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Beau Mirchoff (em off): Anteriormente em Descobrindo...

 

Cláudio: Aconteceu alguma coisa que te fez ir embora, não aconteceu?

 

Bruno abaixa o olhar, pensativo.

 

Cláudio: Vamos lá, pode confiar em mim...

Bruno: Okay, eu confesso que foi um refugio ter vindo pra cá do que vontade propriamente dita... (respira fundo e olha para Cláudio)... Lembra da namorada que te falei?

 

Cláudio concorda com a cabeça.

 

Bruno: Descobri que ela andava me traindo... (pausa)... Com meu melhor amigo.

 ___________________________________________

Bruno: Você acha que seria cedo demais avançarmos um passo?

Helen: Significaria o que exatamente avançar um passo?

Bruno: Namorar...

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Helen: Está feliz por mim?

 

Corta:

 

Cláudio: Sei que você me achar super protetor outra vez, mas você sabe o quanto é importante pra mim e tenho medo que se machuque outra vez...

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Pri (ainda por cima dele): Sabe que é a segunda vez que eu tenho a impressão que você quer me beijar?

Gabriel: Mesmo? Só que é você que está por cima...

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Roger: Eu te amo...

 

Ela vira para ele e olha por alguns segundos, assustada.

 

Lívia: Você não pode me dizer uma coisa dessas. Você não pode estar me amando... (seus olhos se enchem de lágrimas)... Não brinca com meu coração dessa forma...

Roger: Eu não estou brincando. Acha que é difícil te amar? Não é... Se você tivesse idéia das inúmeras qualidades que possui, saberia que te amar é mais fácil do que qualquer outra coisa neste mundo... (pausa longa)... Eu te amo, Lívia Cristina...

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Cláudio (desconfiado): Aconteceu alguma coisa?

Silvia (após alguns segundos): Sua tia acabou de ligar. Ela estava muito nervosa, muito mesmo... Seja lá o que ele tenha te contado, receio que não tenha sido a verdade...

 

Cláudio franze a testa, bastante atento.

 

Silvia: Seu primo aprontou lá, Cláudio... (pausa)... E foi feio...

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Tela Preta – Grito ensurdecedor da torcida.

 

Música: Forty Foot Echo – Drift

 

Abre dentro do ginásio lotado. Close em Felipe em quadra, chutando a bola e a mesma passando longe do gol. Ele coloca as mãos na cabeça. A câmera gira mostrando Cláudio correndo e Bruno o acompanhando, visivelmente nervoso.

 

Bruno: Quer se acalmar?

 

Cláudio (nervoso): Eu quero você longe da Helen!

 

Bruno (parando): Hã?

 

A imagem mostra a arquibancada lotada, a maioria vestindo as tradicionais cores do time, vermelho e branco. Volta para Bruno e Cláudio na quadra.

 

Bruno: Você não pode estar falando sério...

 

Cláudio (apontando o dedo): Você é cretino, não passa de um mentiroso... Conseguiu enganar a todos...

 

Bruno abre os braços, confuso. Felipe se aproxima deles.

 

Felipe: Hey, está tendo um jogo aqui, caso não tenham percebido...

 

Corta para a arquibancada, onde Helen e Amanda estão.

 

Amanda: O jogo correndo e seu namorado e o Cláudio conversando no meio da quadra...

 

Helen (preocupada): Alguma coisa está acontecendo...

 

A câmera gira rapidamente para Cláudio. Ele aponta o dedo para Bruno e anda.

 

Cláudio: Está avisado...

 

Bruno: Eu não vou fazer o que você está mandando...

 

Cláudio de costas para ele, pára. Em seguida vira e vai a sua direção.

 

Cláudio: Como é que é?

 

Bruno: Você não está bem primo, por que não volta para o banco?

 

Cláudio (esboçando um leve sorriso sarcástico): Claro...

 

Ele imediatamente fecha a caro e acerta um soco no rosto de Bruno. O mesmo vai para trás e cai em seguida. Cláudio corre até ele. Do chão, Bruno acerta um chute em Cláudio, que se desloca para trás. Bruno levanta e vai para cima de Cláudio, ambos começam a se agarrar. Os jogadores se amontoam, tentando separá-los. A câmera corta para o rosto de Paulo, que observa a cena, furioso. Close nos jogadores do outro time, que vestem uniformes pretos, eles estão rindo. Volta novamente para Paulo que olha para cima, incrédulo.

 

Paulo (balançando negativamente a cabeça): Eu não acredito nisso...

 

Ele começa a caminhar, indo em direção ao bolo de jogadores. A câmera muda para um ângulo aéreo, mostrando a alvoroço no meio da quadra. Corta para o placar eletrônico que marca:

“Gladiadores 0x2 Visitantes”.

 

A tela escurece.

 

 

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Frente da casa de Cláudio – Tarde.

 

Legenda: Horas antes...

 

A câmera se aproxima da janela do quarto, cortando para dentro.

Cláudio está em pé, colocando o uniforme do time dentro de uma mochila. Ele está sério. A câmera se movimenta até a porta, mostrando Silvia encostada na mesma.

 

Silvia: O que você pretende fazer?

 

Cláudio: Eu sabia que tinha alguma coisa, aquela história de namorada que traiu ficou um tanto quanto mal contada. Pensei que inicialmente cheguei a creditar... (balança negativamente a cabeça)... Quem mudaria de cidade porque foi traído?

 

Silvia: Não faça nada de cabeça quente. Ouça o que ele tem a dizer primeiro...

 

Cláudio (olhando-a): Sabia que ontem ele pediu a Helen em namoro? Mesmo sabendo de tudo o que ela sofreu... (nervoso)... Acredite, mãe, conversar é última coisa que me passa pela mente agora...

 

Silvia (se aproximando): Eu sei. Mas prometa que não irá fazer nada sem pensar... Independente do que ele fez, não se esqueça que é seu primo, que estendeu a mão quando precisou...

 

Cláudio fica pensativo por alguns segundos, em seguida pega a mochila e se desloca para sair.

 

Cláudio: Obrigado pela informação...

 

Silvia (segurando-o): Cláudio, prometa-me que não irá fazer nada sem pensar?

 

Cláudio: Tá, eu prometo... 

 

Ela solta o braço de Cláudio. Ele sai. Close no rosto de Silvia, que parece preocupada.

 

Externo. Cláudio desce a rua do condomínio, nervoso.

 

Cláudio (em off): Como diria o poeta... “A verdade pura e simples, jamais é pura e raramente é simples”.

 

 

Colégio Esplendor – Ginásio.

 

Música: Maroon 5 - Harder To Breathe

 

Amanda está no corredor, atrás da quadra. Ela olha para cima.

 

Amanda: Cola essas bexigas um pouco mais pra cima...  

 

Um rapaz está em cima de uma escada, colando algumas bexigas vermelhas e brancas na parede.

 

Rapaz: Mas é claro, se tiver um meio de colocar mais degraus na escada, pode ter certeza que farei...

 

Amanda: Pois arrume um jeito...

 

Rapaz (resmungando): Coisinha chata, meu Deus!

 

Amanda: O que você disse?

 

Rapaz (sorrindo): Eu? Nada…

 

Amanda: Acho bom…

 

Rapaz (retrucando): Acho bom…

 

Amanda: Eu ouvi isso...

 

O rapaz olha para cima e faz caretas. Amanda gira os olhos e começa a andar. Uma garota se aproxima dela.

 

Amanda: Trouxe os confetes?

 

Garota (feliz): Sim! Vem comigo.

 

Elas caminham até a arquibancada, onde outras garotas estão sentadas. Close em dois sacos grandes de confetes com as cores pretas e brancas. Amanda balança negativamente a cabeça.

 

Amanda: Onde você arrumou esses confetes?

 

Garota: Mas qual o problema?


Amanda: O problema, espertinha, é que essas são as cores do time adversário.

 

Garota (sem graça): Desculpa...

 

Amanda (girando os olhos): Desisto!

 

Ela vira e começa a andar, passando perto de Helen que aparece no ginásio.

 

Helen: Como vai a organização, tirana?

 

Amanda (franzindo a testa): Por que tirana?

 

Helen: Esse foi o apelido mais simpático que ouvi sobre vocês, desde a entrada do colégio até chegar à quadra.

 

Amanda (balançando negativamente a cabeça): Ninguém faz nada direito... E foi você que disse para eu me ocupar com alguma coisa... A propósito, onde a senhorita esteve a manhã toda, que eu precisei de você?

 

Helen (sorrindo): Estava com o Bruno...

 

Amanda (sorrindo): Que fofo! No começo é assim mesmo...

 

Helen: Não me desanime, por favor?

 

Amanda: Não pense que fugirá dos seus compromissos só porque está de namorado novo...

 

Helen: Eu sei, pode deixar, tirana. (sorri).

 

Amanda: Eu não sou tirana... Talvez um pouco. (sorri).

 

Elas começam a caminhar e passam pelo rapaz que continua em cima da escada, pregando as bexigas.

 

Amanda: Mais alto...

 

Ela continua caminhando. O rapaz faz careta.

 

Amanda (sem olhar e levantando a mão): Eu vi isso...

 

Close no rapaz que arregala os olhos.

 

 

Casa de Roger – Sala.

 

Roger e Lívia estão abraçados no sofá, assistindo televisão.

 

Lívia: Não vai ficar mesmo chateado em perder o jogo de hoje?

 

Roger (sorrindo): Já disse que não, minha linda. Você disse que não poderia ir, e sem você aquilo tudo perde a graça.

 

Lívia: É, porque é a semana em que pai estará em casa...

 

Roger: Eu entendo, jogo terá o ano todo, agora, conhecer o sogrão não.

 

Lívia (sorrindo): Cuidado, pois depois que passar pela prova de fogo, o negócio irá ficar sério...

 

Roger (sorrindo e beijando-a): Quem disse que não é sério?

 

Lívia (beijando-o): É, quem disse?

 

Roger (beijando-a): O negócio é sério...

 

Lívia (beijando-o): Sério, muito sério...

 

Eles deitam no sofá, aos beijos. A câmera se afasta do mesmo, parando em determinado ponto da sala.

 

 

Colégio Esplendor – Ginásio – Vestiário.

 

Os jogadores estão espalhados pelo vestiário, concentrados, mas ainda não vestem o uniforme da equipe. Felipe em pé, se aproxima do banco, onde a maioria está.

 

Felipe: Quero todo mundo na festa da vitória lá em casa, após o jogo.

 

Gustavo: Festa da vitória? E se a gente perder, cara pálida?

 

Felipe: Pensamento positivo, Gladiador. A gente só entra para vencer. Mas, se caso viermos a perder, a reunião ainda está de pé. Afinal, tudo já está comprado mesmo. Só não haverá o mesmo ânimo...

 

Gustavo: É, se bem que será difícil perdemos com o maior talento em quadra, ou seja, eu.

 

Bruno: Sempre tem um palhaço para animar a turma, huh?

 

Bruno levanta e anda. Ele esbarra em Cláudio que acaba de chegar. Close na expressão furiosa de Cláudio encarando-o.

 

Bruno (sorrindo): Distraído, primo?

 

Cláudio (sério): Precisamos conversar...

 

Bruno franze a testa, estranhando a atitude do primo. Nesse instante Paulo chega.

 

Paulo: Todos em quadra, se alongar, já!

 

Os jogadores começam a sair. Cláudio continua encarando Bruno. Paulo olha para Cláudio.

 

Paulo: O atrasadinho aí, poderia se trocar?

 

Cláudio não responde, ainda encarando Bruno. Bruno se desloca para sair, mas Cláudio segura seu braço.

 

Cláudio: Precisamos conversar...

 

Bruno (puxando o braço): Depois, Cláudio. Já sabe a reação do general se eu não for agora... (pausa)... Depois do jogo a gente conversa...

 

Bruno o olha com estranheza, em seguida sai. Fecha na expressão séria de Cláudio.

 

 

Casa de Gabriel – Parte interna – Corredor.

 

Gabriel passa pelo quarto de Nicole que está com a porta aberta. Dentro vemos Nicole em frente ao espelho, se maquiando. Gabriel se aproxima, ficando na entrada da porta.

 

Gabriel: Vai ao jogo?

 

Nicole (de frente para o espelho): Aham...

 

Gabriel: Quer vir comigo?

 

Nicole: Ué, não vai com a sua enfermeira?

 

Gabriel: Nós marcamos de nos encontrar lá...

 

Ela olha seu reflexo um pouco, depois vira satisfeita.

 

Nicole: Qual o lance de vocês?

 

Gabriel: Amizade?

 

Nicole: Deviam deixar de ser e começar a se envolver de outra forma. Quem sabe assim você não sai de um relacionamento imaginário, para entrar num relacionamento real?


Gabriel: Só porque você nunca viu a Jéssica, não quer dizer que ela não exista.

 

Nicole (sarcástica): Uhum, com certeza.

 

Gabriel: Pra começo de conversa, quando você andou comigo? Se interessou em saber da minha vida? Então pode ter certeza se ela existe ou não. Afinal, eu e ninguém, sempre fomos a mesma coisa para você.

 

Nicole não responde. Gabriel balança negativamente a cabeça, em seguida vira para sair.

 

Gabriel: Não sei por que insisto em ser legal com você...

 

Nicole: Espera!... (pausa)... Eu vou com você...

 

Gabriel: Ficou com pena?

 

Nicole: Você me convidou. Quer que eu vá ou não?

 

Gabriel (sorrindo): Te espero lá embaixo...

 

Ele sai. Nicole gira os olhos e esboça um leve sorriso. Em seguida se olha no espelho, aparentando não gostar de algo, se aproximando do mesmo e pegando um rímel. A tela escurece. 

 

 

Abre mostrando a cidade numa visão aérea. Noite.

 

Música: Jack's Mannequin - The Mixed Tape

 

Corta para dentro do ginásio. Várias pessoas estão entrando pelo portão. A câmera dá um giro de 360º graus, mostrando as arquibancadas lotadas. A maioria com vestes vermelho e preto, bexigas, pom pons, fitas.

 

Vestiário. Gustavo está na porta, observando o alvoroço do ginásio. Após alguns instantes, ele vira para os companheiros, com os olhos arregalados. Todos já estão uniformizados.

 

Cont- Jack's Mannequin - The Mixed Tape

 

Gustavo: Viram como está lotado lá fora?

 

Felipe: Mas isso é normal. Nunca assistiu a um jogo do time?

 

Gustavo: Sim, mas estava do outro lado. Não desse...

 

Bruno: Alguém está amarelando?

 

Gustavo: Não estou amarelando... (senta rapidamente no banco)... Okay, estou apavorado. Pronto, falei.

 

Cláudio: Ótimo. Fique no banco até se acostumar.

 

Gustavo (olhando-o): Não se importa em entrar no meu lugar, porque eu passei mal? Mas há que ponto você chegou, huh?

 

Bruno: Meu primo é bem melhor do que você. É questão de tempo até o treinador enxergar isso... (olhando para Cláudio)... Certo, primo?

 

Cláudio (sério): Eu não preciso que me defenda...

 

Gustavo: Ui, essa doeu!

 

Bruno franze a testa e se aproxima de Cláudio, confuso.

 

Bruno: Eu te fiz alguma coisa?

 

Cláudio: Não sei, você fez? Tá com a sua consciência tranqüila?

 

Bruno abre os braços, sem entender. Paulo chega.

 

Paulo: Bom, chegou a hora... Acabem com eles!

 

Os jogadores começam a sair. Cláudio se aproxima de Felipe.

 

Cláudio: E essa com certeza foram as palavras mais motivadoras que o time recebeu...

 

Felipe ri, em seguida ambos saem.

 

A câmera muda para o lado de fora. Conforme os jogadores começam a entrar, a torcida grita euforicamente.

Gustavo meio tímido acena para as pessoas, mas logo se solta.

 

Cont- Jack's Mannequin - The Mixed Tape

 

Os jogadores formam uma linha reta, dando as mãos e levantando, como se estivessem se apresentando a torcida. Logo depois se dispersam.

 

Bruno corre até a grande, onde Helen o espera no corredor.

 

Bruno: Me deseja boa sorte?

 

Helen (sorrindo): Boa sorte.

 

Eles se beijam.

 

Bruno: Prometo que os cinco gols que eu fizer, serão dedicados a você.

 

Helen: Cinco?

 

Bruno: Achou pouco? Dez então...

 

Ela sorri, em seguida se beijam outra vez. A câmera se afasta, mostrando Cláudio em pé, ao lado do banco, assistindo a cena. Close em sua expressão séria.

 

Nesse instante a torcida adversária entra em quadra. Eles vestem um uniforme completamente preto. Grande parte da torcida começa a vaiar.

 

Corta para um lado da arquibancada, na parte de cima. Priscila, Gabriel e Nicole estão sentados juntos. Gabriel no meio das duas.

 

Pri: Fico muito contente que esteja sentando com a gente, Nick... (a olha e sorri forçadamente).

 

Nicole: Na verdade não tive outra opção. Quando chegamos o local estava cheio e você guardava os lugares...

 

Pri: Então, pra falar a verdade eu estava guardando um lugar apenas...

 

Gabriel (cutucando-a): Não provoca...

 

Pri: Desculpa, foi instinto...

 

Ela sorri para ele. Gabriel se rende e sorri também, balançando a cabeça em sinal de negativo.

 

 

Os jogadores estão próximos ao banco, formando um circulo. Eles juntam as mãos, em seguida gritam.

 

Todos: Gladiadores!

 

Os titulares vão para o centro, onde o adversário já está reunido. Cláudio senta no banco.

O juiz apita, dando inicio a partida. O som toma conta da cena, enquanto ouvimos também o grito eufórico da torcida. Os Gladiadores dão o primeiro chute a gol. A bola passa fora. Close em Paulo que está em pé, com a mão no queixo. A câmera desce até Cláudio, mostrando-o por alguns instantes.

 

 

Casa de Lívia – Parte Externa.

 

Roger está parado em frente à porta. Ele respira fundo e aperta a campainha. Após alguns segundos, a abre e Lívia aparece. Ele sorri para ela.

 

Roger (sorrindo): Hey... (dá um selinho nela).

 

Lívia (sorrindo): Entra...

 

Roger entra, Lívia fecha a porta. Eles caminham até a sala, onde um homem está de costas para a câmera e de frente para a televisão.

 

Lívia: Pai... Esse é o Roger, meu namorado.

 

O homem vira e lança um olhar sério para Roger. Conforme se aproxima, Roger se mostra um pouco nervoso.

 

Roger (estendendo a mão): Prazer, senhor Humberto.

 

Humberto (segurando a mão de Roger, sem soltar): Então você é o sem vergonha que anda beijando a minha pequena?

 

Roger (assustado): Não senhor...

 

Humberto: Não? Então vocês namoram de que jeito? Cortejando apenas?

 

Roger (nervoso): Não senhor, que dizer, sim senhor...

 

Humberto: Decida, rapaz! Sim ou não?

 

Roger (para Lívia): Lívia, me ajuda aqui...

 

Lívia começa a rir. Humberto também. Roger os olha, confuso.

 

Humberto (rindo): Te peguei, rapaz!

 

Lívia (rindo, olhando para Roger): Devia ver sua cara...

 

Roger ainda sem entender, fica de boca aberta.

 

Humberto (rindo): Vem cá me dar um abraço... (puxa Roger)... Era só uma brincadeira...

 

Lívia (sorrindo): Ele sempre faz isso...

 

Roger: Sempre faz?

 

Lívia: Quer dizer, você é o primeiro namorado que estou apresentando. Me refiro a pregar peças nas pessoas.

 

Nesse instante, Solange aparece.

 

Solange: Não acredito que você assustou o garoto, Humberto?

 

Humberto: Foi só para quebrar o gelo... (olha para Roger)... Não achou divertido?

 

Roger (aliviado): Pra falar a verdade, estava prestes a sair correndo...

 

Humberto (sorrindo): Vem, vamos nos sentar um pouco. Mas dessa vez, sem teatro...

 

Roger sorri, em seguida ele, Lívia e Humberto sentam no sofá. Solange permanece de pé, observando-os. Ela balança a cabeça e sorri.

 

 

Ginásio. Um jogador adversário está com a bola. Ele toca para um companheiro. O mesmo toca para outro. Gustavo tenta tirar, mas leva um drible. Close no rosto de Paulo que não gosta do que vê.

 

Felipe rouba a bola. Ele toca para Bruno, Bruno passa por um jogador, e toca para um companheiro. O mesmo ao receber, perde a bola.

 

O time adversário avança. Um rapaz toca para outro, o mesmo passa por Gustavo e chuta em gol. A bola entra.

Corta para os jogadores de preto comemorado, e uma minoria da sua torcida também. Felipe se aproxima de Gustavo.

 

Felipe: Tem como a madame jogar um pouco?

 

Gustavo: Eu fiquei na frente de dois. Reclama com que perdeu...

 

A câmera muda para Helen e Amanda na arquibancada.

 

Helen: Não está tão fácil como aparentava ser...

 

Amanda: É a responsabilidade de vencer o primeiro jogo e a falta de entrosamento que está causando esse primeiro impacto negativo. Do time campeão ano passado, apenas Felipe e o goleiro estão em quadra neste exato momento, o que peca um pouco no rendimento da equipe...

 

Helen a olha, admirada.

 

Amanda: O que? Anos convivendo com essa loucura, achou que eu não ficaria expert no assunto?

 

Elas sorriem uma para outra, em seguida volta a cena para dentro de quadra.

 

Bruno está com a bola. Ele toca para Felipe, Felipe dribla um adversário e toca para um companheiro. Esse avança e chuta, a bola vai alto, pra fora. Gustavo passa ao seu lado.

 

Gustavo: Está de brincadeira? Como você conseguiu chutar uma bola de futsal quase na lua?

 

Gustavo balança a cabeça e corre. Corta para o adversário com a bola. Um rapaz toca para outro, que toca para um terceiro. Esse passa por Felipe e chuta em gol. A bola entra.

 

Close na pequena torcida adversária que comemora. A grande parte da torcida, se silencia.

 

Paulo do banco balança a cabeça, em sinal de reprovação. A câmera mostra os jogadores olhando uns para os outros, desanimados. A imagem fica lenta, quase não se ouve mais som, até embaçar.

 

 

Vestiário. Os jogadores estão espalhados sobre o mesmo, desanimados. Felipe olha para Gustavo.

 

Felipe: Posso saber que jogada ridícula foi aquela?

 

Gustavo: Está falando da minha jogada? Garanto que teve muito mais objetivo do que as firulas da princesa aí (acena para Bruno) Que mais parece estar desfilando do que jogando sério.

 

Bruno: E você acha que é firula dar dez chutes com perigo em gol e mais três assistências?

 

Voz de Paulo: É pouco...

 

Eles olham na direção da porta. Paulo entra visivelmente nervoso.

 

Paulo: O que vocês acham que está fazendo lá, huh? Porque jogar futsal que não é. Mais parecem um bando de acomodados, indisciplinados (falando alto) Pernas de paus! Do que jogadores em si.

 

Ele caminha para trás de um armário, em seguida puxa uma lousa.

 

Paulo: Prestem atenção nesse novo esquema que preparei. E dessa vez, quero que façam exatamente o que será planejado...

 

 

Casa de Lívia – Parte interna - Copa.  

 

Roger, Lívia, Solange e Humberto estão a mesa, jantando e conversando animadamente.

 

Humberto (rindo): Agora essa... Joãozinho chega muito animado do primeiro dia de aula na escola e diz para a mãe:
— Manhê! Hoje a professora ensinou pra gente qual é a mão direita!
— Muito bem. Mostre ela para a mamãe.
Joãozinho, orgulhoso, mostra a mão para a mãe.
— Ótimo! Parabéns! Agora, me mostre a mão esquerda!
— Ah, isso ela vai ensinar só amanhã!

 

Ele começa a rir e bater na mesa. Roger e Lívia também estão rindo. Solange apenas sorri e balança a cabeça em sinal de negativo.

 

Solange: Meu medo era que você começasse a contar piadas...

 

Roger (ao ouvido de Lívia): Seu pai é uma figura...

 

Lívia (sorrindo): Parece o pai de alguém que eu conheço...

 

Roger (sorrindo): Viu como somos feitos um para o outro?

 

Um celular começa a tocar. Humberto tira do bolso e olha no visor.

 

Humberto: Me dêem licença, preciso atender...

 

Ele levanta e vai até a cozinha. Solange olha para Roger.

 

Solange: Gostou do jantar, Roger?

 

Roger: Adorei sogrinha!

 

Solange (balançando negativamente a cabeça): O que um homem não inventa para agradar a namorada, huh?

 

Roger: Mas estava ótima realmente. Mentindo estaria se a Lívia tivesse cozinhado...

 

Lívia (indignada): O que? Eu cozinhei duas vezes para você e o senhor me disse que estava delicioso.

 

Roger (sorrindo): Essa é a parte em que a gente mente para agrada a namorada...

 

Lívia fica de boca aberta. Solange sorri.

 

Solange: Tenho que concordar com ele, meu amor. Você não tem mão para o fogão...

 

Lívia (indignada): Mãe!

 

Solange: Roger! Não fala assim da comida da sua namorada!

 

Roger e Solange começam a rir. Lívia olha para eles, ainda indignada. 

 

 

Ginásio. Gustavo está com a bola. Ele perde a mesma, mas Bruno recupera. A câmera gira até o banco, onde Cláudio está sentado.

 

Música: Hawk Nelson - Is Forever Enough

 

Paulo: Se alonga rápido… Você vai entrar…

 

Cláudio (surpreso): Eu?

 

Paulo: Vê se eu estou com tempo de fazer algum tipo de brincadeira?

 

Cláudio levanta rapidamente e começa se aquecer. Corta para Amanda e Helen na arquibancada.

 

Amanda: Olha lá, seu queridinho vai entrar...

 

Helen olha na direção dele e começa a sorrir. A câmera volta para a quadra. Um jogador Gladiador sai, dando lugar para Cláudio. Ele corre até Felipe e os demais.

 

Felipe: Eu sabia que você ia entrar. Vamos acabar com eles!

 

Cláudio sorri de leve e acena com a cabeça. A torcida volta a gritar, incentivando o time. Corta para Cláudio com a bola, ele olha para Felipe e Gustavo. Amos estão marcados. Bruno aparece livre, erguendo os braços e pedindo a bola. Cláudio ignora e tenta tocar para Gustavo que não consegue alcançar. Bruno olha para Cláudio e abre os braços.

 

Cláudio novamente ignora e começa a correr. Close em Bruno que franze a testa. Enquanto o som aumenta, tomando conta da cena, somos levados a alguns takes do jogo:

 

Cont- Hawk Nelson - Is Forever Enough

 

- Arquibancada pulando e gritando.

- Paulo olhando para o relógio, em seguida para o placar que marca: “Gladiadores 0x2 Adversários”.

- Cláudio correndo, Bruno ao seu lado pedindo o passe. Cláudio ignora e perde a mesma.

- Felipe chutando a bola e a mesma passando longe do gol. Ele coloca as mãos sobre a cabeça.

 

A câmera gira e para em Bruno que corre ao lado de Cláudio.

 

Bruno: Existe algum motivo para você não estar me passando a bola?

 

Cláudio (ríspido): Não enche o saco!

 

Cláudio começa a correr. Bruno sem entender vai atrás.

 

Bruno: Posso saber o que eu te fiz?

 

Cláudio: Olha pra dentro de você e me diz, babaca!

 

Bruno: Quer se acalmar?

 

Cláudio (nervoso): Eu quero você longe da Helen!

 

Bruno (parando): Hã? 

 

Segundos depois ele volta a acompanhar Cláudio.

 

Bruno: Você não pode estar falando sério...

 

Cláudio (apontando o dedo): Você é cretino, não passa de um mentiroso... Conseguiu enganar a todos...

 

Bruno abre os braços, confuso. Felipe se aproxima deles.

 

Felipe: Hey, está tendo um jogo aqui, caso não tenham percebido...

 

Felipe vota a correr. Cláudio e Bruno ficam parados no meio da quadra.

 

Bruno: Do que você está falando?

 

Cláudio (sorriso irônico): Como se você não soubesse..

 

Bruno: Não, não sei. Tem como ser mais objetivo?

 

Cláudio: Fique longe da Helen... (aponta o dedo e começa a andar)... Está avisado...

 

Bruno: Eu não vou fazer o que você está mandando...

 

Cláudio de costas para ele, pára. Em seguida vira e vai a sua direção.

 

Cláudio: Como é que é?

 

Bruno: Você não está bem primo, por que não volta para o banco?

 

Cláudio (esboçando um leve sorriso sarcástico): Claro...

 

Ele imediatamente fecha a caro e acerta um soco no rosto de Bruno. O mesmo vai para trás e cai em seguida. Cláudio corre até ele. Do chão, Bruno acerta um chute em Cláudio, que se desloca para trás. Bruno levanta e vai para cima de Cláudio, ambos começam a se agarrar. Os jogadores se amontoam, tentando separá-los. A câmera corta para o rosto de Paulo, que observa a cena, furioso. Close nos jogadores adversários, eles estão rindo.

 

Corta para a briga. Cláudio empurra Bruno e lhe acerta um soco no rosto. Paulo chega e segura Bruno, levando-o para trás. Felipe e outros jogadores seguram Cláudio, que tenta se desvencilhar.

 

Corta para a arquibancada. Amanda e Helen observam a briga, essa última extremamente confusa e preocupada.

 

Amanda: Que diabos deu neles?

 

Helen (preocupada): Eu não sei...

 

Volta para a quadra. O juiz se aproxima deles que aparentemente estão mais calmos. Ele mostra um cartão vermelho para Cláudio, em seguida mostra também para Bruno. Ele se aproxima de Paulo.

 

Juiz: Sem dois jogadores é impossível continuar a partida. Sendo assim, a vitória é do time visitante.

 

Os jogadores da equipe de preto começa a comemorar. Paulo olha para Cláudio e Bruno, extremamente furioso. A tela escurece.

 

 

Abre dentro do vestiário. Felipe e mais dois rapazes entram trazendo Cláudio.

 

Felipe: O que deu em você para agir daquele jeito?

 

Corta para a porta. Gustavo entra acompanhado de Bruno e os outros rapazes do time. Cláudio ao avistá-lo, tenta mais uma vez atacá-la, mas é detido por Felipe e os demais.

 

Cláudio (furioso): Me solta! Eu vou acabar com esse cara!

 

Bruno fica parado, assustado. Paulo entra, furioso.

 

Paulo: Você não vai acabar com mais nada por aqui. Já basta ter acabado com o jogo!

 

Cláudio (se soltando): Claro, agora a culpa é minha...

 

Paulo: Não, obviamente é minha que provoquei uma briga durante o jogo, levanto o time para o chuveiro mais cedo.

 

Cláudio (nervoso): E você acha que o placar iria mudar? (abre os braços) Olha para isso aqui, esse time é medíocre!

 

Os jogadores olham para ele, com reprovação.

 

Paulo: Qual o seu problema, garoto?

 

Cláudio: O meu problema? Eu vou te dizer qual o meu problema... (furioso) Eu estou cansado dessa palhaçada toda!

 

Paulo: E vai descontar as suas frustrações na equipe?

 

Cláudio: E você não faz o mesmo?... (se aproxima)... Um fracassado que foi limitado a treinar um time juvenil do interior. Com tanta qualificação, não deveria estar treinando um time profissional? Mas não, fica aí filosofando asneiras, dando ordens como se estivéssemos num quartel, falando em vitória, quando o maior fracasso aqui está na nossa frente...

 

Close no rosto de Paulo, que fica vermelho. Cláudio se acalma um pouco e esboça um leve sorriso provocativo.

 

Cláudio: Nós ainda estamos no começo da vida, temos chances de crescer. Já você, é fim de carreira!

 

Paulo está com os olhos bem abertos, mordendo os lábios e segurando o nervosismo.

 

Paulo (após alguns segundos): Ótimo. Se não quer ficar no meu time, também não faço questão de tê-lo aqui...

 

Cláudio: Ótimo! Porque isso há tempos já acabou para mim...

 

Ele sai do vestiário, furioso. A câmera permanece no mesmo. Um breve silêncio toma a cena. Paulo olha para os demais.

 

Paulo: Alguém mais quer acompanhá-lo?

 

Ninguém responde. Bruno se desloca para sair, mas antes olha para o treinador.

 

Bruno: Preciso falar com ele, mas eu continuo no time.

 

Ele corre sai correndo.

 

Parte externa do ginásio, mais precisamente o estacionamento. Cláudio caminha apressadamente. Bruno aparece logo atrás, correndo em seu encontro.

 

Bruno (gritando): Cláudio! Cláudio!

 

Cláudio pára e vira para ele. Bruno levanta as mãos.

 

Bruno: Vamos tentar conversar com calma... (pausa e fala nervosamente)... Mas que diabos deu em você? Esse surto pode acabar te expulsando do colégio, sabia?

 

Cláudio (se aproximando): Você achou mesmo que poderia engravidar uma garota e fugir para cá, como se nada tivesse acontecido?

 

Bruno fica sem reação, visivelmente assustado.

 

Cláudio: Na sua ingenuidade, acreditou realmente que a garota não contaria a ninguém quem era o pai? Não pensou que isso era um fardo pesado demais para alguém carregar sozinha, que a barrica fosse crescer e que logo a família descobriria?

 

Bruno (suspirando): Como você ficou sabendo?

 

Cláudio: Ela foi expulsa de casa e adivinha pra onde acabou se refugiando?

 

Bruno (olhando para cima): Oh merda!

 

Cláudio: Nunca pela minha cabeça imaginei que você seria capaz de fazer uma coisa dessas...

 

Bruno: Você fala como se fosse a coisa mais fácil do mundo, descobrir que vai ser pai aos dezesseis anos. Olha pra mim, a vida que eu levava em Guará... Acha mesmo que eu teria condições de sustentar uma criança? Nem todos nasceram em berço de ouro que nem você. 

 

Cláudio: Mas isso não justifica a sua canalhice... Poderia ter contado comigo. A gente daria um jeito nisso, meu pai arrumaria um bom emprego pra você... Não sei, mas uma solução seria encontrada...

 

Bruno (balançando negativamente a cabeça): É fácil falar quando está do lado oposto, Cláudio...

 

Cláudio: E pensar que você não hesitou nem um pouco em se aproximar da Helen... Investiu em conquistá-la, namorá-la, mesmo sabendo tudo o que ela já sofreu... (balança negativamente a cabeça)... Isso te torna ainda pior...

 

Bruno não responde. Seus olhos se enchem de lágrimas. Ele morde os lábios.

 

Cláudio: Eu confiei em você. Meus pais confiaram em você... A Helen confiou em você... (pausa)... E se acontecesse com ela, huh? Fugiria também de Bom Destino?

 

Bruno: Claro que não...

 

Cláudio (nervoso e apontando o dedo): Mentira!

 

Um breve silêncio toma a cena. Bruno olha para Cláudio, visivelmente arrependido.

 

Bruno: Desculpa...

 

Cláudio: Agora é um pouco tarde para isso. Várias vezes eu te dei a chance de me contar a verdade, ao contrario disso, preferiu inventar aquela historinha comovente da namorada que o trocou pela melhor amigo... (começa a se afastar)...

 

Bruno: Cláudio, espera...

 

Cláudio: Nossa amizade termina aqui.

 

Ele vira e começa a andar. Bruno faz menção de ir atrás, mas pára. Ele coloca as mão na cabeça e se abaixa, claramente atordoado.

 

Música: Creed - Higher

 

Bruno (socando o chão): Não! Não! Não!... (gritando)... Não!

 

A câmera começa a se afastar, subindo devagar, mostrando Bruno que senta no chão e coloca as mãos na cabeça novamente. Depois, a imagem sobe ao céu estrelado. Quando desce, vemos a frente da casa de Lívia. 

 

Roger e Lívia estão na varanda, sentado na rede que balança devagar. Eles comem algo doce que está em uma tigela.

 

Cont- Creed - Higher

 

Roger: Que delícia... Você que fez?

 

Lívia: Não... E não fala mais nada...

 

Roger (sorrindo): O que eu iria dizer?

 

Lívia: Huh!... Quer mais?

 

Roger: Obviamente... (pega a tigela)... Mas pode deixar que eu vou buscar...

 

Lívia (sorrindo): Que cavalheiro, me servindo na minha própria casa...

 

Roger: Pois é, isso é mais uma entre inúmeras qualidades. E, a sogrinha me deu carta branca para abrir a geladeira...

 

Ele sorri e sai. Lívia fecha os olhos e deita na rede, feliz.

 

Parte interna da casa. Roger está na cozinha, olhando para a geladeira que está aberta.

 

Roger: Onde está a espátula?

 

Do quintal, ouve-se alguns sussurros. Roger levanta o dedo.

 

Roger: É melhor perguntar...

 

Ele vai até o quintal. Conforme se aproxima, as vozes vão aumentando.

 

Humberto (fora de cena): Quando você pretende contar a ela?

 

Solange (fora de cena): Até o final de semana, eu conto...

 

Roger pára e encosta na parede. Corta para Humberto e Solange conversando no gramado.

 

Humberto: Você não quer mesmo que eu esteja presente? Creio que seja melhor tratar do divórcio juntamente com ela...

 

Close no rosto de Roger que abre bem os olhos. Volta para Solange e Humberto. Ao mesmo tempo em que falam baixo, inclinam a cabeça para o fundo, se precavendo da presença de alguém.

 

Solange: Não. Deixa que eu mesmo falo com ela. Nós duas temos um dialogo mais aberto e acredito que saberei ter a forma mais sensata de contar...

 

Humberto: Bom, se é assim que você quer...

 

Solange: E também tem esse garoto. Ela gosta muito dele e tenho certeza que ele irá ajudá-la...

 

Corta para o rosto de Roger. Ele fica pensativo, olhando para baixo. Após alguns instantes, sai. 

 

Varanda. Lívia deitada na rede, observando as estralas. Roger se aproxima devagar e pára ao lado dela.

 

Cont- Creed - Higher

 

Lívia (sentando na rede): E o pavê?

 

Ele a olha por alguns instantes, em seguida senta ao seu lado e a beija no rosto e a abraça.

 

Roger: Vamos deixar o pavê pra depois. Agora eu quero ficar aqui, abraçadinho com você...

 

Lívia (sorrindo e fechando os olhos): Bem melhor...

 

Eles deitam na rede. Lívia volta a observar as estrelas. Roger fecha os olhos e beija demoradamente o rosto dela, que sorri satisfeita. A câmera se afasta, transparecendo para outra cena...

 

 

Mansão da casa de Felipe – Externo.

 

Cont- Creed - Higher

 

Algumas pessoas estão no local, porém o movimento é bem menor que de costume.

Gabriel está parado em determinado local do jardim. Ele observa Priscila conversando com um rapaz, metros à sua frente. Gustavo chega e coloca a mão no ombro dele, olhando na mesma direção em que Priscila está.

 

Gustavo: Toma cuidado, meu amigo. A fila anda... (pausa longa)... Resolve logo o que tem para resolver e não se esqueça... A fila anda.

 

Ele sai. Gabriel continua olhando para Priscila. A câmera corta para o rosto dela. Ela desvia o olhar do rapaz, para Gabriel, em seguida sorri para ele. Gabriel retribui.

 

Varanda. Felipe está sozinho, sentando em cima da mesa de bilhar. Nicole se aproxima dele.

 

Nicole: Quanta gente, huh?

 

Felipe: Eu devia ter cancelado isso aqui... Não há animo pra festa...

 

Ela se aproxima mais e senta ao seu lado, em cima da mesa. Um breve silêncio toma a cena. Felipe a olha.

 

Felipe: O que nós somos, Nicole?

 

Nicole (dando os ombros): Eu não sei... Amigos?... Me diz você. O que nós somos?

 

Felipe (deitando na mesa): Amigos...

 

Nicole (esboçando um leve sorriso): Amigos então... 

 

Ela deita ao lado dele. Ambos ficam em silêncio, olhando para cima.

 

Piscina. Amanda está sentada próxima a mesma, com os pés dentro da água. Gustavo aparece e senta ao seu lado.

 

Cont- Creed - Higher

 

Gustavo: E nossa amiga, onde está?

 

Amanda: Foi pra casa tentar saber o que houve com o namorado e o primo...

 

Ele a observa por alguns instantes.

 

Gustavo: A água não está muito gelada?

 

Amanda: Gustavo, eu não vou beijar você...

 

Gustavo (sorrindo): Por que você pensou nisso?

 

Amanda: Porque toda vez que você se aproxima de uma garota, é com esse intuito...

 

Gustavo (subindo as sobrancelhas): Bom, lamento decepcioná-la, mas hoje eu não estou no clima para ficar distribuindo beijo... Quero apenas conversar.

 

Amanda (desconfiada): Sério?


Gustavo: Muito sério...

 

Ele sorri para ela. Ela continua olhando-o com desconfiança.

 

Gustavo: Mas, se daqui algumas horas quiser me beijar, não sou eu que vou deixar você passar vontade...

 

Amanda balança negativamente a cabeça e ri. Gustavo também. Eles começam dialogar, mas a música encobre o que eles dizem.

 

 

Uma rua qualquer. Bruno caminha sem direção, pensativo, triste. A câmera o segue até parar em um orelhão. Ele se aproxima e tira do gancho. Hesita um pouco, mas começa a discar. Após alguns segundos, é possível ouvir uma voz feminina.

 

Cont- Creed - Higher

 

Voz feminina: Alô?

 

Bruno: Mãe... (começa a chorar)... Me perdoa, mãe... (chora ainda mais)... Me perdoa...

 

Lentamente a câmera se afasta, mostrando-o abaixando-se com o telefone no ouvido, ainda aos prantos. ~

A imagem sobe até os céu, segundos depois desce mostrando a casa de Helen, cortando para dentro.

 

Helen está sentada a uma mesinha, com o telefone no ouvido. Intentes depois ela desliga, sem resultado. Fecha a imagem em seu rosto expressivo, preocupante. A tela escurece.

 

 

Frente da casa de Cláudio – Tarde.

 

A imagem se aproxima do quarto, cortando para dentro do mesmo. Cláudio está deitado na cama, pensativo. A porta está aberta. Bruno aparece, batendo duas vezes na mesma. Cláudio o olha.

 

Bruno: Posso entrar?

 

Cláudio não responde. Bruno abaixa o olhar e entra.

 

Cláudio: Além de tudo o que fez, quer matar a minha mãe de preocupação?

 

Bruno: Ela sabe que eu não dormi em casa?

 

Cláudio: O que você acha?

 

Bruno (após alguns segundos): Eu passei a noite no play do condomínio. Sequer consegui dormir... De manhã fui dar uma volta...

 

Cláudio: Pensando nas besteiras que fez?

 

Bruno (envergonhado): Exatamente... (pausa)... Eu confesso que fui imaturo, mentiroso... Canalha. Mas quando ela me disse que estava grávida, eu surtei. Vi perdendo os meus sonhos, juventude, tento que crescer precocemente... O medo se apossou de mim...

 

Cláudio: E quanto a ela? Acha que ela não teve a mesma dúvida, os mesmos sentimentos?

 

Bruno: Sim. Acontece que ela tinha uma grande vantagem... Ela não era eu... (pausa)... Quando eu disso que não iria assumir aquele filho, ela pediu para que eu sumisse da sua frente. Que aquela criança nunca saberia que tinha um pai covarde como eu... (respira fundo)... Aquela foi a brecha para eu ter me refugiado para cá... (pausa)... Lamento ter decepcionado a todos...

 

Cláudio: E agora, o que pretende fazer?

 

Bruno: O que é certo. Voltar para casa hoje mesmo, afinal, eu vou ter um filho para criar... (esboça um rápido sorriso amarelo)... Só preciso de um tempo para arrumar minhas coisas, tomar um banho e pegar o próximo ônibus que sai as sete. 

 

Cláudio (após alguns segundos): Já conversou com a Helen?

 

Bruno: Liguei hoje de manhã, marquei de nos encontrarmos na praça antes de eu ir para a rodoviária... (suspira)... Acredite, essa conversa vai ser mais difícil do que ter que encarar a minha mãe quando voltar...

 

Um breve silêncio toma a cena. Eles se encaram por alguns instantes.

 

Música: Feeder - Feeling a Moment

 

Bruno: Sinto muito em ser a causa de mais uma frustração para a Helen...

 

Cláudio: É... (pausa)... Eu também...

 

Cláudio olha para o lado. Bruno o encara por alguns segundos. Em seguida, abaixa a cabeça e sai do quarto. A câmera se aproxima lentamente do rosto de Cláudio, até que a imagem começa a transparecer...

 

 

Centro da cidade – Praça – Noite.

 

Cont- Feeder - Feeling a Moment

 

Helen está sentada no banco, apreensiva. Corta para Bruno de costas, caminhando até ela, carregando uma bolsa. Ela olha para a bolsa, sem entender.

 

Helen (preocupada): O que houve Bruno? Pra que essa bolsa?

 

Bruno (com dor): Precisamos conversar, Helen... (abaixa o olhar)... Eu não fui totalmente franco com você...

 

Ele senta ao lado dela e começa a falar. Helen ouve bastante atenta. O som encobre o que ele diz, e a câmera começa a se distanciar devagar.

 

Cláudio (em off): O medo faz parte da vida de todos. Algumas pessoas por não saber enfrentá-los, acabam por fugir. Outras são obrigadas a conviver com ele e aprendem a encará-lo não como uma coisa negativa, mas como um sentimento de auto-preservação.

 

A imagem transparece para a rodoviária. Bruno caminha até o ônibus. Ele pára no degrau da porta, dando uma última olhada na cidade.

 

Cont- Feeder - Feeling a Moment

 

Cláudio (em off): Você ganha força, coragem e confiança a cada experiência em que enfrente o medo... (pausa)... Pois é preciso fazer exatamente aquilo que acha que não consegue.

 

Close no rosto de Bruno. Ele esboça um leve sorriso. A tela congela na imagem de seu rosto.

 

 

Casa de Helen - Parte interna – Quarto.

 

Cont- Feeder - Feeling a Moment

 

Helen entra e fecha a porta. Ela respira fundo por alguns segundos, caminha até a cabeceira da cama e pega um objeto, jogando-o violentamente contra a parede. Close no mesmo quebrando com o impacto. Ouve-se a campainha tocar. Ela começa a respirar ofegante, nervosa. Após alguns segundos, Rosa abre a porta do quarto, olhando-a com espanto.

 

Rosa: Filha, tem alguém aí na sala, querendo te ver...

 

Helen: Eu não quero ver ninguém...

 

Rosa: Eu sei... Mas acho que essa pessoa você vai querer ver sim...

 

Helen a olha e franze a testa. A câmera caminha pelo corredor, como se fosse os olhos de Helen, cortando para o seu rosto ao chegar na sala. Ela abre bem os olhos, ficando bastante surpresa.

 

Helen (surpresa): Léo?

 

A câmera se movimenta, mostrando Léo em pé, ao lado do sofá. Ele está sorrindo.

 

A imagem se aproxima lentamente do rosto de Helen que não esboça reação. Depois, a imagem se aproxima lentamente do rosto de Léo, que continua sorrindo.

 

A tela escurece.

 

 

 

 

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Créditos Finais:

 

 

Criado e Escrito por:

 

Thiago Monteiro

 

Participações Especiais:

 

Jennifer Ehle – Solange

Tate Donovan – Humberto

David Gallagher - Léo

 

Música Tema:

 

Switchfoot - Meant To Live

 

Trilha Sonora:

 

Forty Foot Echo – Drift

Maroon 5 - Harder To Breathe

Jack's Mannequin - The Mixed Tape

Hawk Nelson - Is Forever Enough

Creed – Higher

Feeder - Feeling a Moment

 

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