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Joanna 'JoJo' Levesque (em
off): Anteriormente em
Descobrindo... Adriana: Há dois anos descobri que tenho um tiro raro de câncer e desde então
venho lutado contra ele... (olha para baixo)... Mas ultimamente não
tenho mais reagido ao tratamento e o médico praticamente assinou meu estado de
óbito. Ou seja, estou com o pé na cova... (sorri). ___________________________________________ Lucio: A realidade é que a
mãe do garoto está doente, Silvia, e pode morrer a qualquer momento. Isso me
obriga como pai, ficar com o menino. Silvia
(furiosa): O que? Presta atenção numa coisa. Eu fui capaz de passar
por cima de todas as suas incontáveis traições para que pudéssemos viver uma
vida nova a dois... (balança
negativamente a cabeça)... Mas um filho, fruto de uma traição, não, isso
eu não vou perdoar... ___________________________________________ Pri: ... Queria ter um irmão
como você... Gabriel: Não seja por isso,
posso ser seu irmão de consideração a partir de agora. Pri
(sorrindo): Adorei a idéia! ___________________________________________ Felipe:... Talvez tenhamos precipitado as coisas. Não houve tempo
suficiente para nos conhecermos profundamente a ponto de iniciarmos algo mais
forte entre a gente... (pausa)...
Por isso proponho que recomecemos, só que dessa vez, bem mais devagar... Nicole: Desde o começo? Felipe
(sorrindo): É, desde o começo... ___________________________________________ Adriana:
Onde
eu estou? Lucio
a olha e se aproxima dela, segurando em sua mão. Lucio: No hospital... Quando voltei
para sua casa, encontrei você desmaiada no banheiro... Os
olhos de Adriana se enchem de lágrimas, ela morde os lábios e olha para o
lado. Adriana: O tempo está
acabando... ___________________________________________ Frente da casa de Adriana –
Tarde. Música: The Used - On My Own O carro de Lucio estaciona em
frente à casa. Após alguns segundos, corta para dentro do veículo. Lucio:
Tem certeza que quer fazer isso? A câmera se movimenta para o
lado, mostrando Cláudio no banco do passageiro. Cláudio:
Tenho, eu quero... Lucio (respirando fundo): Bom, vamos lá então... Corta para o lado de fora. Os
dois saem do carro e caminham pela varanda até chegar à porta da casa. Lucio:
Você vai gostar dele, é um garoto muito esperto... Lucio abre a porta e entra,
juntamente com Cláudio. Na sala, vemos Lucas sentado no chão espalhado de
brinquedos, ao seu lado está uma senhora. Cláudio ao ver a criança, fica sem
ação. A câmera se aproxima lentamente de seu rosto. Lucio:
Hey, amigão! Lucas o olha e imediatamente
levanta e corre ao encontro do pai, pulando em seu colo. Lucio o pega e passa
a mão em seu cabelo. Cláudio esboça um leve sorriso. Lucio:
Sabe quem é esse? Lucas (balançando negativamente a cabeça): Não... Lucio:
Ele também é filho do papai... Seu irmão... Lucas apenas o olha. Cláudio
sorri para ele. Cláudio:
Hey, companheiro. Tudo bom com você? Lucas acena com a cabeça,
timidamente. Cláudio olha para Lucio, se rendendo. Cláudio:
Ele é lindo... Lucio sorri, emocionado.
Cláudio volta o olhar para Lucas. Cláudio:
O que são aquelas coisas espalhadas ali? Lucas:
Brinquedo... Cláudio:
E será que eu posso brincar com você? Lucas faz sinal de positivo com
a cabeça, feliz. Lucio o desce e Cláudio se dirige até a sala com ele. A
senhora que estava com a criança, se aproxima de Lucio. Senhora:
Notícias da dona Adriana? Lucio:
Ainda a mesma situação... Senhora:
Diz que estou orando muito por ela... Lucio:
Pode deixar, eu falo sim... (pausa)...
Ouça, dona Carmem. Vou precisar que a senhora fique um pouco mais de dias com
o Lucas. Algum problema para a senhora? Carmem:
Problema nenhum, fico com a criança o tempo que precisar... Lucio (esboçando um leve sorriso): Obrigado... No meio da sala, Lucas e
Cláudio brincam no meio dos brinquedos. Cláudio segura um robô, enquanto
Lucas segura um tiranossauro. Cláudio (imitando um robô): Atenção base, pronto para explodir a
fortaleza... Lucio se aproxima deles,
sorrindo, emocionado. Lucas olha para o pai por alguns instantes. Lucas:
Papai, quando a mamãe vai voltar? A câmera se aproxima lentamente
do rosto de Lucio que desfaz o sorriso, sem saber o que dizer. Close no rosto
de Cláudio, no rosto de Lucas, de dona Carmem e por fim de Lucio novamente. A tela escurece.
Colégio Esplendor – Parte
Interna – Biblioteca. Música: The Used - On My Own Helen e Bruno estão a uma mesa,
estudando. Em cima da mesma há vários livros. Helen:
Conseguiu entender? Bruno (coçando a cabeça): Mais ou menos... Helen:
Bruno! Bruno:
É que difícil acompanhar o ritmo de vocês. O meu antigo colégio parece estar
há luz de distancia daqui... Helen (sorrindo): Calma, okay? Faz cinco dias apenas que
começamos, você vai pegar o jeito. Bruno:
Olha, Helen. Se você quiser desistir, eu vou entender... Helen:
E você acha que eu vou desistir assim, facilmente? Bruno:
Eu sei que não, mas você pode... Helen (interrompendo): Não tente! Nós vamos seguir com isso e no
próximo bimestre suas notas serão ótimas... Bruno (sorrindo): Claro que serão... Com uma professora
dedicada como você.... Ela sorri, sem graça. Bruno a
olha, admirado. Bruno:
Acho que não poderia ter escolhido melhor tutora... Helen:
Certo, agora vamos parar com esses confetes? Bruno:
Por quê? Não precisa ficar sem graça, estou falando apenas o que você
reflete... Você é incrível, Helen. Helen:
Realmente está querendo me deixar vermelha, huh? Desde quando você me conhece
bem, pra poder julgar que sou incrível? Bruno:
Pra isso não precisa muito. Mas desde que convivemos na mesma casa, eu pude
perceber... Helen (rindo): Mesmo? E esqueceu que na época em que moramos
na mesma casa, eu não era um exemplo de boa conduta? Bruno:
Mas aquilo foi devido às circunstancias difíceis que estava vivendo. Mas o
Cláudio, sempre falou coisas incríveis sobre você... Helen (sorrindo): O Cláudio é um amor... (pensativa, em seguida o olha)... Okay, agora chega de me enrolar
e resolve esse problema aqui... Bruno (girando os olhos): Da próxima vez vou ver se trago uma maçã pra
tentar amolecer o coração dessa professora... Helen balança negativamente e sorri.
Bruno continua olhando-a com bastante admiração. Helen percebe e faz sinal
com os olhos para que ele se concentre no problema. Bruno sorri e pega a
folha, em seguida começa a escrever. Quarto
de um hospital. Adriana está deitada na cama, completamente pálida e cansada.
A câmera se movimenta até a porta, onde Lucio aparece, entrando. Lucio (sorrindo): Hey... Como está se
sentindo hoje? Adriana (cansada): Uma sensação estranha,
como se estivesse para morrer, e você? (sorri).
Lucio: Não sei como vocês
conseguem tirar senso de humor numa hora como essa... Adriana: Já ouviu falar
do ditado, rir pra não chorar?... (pausa).... Se eu ficar pensando
nisso o tempo todo é possível que eu desabe agora mesmo, bom, apesar de que
falta pouco para isso... (sorri
novamente). Lucio: Eu não acredito na
parte do “falta pouco”, você vai sair desse hospital... Adriana: Lucio...(pausa)...
Não me dê falsas esperanças... Lucio se aproxima da cama, sentando ao seu lado. Lucio: Não se trata de falsas
esperanças, e sim de fé... (pausa)...
Ano passado eu tive a minha fé provada, e olha no que deu? Adriana: A Silvia tinha grandes
porcentagens de chances de sobrevivência, o médico já me desencorajou... Lucio: Os médicos também
podem errar... Adriana sorri e o olha com bastante admiração. Adriana: Você tem sido incrível, sabia?
Adoraria ter te conhecido em outra época e outras circunstancias. Bom, mas me
refiro a esse novo Lucio, obvio. Lucio (sorrindo): Independente dessas circunstâncias,
eu amei ter conhecido o Lucas... Adriana (sorrindo): Eu disse que teria um
lado bom nisso tudo... (desfazendo o
sorriso)... Com ele está? Lucio: Está bem, mas pergunta de você todo
tempo... Adriana: Você não disse onde eu
estou, não é? Lucio: Não... Mas acho que
mesmo para uma criança de cinco anos, é difícil entender o sumiço da mãe
assim sem levá-lo... Adriana: Ele tem chorado muito? Lucio: A maioria das vezes... Adriana (com os olhos lacrimejando): E só pensar nele que eu fico assim... (pausa)... Ainda
bem que ele não pode me ver, imagina a última imagem da mãe num leito de
hospital? Lucio (segurando na mão dela): Hey, vamos tentar voltar a parte do senso de humor? Adriana (sorrindo, enxugando as lágrimas): Melhor rir para não chorar... Lucio (sorrindo): Isso mesmo... Ele passa a mão no rosto dela, enquanto ela
fecha os olhos, sorrindo. Colégio Esplendor – Parte Interna – Ginásio.
Música: Kelly Clarckson - Behind These Hazel Eyes Cláudio, Bruno, Felipe, Gustavo estão em
quadra, treinando. A câmera se movimenta até a arquibancada. Helen, Amanda e
Priscila estão sentadas no topo, conversando. Pri: Combinado então? Todas de vermelho e
branco? Amanda: Como diz a tradição... Helen (dando os ombros): Por mim, tudo bem... Pri: Não fica tristinha, Helen. Pra compensar,
este ano terá outro alguém para você torcer... Helen: Não sei do que você está falando... Priscila sorri, acenando com a cabeça para
dentro de quadra. Close em Bruno correndo. Volta para Helen que a olha com
indignação. Helen: Não é nada disso que vocês estão
pensando... Pri (girando os olhos): Certo... (se desloca)... Agora deixa eu ir, que preciso me encontrar com o
Gaby! Helen e Amanda (juntas): Hummmmm... Pri: Não é nada disso que vocês estão
pensando... Helen e Amanda (juntas): Certo! Elas começam a rir. Priscila balança a
cabeça negativamente, em seguida começa a descer. A câmera permanece em Helen
e Amanda. Helen: Já conseguiu se recuperar? Amanda: Um pouco... (pausa)... Grande parte de mim o quer de volta. Grande parte d
mim está sofrendo as vê-lo nos braços de outra garota... Grande parte de mim
está completamente arrependida do que fez... E grande parte de mim sabe que
agora é tarde, não tem mais volta... Helen: Sinto muito... Talvez, quem sabe lá na
frente, quando os dois tiverem mais maduros, eu não sei... Amanda: Talvez sim... Ou não... (pausa)... Mas agora isso faz parte
do passado e tem que ficar lá, quanto mais eu pensar nisso, mais irei sofrer...
(a olha)... E vou me recuperar. Helen (sorrindo): Claro que vai. Você é forte, independente.
Tenho certeza que os erros servirão apenas para aprendizagem... (pausa longa)... E quanto ao Davi? Amanda: É outro que quero deixar no passado.
Afinal, ele mora longe e não vale a pena pensar em alguém que sequer irei ver
outra vez... Helen balança a cabeça, concordando. Amanda
começa a rir. Helen franze a testa. Helen: O que foi? Amanda: Olha como a vida é engraçada. Há exato um
ano, Lari e eu tentamos te expulsar dessa quadra. Quem poderia imaginar que
hoje estaríamos assim? Helen (sorrindo): É verdade. Quem poderia imaginar que você
estaria derramando as pitangas em meu ombro, huh? Amanda: Pois é, e você fez muito isso comigo
também... (imitando)... Ai Amanda,
o Cláudio me odeia, não me ama mais, como poderei voltar a ser o anjo dele? Helen a empurra com o ombro. Ambas se olham
e começam a rir. A câmera muda para dentro da quadra. Paulo está em pé, de
frente para os jogadores que estão sentados no banco de reservas. Paulo: Ainda não chegamos onde eu quero.
O objetivo traçado está longe de ser atingido. Mas para o primeiro jogo,
acredito num resultado satisfatório... Isso, se seguirem a risco o que
ensinado durante esses dias de treinos. Ele pega uma prancheta e começa a ler algo. Paulo: O time que começará o jogo é o
mesmo que vem treinando, Cleber, Bruno, Felipe, Gustavo e Rodrigo. Cláudio mexe as sobrancelhas, com se não
esperasse algo diferente. Paulo: Estão dispensados... Os jogadores levantam e começam a se
dispersar. Cláudio passa por Paulo. Paulo o aborda. Paulo: Surpreso? Cláudio (olhando-o): E
deveria? Surpreso estaria se tivesse sido relacionado entre os titulares... Paulo: Se tivesse se esforçado mais,
quem sabe? Cláudio (sorriso irônico):
Acho que não... Cláudio continua andando. Paulo o olha por
alguns segundos. Paulo: Acho bom você encontrar uma
razão. Ou para continuar, ou sair do time. Porque não quero ninguém
desmotivado na minha equipe... Cláudio (parando e virando):
Você fez essa mesma pergunta ao restante? Seria eu realmente o único
desmotivado aqui, ou o único com coragem de dizer? Close no rosto de Paulo, voltando para o
rosto de Cláudio. Cláudio (balançando negativamente a cabeça):
Foi ótimo ter mais uma conversa motivadora com o senhor... Cláudio vira e volta a andar. Close no rosto
de Paulo, ele parece refletir. Depois balança negativamente a cabeça e sai. Arquibancada. Helen continua sentada, só que
dessa vez está sozinha. Gustavo se aproxima, suado. Ele sorri para ela e abre
os braços. Gustavo: Quer me dar um abraço? Helen: Depois que você tomar um banho...
Gustavo: Isso me chateia, sabia? Amigos
verdadeiros são para todos os momentos. Seja limpo, seja sujo. (sorri). Helen (sorrindo): Prefiro tirar a parte do momento
sujo... Gustavo: Mas, aposto que você abraçaria o
Léo depois de um jogo... Helen: Você disse bem, o Léo. Não tem
como fazer comparativos entre vocês dois... Gustavo (sorrindo): Já
disse que adoro sua sinceridade? Ele senta e começa a se enxugar com uma
pequena toalha branca. Gustavo: Vai ao festival, a noite? Helen: Creio que sim e você? Gustavo: Bom, talvez eu dê uma passada lá, para dar
o ar da minha ilustre presença a todos... (a olha)... Vai com porvinha lá? Helen: Coitado, Gustavo. Ele não é grude. E se eu
fosse você, tomaria mais cuidado com essas indiretas. Afinal, você viu o que
aconteceu da última vez... Gustavo: Sim, se o Cláudio e Roger não tivessem nos
separado... Coitado do Bruno! Helen (sorrindo): Você não existe, sabia? Gustavo (sorrindo): Mas agora falando sério... Já rolou alguma
coisa entre vocês? Helen: Ainda não... Gustavo (girando os
olhos):
Mas é uma tartaruga mesmo... Helen: E quem te falou que ele está interessado? Gustavo (olhando-a com o
canto dos olhos):
Helen, você não é tão ingênua assim, menina! Helen (girando os olhos): Okay, ele demonstra sim estar
interessado... E muito... Gustavo: E se ele tentar alguma coisa? Helen: Não sei... Gustavo: A não ser que o seu interesse seja no
outro primo... Helen: Como é que é? Gustavo: Eu já pensei na hipótese, vamos
analisar... Helen (cortando): Não vamos analisar nada! Pode parar por aí
que comigo o seu veneno não funciona... Gustavo: Ranzinza... Ele beija o rosto de Helen e rapidamente
levanta, sorrindo. Gustavo: Isso foi por ter me negado o abraço... Ele sai. A câmera fecha no rosto de Helen,
ela sorri e balança negativamente a cabeça. A tela escurece. Parte interna da casa de Cláudio – Sala. Cláudio e Silvia estão sentados no sofá. De
frente para a televisão. Cláudio a olha por algumas vezes e desvia. Silvia
percebe, incomodada. Silvia: Se quer me dizer algo,
sugiro que faça de uma vez. Cláudio (rindo): Como assim? Dizer
algo... Silvia (séria): Cláudio! Cláudio: Okay... (pausa e
respira fundo)... Eu conheci o Lucas hoje... Silvia sobe as sobrancelhas, ficando pensativa por instantes. Silvia: Hum... Cláudio: Ele é lindo mãe... Silvia: Que bom... Cláudio: se você o conhecesse... Silvia: Cláudio! Não! Cláudio: por que não? O que o
pai fez foi no passado. Você já o tinha perdoado. Pra que isso agora? Silvia: Uma coisa é ele ter me
traído, outra é ter um filho de outra mulher... Cláudio: Eu sei, eu sei... (pausa)... Quem sou eu pra falar
alguma coisa, afinal, tenho dezesseis anos ainda... mas como filho, é meu
dever dizer que por mais que eu o tivesse perdoado por toda a ausência na
minha vida, faltava alguma coisa que fizesse com que eu o admirasse. E o
jeito com que ele tem cuidado dessa criança, não querendo repetir os erros do
passado, conquistou essa admiração... Silvia não responde, olhando para a televisão. Cláudio: A Adriana está
morrendo mãe, o médico disse que ela não sai viva daquele hospital. Acho
triste ele ter que crescer sem a figura de uma mãe... (pausa)... E
tenho absoluta certeza que o pai não ficar com outra. Por que ele te ama... Silvia continua sem responder, apenas olhando para frente.
Cláudio levanta e coloca um papel em cima de uma mesinha que está frente ao
sofá. Cláudio: Ele disse que a
Adriana quer te ver, esse aqui é o endereço do hospital, caso mude de
idéia... Ele sai. A câmera se aproxima lentamente do rosto de Silvia. Ela
olha para o papel, em seguida o pega e fica olhando-o, ao mesmo tempo em que
pensativa. Vista aérea de um grande campo aberto – Noite. Música: Anna Nalick – Breathe Varias pessoas sentadas em lençóis e com cestas estão no local.
É possível ver também um grande telão onde a maioria está sentado próximo do
mesmo. A câmera corta para Priscila e Gabriel que caminham. Ela está
um pouco mais a frente dele que está atrás, segurando uma grande cesta com
duas mãos. Pri: Vamos logo Gaby, assim
não vamos conseguir um bom lugar perto da tela... Gabriel: Wow, claro, você não
está segurando uma enorme cesta... Vem cá, você colocou a geladeira aqui
dentro? Pri: Não tem graça cinema
ao ar livre, sem aperitivos, não acha? Gabriel: Claro, aperitivos, não
o suplemento inteiro. Além do mais tem os pipoqueiros, as mini-lanchonetes
montadas... Pri: E você não acha que
eu vou ficar enfrentando uma fila tremenda, só por causas de pipocas? Gabriel (subindo as sobrancelhas): Como eu poderia imaginar uma coisa dessas? Pri (sorrindo): Ótimo! Eles param. Priscila abre os braços, satisfeita. Pri: Perfeito! Gabriel coloca a sexta no chão. Em seguida respira ofegante e
olha para frente. Gabriel: Você não queria um lugar
perto da tela? Pri: Sim, mas olha o tanto
de pessoas amontoadas por lá? Você há de concordar que aqui é bem melhor,
huh? Gabriel (dando os ombros): Por mim, qualquer lugar está ótimo! Contanto que eu não tenha
que carregar mais essa cesta... (a olha)...
E faça o favor de comer tudo! Priscila sorri. A câmera gira, mostrando Vera, Artur, Lívia e
Roger caminhando entre as pessoas. Artur carrega duas cadeiras de montar,
Roger também. Vera e Lívia carregam as cestas. Vera: Que ótima idéia essa
do prefeito em fazer um festival de cinema ao ar livre... Artur: Isso está me
cheirando efeito de reeleição... Roger (rindo): Pai, ele acabou de se
eleger... Artur: Mas guarda esse dia,
daqui a quatro anos, ouviremos sobre o festival no palanque. Eles param em um determinado lugar e começam a montar as
cadeiras. Vera: A verdade é que isso
ainda faz parte da comemoração do terceiro centenário da cidade. Estava na
programação, você não viu ceguinho? Artur: Hum, sabe que
não?... (pausa)... Mas não
abusa muito não viu mocinha, você ainda está sob supervisão, e das grossas... Vera: Eu sei carcereiro,
fico muito grata por me tirar da cela um pouco... (olha para Lívia)...
Viu Lívia? É assim, não se engana com palavras bonitinhas não... Lívia (rindo): Pode deixar... Artur: Ela é exagerada, isso
sim. Lívia (ao ouvido de Roger): Seus pais são duas figurinhas... Roger (sorrindo): Você ainda não viu
nada... Espera esse neném nascer. Lívia: Não vejo a hora de
pegar meu cunhadinho no colo... Roger: Eu também não vejo a
hora do meu irmãozinho chegar... Assim já poderemos treinar, huh? Lívia (sorrindo): Não se apresse, safadinho. Roger sorri. Eles começam a se acomodar nas
cadeiras. A câmera gira novamente, mostrando Cláudio caminhando. Alguém o
chama, ele olha na direção e vê Helen, sentada ao chão. Ele sorri e vai até
ela, sentando ao seu lado. Música: Hef - Yesterday Cláudio: O que está fazendo aí
sozinha, irmãzinha? Helen: O Bruno foi enfrentar
a fila das pipocas, e a Amanda... A Amanda... (pensativa)... Sabe que eu não sei? Cláudio: Não trouxeram cesta? Helen bate na sexta, mostrando-a. Cláudio sorri. Helen: Mas gosto daqueles
queijinhos quadrados, que só pipocas compradas em carrinhos tem... Cláudio (fazendo sinal de positivo com a cabeça): Pobre Bruno. O que um cara apaixonado não faz? Helen (sorrindo): As vezes é bom abusar. Breve silêncio. Helen o olha por instantes. Helen: Como você está? Cláudio: Bem... (pausa)...
Conheci meu irmãozinho hoje! Helen (sorrindo): Mesmo? E como ele é? Cláudio (sorrindo): Uma graça... (pausa)... É um garoto especial. Helen: E sua mãe, sabe que
você foi? Cláudio: Sabe, mas ela resolveu
ser teimosa e não há nada que a faça mudar de idéia... Justo quando tudo
estava indo tão bem... Helen: Mas logo ela muda
esses pensamentos, você vai ver... Afinal, eles se amam não é mesmo?
Enfrentaram algo muito pior ano passado... Cláudio (sorrindo): Tem razão, eu acredito
que ela ainda vá se sensibilizar... Novamente ele sorri e levanta. Helen o olha. Helen: Aonde você vai? Cláudio: Dar uma volta, ver se
encontro o Roger, Felipe, mais tarde eu volto aqui. Helen (sorrindo): Okay, bom passeio. Cláudio (sorrindo): Obrigado... Ele dá alguns passos, mas pára e vira para
ela novamente. Cláudio: Helen... Ela o olha. Cláudio: Você foi um anjo
agora, sabia?... (sorri). Helen abre um enorme sorriso. Helen: Que bom! Aos poucos eu
vou conquistando o meu posto novamente... Cláudio: Continua assim, está
no caminho certo... Cláudio sorri e sai. Bruno caminha do outro lado trazendo um
saquinho de pipocas. Ele chega até ela e senta ao seu lado. Bruno: Era o Cláudio? Helen: Sim senhor... Bruno: Onde ele foi? Helen: Dar uma volta... Bruno: aqui... (entrega o saquinho de pipocas)...
Espero que aproveite bem esses queijinhos quadradinhos, porque você não
imagina o sacrifício que foi para consegui-los. Helen (sorrindo): Você é amor, sabia? Ele sorri para ela. Em seguida Helen pega um
queijinho e começa a comer, ela oferece a ele que apenas levanta a mãos,
sorrindo. A câmera muda para um ângulo aéreo, frisando a imagem do campo por
alguns instantes. Quarto do Hospital. Adriana está deitada na
cama, com a mesma expressão pálida e abatida. Na sua frente há uma televisão
no qual ela muda insistentemente de canal, apertando um controle remoto.
Ouvem-se dois batidos na porta. Ela olha na direção da mesma. A câmera se
movimenta mostrando Silvia parada, olhando-a. Adriana a olha surpresa. Silvia
se aproxima devagar. Adriana: Veio conferir se sua
concorrente está realmente com o pé na cova? (sorri). Silvia: Meu filho disse que
você queria me ver... Adriana: Bom, interprete isso como um último
desejo... Silvia a olha por instantes, em seguida cruza os braços. Silvia: Bom, estou aqui... Adriana: Já viu o meu estado,
certo? Silvia: Lamento muito...
Realmente. Adriana: Olha, eu juro de
coração que ele nunca iria saber se não fosse por causa dessa doença... Silvia: A questão não é
essa... Adriana: Quando o médico me desenganou, eu me vi desesperada. Só
consegui pensar no meu filho, onde ele iria viver, se seria feliz...
Acredite, o Lucio foi a única opção que eu tive. Silvia: Adriana, eu não a
culpo por isso... Adriana (cansada): Se não fosse o amor
que o Lucio sente por você, ele não teria se transformado no homem e pai maravilhoso que tem sido para o
Lucas... (pausa longa)... Silvia, você
fez isso com ele, você transformou a vida dele... Não o deixe desviar desse
caminho que o tem feito tão bem... Silvia não responde, seus olhos se enchem de lágrimas. Os
lábios de Adriana começam a tremer. Música Instrumental Lenta Adriana: Você não imagina a inveja que estou sentindo de você neste
momento. Venceu a morte, recuperou sua família... (pausa)... Tem um homem que é louco por você... Ela segura na mão de Silvia, deixando
lágrimas escorrerem de seus olhos. Adriana: Perdoa o Lucio... Não feche a porta para a felicidade. Se eu tivesse
mais um ano de vida ou se pudesse voltar atrás, aproveitaria cada momento
como se fosse o último... (pausa longa)... Pense com carinho, por
favor. Silvia (com pesar): Eu prometo que irei pensar... Adriana dá um leve sorriso, em seguida fecha os olhos,
bastante cansada. A câmera se aproxima lentamente do rosto de Silvia. Seus
olhos estão lacrimejando. Fecha a cena nessa expressão. Campo aberto. Cláudio está sentado na grama, observando o
movimento. Felipe se aproxima, sentando ao seu lado. Música: Aly & AJ - No One Felipe: E aí, meu amigo. O que faz aqui sozinho? Cláudio: Pensando um pouco. Parece que a maioria aqui já
tem seu par, é melhor não ficar dando uma de vela. Felipe
(subindo as sobrancelhas): É
verdade, por isso farei o mesmo... (sorri). Cláudio: E a Nicole, não quis vir? Felipe: Ela preferiu ficar em casa. Mas nem marcamos
nada. Combinamos em ir devagar daqui pra frente... Cláudio esboça um leve sorriso, em seguida olha para frente. Felipe: Ficou chateado com a
relação hoje? Cláudio: Acho que o sonho de
todo Gladiador é ser titular, não é? Felipe: Não todos... (pausa)... O seu por exemplo não é. Faz tempo que você
deixou de ser um... Cláudio (suspirando): Eu sei, mas é
complicado... Felipe: Ano passado você tinha
um grande motivo para querer entrar para o time. Este ano, parece que está
perdido... (pausa longa)... Você foi
essencial na conquista daquele título, e nós, precisamos de você, meu amigo. Cláudio: Eu sei... Prometo que farei de tudo para recuperar aquela sede
de antes, confie em mim... Felipe (sorrindo): Eu sei que vai. Afinal, quem enfrentou um time inteiro ano
passado? Isso agora pra você não é nada... Cláudio (após alguns segundos): Obrigado, brother... Ele fecha o punho e levanta. Felipe faz o mesmo e eles se
cumprimentam, batendo uma mão na outra. Amanda aparece e se aproxima deles.
Amanda: Olha se não são os
solitários de Bom Destino? Cláudio (sorrindo): É, mais ou menos
isso... Amanda: Posso me juntar ao
clube?... Parece que todos aqui já tem seus pares, não estou afim de ficar
dando uma de vela... Cláudio e Felipe se olham, pensativos e
sorrindo. Amanda (subindo as sobrancelhas): Eu tenho uma cesta... (mostra
a cesta). Felipe (interessado): E o que tem aí? Amanda: Varia entre doces e salgados... Cláudio: Chocolates? Amanda: Muitos! Cláudio (sorrindo): Bem vinda ao grupo dos corações solitários... Amanda sorri e se aproxima ainda mais,
sentando na frente deles. O som toma conta da cena, enquanto vemos Felipe
abrindo a cesta. Os três começam a conversar, animadamente. A câmera corta para Roger, Lívia, Artur e
Vera conversando animadamente. As cestas estão sobre uma toalha, e várias
guloseimas espalhadas sobre a mesma. Frisa essa imagem por alguns
instantes. Outro lado do campo. Ainda ao som da mesma música, vemos
Gabriel e Priscila que também conversam animadamente, sentados em cima de uma
toalha de mesa. Após alguns segundos, ele começa a fazer cócegas nela, que ri
descontroladamente. Ele cai por cima dela e ambos trocam olhares penetrantes
por alguns instantes. Depois, Gabriel sai de cima dela e senta, um pouco
incomodado. Priscila também senta, olhando-o. Pri: O que foi? Gabriel (sorrindo): Nada não. Me deu
câimbra... Pri (sorrindo): Mais uma sessão dessas
cosquinhas, eu juro que te mato... Gabriel (levantando as mãos e sorrindo novamente): Tudo bem, sem cócegas... Pri (levantando): Eu já volto... Gabriel: Aonde você vai? Pri (andando): Buscar sorvete pra
gente... Gabriel (gritando): O meu é de chocolate! Gabriel fica pensativo por alguns instantes. Gustavo chega e
senta ao seu lado. Gustavo: É impressão minha ou
senti um clima no ar? Gabriel: É impressão sua... Gustavo: Não notou que ela está
na sua? O que está esperando? Gabriel: Você não sabe diferenciar
uma amizade, de interesse? Gustavo: Claro que eu sei,
minha amizade com a Helen por exemplo, sem interesse algum, a não ser,
amizade. Mas o jeito que vocês dois tem se olhado... Gabriel: É amizade... (pausa)...
E mesmo que estivesse rolando esse tal clima que você falou, eu não posso
fazer isso... Gustavo (girando os olhos): Sei, por causa da sua namorada imaginária... Gabriel: Não é imaginária... Gustavo: E quando vocês se
falam? Se vêem? Gabriel: Não vou entrar em detalhes
com você... O fato é que não posso fazer nada antes de fazer o que é certo. Gustavo: Gaby... (coloca a
mão em seu ombro)... Você é muito politicamente correto, as vezes é bom
agir conforme a sua idade... Gustavo levanta para sair, mas antes o olha.
Gustavo: Faça então o que é certo antes, mas não deixe essa oportunidade
passar... (pausa)... Eu não
deixaria... (sorri). Gabriel: Você não deixaria a oportunidade passar, nem se fosse a maior
tribufu da cidade... Gustavo lança uma careta debochada a ele, em
seguida sai. Fecha na expressão novamente pensativa de Gabriel. Hospital. Silvia está sentada em um sofá, na sala de recepção.
Lucio passa atrás, indo em direção ao corredor, mas antes pára e vira, se
aproximando. Lucio: Silvia? Silvia
(olhando-o): Hey... (pausa)...
Eu vim em paz... Lucio: Eu sei, pedi para o Cláudio te dar o recado. Mas
sinceramente achei que não viria. Ele se aproxima ainda mais, sentando ao lado dela. Lucio: Vocês conversaram... Silvia (triste): Uhum... (o olha)... Quero te dar os parabéns pelo que está fazendo...
Mostra o grande homem que se tornou... Lucio (esboçando um leve sorriso):
Obrigado... (pausa longa)... O que
ainda faz aqui? Silvia: Eu não sei... Achei que fiquei
deprimida ao vê-la naquele estado. Só uma mãe sabe como é ter a sensação de
que não verá o filho crescer... Silêncio por alguns instantes. Lucio: Depois que tudo isso acabar, eu
vou precisar ficar de um tempo para comprar um apartamento perto da empresa,
para que eu e o Lucas moremos juntos. Um colégio que também fique por
perto... (pausa)... Acontece que
isso levará uns dias e não queria deixá-lo com uma babá, ou outra pessoa que
não fosse de confiança... Silvia: Eu fico com ele... Lucio: Mesmo? Silvia: Era isso que você iria me pedir,
não era? Lucio: Sei que esse foi o motivo da
nossa separação e que não tenho o direito de fazer tal pedido. Mas não há
pessoa nesse mundo que eu confiaria mais em deixá-lo, do que você... (pausa)... Prometo que não irei
enrolar e no máximo três dias tudo estará resolvido. Silvia: Tudo bem, leve o tempo que
precisar... (levanta)... Acho que
vou indo... Lucio (levantando):
Obrigado, Silvia, de coração. Silvia (esboçando um leve sorriso):
Não há o que agradecer... Ela se aproxima e beija demoradamente o
rosto dele. Lucio fecha os olhos. Depois ela se afasta, vira e vai embora. A
câmera se aproxima do rosto dele que sorri. A tela escurece. Abre no campo. Lívia e Roger dão leves
passos. Ele a está abraçando por trás, ela está sorrindo. Música: Goo Goo Dolls - Dizzy Up The Girl Lívia (fechando os olhos): Humm, é tão bom ficar assim, abraçadinho. Roger: Por mim ficaria assim
para sempre... Eles param, virando de frente um para o outro. Lívia: Será que já estamos prontos
pra dizer aquelas três palavrinhas? Roger: Você ainda tem algum
de receio? Lívia: Mas é normal, com o
tempo eu vou ficando bem menos encanada... Roger (sorrindo): Acho bom... (a abraça)... Porque eu quero dizer aquelas três
palavras, várias, mas várias vezes pra você... Lívia: Mas não pode ser da
boca pra fora... Roger: E quem falou que será da boca pra fora? Eles aproximam seus lábios e começam a se beijar com ternura,
aumentando a intensidade. A imagem transparece para onde Bruno e Helen estão.
Eles estão deitados sobre a toalha, olhando para as estrelas.
Após alguns segundos, Bruno se inclina sobre Helen. Cont- Goo Goo Dolls - Dizzy Up The Girl Bruno: Helen. Preciso fazer uma coisa, que
se eu não fizer hoje, talvez não tenha mais coragem... Helen (sorrindo): E o que você precisa fazer? Ele se aproxima dos lábios dela, dando um
leve beijo. Depois, eles se entregam, se beijando de forma intensa por
instantes. Helen: Nossa! Bruno: O que foi? Helen: Só faltou fogos de artifícios e
aquela músiquinha de aleluia no fundo... (sorri)...
Pensei que nunca fosse fazer... Bruno (sem graça): É que
garotas como você, me deixam sem ação... Helen sorri para ele, segundos depois eles
voltam a se beijar demoradamente. A câmera se afasta devagar, até subir e
mostrá-los num ângulo aéreo por alguns instantes. Quarto do hospital. Lucio está sentado em
uma poltrona ao lado da cama de Adriana, assistindo televisão. Adriana: tenho uma coisa para
lhe entregar... Ela abre uma gaveta que está ao lado e pega uma folha dobrada. Lucio: O que é isso? Adriana: Uma carta que eu
escrevi para o Lucas... (pausa longa)...
Quando tudo isso acabar, eu quero que você o leve para fora de casa, à noite
e leia essa carta para ele. Lucio (pegando a carta, triste): Pode deixar, eu farei... Adriana: Ta certo que ele vai
entender mais pra frente, mas gostaria que você a lesse do mesmo jeito...
Essa é minha última vontade... Ele a olha por alguns segundos, se segurando para não chorar e
se fazendo de forte. Lucio: Tudo bem, mas agora
você precisa descansar. Eu vou para casa ver como ele está, amanhã bem cedo
eu volto. E talvez essa carta ainda demore muito para ser aberta, okay? Adriana (sorrindo levemente): Uhum... Lucio: Até amanhã então... Adriana: Até amanhã... Ele se aproxima, dando um beijo demorado na testa dela. Depois
se afasta e sorri. Adriana faz o mesmo. Lucio vira e sai de cena. A câmera fecha na expressão triste
de Adriana, ela fecha os olhos. A tela escurece. Corredor do hospital – Manhã. Lucio caminha pelo corredor, ele se aproxima do quarto de
Adriana, abrindo a porta e entrando. A câmera filma o quarto vazio. Lucio
franze a testa, confuso. Uma enfermeira passa pelo corredor, Lucio vai até
ela. Lucio: Por favor. Onde está a paciente
desse quarto? Enfermeira: O hospital não ligou para o
senhor? Lamento, mas ela faleceu pela manhã. Lucio fica sem reação, com os olhos bem
abertos. Devagar ele senta em um banco que está no corredor. Música: Coldplay – Fix You Lucio: Morreu? Enfermeira: Sinto muito... Ela sai. Close no rosto de Lucio, seus
olhos começam a se encher de lágrimas, as mesmas começam a escorrer em
seguida. Lentamente a câmera começa a
se afastar do corredor, parando em determinado ponto. A imagem começa a
transparecer... Vista do céu ensolarado, aos
poucos começa anoitecer. A câmera passeia pelo céu da cidade... Adriana (em off): “Oi
meu lindinho, aqui é a mamãe. Primeiro quero dizer, que você é o maior
presente que Deus me deu. Que só de ter tido o privilégio de viver quatro
anos ao seu lado, vendo você dando os seus primeiros passos, a primeira
palavra, me acordando durante a madrugada, se sentindo seguro nos meus
braços. Só isso, já é motivo de sobra para eu agradecer. A mamãe vai ter que fazer uma viagem, uma viagem muito, mas
muito longa. E o papai, ele vai ficar cuidando de você. Então, obedece a ele,
sempre. Tudo que ele disser, será como se eu tivesse falando. Por que ele te
ama, do mesmo tamanho que eu te amo. E sei que ele vai ser um pai
maravilhoso, presente na sua vida.” A imagem desce, mostrando a casa de Adriana.
Começa a se aproximar lentamente de Lucio e Lucas que estão do lado de fora,
no jardim. Lucio está agachado enquanto Lucas está sentado na perna dele. Em
uma mão Lucio segura o garoto e na outra, segura a carta. Lucio (lendo): Quando
você ficar mais velho, entenderá melhor o que aconteceu e espero que me
perdoe por não ter conseguido vencer a minha batalha. E não preceder de
acordo com os meus desejos. Mas é preciso entender que a nossa vontade é
controlada por um Ser Superior e é Ele quem, na verdade, permite, ou não, que
as coisas aconteçam... (pausa)... Mas está vendo as estrelas no céu? Lucio aponta para as estrelas, Lucas olha paras
as mesmas. A voz de Lucio dá lugar a voz de Adriana. Adriana (em off): ... Entre as inúmeras estrelas do céu, uma delas terá um brilho maior e
mais intenso que todas as outras. Mas esta luz, só por uma pessoa poderá ser
vista. Por você. Ela estará ali, a espera do seu olhar, brilhando,
especialmente para guiar o seu caminho... (pausa)... Aquela
estrela é a mamãe, que te ama muito e que sempre vai estar com você”. Os olhos de Lucio estão cheios de lágrimas, ele
se segura para não chorar. Close no rosto de Lucas que aparenta estar
bastante triste. Lucio o beija seu rosto bem demorado. A câmera começa a
subir lentamente, mostrando-os numa visão aérea por alguns instantes. A imagem começa a transparecer. A noite dá lugar
ao dia, mostrando a frente da casa de Cláudio. Cont- Coldplay – Fix You Close na porta abrindo, Silvia aparecendo.
Ela esboça um leve sorriso. A câmera se movimenta, mostrando Lucio do lado de
fora. Ele abaixa o olhar e a imagem lentamente desce com ele, mostrando Lucas
em pé, assustado e segurando um ursinho. Silva se abaixa e o pega no colo,
levantando. Lucio lhe entrega uma mochila, em seguida beija demoradamente o
rosto da criança. Ele olha para Silvia, esboça um leve sorriso e vira para
sair. A câmera corta para a mão de Silvia, que
lentamente segura na dele. Lucio a olha, surpreso. Silvia fecha os olhos e sorri,
em seguida começa a conduzi-lo para dentro da casa. A imagem começa a se
afastar, enquanto vemos eles entrando e a porta fechando. Cláudio (em off): Diria o poeta “Pra que
serve um momento, se não souber aproveitar? Pra que serve um sentimento, se não
souber se emocionar? Acima de tudo, pra que serve o amor, se não souber
perdoar?” Lentamente a tela escurece.
Créditos Finais: Criado e Escrito por: Thiago Monteiro Participações Especiais:
Paula Marshall – Adriana Jackson Brundage -
Lucas Música Tema: Switchfoot - Meant To
Live Trilha Sonora: The Used - On My Own Kelly
Clarckson - Behind These Hazel Eyes Anna
Nalick – Breathe Hef
- Yesterday Aly
& AJ - No One Goo
Goo Dolls - Dizzy Up The Girl Coldplay – Fix You |
