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Jonathan Bennett (em off): Anteriormente em Descobrindo...

 

Gabriel: Eu queria saber por que você não foi ao colégio hoje?

 

Ele se depara com o quarto vazio. Ele estranha e começa a andar pelo mesmo.

 

Corta:

 

Nicole está de frente a uma motorista, entregando uma passagem para o mesmo.

___________________________________________

Adriana: Lucas Baptista Cambini... (pausa)... Espera aí, Cambini?

Lucio (sorrindo): Agora é oficial. O Lucas tem meu nome...

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Amanda: Então você quer que eu ajude todos a se manterem sóbrios? Esse mundo está de ponta cabeça mesmo. Pelo que me recordo, esse era trabalho seu.

Helen: Exatamente. Mas me manterei sóbria. Acontece que uma ajudinha a mais sempre é bom para certificar.

 

Corta instantaneamente para os quatro rindo, visivelmente altos. Na mesa há uma quantidade incontáveis de copos vazios.

 

Cláudio (levantando o copo): Quero propor um brinde... (pausa)... Aos amigos verdadeiros...

 

Close no rosto de Gustavo que faz sinal de positivo com a cabeça.

 

Cláudio: Ao amor, que é uma droga!

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Roger: Quero que fiquemos juntos oficialmente.

Lívia (confusa): Oficialmente?

Roger: Lívia, quer namorar comigo?

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Helen (após alguns segundos): Você me perdoa?

Cláudio: Claro que eu perdôo, sempre.

 

Eles se abraçam, demoradamente.

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Vista externa do colégio Esplendor – Manhã.

 

Música: Sense Field - You Own Me

 

Vários alunos transitam pelo gramado. A maioria se dirige ao portão. A câmera gira até Felipe que está fechando a porta do quarto. Ele caminha para frente e se depara com Gabriel parado, olhando-o. Felipe se assusta.

 

Felipe: Wow, Gabriel! Quer me matar de susto?

 

Gabriel: Preciso falar com você...

 

Felipe (caminhando): Se for sobre a Nicole pode esquecer.

 

Gabriel: É sobre ela mesmo que precisamos conversar...

 

Felipe: Esquece...

 

Ele caminha até o portão. Gabriel permanece parado.

 

Gabriel: A Nicole foi embora...

 

Felipe pára imediatamente. Em seguida vira e se aproxima de Gabriel.

 

Felipe: O que foi que você disse?

 

Gabriel: Isso mesmo que você acabou de escutar. Ela foi embora ontem à tarde...

 

Felipe fica sem o que dizer de inicio. Priscila se aparece, se aproximando deles.

 

Pri (animada): Oi!

 

Felipe: Mas por que ela foi embora? Por minha causa?

 

Pri (curiosa): Quem foi embora?

 

Gabriel (para Pri): A Nicole... (para Felipe)... Pra falar a verdade, ir embora não seria o termo mais correto, e sim fuga. Ela fugiu, entende a gravidade da coisa?

 

Priscila começa a rir. Gabriel a olha. Ela tampa a boca.

 

Felipe: Okay, mas me responde se foi por minha causa?

 

Gabriel: Digamos que contribuiu bastante...

 

Felipe fica em silêncio, olhando para o lado.

 

Gabriel (virando): Vamos, não podemos perder tempo...

 

Felipe (segurando Gabriel): Wow, wow, wow.  Como assim vamos?

 

Gabriel: Trazê-la de volta...

 

Felipe: E por que você acha que isso é problema meu?

 

Gabriel: Porque você gosta dela e ela de você.

 

Felipe (rindo): Certo...

 

Gabriel (sério): Eu não estou brincado... (pausa)... Olha, lá em casa ninguém sabe que ela fugiu, todos pensam que está dormindo na casa de uma amiga, mas precisamos trazê-la de volta rápido, antes que tudo vire uma tremenda loucura.

 

Priscila observa tudo em silêncio, atenciosamente.

 

Felipe: E por que precisa de mim? Por que já não foi atrás dela?

 

Gabriel: Porque se eu for sozinho e de ônibus, com certeza vou perder a viajem, é capaz ela me enxotar de lá a vassouradas. Mas você vindo junto e principalmente falando com ela, é bem mais fácil convencê-la.

 

Felipe: Aí é que está. Quem disse que eu quero que ela volte?

 

Gabriel suspira e o encara seriamente, fechando um pouco os olhos em tom de ameaça.

 

Gabriel (nervoso): Felipe, não seja cabeça dura! Não me venha com desculpinhas absurdas de que não quer que ela volte. Sei que deseja o contrário, então, para o carro agora! Não podemos perder tempo, a viagem é longa.

 

Felipe o olha surpreso, em seguida respira fundo e caminha até o carro, juntamente com Gabriel.  Priscila vem logo atrás. Felipe a olha.

 

Felipe (para Pri): Aonde você pensa que vai?

 

Pri: Aonde mais? Com vocês!

 

Felipe pára, Gabriel se aproxima dela.

 

Gabriel: Olha, não acho uma boa idéia, vocês se odeiam, esqueceu?

 

Pri: Já faz tempo que eu e a Nick não nos pegamos, fica tranqüilo, ela nem vai notar a minha presença...(pausa)...  E outra, você acha que eu vou perder a oportunidade de matar aula e ainda por cima sair de Bom Destino? Respirar novos ares?...(balança a cabeça em sinal de negativo)...  Eu acho que não!... (sorri).

 

 

Ela passa por Gabriel. Ele e Felipe se olham.

Corta para a parte interna do carro. Priscila está sentada no banco de trás, enquanto Felipe e Gabriel estão na frente.

 

Felipe (olha para Priscila pelo retrovisor): Que fique claro que isso não é um passeio turístico, ouviu mocinha?

 

Pri: Está bem vovô. Já disse que o importante é sair da cidade.

 

Felipe liga o automóvel. Gabriel olha para Priscila que sorri para ele. Ele balança negativamente a cabeça e sorri também.

 

Corta para a parte externa do veículo. Num ângulo aéreo o vemos saindo, indo em direção ao final da rua e virando a esquina.

 

A tela escurece.

 

 

 

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Colégio Esplendor – Sala de aula.

 

Uma professora caminha por entre uma fileira de carteiras, entregando uma folha a cada aluno. Ela pára em um especial e entrega-lhe a folha. Quando sai, percebemos se tratar de Bruno. Ele olha para a folha bastante desanimado. Close na folha onde vemos um dois negativo envolto de um círculo vermelho.

 

Bruno: Estou ferrado!

 

A câmera se desloca para a carteira de trás, onde vemos Helen segurando uma folha também. Close em uma mão colocando uma folha em cima da sua carteira. A imagem sobe, mostrando se tratar de Gustavo.

 

Gustavo (sorrindo): Oito e meio. Só posso ser algum tipo de super dotado...

 

Helen: Realmente, para não estudar e tirar oito.

 

Gustavo: Quanto você tirou?

 

Ela suspira e mostra a folha. Gustavo faz cara de horrorizado.

 

Gustavo: Cinco? Deus, como você é relaxada, um mau exemplo...

 

Helen: Pois é, vou tratar de estudar... (o olha e sorri)... Afinal, preciso ser um bom exemplo para você, huh?

 

Gustavo: Obviamente. Porque, olha o meu nível. (sorri).

 

Voz de Bruno: Talvez possamos estudar juntos...

 

Gustavo e Helen olham na direção. A câmera abre mostrando Bruno na carteira da frente. Ele vira, olhando-a.

 

Bruno: Não estou conseguindo acompanhar o ritmo desse colégio. Preciso muito de uma força.

 

Helen: Você ouviu quanto eu tirei?

 

Bruno: Mas isso foi porque andou relaxando. Mas fiquei sabendo que é uma das melhores alunas desse colégio.

 

Helen fica pensativa por instantes. Gustavo apenas observa atentamente.

 

Bruno: Se eu continuar assim, posso declarar esse ano como perdido... (pausa)... Por favor?

 

Helen (sorrindo): Tudo bem, eu posso te ajudar. Mas não garanto milagres, okay?

 

Bruno (feliz): Eu sei que você é capaz...

 

Corta para o rosto de Gustavo. Ele está de boca aberta.

 

Gustavo: Estou pasmo!

 

Helen: Por qual motivo?

 

Gustavo (sorrindo e olhando para Bruno): Com certeza o inteligente aqui é você... (sorri ainda mais)... Jogada de mestre, hein rapaz?

 

Bruno: Não faço a mínima idéia do que você está falando.

 

Gustavo: Vai me dizer que isso não é apenas uma jogada para ficar pertinho da Helen, huh, tigrão?

 

Bruno arregala os olhos, nervoso. Close no rosto de Helen que lança um olhar furioso a Gustavo.

 

Helen (repreendendo-o): Gustavo. Pára. Agora!

 

Bruno (esboçando um leve sorriso e olhando para Gustavo): Te pego na saída.

 

Gustavo começa a rir. Helen e Bruno se olham, sem graça.

 

 

Vista aérea da cidade. A câmera corta para alguns determinados pontos da mesma, até mostrar a frente do colégio Esplendor. Simbolizando uma passagem de tempo.

 

Música: Butterfly Boucher - I Can't Make Me

 

Gustavo caminha pelo refeitório, sorridente. Ele se aproxima de uma mesa, onde estão Cláudio, Helen, Amanda e Bruno.

 

Gustavo: Ficaram sabendo do show da banda Sintonia?

 

Cláudio: Vai ser na inauguração da nova casa de show da nossa “querida” cidade vizinha... (bufa)... Parece que não rola outro assunto aqui, hoje.

 

Gustavo: E não vamos, não é?

 

Bruno: Nós aqui vamos, agora você eu já não sei.

 

Gustavo: E até parece que vão me deixar de fora. Somos uma família, esqueceram?

 

Amanda: Somos? 

 

Gustavo: Garotas, me respondam uma coisa... Vocês gostam dessa banda?

 

Helen: Eu adoro!

 

Amanda: O Patrick é tudo de bom...

 

Helen: Ele é perfeito!

 

Gustavo: E se eu garantir que vocês entrarão no camarim deles?

 

Amanda (incrédula): Mentira? Se conseguir, sou capaz de te dar um beijo.

 

Gustavo (interessado): Mesmo?

 

Amanda (sorrindo): Não, foi no calor da emoção. Racionalmente falando agora, sou capaz de passar a te respeitar.

 

Gustavo (subindo as sobrancelhas): Obrigado, já é alguma coisa... (pausa)... Então, digamos que eu tenho certos contatos nessa nova casa de shows que conseguiriam encaixar vocês lá dentro... O que acham?

 

Helen: Seria um sonho!

 

Gustavo (sorrindo): Bom. Mas para isso acontecer, terão de conversar seus amigos aí a me levaram junto...

 

Cláudio: Pra que querer ir tanto com a gente? O colégio inteiro praticamente vai.

 

Bruno: Seria pelo motivo de ninguém conseguir aturá-lo?

 

Gustavo (dando os ombros): Tudo bem, me deixem de fora e bye, bye, Patrick...

 

Amanda: De jeito nenhum, você vai com a gente... (olha para os rapazes)... E tenho dito!

 

Helen: E eu assino embaixo do que ela acabou de dizer.

 

Cláudio e Bruno se olham por alguns segundos, em seguida se rendem.

 

Bruno: Okay, talvez possamos abrir uma exceção por hoje.

 

Gustavo: Eu sabia que iriam acabar se rendendo. No fundo, no fundo, todos tem uma queda pelo Gustavo.

 

Cláudio: Não nos faça mudar de idéia...

 

Gustavo (sorrindo): Me respondem uma coisa... Iremos de quê? Ônibus, taxi, a pé?

 

Cláudio: Com o Roger...

 

Amanda: O que? Eu é que não entro naquele carro!

 

Corta instantaneamente para o rosto de Roger.

 

Roger: O que? Ela que não entra no meu carro!

 

A câmera abre, mostrando Lívia ao lado dele na mesa e Cláudio mais a frente.

 

Cláudio: Por que não?

 

Lívia: É, por que não? Tem medo de encarar sua ex com a atual?

 

Roger: Claro que não. Mas pensei que você se sentiria constrangida com a situação.

 

Lívia: Nem um pouco. E já que estamos namorando, mais cedo ou mais tarde isso teria que acontecer.

 

Roger: Digamos que eu aceite, você não esqueceu alguns detalhes, meu amigo? Primeiro, eu não tenho carta, uma coisa é dirigir sem habilitação em Bom Destino, outra é sair da cidade. Segundo, você contou quantas pessoas para um único carro?

  

Gustavo aparece, se intrometendo.

 

Gustavo: Respondendo a primeira pergunta. O local fica pelas redondezas, é fácil, rápido, não vai ter comando, ainda mais eu que conheço vários atalhos, irei conduzi-los...(pausa)... A segunda parte, nada que uma apertadinha não resolva. (sorri).

 

Roger (pensativo): Eu não sei...

 

Cláudio: O que você acha Lívia?

 

Lívia: Por mim, tudo bem.

 

Roger (olhando-a): Você deveria me incentivar a não fazer coisas erradas, certo sua irresponsável?

 

Lívia (sorrindo): Eu tenho os meus defeitos...

 

Gustavo: Então está decidido, huh?

 

Roger: Aham. Pode dizer pra turma que o motorista vai levar...

 

Gustavo (sorrindo): Eu amo você, Rô, Rô!

 

Gustavo sai. Roger balança negativamente a cabeça.

 

Roger: Eu não o amo... (olha para Cláudio)... Desde quando esse aí faz parte...

 

Cláudio (interrompendo): Foi exigência das meninas... Tudo pelo tal do Patrick.

 

Lívia (suspirando): O Patrick é lindo!

 

Cláudio: Viu?

 

Roger novamente balança a cabeça, em seguida sorri. O som toma conta da cena, enquanto a imagem muda para um ângulo aéreo do refeitório. A tela escurece.

 

 

Uma sala. Paulo está sentado numa cadeira, olhando atentamente para uma televisão que está em cima de sua mesa. É possível ouvir o som que sai da mesma:

 

“Ele passa por dois, dribla o terceiro, fica de frente para o goleiro e chuta em gol.... (grita)... Golll... Paulo! Guardem esse nome. A grande revelação do ano”...

 

Ele sorri, saudosista. Ouvem-se dois batidos na porta. Ele desliga o aparelho.

 

Paulo: Entra...

 

A porta abre e Isabel aparece. Paulo franze a testa ao vê-la, em seguida esboça um sorriso sarcástico.

 

Paulo: A que devo a honra de sua ilustre presença, professora Isabel?

 

Isabel (entrando e fazendo sinal com os dedos): Paz?

 

Ela senta numa cadeira que está à frente da mesa dele.

 

Isabel: A gente não tem se topado desde o acontecido na concentração e depois com a direção... (pausa)... Acho meio constrangedor colegas de trabalho não se falarem...

 

Paulo: Pra falar a verdade, eu fico mais aqui na minha sala, com os meus jogadores. Portanto, topar com você é a coisa mais difícil de acontecer. Bom, isso até a professora resolver se meter novamente no trabalho que não lhe diz respeito... (sorri).

 

Isabel: Não é questão de se meter. E sim zelar pelo alunos...

 

Paulo: Zelar o que? Passar a mão na cabeça quando fazem coisa errada, tratá-los como crianças, não irá ajudá-los a enfrentar as adversidades que terão pela frente...

 

Isabel: Você fala como se estivesse realmente preparados. Mas não estão, dificilmente estarão... (pausa)... Bom, mas eu não vim aqui para brigar outra vez. Só quero saber se pelo menos podemos nos cumprimentar quando nos virmos?

 

Paulo (indiferente): Por mim, tanto faz.

 

Isabel (sorrindo): Okay!

 

Ela levanta e caminha até a porta. Abre e fica pensativa. Depois vira para ele novamente.

 

Isabel: Vendo você tratar seus jogadores como se fossem robôs programados e esse seu jeito de ser, fico me perguntando... Aí dentro já bateu um coração?

 

Paulo: A não ser que eu seja algum tipo de ser vivo privilegiado que não necessite de coração para viver, bom, creio que bata sim um coração dentro de mim... (sorri).

 

Isabel (sorrindo): Sorri às vezes faz bem para a saúde. Tente praticar isso mais vezes...

 

Ela sai, fechando a porta. A câmera se aproxima do rosto de Paulo que fica pensativo. Depois liga novamente o televisor. Paulo sorri novamente saudosista para a mesma.

 

 

Frente de uma lanchonete de beira de estrada. Corta para dentro.

 

Gabriel e Felipe estão sentados a uma mesa. Na mesma há três pratos vazios com guardanapos e dois refrigerantes. Priscila chega, sentando.

 

Pri: Precisam ver o banheiro desse lugar.

 

Felipe: Eu disse que não viemos a passeio...

 

Pri: Quer tentar relaxar?

 

Felipe olha para o lado, visivelmente impaciente.

 

Gabriel: O que irá dizer a ela, quando a encontrarmos?

 

Felipe: Eu? Pensei que você...

 

Gabriel (cortando): Não. Sequer vou passar perto dela. O trabalho de convencimento será exclusivamente seu...

 

Felipe (bufando): Eu faço. Mas que fique claro que estou fazendo isso apenas para não me sentir culpado pela fuga dessa louca...

 

Pri (rindo): Certo...

 

Felipe (sério): Posso saber o motivo da risada?

 

Pri: Você quer enganar quem, Felipe? Sua cara te condena...

 

Ele não responde e um breve silêncio toma a cena.

 

Gabriel: A Nicole não sabe demonstrar outros sentimentos que não seja de ódio, raiva e derivados... (pausa)... Ela simplesmente não consegue demonstrar o contrário...

 

Felipe: Por quê? Tem que haver uma explicação, certo? Seria porque ela levou um fora no passado?

 

Pri: Se fosse para deixar de demonstrar sentimentos amorosos porque levei um fora, já era para eu ter me trancado em um quarto e jogado a chave fora...

 

Gabriel (hesitante um pouco): Que ela nunca saiba que o que irei dizer, saiu daqui, okay?

 

Felipe concorda com a cabeça, em seguida ele e Gabriel olham para Priscila.

 

Pri: Okay, gente. Que tipo de pessoa vocês acham que eu sou?

 

Eles não respondem, Priscila gira os olhos. 

 

Gabriel: Ela já levou sim vários foras. Mas teve um desgraçado uma vez, que espalhou para o colégio inteiro que estudávamos, que havia dormido com ela. Sabe aquele tipo que seduz, encanta, leva pra cama e depois descartam? Não sei se foi verdade ou não, mas lembro de muitas vezes ter ouvido a Nicole chorar em seu quarto.  E era notória o estado deprimido em que ela ficou por dias... (pausa)... Eu não, acho que o momento para ela devia ter sido especial, mas alguém simplesmente fez questão de estragar. Desde então não a vi mais se envolver seriamente com ninguém... Até você aparecer...

 

Close no rosto de Felipe que escuta com bastante atenção.

 

Gabriel: Talvez o jeito frio de ser com você, tenha sido reflexo do que já aconteceu. Não há como condenar alguém que não tem certeza até quando a outra pessoa goste realmente e está disposto a lutar por ela. A partir do momento em que a relação de vocês dois ficou séria, tenho certeza que um flashback passou pela mente dela.

 

Felipe: Eu nem sei o que dizer...

 

Gabriel: Apensa pense nisso, okay? Não creio que a Nicole tenha ficado com você por interesse...

 

A câmera se aproxima do rosto de Priscila que observa Gabriel com certa admiração.

 

 

Casa de Roger – Parte Interna – Sala.

 

Vera e Artur estão sentados no sofá, em frente à televisão. Artur com uma expressão séria, olha atentamente para uma folha. Ouve-se a porta abrindo em fechando. Depois Roger aparecendo na sala, sorridente.

 

Roger: Olá meus lindos, amores, amados!

 

Artur (sério): Se aproxima mais, rapazinho!

 

Roger pára de rir e se aproxima, confuso. Artur lhe mostra a folha.

 

Artur: Pode me dizer o que é isso?

 

Roger: Não faço a mínima idéia...

 

Artur: Então eu vou lhe dizer. Isto... (abre a folha na frente dele)... É a segunda multa que chega aqui em casa em menos de um mês. Mas o mais curioso é da onde ela veio... (sério)... Do carro que lhe dei.

 

Roger (pegando a folha): Mesmo? Não será algum engano?


Artur: Não, excesso de velocidade e ultrapassagem de farol vermelho...

 

Roger: A segunda teve ter sido à noite... Você sabe que ninguém pára no farol vermelho de madrugada, huh? (sorri).

 

Roger olha para Vera que faz sinal de negativo com a cabeça.

 

Vera: Não olha pra mim... Você sabe que sempre fui contra esse negócio.

 

Artur: Quando você tiver a sua carteira de motorista, pode levar quantas multas quiser. Enquanto isso, que paga o pato perdendo pontos não é você e sim sua mãe.

 

Vera (surpresa): Eu?

 

Artur: O carro está no seu nome...

 

Vera: Seu cachorro! Agora eu fiquei sem pontos na carteira. Como pode me trair desse jeito?


Artur (sorrindo): Digamos que eu dirijo muito mais do que você que praticamente tirou carta para enfeite. Então quem seria melhor correr o risco?

 

Vera (olhando seriamente para Roger): Garoto, eu te pego!

 

Roger: Olha, eu errei, certo? Coisa de amador. Mas agora prometo entrar na linha e nenhuma multa mais aparecer em casa.

 

Ele sorri e beija Artur, abraçando-o em seguida. Depois vai até Vera e beija o rosto dela.

 

Roger (sorrindo): E não se esqueçam que eu amo muito vocês dois!

 

Ele vira e começa a andar. Artur levanta o dedo.

 

Artur: Um momento, espertinho.

 

Roger pára e fecha os olhos. Artur esboça um leve sorriso e se aproxima.

 

Artur: Não achou que sairia impune dessa, achou?

 

Roger: Não, mas tive que tentar dar uma escapada... (vira e suspira)... Qual é penitencia? Vamos lá, eu agüento.

 

Artur: Até o final do mês que vem, está terminantemente proibido de pegar o carro.

 

Roger (indignado): O que? Não! Eu preciso usar o carro esta noite!

 

Artur (sorrindo): Bom, receio que terá que ir de ônibus, ou a pé.

 

Roger (desanimado): Não é justo. Vamos lá, pelo menos essa noite. A partir de amanha você inclui mais um dia.

 

Artur (balançando negativamente a cabeça): Não!

 

Roger (implorando com as mãos): Por favor, eu imploro!

 

Artur: Sentimentalismo não irá me fazer voltar atrás...

 

Roger: Mãe?

 

Vera: Minha vontade é de te dar umas palmadas. Não peça nada a mim...

 

Roger (nervoso): Mas que droga! Vida injusta!

 

Artur: Onde está seu carro?

 

Roger: Estacionado lá fora, por quê?

 

Artur: Vem comigo...

 

Artur toma a frente e anda em direção a porta. Roger respira fundo e o acompanha.

 

Lado externo da casa. Artur risca com um spray, o chão onde o carro está estacionado. Próximo aos pneus.

Em seguida ele vai até a parte da frente, fazendo o mesmo.

 

Artur: Sua mãe e eu iremos sair hoje, porque sinto que estou prestes a entrar em erupção se não levar aquela criança grande para passear. Talvez cheguemos tarde porque ela vai querer passar na casa da jararaca da sua avó. Se bobear, a velha até nos fará dormir lá...

 

Roger: Tá, e daí? Por que você riscou o chão?

 

Artur: Isso é caso você queira trapacear e tirar o carro simplesmente porque não estaremos em casa. Se o carro ultrapassar meio centímetro e não estiver exatamente nessa posição quando voltarmos, pode ter certeza que você só voltará a usá-lo quando completar dezoito anos... (pausa)... E como você é péssimo motorista, deve ter puxado a sua mãe, claro. Vou saber se tentou tirar o carro ou não.

 

Ele sorri para Roger e em seguida sai. Roger o acompanha com o olhar, nervoso.

 

Roger (falando alto): Eu não sou péssimo motorista!... (olha para o carro e chuta o pneu, pulando de dor em seguida)... Auuu, ai ai... !

 

 

Parte interna da casa. Artur se aproxima e senta ao lado de Vera no sofá.

 

Artur: Viu? De vez em quando eu sei ser durão...

 

Vera: Estou tão orgulha de você. Fica até mais sexy desse jeito, sabia?

 

Artur: É mesmo? ... (sério)... Talvez eu seja mais durão daqui pra frente.

 

Vera (sorrindo): Repete!

 

Artur (sério): Talvez eu seja mais durão daqui pra frente!

 

Vera: Repete!

 

Artur (durão): Chega mulher!

 

Vera começa a rir. Artur faz o mesmo. Em seguida ambos se beijam com selinho. A tela escurece.

 

 

Vista aérea de uma cidade. Vemos o carro de Felipe trafegando por uma avenida de pouco movimento. Corta para dentro.

 

Música: Bodeans - Closer To Free

 

Felipe: Onde procurar agora?

 

Gabriel: Vamos à casa de algumas amigas dela...

 

Felipe: Só dizer o lugar...

 

Gabriel: Vira a direita...

 

 

Corta para frente de uma porta. A mesma se abre e uma garota aparece. A câmera gira mostrando Gabriel, Felipe e Priscila parados do lado de fora. A garota sorri.

 

Cont- Bodeans - Closer To Free

 

Garota: Gabriel?


Gabriel: Oi Mariana. Por acaso a Nicole está aí?

 

Mariana: Nicole? Ela está na cidade?

 

Gabriel (esboçando um leve sorriso): Obrigado...

 

 

Corta para outra porta se abrindo e outra garota aparecendo.

 

Cont- Bodeans - Closer To Free

 

Gabriel: Oi Bruna. A Nicole está?

 

Bruna (rindo): Nicole? Quem é Nicole?... (o olha)... Quem é você? (ri).

 

Gabriel, Priscila e Felipe estranham a atitude da garota que parece estar alta.

 

 

Corta para outra porta se abrindo e outra garota aparecendo.

 

Cont- Bodeans - Closer To Free

 

Gabriel: Oi Juliana. Por acaso a Nicole se encontra?

 

Juliana: Ela passou a noite aqui em casa, mas teve que ir embora. Você sabe como é minha mãe? Ainda mais depois do ocorrido com a sua família...

 

Close em Priscila que franze a testa.

 

Gabriel: Tudo bem. Mas teria idéia de onde ela possa ter ido?

 

Juliana: Bom, ela disse que iria a casa da Flávia, talvez você a encontre por lá.

 

Gabriel (esboçando um leve sorriso): Obrigado...

 

Ele vira e os três começam a caminhar.

 

Pri: Nossa, como a sua irmã é querida por aqui, huh?

 

 

Casa de Adriana – Parte Interna – Noite.

 

Lucio está sentado no sofá, assistindo televisão. Do seu lado esquerdo está Adriana. Do lado esquerdo, com a cabeça deitada em seu colo está Lucas, aparentemente dormindo. 

 

Adriana: Quando assistirmos a esse filme pela primeira vez?

 

Lucio: No nosso encontro...

 

Adriana (sorrindo): Verdade... (pensativa)... Que nostalgia...

 

Ela o olha por alguns segundos.

 

Adriana: Eu fui apenas uma aventura para você, ou chegou a sentir alguma coisa por mim?


Lucio: Claro que senti... De certa forma...

 

Adriana: Quando soube que estava grávida do Lucas, estranhamente fiquei feliz em saber que teria um filho seu. Talvez pelos meus sentimentos por você também terem ultrapassado a barreira do apenas gostar...

 

Lucio: Por que não me procurou assim que soube que esperava um filho meu?

 

Adriana: Porque você nunca foi um bom pai, Lucio. E sinceramente, você era um cachorro... (sorri).

 

Lucio: É, meu passado sempre irá me condenar...

 

Adriana: Não mais... (pausa)... Talvez haja um lado bom para essa doença... Talvez tudo tenha acontecido para eu ver o pai maravilhoso que você será para o nosso filho... E por mais que eu te amasse, não te via com bons olhos, e o Lucas creio que jamais te conheceria... (pausa)... Você mudou, Lucio.

 

Lucio (esboçando um leve sorriso): Que bom que você notou...

 

Eles se olham por alguns instantes. Adriana aproxima seu rosto de leve, perto de chegar ao lábios dele, Lucio vira o rosto. Adriana se afasta.

 

Lucio (olhando-a): Eu amo a Silvia, Adriana. Muito mesmo.

 

Adriana (sorrindo): Eu sei. Realmente você mudou.

 

Lucio sorri, em seguida levanta.

 

Lucio: Eu vou para o hotel buscar tomar um banho, assinar alguns papeis. Dentro de uma hora mais ou menos eu volto para nós três jantarmos juntos... (pausa)... O que você acha?

 

Adriana (sorrindo): Acho uma ótima idéia.

 

Lucio se inclina e beija a testa dela. Em seguida se abaixa e beija o rosto de Lucas. Depois sai de cena. A câmera permanece na sala e se aproxima do rosto de Adriana. Ela dá lugar a uma feição triste, olhando para a criança e alisando o cabelo da mesma.

 

 

Casa de Roger – Parte externa.

 

Roger, Bruno e Cláudio estão parados próximo ao carro que está com os riscos no chão.

 

Cláudio: Eu disse que você dirigia mal.

 

Roger: Neste momento estou precisando de ânimo, amigo.

 

Bruno: E agora?

 

Roger (dando os ombros): Eu não queria ir mesmo. Só ia porque a Lívia insistiu.

 

Cláudio: Não tem como ir de ônibus mais. Vou ligar para o pessoal, desmarcando.

 

Corta para o lado de dentro da casa. Roger caminha enquanto fala ao telefone.

 

Roger: Pois é minha linda, meu carro foi confiscado...

 

Voz de Lívia: Que chato, Rô...

 

Roger: Mas eu posso passar na sua casa. Podemos fazer algum programa a pé, ou assistir algum filme...

 

Ele entra na cozinha e vai direto a geladeira, abrindo-a. Ele pega uma jarra de água, mas continua olhando para dentro, procurando algo.

 

Roger: Não tem bananas...

 

Voz de Lívia: O que?

 

Roger: Minha mãe é viciada em bananas...

 

Voz de Lívia: Roger, você está bem?

 

Roger (animado): Se arruma que em vinte minutos estarei passando na sua casa para te pegar...

 

Corta para uma garagem. Roger, Cláudio e Bruno estão parados próximos a um carro.

 

Roger (sorrindo): Me proibiram de pegar o meu carro, não o da minha mãe.

 

Bruno: Cara, vai furtar o carro da sua mãe? Isso leva ao inferno...

 

Roger: Não é furto, é uma colaboração que estarei dando para a casa. Vocês não fazem idéia de como ela fica quando não tem banana para comer no café da manhã. Só precisamos passar em um supermercado antes.

 

Cláudio: E se eles descobrirem?

 

Roger: Provavelmente a jararaca da minha avó fará eles dormirem na casa dela. Bom, caso cheguem cedo, tem a desculpa das bananas.

 

Bruno (batendo as mãos): Perfeito! Vamos nessa então.

 

Cláudio: Tem certeza que isso vai dar certo?

 

Roger (sorrindo): As bananas meu amigo. Tudo pelas bananas!

 

Cláudio sobe as sobrancelhas, em seguida os três se movimentam para entrar no carro. A tela escurece.

 

 

Interior do carro de Felipe. O mesmo está em movimento.

 

Felipe: Passamos nas casas de todas supostas amigas, rodamos essa cidade inteira e agora nada... (respira fundo)... Estou começando a ficar preocupado.

 

Gabriel fica pensativo e olha para janela. Após alguns segundos ele arregala os olhos, como se tivesse visto alguém.

 

Gabriel: Acho que é ela.

 

Felipe (olhando para os lado): Aonde?

 

Gabriel: Sentada ali no banco da praça.

 

Felipe pára o carro. A câmera muda mostrando Nicole sentada na praça, de braços cruzados. Volta para o interior do veículo.

 

Gabriel: Vai você. Se eu for é capaz que ela atire a bolsa em cima de mim...

 

Felipe: Okay...

 

Ele respira fundo e tira o sinto de segurança, abrindo a porta em seguida e saindo. Gabriel olha para Priscila.

 

Gabriel: Quer dar uma volta pelas redondezas?

 

Pri: Graças a Deus!

 

Gabriel sorri e ambos saem do carro. Muda para uma visão externa e aérea da praça. Em seguida corta para Nicole sentada, de braços cruzados e visivelmente triste. Felipe se aproxima devagar dela.

 

Música: Dishwalla - Collide

 

Felipe: Hey...

 

Ela o olha, visivelmente surpresa. 

 

Nicole: Felipe... O que faz aqui?

 

Felipe (sentando ao lado dela): Fiquei sabendo por aí de uma fujona e vim tentar convencê-la a voltar pra casa...

 

Nicole (triste): Nem precisava se dar o trabalho de ter vindo. Já estou voltando mesmo...

 

Felipe: Sério?

 

Nicole (suspirando): Você passa a vida inteira pensando que tem amigos. Que pode contar com eles em qualquer momento de sua vida. Então, quando você realmente precisa deles, todos viram as costas e arrumam desculpas para não te acolher...

 

Felipe: Ninguém quis te abrigar?

 

Nicole (segurando o choro): Não...

 

Ela a encara pesaroso por alguns instantes, em seguida olha para frente.

 

Felipe: Há momentos que a gente prova coisas duras, que várias vezes não entendemos, mas que é necessário para o nosso crescimento... (pausa)... Mas não significa que, só porque aconteceu antes, que vá acontecer agora. Há momentos que precisamos acreditar que será diferente...

 

Nicole: O Gabriel te contou o que aconteceu, não foi?

 

Felipe: Ele ama você, e só fez o que achava certo no momento...

 

Nicole (olhando-o): Agora você entende que eu não te usei? Que dentro de mim impera uma insegurança enorme?

 

Felipe: Eu sei... (pausa)... Talvez tenhamos precipitado as coisas. Não houve tempo suficiente para nos conhecermos profundamente a ponto de iniciarmos algo mais forte entre a gente... (pausa)... Por isso proponho que recomecemos, só que dessa vez, bem mais devagar...

 

Nicole: Desde o começo?

 

Felipe (sorrindo): É, desde o começo...

 

Nicole o olha e sorri, em seguida estende a mão.

 

Nicole: Oi, meu nome é Nicole. Sou chata a maioria das vezes. Menti quando disse que adorava Bom Destino, sendo que a cada dia que passava naquele lugar, mais eu tinha vontade de pular de alguma precipício...

 

Felipe (sorrindo): Eu sabia disso... (pausa)... Oi, meu nome é Felipe. Jogo no time do colégio, sou bastante cobiçado entre as mulheres... (ri)... Mas escondo um lado bastante romântico que a maioria das vezes me irrita...

 

Nesse instante, o som toma conta da cena, encobrindo o que ele diz. Lentamente a câmera começa a se afastar até escurecer lentamente.

 

 

Parte interna do carro da mãe de Roger.

 

Na frente está Lívia ao lado de Roger que dirige. Atrás, estão Cláudio, Helen e Amanda, essa ultima no meio. Ao lado de Amanda está Gustavo e espremido na janela está Bruno.

 

Amanda (empurrando Gustavo): Dá pra você ir mais pra lá?

 

Gustavo: Só se eu sentar no colo do Bruno...

 

Bruno: Nem pense nisso...

 

Gustavo: Vem cá, esse nervosismo todo é só por causa do aperto?

 

Amanda: E pra que mais seria? Minha roupa está toda amassada.

 

Gustavo: Pois é, uma pena perder o posto de primeira dama. Se fosse há alguns meses, você estaria lá na frente.

 

Amanda lança um olhar furioso a ele. Roger olha pelo espelho retrovisor, também sério.

 

Gustavo: Desculpa, perdão... Bruno, quer sentar no meu colo?

 

Roger: Onde fica esse lugar? Você disse que seria rápido, mas até agora estou dirigindo nessa porcaria de estrada!

 

Gustavo: Calma impaciente. Você não queria burlar o comando da policia?

 

Roger balança negativamente a cabeça e volta a atenção para frente. Lívia o olha, preocupada.

 

Lívia: Você está bem?

 

Roger: Foi uma idéia estúpida! Provavelmente ele não sabe para onde estamos indo...

 

Gustavo: Claro que sei. Mais alguns quilômetros e chegamos lá...

 

Amanda: Pára o carro. Eu quero descer...

 

Roger: O que?

 

Amanda: Pára o carro que eu quero descer...

 

Roger: Eu não vou parar...

 

Amanda: Então eu vou pular...

 

Roger: Alguém abre o vidro aí atrás e dá uma ajudinha com a mão para que ela pule mais rápido?

 

Eles se encaram seriamente pelo espelho. Helen toca o braço de Amanda.

 

Helen: Calma, amiga... Calma...

 

Amanda (falando baixo): Eu disse que não queria entrar nesse carro...

 

Roger: Eu ouvi isso... Saiba que eu é que não queria que você entrasse no meu carro!

 

Close no rosto de Amanda que fecha a cara. Roger também faz o mesmo. Lívia balança negativamente a cabeça e olha para a janela.

 

Cláudio: Que tal pararmos num posto para perguntar onde estamos?

 

Roger: Ótima idéia meu amigo, assim que acharmos um posto nesse fim de mundo.

 

Gustavo: Como vocês são desesperados. Eu sei pra onde estamos indo...

 

Roger o olha pelo espelho retrovisor. Gustavo sorri para ele.

 

 

Uma rua qualquer. Gabriel e Priscila caminham, conversando e observando as casas.

 

Som Instrumental

 

Pri: A cidade é bonita...

 

Gabriel: É um bom lugar para se morar...

 

Pri: O que aquela garota quis dizer com “depois do ocorrido com sua família”?

 

Gabriel: Bom, acho melhor pularmos essa parte...

 

Pri: Por quê? É segredo?

 

Gabriel: Não, mas talvez isso mude as coisas entre nós...

 

Pri (sorrindo): Então tem medo que esse começo de amizade, estrague?

 

Gabriel: Talvez... Você tem um jeito meio doidinho que consegue me cativar...

 

Pri: Vou levar como um elogio a parte do jeito doidinho... (pausa)... Mas pode me contar... Isso tem a ver com a mudança de cidade?

 

Gabriel (após alguns segundos): Meu pai tinha um cargo superior no Barro Branco, uma vida instável, honesta e tranqüila... (pausa longa)... Certa vez ele estava fazendo uma batida de rotina, quando um jovem abordado começou a correr. Quando conseguiram render o rapaz, ele deitou sobre o chão e colocou a mão dentro da jaqueta... (abaixa o olhar)... Sem pensar duas vezes, meu pai atirou...

 

Pri: Onde está o erro nisso?

 

Gabriel: Além de matar alguém?... Bom, acontece que quando o rapaz enfiou a mão dentro da jaqueta, era para tirar uma garrafa de vinho e meu pai pensou que se tratava de uma arma... O garoto era menor de idade, então imagina o rolo que deu?

 

Pri: Sinto muito...

 

Gabriel: Aquilo abalou nossa família. Ele foi absolvido, mas nunca mais foi o mesmo. Aqui principalmente. Sabe como é cidade pequena, todos olhando tortos, cochichando. Para a maioria ele foi irresponsável em ter atirado.

Um mês depois do ocorrido, ele pediu baixa da policia. Recebeu o que tinha que receber e levou a gente pra longe daqui, abrindo um pequeno restaurante em Bom Destino, juntamente com as economias da minha madrasta.

 

Pri: E por isso que a Nicole também é tão revoltada, certo? ... (sorri)... Acho tão bonito o jeito que você fala da sua família, o jeito com que se importa com sua irmã, mesmo ela não fazendo por merecer... (o olha)... Gaby, você é um anjinho!

 

Gabriel (sorrindo): Seria por causa dos meus cachinhos?

 

Pri (sorrindo): Não sei, eu também tenho cachinhos quando estou naturalmente, mas isso não me faz um anjinho... (pausa)... Queria ter um irmão como você...

 

Gabriel: Não seja por isso, posso ser seu irmão de consideração a partir de agora.

 

Pri (sorrindo): Adorei a idéia!

 

Gabriel: Só não pode querer dar uma de Nicole. Uma só já basta...

 

Pri: Serei um pouco menos rabugenta que ela, mas vou querer atenção em dobro, huh?

 

Gabriel (sorrindo): Verei o que posso fazer...

 

Corta para um ângulo aéreo enquanto os vemos caminhando por alguns segundos. Em seguida corta para Nicole e Felipe encostados no carro, conversando. Priscila e Gabriel se aproximam deles.

 

Nicole (para Pri): Eu sabia que toda aquela implicância comigo, no fundo era amor...

 

Pri: Você não imagina o quanto eu sofri, quando ouvi que você foi embora... Quase me deixou sem chão..

 

Elas sorriem uma para a outra. Felipe abre a porta do carro.

 

Felipe: Bom, é melhor nós irmos...

 

Nicole: É, melhor mesmo... (olha em volta)... Acho que agora é um adeus definitivo daqui...

 

Ela fecha os olhos e respira fundo, em seguida se desloca para entrar no carro. Os olhos dela e de Gabriel se encontram. Ele sorri para ela, que timidamente retribui o sorriso. Novamente a cena é mostrada numa visão aérea. Eles entram no carro e segundos depois, o mesmo começa a dar ré e se movimentar pela avenida.

 

 

Um posto de gasolina. Roger está encostado no carro, de braços cruzados. Na frente dele, poucos metros é possível ver uma lanchonete. Amanda se aproxima dele, sorrateiramente, olhando-o. Eles se encaram por alguns instantes.

 

Amanda: Oi?

 

Roger: Oi...

 

Amanda: Desculpa ter sido chata aí dentro do carro...

 

Roger: Tudo bem, eu também não fui nada simpático...

 

Amanda: Acho que por mais que tentemos, não conseguiremos evitar um ao outro...

 

Roger (suspirando): É verdade, afinal, temos a mesma turma...

 

Amanda: Que tal uma trégua?

 

Roger (dando os ombros): Por mim, tudo bem.

 

Ela esboça um leve sorriso, em seguida olha para trás, na direção da lanchonete. Close em Helen e Lívia conversando na parte de dentro, onde é possível ver através de um vidro. Volta para Amanda, que olha para Roger.

 

Amanda: Então vocês estão namorando mesmo, huh?

 

Roger: Uhum...

 

Amanda: Já me esqueceu de vez?

 

Roger: Amanda.

 

Amanda: O que sente por ela, é o mesmo que sentia por mim?

 

Roger: Não vou ficar fazendo comparativos. O que eu tive com você foi uma coisa, com ela é outra. A questão é que a Lívia me faz bem, muito bem...

 

Amanda: E eu não fazia bem a você antes do meu erro? Qual a diferença aí?

 

Roger: Okay, quer saber a diferença? Quando estávamos juntos, por mais que eu quisesse sentir o contrário, sempre batia uma insegurança dentro de mim. Como se eu soubesse que mais cedo ou mais tarde, aquilo iria acontecer. Mas com ela não. Com a Lívia eu sinto cem por cento de segurança. Tenho absoluta certeza que, enquanto estivermos juntos, ela será só minha... (pausa longa)... Essa é a diferença.

 

Amanda abaixa o olhar, triste. Roger a olha com leve expressão de pena. Segundos depois, o restante do grupo se aproximam, falando como se estivessem discutindo.

 

Roger: O que está acontecendo?

 

Cláudio (nervoso): O que está acontecendo? O Einstein aí indicou o atalho errado. Acredita que estamos na direção oposta, duas cidades fora da rota. O que dá mais ou menos duas horas de atraso...

 

Gustavo: Apenas me confundi, só isso...

 

Bruno: E lá se vai o show...

 

Gustavo: Não é o fim do mundo. Até porque eles farão outros shows pela redondeza.

 

Helen: Tchau Patrick...

 

Amanda: Perdi a vontade de ir mesmo...

 

Roger: Bom, já que não vai ter mais show, vamos voltar para casa, eu guardo o carro direitinho em seu devido lugar e não corro mais riscos...

 

Bruno: Pois é, tudo por culpa desse idiota aí...

 

Gustavo: Não sei por que você está tão nervosinho. Seria porque realmente perdeu o show do tal Patrick, ou seus planos para flertar com a Helen foram por água abaixo?


Bruno: Okay, já chega! Cansei das suas indiretas!

 

Bruno se aproxima e empurra Gustavo. Em seguida Gustavo avança e ambos começam a se agarrar. Todos começam a falar ao mesmo tempo. Cláudio e Roger tentam separá-los. Corta para uma vista aérea da cena. Segundos depois, a tela escurece.

 

 

Uma estrada. O carro de Roger passa. Corta para dentro.

A câmera mostra um por um, dessa vez Gustavo está numa ponta e Bruno em outra. Lívia olha para Roger.

 

Lívia: Lamento por você ter perdido a viagem, já que nem queria ter vindo mesmo...

 

Cláudio: É verdade, insistimos tanto para que viesse. Até colocou em risco o carro da sua mãe...

 

Helen: A culpa é toda nossa...

 

Roger (sorrindo): Que isso gente, vamos tentar olhar pelo lado bom.

 

Helen: Existe um lado bom?

 

Roger: Há quanto tempo não saíamos todos juntos, huh? ... (sorri)... Pelo menos pudemos fazer isso. Portanto, a culpa não é de ninguém...

 

Neste momento ouve-se um barulho de algo estourando. Roger imediatamente perde a direção, virando para o lado e freando bruscamente. 

 

Lado de fora. Close num pneu furado. A imagem sobe, mostrando Roger parado em frente. Espalhados estão os demais.

 

Roger (nervoso): A culpa é toda de vocês! Eu não queria vir a essa viagem estúpida, não queira assistir aquela show idiota e ainda por cima roubei o carro da minha mãe, que por ventura, irá me matar quando eu chegar em casa... (aponta geral)... A culpa é de vocês!

 

Gustavo: O que aconteceu com o “ver o lado bom da coisa” ?

 

Roger lança um olhar furioso a ele. Gustavo levanta as mãos e fecha a boca.

 

Roger (balançando negativamente a cabeça): Eu estou ferrado, só isso...

 

Cláudio: Calma, é só trocar o pneu...

 

Roger: E você acha que eu estaria desesperado se não soubesse que não temos um macaco? Muito menos um pneu reserva?

 

Bruno: Ferrou!

 

Cláudio: Nada de pânico. O posto que saímos fica alguns quilômetros daqui. É só andarmos até lá.

 

Roger: Eu não vou deixar o carro da minha mãe aqui sozinho...

 

Helen: Bom, é andar ou esperar no meio do nada...

 

Roger (pensativo e depois se acalmando): Tudo bem, antes a vida do carro do que a minha... Se bem que estarei morto de qualquer jeito... Mas vamos caminhar...

 

Cláudio: Okay, então vamos empurrar o carro no acostamento.

 

Os garotos se posicionam atrás do carro, empurrando-o para o acostamento, perto de um matagal.

 

 

Carro de Felipe – Parte interna.

 

Música: Avril Lavigne – Tommorow

 

A câmera mostra Felipe dirigindo tranqüilamente. Ele olha para o lado e sorri para Nicole. Ela retribui o sorriso. Segundos depois ela olha para trás. A imagem mostra Gabriel e Priscila dormindo, esta última com a cabeça repousada no ombro dele. Close no rosto de Gabriel, em seguida a câmera se aproxima do rosto de Nicole, que ainda o observa. Ela sorri.

 

 

Estrada. Lívia, Roger e Cláudio conversam, animadamente. Um pouco mais atrás, vemos Gustavo e Amanda, também conversando. E mais atrás ainda, estão Bruno e Helen, que também conversam.

 

Música: Avril Lavigne – Tommorow

 

Gustavo: Gente, que tal a gente cantar quem roubou o pão na casa do João?

 

Helen (rindo): Que coisa mais infantil, Gustavo. A última vez que cantei isso estava na terceira série.

 

Gustavo: É só para descontrair... Voltemos a infância então... Eu começo...

 

O som volta a tomar conta da cena, enquanto vemos seus lábios se mexendo como se estivesse cantando. Corta para o rosto de Roger que gira os olhos, como se a brincadeira tivesse começado por ele, em seguida também mexe os lábios, completando. A imagem começa a se afastar e a transparecer devagar...

 

 

Parte interna de uma casa desconhecida – Sala.

 

Cont- Avril Lavigne – Tommorow

 

A câmera passeia pela mesma, até mostrar Paulo sentado no sofá, olhando para uma foto. Seus olhos estão brilhando. A imagem dá um close na foto, onde é possível ver dois rapazes e uma garota, abraçados, felizes. Aparentemente um se trata dele mais jovem. Paulo esboça um sorriso, ainda com os olhos brilhando. A imagem transparece...

 

 

Frente da casa de Nicole. O carro de Felipe estaciona, cortando para dentro.

 

Cont- Avril Lavigne – Tommorow

 

Felipe (olhando-a): Fica bem, ta?

 

Nicole: Obrigado, por tudo.

 

Felipe (sorrindo): Não foi nada... (olha para trás)... Hey, seus dorminhocos, chegamos!

 

Gabriel e Priscila acordam. Ela percebendo que estava deitada no ombro dele, levanta rapidamente. Felipe ri.

 

Lado externo. Vemos Priscila já no banco da frente. Ela sorri para Gabriel e Felipe acena para Nicole. Em seguida o carro dá partida e sai. Nicole e Gabriel se olham por alguns instantes. Ele se aproxima e pega a bolsa dela.

 

Gabriel: Acho melhor eu ir pelos fundos e deixar sua bolsa lá, até ter certeza que eles estão dormindo.

 

Nicole: Tudo bem...

 

Ele esboça um leve sorriso e começa a andar em direção a casa. Nicole fica parada, olhando-o.

 

Nicole: Gaby...

 

Ele pára e vira para ela. Ela abre a boca para falar, mas pára, tímida. Gabriel sorri.

 

Gabriel (sorrindo): Eu sei...

 

Ela retribui o sorriso. Gabriel vira e novamente começa a andar. A câmera muda para uma ângulo aéreo. Instantes depois, Nicole também começa a caminhar na direção da casa. 

 

 

Frente da casa de Lívia. Ela e Roger estão parados em frente à porta, de mãos dadas.

 

Cont- Avril Lavigne – Tommorow

 

Ele aproxima seu rosto do dela e ambos começam a se beijar demoradamente. A câmera se movimenta e se aproxima do carro, onde vemos Amanda assistindo a cena. Ela abaixa o olhar, triste. Cláudio e os demais percebem, levemente constrangidos. A imagem transparece...

 

 

Vista área da cidade iluminada, o centro, a lanchonete, até parar na frente da casa de Roger. Corta para dentro.

 

Cont- Avril Lavigne – Tommorow

 

Roger está na cozinha, olhando para a geladeira que está aberta. Close num cacho de bananas destacando-se. Roger fecha a porta, em seguida sorri, satisfeito. A tela escurece e o som termina.

 

 

Tela preta. A imagem começa abrir e fechar como se fosse o ponto de vista de alguém. Lucio está parado, em pé de frente para uma janela. A câmera corta para Adriana deitada em uma cama, confusa.

 

Adriana: Onde eu estou?

 

Lucio a olha e se aproxima dela, segurando em sua mão.

 

Lucio: No hospital... Quando voltei para sua casa, encontrei você desmaiada no banheiro...

 

Os olhos de Adriana se enchem de lágrimas, ela morde os lábios e olha para o lado.

 

::. Avril Lavigne – Tommorow (refrão). 

 

Adriana: O tempo está acabando...

 

Lucio fica sem ter o que dizer, apenas a olha com pesar. A câmera se aproxima do rosto de dela, que fecha os olhos, deixando as lágrimas escorrerem.

 

Lentamente a tela escurece.

 

 

 

 

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Créditos Finais:

 

 

Criado e Escrito por:

 

Thiago Monteiro

 

Participações Especiais:

 

Paula Marshall – Adriana

Amy Yasbeck - Isabel

Jackson Brundage - Lucas

 

Música Tema:

 

Switchfoot - Meant To Live

 

Trilha Sonora:

 

Sense Field - You Own Me

Butterfly Boucher - I Can't Make Me

Bodeans - Closer To Free

Dishwalla - Collide

Avril Lavigne – Tommorow

 

 

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