, acredito que
enlouqueceremos... Roger: Eles tentaram tanto ter outro
filho, estavam tão felizes com a chegada do Cayro... Agora isso... Cláudio: Hey, vocês vão aprender a lidar
com isso, sei que vão... (toca no
braço dele)... A turma vai se encontrar lá na praça. Você não quer ir,
tentar aliviar um pouco a cabeça? Roger: Não obrigado, eu prefiro ficar
sozinho mesmo... Cláudio: Eu entendo, mas não sofra
sozinho. Saiba que estamos todos juntos nessa, okay? (levanta) Se mudar de idéia, liga no meu celular... Roger acena de leve a cabeça e esboça um
leve sorriso. Cláudio o olha com uma expressão de dor, em seguida sai do
quarto. A câmera fecha na expressão de Roger. Ele fecha os olhos. Quarto de Vera e Artur. Ela está deitada na
cama, aparentemente dormindo. A câmera se move até a porta, mostrando Artur
entrando. Ele a olha por alguns instantes, depois se inclina e puxa um
lençol, cobrindo-a. Ele passa a mão no cabelo dele, e beija seu rosto com
ternura. Em seguida caminha até a janela, olhando para a mesma. -Som de um carro freando bruscamente. Artur (em off/voz ecoada):
Oh meu Deus! Roger (em off/voz ecoada):
Por que você parou? Segue logo com a droga desse carro, precisamos de um
hospital... Os olhos dele começam a se encher de
lágrimas. Ele olha para Vera que continua dormindo. Depois senta na beira da
cama, coloca as mãos no rosto e chora amargamente. Um som instrumental toma a
cena, enquanto a câmera devagar se distancia, ainda mostrando-o aos prantos.
A tela escurece lentamente. Abre mostrando o quarto de Roger. Ele
continua abatido, deitando na cama. Música: The Fray - How To Save A Life Roger levanta e vai até a janela, olhando
para a mesma por alguns instantes. Inquieto, ele começa a andar pelo quarto,
parando no meio. Ele olha para frente, parecendo observar algo e começa a
caminhar na direção do mesmo. A câmera se aproxima da mesinha, onde vemos um
retrato dele e Lívia juntos, com os rostos colados. Ele pega o porta retratos
e fica olhando para o mesmo, pensativo. Depois, olha para frente novamente...
Praça da cidade. Gustavo está sentado em um
banco, expressivo. Cláudio aparece e senta ao lado dele. Cont-
The Fray - How To Save A Life Cláudio: Hey… Gustavo: Hey… (franze a testa) O que está fazendo aqui sozinho? Onde está a
Helen? Cláudio: Está ali na casa dela, tomando
banho. Eu disse que esperaria na praça, já que marcamos com o Felipe e os
demais. (o olha) Mas por enquanto
só encontrei você aí, perdido... Gustavo: Estava pensando no que
aconteceu... Cláudio: Eu vi que você ficou bastante
impressionado, não disse uma palavra desde que voltamos... Gustavo: Fiquei por já ter presenciado
algo assim. É duro, nada será como antes... (olha para frente) Uma mãe nunca deveria perder um filho. Amor de
mãe é capaz de tudo, jamais deveria sofrer esse golpe... A vida nunca deveria
ser amarga assim... Cláudio: A morte é algo difícil de se
aceitar em todos os termos, seja pai, seja filho... É complicado... Nesse instante Helen aparece, se aproximando
dos dois. Helen (franzindo a testa):
É uma miragem, ou vocês dois estão realmente conversando civilizadamente, sem
estarem alcoolizados? Gustavo (sorrindo): Somos
homens civilizados... Cláudio (sorrindo): De
vez em quando é possível nos suportarmos... Ela sorri e senta no meio de ambos, apoiando
os braços nas costas de cada um. Helen: Que bom! Assim eu que ganho,
ficando perto dos meus dois amigões... Cláudio (olhando para Gustavo):
Ela disse amigões, mas deixa claro que o preferido sou eu... Gustavo: Óbvio que não. Conta para ele
Helen, tudo que já passamos juntos... Até dá um livro... Cláudio: Mas o que nós já passamos juntos,
dá mais que um livro... Dá centenas de
edições... Pode falar, Helen... Helen começa a rir, enquanto os dois falam
ao mesmo tempo. O som encobre o que eles dizem e a câmera começa a se
distanciar devagar, ao mesmo tempo em que a imagem transparece para outra
cena... Frente da casa de Lívia. Roger está
encostado em seu carro, com as mãos no bolso. Lívia aparece, se aproximando
dele. Cont- The
Fray - How To Save A Life Roger: Você tinha razão quando disse
para não sofrer sozinho e dividir minha dor com você... (abaixa o olhar e sobe com os mesmos lacrimejando)... Eu estou
apavorado, Lívia. Estou com medo do que será de nossas vidas depois do que
aconteceu. Tenho medo de a minha mãe fazer uma loucura. Tenho medo do meu pai
não saber lhe dar o suporte suficiente... As lágrimas começam a escorrer de seus
olhos. Lívia o olha com dor. Roger: Nunca passei por uma prova desse
jeito e tenho medo... Muito medo das conseqüências... (chora) Medo de ficar sozinho... Lívia (se aproximando ainda mais):
Vem cá... Ela o abraça fortemente, enquanto ele desaba
a chorar. Lívia: Você nunca estará sozinho, porque
estarei com você... (passa a mão no
cabelo dele)... Agora chora... Chora bastante, coloca isso para fora... A câmera foca o rosto de Roger, que chora
amargamente. Depois foca o rosto de Lívia, que fecha os olhos, derramando
lágrimas em seguida. Lentamente a imagem se afasta de ambos, subindo, mas
ainda foca os dois. Após alguns segundos, a tela escurece. Abre mostrando a cidade amanhecendo numa
visão aérea. Música: Third Day –
Offering A câmera passeia pelas casas do
condomínio até parar na de Roger. Lentamente a imagem se aproxima da mesma,
até cortar para dentro, quarto. Close apenas no rosto de Artur,
ele está de olhos fechados. Após alguns segundos ele abre e a câmera sobe,
mostrando-o deitado sozinho na cama. Ele olha para o lado e franze a testa,
em seguida levanta e vai até a porta. A câmera o segue caminhando pelo
corredor... Cláudio (em off): A morte é sempre o limite para o qual não estamos preparados,
seja a de um filho, seja a dos pais... Ele chega a uma porta. A câmera
corta para dentro, mostrando Vera em pé, num quarto, balançando um berço como
se estivesse para fazer alguém dormir. A imagem se aproxima lentamente do
rosto de Artur que a olha... Cláudio (em off):
... Os limites da coragem
são constantemente desafiados nestas alturas. E só o amor é maior que tudo o
mais, mesmo a morte. Novamente foca a
imagem de Vera a balançar o berço. A imagem transparece... Cemitério. Roger está parado em
frente ao túmulo de seu irmão. Ele olha tristemente para o mesmo. Cont-
Música: Third Day – Offering Nesse instante, a tela é tomada
por um flash, que mostra a cena inicial dele com seus pais pulando abraçados,
comemorando a notícia da gravidez. Novamente a tela é tomada por um flash,
voltando para Roger no cemitério. Atrás dele, vemos Amanda
aparecendo e se aproximando devagar, ficando ao seu lado. Eles se olham por
alguns instantes, em seguida voltam os olhares para o túmulo. Corta para a mão de Amanda se
aproximando da mão dele e segurando-a. A imagem lentamente começa a se
afastar e subir, mostrando o cemitério numa visão aérea por segundos. Lentamente a tela escurece. Créditos Finais: Criado e Escrito por: Thiago Monteiro Participações Especiais: Jesse Maccartney – Davi Música
Tema: Switchfoot - Meant To
Live Trilha Sonora: Stephen Fretwell - Do You Want To Come With Gavin DeGraw - We Belong Together Radiohead - High And Dry Susie Suh - Light On My Shoulder Jeff
Buckley – Hallelujah The
National - Daughters Of The Soho Riots The Fray
- How To Save A Life Third Day – Offering |
