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Anna Popplewell (em off): Anteriormente em Descobrindo...

 

Cena da 1ª Temporada – Season Finale:

 

Ele entrega uma caixinha a ela, que franze a testa e abre. Close dentro dela, duas alianças de compromisso.

 

Cláudio: Um pra mim e um pra você. Até mandei gravar nossos nomes. Pode parecer meio bobinho, mas seria bonito se usássemos.

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Gabriel: Mas isso... Isso é...

Nicole (sorrindo): Uma passagem!

Gabriel: Pra quando? Não consigo ver a data...

Nicole: Não tem data seu burro, eu comprei em aberto, a data eu escolho... (pausa)... O primeiro desgosto que tiver neste lugar, eu me mando de mala e cuia...

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Felipe: Eu bebi meu amor, mas estou completamente ciente do que estou falando. Você me perdoa, mas infelizmente eu sou um cara romântico que gosto de demonstrar, mas preciso receber também e namorar uma pedra de gelo não vai pra mim. E quer saber, eu não preciso correr atrás de você, não sou eu quem vai sair perdendo com o término do namoro com o jogador.

Nicole (indignada): Então é isso? Acha que estou com você por interesse?

Felipe (dando os ombros): Não disse nada, mas se a carapuça servir...

Nicole (nervosa): Se é assim, tenha por decreto o fim desse namoro!

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Roger (olhando-a): É sério, Lívia. Senti muito a sua falta... (pausa)... De verdade.

 

Ela o olha, encarando-o com serenidade e surpresa.

 

Roger: Acho que não existe explicação lógica para isso...

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Cláudio: Ouça bem Larissa, você fez a sua escolha e espero que ele te trate muito bem. Agora, essa foi a última chance que eu te dei e Deus queira que você nunca se arrependa dessa decisão. 

 

Corta:

 

Cláudio: É hora de dizer adeus…

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Helen: Você acha que um dia poderemos pelo menos voltar a nos falar?

Cláudio (parando falando sem virar, de costas para ela): Eu não sei... (pausa)... Espero que sim.

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Larissa: Ele vai precisar de um amigo de verdade agora... (pausa)... Chegou a hora de fazer a sua parte.

 

Larissa a encara por segundos. A câmera se aproxima lentamente do rosto de Helen.

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Vista aérea do jardim secreto de Helen – Noite.

 

Música: The All-American Rejects - It Ends Tonight

 

Cláudio caminha pelo jardim, em direção ao parapeito onde é possível ver a cidade por completo.

 

Cláudio (em off): Quase todos os sentimentos existentes no mundo são claros ao homem. Podem ser simples ou complexos, porém nós os entendemos...

 

A câmera começa a se aproximar lentamente dele.

 

Cláudio (em off): Sabemos quando gostamos ou temos raiva de alguém. Sabemos que vamos rir ao estar alegres ou chorar ao nos sentirmos tristes. Sabemos quando estamos nervosos, calmos, irritados, ansiosos...

 

Close no rosto dele. Ele olha para a cidade iluminada.

 

Cláudio (em off): Mas há um sentimento que nós sentimos, porém, não o entendemos. Ou pelo menos, não completamente.

 

Ele olha para baixo e ergue a mão direita. A câmera dá um close no anel em seu dedo. Sobe a imagem até seu rosto novamente, ele observa a cidade, pensativo. A câmera muda para um ângulo aéreo e instantes depois, a tela escurece.

 

 

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Uma rua qualquer – Manhã.

 

Música: The Calling – Unstoppable

 

Lívia caminha tranqüilamente pela calçada, carregando um fichário. Atrás dela vemos o carro de Roger se aproximando, ela percebe sua presença e sorri, mas continua caminhando.

 

Roger (dentro do carro): E ai gata, quer uma carona?

 

Lívia: Desculpa, mas não posso aceitar carona de estranhos.

 

Roger: Nem se o estranho for charmosão?

 

Lívia: Piorou. Esse com caras de tarados são os mais perigosos.

 

Roger: Devo concordar que existe um perigo nisso tudo... (pausa)... Eu costumo roubar os corações de donzelas indefesas.

 

Lívia: Por isso devo ficar o mais distante possível então...

 

Roger ri e pára o carro. Lívia também pára, inclinando-se na janela.

 

Lívia (sorrindo): O que faz aqui, tarado?

 

Roger: Eu não disse que vinha te buscar para irmos juntos ao colégio?

 

Lívia: Desculpa, esqueci completamente.

 

Roger: Esqueceu realmente ou tentou fugir?

 

Lívia: Posso ter um tempo para pensar na resposta?

 

Roger se inclina e abre a porta, Lívia entra. Ele lhe dá um selinho. Lívia franze a testa.

 

Lívia: Posso saber o que foi isso?

 

Roger: Um beijo de cumprimento, mas se preferir algo mais intenso...

 

Ele sorri e se inclina para ela, que o afasta com a mão.

 

Lívia: Roger!

 

Roger: O que?

 

Lívia: O que combinamos?

 

Roger (girando os olhos): Que iríamos devagar...

 

Lívia: Então?

 

Roger: Eu sei que está insegura em relação a minha pessoa, mas posso te garantir que é pra valer...

 

Lívia: Ainda acho muito repentina essa mudança...

 

Roger: Okay, vamos fazer do seu jeito, que nem passo de tartaruga... (pausa)... Ainda vou arrumar uma forma de te convencer que o lance aqui é muito sério...

 

Lívia (sorrindo): Tudo bem, eu vou aguardar...

 

Roger (fazendo voz de Galã): Você verá Baby!

 

Ele sorri para Lívia que retribui. Em seguida se volta para a direção. Corta para o lado de fora, numa vista aérea. O carro dá partida e sai.

 

 

Frete de uma casa. Lucio está parado em frente a porta. Após alguns segundos ela abre e um garotinho de aproximadamente cinco anos aparece.

 

Lucio (sorrindo): Hey garotão!

 

A criança esboça um sorriso envergonhado. Lucio abaixa e o pega no colo.

 

Lucio: E a mamãe, onde está?

 

Lucas: Lá dentro...

 

Ele entra carregando Lucas, parando na sala e o colocando no chão.

 

Lucas: Manhê, o, o, ... (pensativo).

 

Lucio (abaixando até ele): O, o?

 

A criança ri. Lucio também.

 

Lucio: Papai. Eu sou seu pai... Repete comigo, papai.

 

Lucas: Papai... (começa a rir)... Mamãe, o papai chegou!

 

Adriana aparece na sala, com uma aparência bastante cansada, abatida. Lucas corre até outro cômodo.

 

Lucio: Você tem que ensiná-lo a me chamar de pai.

 

Adriana (cansada): Isso você que terá de fazer...

 

Ele percebe a fisionomia de Adriana. Ela senta no sofá.

 

Lucio: O que está havendo com você?

 

Adriana: Nada, é só um mal estar matinal. Acontece sempre que tenho que tomar esses remédios... (respira fundo)... Jajá passa.

 

Lucio a olha preocupado, em seguida senta ao seu lado no sofá.  

 

Adriana: Não sei pra que tantos remédios se já estou com o pé na cova.

 

Lucio (repreendendo-a): Shush! Quer que o Lucas escute?

 

Adriana: Ele nem vai entender o que estou dizendo...

 

Lucio: Não subestime as crianças de hoje, só falta nascer falando.

 

Adriana (esboçando um leve sorriso): E desde quando você entende de crianças?

 

Lucio (sorrindo): Bom, acontece que eu andei pesquisando a respeito. Não sei se você percebeu, mas não sou mais o mesmo Lucio de cinco anos atrás.

 

Adriana: É uma pena tudo isso aqui, acabou custando o seu casamento.

 

Lucio: Um dia a Silvia irá entender que estou fazendo o certo. Não quero que se repita com o Lucas, o que aconteceu com o Cláudio...

 

Ela novamente esboça um leve sorriso, em seguida olha para frente, mantendo uma expressão triste.

 

Adriana: O tempo se aproxima e me pergunto como prepará-lo para quando eu me for?

 

Lucio: Eu não sei, confesso que penso dia e noite nisso e não encontro uma solução plausível.

 

Os olhos dela se enchem de lágrimas.

 

Adriana: Todos os dias eu fico pensando que não irei vê-lo crescer, ter sua primeira namorada, conhecer seus amigos, sua profissão...

 

Lucio (solidário): Hey, não vamos pensar nisso, okay? O médico não estipulou um dia ou mês certo para acontecer, então não vamos nos precipitar... (passa a mão no rosto dela)... Eu tenho uma surpresa para vocês dois hoje à noite.

 

Adriana (curiosa): Uma surpresa?

 

Lucio (balançando positivamente a cabeça): Uhum, mas só vou mostrar se você me prometer que irá melhorar essa carinha triste.

 

Adriana a olha por alguns segundos. Lucio sobe as sobrancelhas e sorri para ela.

 

Lucio: Promete?

 

Adriana (sorrindo): Prometo.

 

Lucio (sorrindo): Ótimo! Tenho certeza que irá gostar da surpresa... (levanta)... Vou ali no quarto brincar com o Lucas antes de ir para a empresa, não esqueça do que me prometeu, huh?

 

Ele sorri para ela, em seguida sai de cena. A câmera se aproxima lentamente do rosto de Adriana, que olha para frente, pensativa e distante. Uma lágrima escorre de seu olho esquerdo.

 

 

Colégio Esplendor – Sala de aula.

 

Um professor está em pé, de frente para os alunos, falando algo e gesticulando. A câmera mostra Priscila na fileira do canto, próximo a parede. Ela escreve algo em uma folha, em seguida entrega mesma para alguém do lado. Close numa mão pegando a folha e depois cortando para o rosto de Gabriel que franze a testa. 

 

Close na folha que podemos ler: “Essa aula está um porre”.

 

Gabriel ri baixo, em seguida escreve algo na folha e entrega a ela. Ela pega a folha e lê.

 

Close onde podemos ler: “Coloca porre nisso, até um cdf como eu está sentindo sono com esse professor falando”.

 

Priscila parece surpresa com o que lê. Ela o olha, Gabriel sobe as sobrancelhas, sorrindo. Ela escreve algo na folha e o entrega.

 

Close onde podemos ler: “Pior é voz de gato espremido que ele tem. Você gosta de Britney Spears?”

 

Ele ri e começa a escrever algo. Quando vai entregar a ela, é interrompido pelo professor.

 

Professor: Talvez o senhor tenha algo mais interessante para mostrar a turma, Gabriel?

 

Gabriel: Desculpa professor.

 

Professor: Por que não levanta e lê para todos o que está escrito nesse bilhete?

 

Gabriel: Por favor, não...

 

Professor: Prefere que eu vá buscar e leia pessoalmente?

 

Gabriel levanta devagar, olhando para Priscila. Ela o lança um sorriso amarelo. Gabriel olha para a folha, pensativo por alguns instantes, em seguida começa a ler.

 

Gabriel: Uma lata de leite condensado, uma lata de creme de leite sem soro, uma xícara de chá de chocolate em pó solúvel...

 

A classe inteira começa a rir. Gabriel olha em volta e também sorri, em seguida volta para folha.

 

Gabriel: Quatro colheres de sopa de açúcar...

 

Professor: Pode parar por aí.

 

Gabriel (sorrindo amarelo): É que eu não sei fazer brigadeirão.

 

Novamente a classe ri. O professor o olha com desconfiança.

 

Professor: Que bom, pois eu sou viciado em chocolate... Me dê a folha.

 

Gabriel: O que? Não posso.

 

Professor: Então eu mesmo irei buscar.

 

Ele caminha até Gabriel. Sem saber o que fazer, Gabriel olha para os lados, em seguida amassa o papel e coloca na boca, mastigando-o em seguida. Novamente a classe ri, incluindo Priscila que o olha com incredulidade.

 

Professor (nervoso): O que significa isso?

 

Gabriel (mastigando): Desculpa, mas me disseram que é receita de família, não pode se espalhar muito.

 

Professor (apontando para a porta): Para a diretoria, já!

 

Gabriel balança positivamente a cabeça e caminha até a porta. O professor olha para Priscila.

 

Professor: Teve sorte por hoje, mocinha.

 

Ela esboça um sorriso debochado para ele. O professor volta para o centro da sala.

 

 

Outra sala. O ambiente está escuro. No meio da lousa vemos uma tela, com algo passando. A câmera se afasta e começa a passear pelas carteiras, até chegar ao fundo onde Cláudio e Roger estão. Suas carteiras estão uma ao lado da outra.

 

Roger (falando baixo): E ai?

 

Cláudio (olhando-o): E ai... (olha para frente).

 

Roger: Tudo bom?

 

Cláudio: Se quer perguntar algo, sugiro que faça logo.

 

Roger: Você não me contou como foi a conversa com a...

 

Cláudio (cortando): Acabou de vez. Ponto!

 

Cláudio volta a olhar para frente. Roger o observa por alguns instantes. Cláudio se incomoda e o olha.

 

Cláudio: Mais alguma pergunta?

 

Roger: Se vocês terminaram de vez, por que ainda está usando o anel de compromisso que deu a ela ano passado?

 

Cláudio olha para o anel, sem saber o que dizer.

 

Roger (subindo as sobrancelhas): Huh?

Cláudio: Apenas esqueci de tirar. Estava tão acostumado a ficar com isso, que nem notei que estava usando.

 

Roger: Certo...

 

Cláudio volta a olhar para frente. Roger continua observando-o. Segundos depois Cláudio o olha, sério.

 

Cláudio: O que foi agora, Roger?

 

Roger: E por que, mesmo agora sabendo, continua usando?

 

Cláudio (nervoso): Quando chegar em casa, eu tiro, okay?

 

Roger (sorrindo): Okay...

 

Cláudio (após alguns segundos): Esperei uma carona hoje pela manhã. Onde você estava?

 

Roger: Fui buscar a Lívia.

 

Cláudio: Estão juntos?

Roger: Bom, se dependesse apenas da minha pessoa, sim. Mas ela anda bastante insegura.

 

Cláudio: Também pudera, você recém terminou com a Amanda. É meio complicado para ela aceitar que já não existe sequer um sentimento resguardado dentro de você.

 

Roger: Com o tempo ela vai crer que Amanda e eu não existe mais.

 

Cláudio sobe as sobrancelhas e volta a olhar para frente. Roger ainda continua a observá-lo.

 

Roger: Mas você está bem mesmo?

Cláudio: Quer parar de me tratar como enfermo?

 

Roger: Eu sei, mas é que, amor de infância, difícil...

 

Cláudio (interrompendo, nervoso): Roger!

 

Roger: Já me calei!

 

Roger se vira para frente, deitando a cabeça na carteira. A câmera da um close no rosto de Cláudio, ele olha para o anel.

 

 

Parte interna de uma clínica médica – Sala.

 

Close numa barriga com gel e uma mãos passando um aparelho em cima. A imagem abre mostrando se tratar de Vera deitada em uma cama e uma médica sentada ao seu lado, passando o aparelho. Na frente há uma televisão onde são mostradas as imagens. Parado ao lado de Vera, em pé, está Artur.

 

Artur: Como está o bebê, doutora?

 

Doutora: O filho de vocês parece saudável.

 

Vera (sorrindo): Não disse? Senhor preocupação!

 

Doutora: Pra falar a verdade, o que me preocupa é a mãe.

 

Vera: Eu?

 

Doutora: Vera, você anda seguindo à risca tudo o que foi passado?

 

Vera: Claro que sim.

 

Artur: É mentira, ela tem abusado. Se não sou eu, só Deus saberia o que seria desse neném.

 

Vera (repreendendo): Artur! Seu traidor!

 

Doutora: Vera, o que foi que te falei? Será preciso alertar toda vez a mesma coisa?

 

Vera: Doutora. Eu tenho tomado cuidado. O problema é que esse ser aí, é muito exagerado. Não me deixa fazer nada. Daqui a pouco vai começar a ir ao banheiro junto comigo, limpar minha...

 

Doutora: Okay, não precisa continuar. Mas tente colocar na sua cabecinha, que você está no sétimo mês e os riscos ainda são grandes. Portanto trate de se comportar ainda mais, se quiser ter um parto tranqüilo, sem grandes complicações. Entendido?

 

Vera (suspirando): Sim, tia!

 

Doutora (sorrindo): Já escolheram o nome da criança?

Vera e Artur (juntos): Sim!

 

Doutora: Posso saber qual será?

 

Vera (sorrindo): Cayro!

 

Artur: Não, não. Será Altieres.

 

Vera lança um olhar sério a Artur, que retribui na mesma intensidade. A doutora gira os olhos e balança negativamente a cabeça.

 

Doutora: Vejo que ainda estão indecisos... (levantando)... Bom, pode se trocar e não esqueça de pegar um pirulito na saída. 

 

Ela sorri para eles e sai da sala. Vera franze a testa e olha para Artur.

 

Vera: Ela me chamou de criança?

 

Artur (sarcástico): Imagina!

 

Vera (séria): Teremos uma conversa muito séria quando chegarmos em casa, mocinho...

 

Close no rosto de Artur que sorri.

 

 

Colégio Esplendor – Refeitório.

 

Música: Kenna - Free time

 

Helen e Amanda estão a uma mesa. Amanda olha fixamente para frente. A câmera se desloca mostrando Roger e Lívia conversando animadamente. Volta Amanda que parece não gostar do que vê.

 

Helen: Isso está ficando muito na cara...

 

Amanda (ainda olhando para frente): O que está ficando muito na cara?

 

Helen: Chega até ele e diz que quer voltar.

 

Amanda (olhando-a com indignação): Quem disse que eu quero voltar?

 

Helen: É o que parece. Você está tão incomodada em vê-los juntos.

 

Amanda: Engano seu, queridinha. Eu não quer e não penso em voltar com aquele garoto.

 

Helen (dando os ombros): Okay, é bom mesmo que não pense nisso, pois está claro que ele está em outra.

 

Amanda (olhando-a): Você acredita nisso?

 

Helen (rindo): O que foi que eu disse? Confessa que ainda pensa muito nele?

 

Amanda (incomodada): Não penso! E vamos mudar de assunto, por favor?

 

Helen (sorrindo): Okay, não está mais aqui quem falou... (pausa)... Mas que está morrendo de ciúmes, isso está.

 

Amanda lança um olhar sério a ela. Helen sorri e faz sinal de boca fechada com os dedos.

 

 

Mesa onde Nicole está. Ela está sentada sozinha, pensativa. Gustavo se aproxima e senta ao seu lado.

 

Gustavo: Onde e quando? É só marcar.

 

Nicole: É só marcar o que, moleque?

 

Gustavo (sorrindo): O pagamento da aposta, sua danadinha. Olha pra você. Não tem amigos e foi chutada pelo namorado. Admita, eu venci, você perdeu, portanto, terá de pagar o que combinamos.

 

Nicole: E por acaso você está em condições melhores que a minha?

 

Gustavo: E não estou? Os caras do time me adoram, até me defenderam quando fomos viajar. Podemos afirmar que praticamente somos uma irmandade.

 

Nicole: Mesmo que tudo isso seja verdade, o que eu não acredito. A aposta acabou...

 

Gustavo: Sim, acabou...

 

Nicole (olhando-o): Sem pagamento. 

 

Gustavo (indignado): Sem pagamento? Que garota sem palavras!

 

Nicole: Como se você fosse desfilar uma semana inteira com uma camiseta com os dizeres: “Sou invejoso e amo a Elite”, caso perdesse. Sim, acredito.

 

Gustavo: Okay, aposta desfeita, sem pagamento também. Mas quero que saiba que perdeu grande crédito comigo.

 

Nicole (girando os olhos): Como se valesse alguma coisa ter créditos com você... (bufa)... Como se valesse alguma coisa ter créditos com todos nessa maldita cidade!

 

Gustavo: Wow, calma aí estressadinha. Não desconte suas frustrações na cidade. Até porque, a única culpada disso tudo foi você.

 

Nicole (franzindo a testa): Como pode ter certeza? Ouviu alguma coisa? O Felipe te contou alguma coisa?

 

Gustavo: Não ouvi nada por aí, é apenas uma suposição. Mas como somos grandes amigos, você pode se abrir comigo. Vamos, lá, me conta o que aconteceu...

 

Nicole (sorriso irônico): Vê se eu tenho cara de idiota?

Gustavo aproxima o rosto do dela, franzindo a testa e olhando-a fixamente, em seguida ele esboça um sorriso e mexe as sobrancelhas.

 

Gustavo (levantando): Me procure quando estiver mais calminha. Verá que eu possuo as melhores técnicas para melhorar o astral de pessoas revoltadas com o mundo... (pausa)... Pergunta para a Helen.

 

Ele dá uma piscadinha para ela e sai. Ela gira os olhos e olha para o lado.

 

 

Mesa onde Cláudio e Felipe estão. Felipe está com a mão no queixo, balançando de leve a cabeça.

 

Felipe: É, meu amigo. Vai entender?

 

Cláudio: Mas vocês pareciam tão bem juntos...

 

Felipe: Bem em que sentido? Só se for bem amigos. Por acaso chegou a nos ver alguma vez abraçados?

 

Cláudio: Mas esse lance de intimidade se pega com o tempo. Tem certeza que tomou a decisão certa?

 

Felipe: Certeza eu não tenho de fato. Mas tive que fazer e se ela realmente estivesse afim, teria corrido atrás... (pausa)... Quer saber o que realmente penso? Não acredito em relacionamento a distância. Se perto já é uma luta, imagina longe?

 

Cláudio: Ela irá se mudar?

Felipe: Não, estou falando de você e Larissa...

 

Cláudio: Ah, de repente o assunto mudou?

Felipe (sorrindo): Não é questão de ter mudado. É praticamente o mesmo assunto, já que ambos estamos na fossa.

 

Cláudio (respirando fundo): Pois é, mas vai passar...

 

Felipe: Com certeza. Tudo passa...

 

 

Lado externo de uma sala. Priscila está sentada em uma banco, esperando alguém. A porta se abre e dela sai Gabriel. Ela levanta.

 

Priscila: Oi...

 

Gabriel (sorrindo): Oi.

 

Eles começam a caminhar pelo corredor.

 

Pri: Não está com raiva de mim, está? Infelizmente ultimamente só ando atraindo desgraça a você...

 

Gabriel (sorrindo): Não, fica tranqüila...

 

Pri: O que rolou lá?

 

Gabriel: Nada demais, apenas minha primeira advertência...

 

Pri (sorrindo): Pra tudo se tem uma primeira vez... Mas isso é normal, eu tenho uma coleção de advertências...

 

Gabriel: Então eu não precisava ter te acobertado? 

 

Pri (sorrindo): Claro que sim. Eu tenho duas recentes, mais uma seria suspensão... (pausa)... Não vai querer deixar de andar comigo, por causa desse simples incidente... Vai?

 

Gabriel: Então agora andamos juntos?

 

Pri: Eu preciso te dar atenção a partir de agora, foi tão fofo o que fez por mim... (pensativa)... Pra falar a verdade, aquilo foi uma tremenda surpresa.

 

Gabriel (sorrindo): Por quê? Achou que eu não seria capaz de enfrentar o professor só por causa desse meu jeito angelical?

 

Pri (acenando com a cabeça e sorrindo): Exatamente!

 

Gabriel (sorrindo): Pra ser sincero, nem eu... (balança positivamente a cabeça)... De fato, você é um mau caminho. 

 

Pri: Mas podemos tirar coisas muito proveitosas disso tudo...

 

Gabriel: É mesmo? Comece a dizer, pois no momento eu só vejo advertências, ira de um professor, narizes nocauteados...

 

Corta para eles de costas, enquanto os vemos se distanciando pelo corredor. Um som instrumental toma conta da cena, encobrindo o que eles dizem. Segundos depois,a tela escurece.

 

Mesa onde Nicole está. Gabriel se aproxima e senta à sua frente.

 

Nicole (sem olhar): Está ocupado.

 

Gabriel: Nem sofrendo perde a pose...

 

Nicole (olhando-o): Quem disse que estou sofrendo?

 

Gabriel apenas a olha e sobe as sobrancelhas. Nicole gira os olhos, entediada.

 

Nicole: Cadê sua nova amiguinha?

 

Gabriel: Foi sentar com as amigas dela...

 

Nicole: Estão ficando próximos? Cuidado pra não trair sua suposta namorada...

 

Gabriel: Não desvie o assunto...

 

Nicole: Que assunto? Nós não temos assuntos. Pro seu governo ainda não estou falando com você, portanto, pode ir dar uma volta...

 

Gabriel: Do mesmo jeito que demonstra esse desprezo que sente por mim, por que não demonstra o que sente por ele? Seria tudo mais fácil.

 

Nicole: Quantas vezes eu vou ter que dizer pra você cuidar da sua vida?

 

Gabriel: Nicole, eu sei que você já sofreu antes, que...

 

Nicole (nervosa): Esquece que eu existo! Você fica aí filosofando como se entendesse alguma coisa, mas não sabe de nada o que se passa dentro de mim.

 

Gabriel: Talvez se eu falasse com ele...

 

Nicole: Faça isso e esqueça definitivamente que eu existo... (pausa)... Estou falando sério, se eu souber que disse alguma coisa em minha defesa ao Felipe, eu juro que esta é a ultima vez que eu dirijo alguma palavra a você, entendeu?... (balança negativamente a cabeça)... Eu não preciso que você me defenda! 

 

Gabriel (levantando as mãos):  Não está mais aqui quem falou...

 

Nicole (nervosa): Cansei dessa droga de lugar!

 

Ela levanta e sai, furiosa. Gabriel a acompanha com o olhar por alguns instantes, em seguida respira fundo.

 

Música: Matthew Ryan - Return to me

 

A câmera começa a se afastar lentamente do refeitório, ao mesmo tempo subir. A imagem começa a transparecer para o céu claro, anoitecendo em seguida. 

 

Desce mostrando a frente da casa de Cláudio. Corta para dentro, quarto.

Cláudio está deitado na cama, olhando para cima. Ouvem-se dois batidos na porta.

 

Cont- Matthew Ryan - Return to me

 

Cláudio: Entra…

 

A porta abre e Helen aparece, entrando devagar. Cláudio a olha e franze a testa, surpreso.

Cláudio (sentando): Helen?

 

Helen (receosa): Hey... Vim pra falar com o Bruno, mas parece que ele não está...

 

Cláudio: Ele está no colégio, ainda cumprindo um pouco que restou do castigo.

 

Helen: Teoricamente não era pra você também estar lá?

 

Cláudio (dando os ombros): Era, mas estou pouco me lixando para isso...

 

Helen sobe as sobrancelhas, balançando de leve a cabeça. Após alguns segundos ela abaixa a cabeça e vira até a porta, mas pára e vira novamente para ele.

 

Helen: Eu menti. Não vim atrás do Bruno, vim atrás de você.

 

Cláudio: De mim?

 

Helen: É, vim saber como meu amigo está depois do que aconteceu no final de semana...

 

Cláudio (bufando): As noticias aqui correm, huh?... (a olha)... Veio saber como seu amigo está? Desde quando somos amigos?

 

Helen: Desde que te vi parado no corredor do colégio, babando por certa garota.

 

Cláudio levanta e vai até a mesinha, ficando de costas para Helen.

 

Cláudio: A última coisa que eu preciso é da sua compaixão...

 

Helen: Não se trata de compaixão. Eu melhor do que ninguém sabe o que você está passando. Lembra que em um único dia meu namorado foi embora e descobri que vivia uma farsa?

 

Cláudio (virando para ela): E o que sugere que eu faça? Surte que nem você?

 

Helen (se aproximando): Se fizer com que se sinta bem...

 

Cláudio (balançando negativamente a cabeça): Você só pode estar brincando... (pausa)... Ouça, até agradeço pela preocupação de ter vindo até aqui, mas eu gostaria de ficar sozinho. Então se puder fazer o favor de ir embora...

 

Helen (respirando fundo): Já havia me preparado para isso... E como sou teimosa...

 

Ela deita na cama, Cláudio a olha sem entender.

 

Cláudio: O que está fazendo?

 

Helen (sorrindo e fechando os olhos): Não saio daqui a não ser que seja carregada... (senta na cama)... Você terá que me agüentar. (sorri novamente).

 

Cláudio a olha por alguns segundos, em seguida balança a cabeça e vai até a porta.

 

Helen: Aonde você vai?

 

Cláudio: Já que vai ficar me enchendo a paciência a noite inteira. Vou preparar alguma coisa pra gente comer.

 

Cláudio sai. Helen esboça um grande sorriso, depois levanta e vai atrás dele.

 

 

Casa de Roger – Parte Interna – Sala.

 

Artur e Vera estão sentados cada um em um sofá, ambos olhando fixamente para uma mesinha que está no meio. Na mesma é possível ver vários papeis picotados e dobrados espalhados. Roger se aproxima deles.

 

Roger: O que vocês estão fazendo?

 

Artur (olhando para a mesinha): escolhendo o nome do seu irmão.  

 

Roger se inclina para ver os papeis.

 

Roger: Vocês fizeram isso comigo também?

 

Vera (sem olhá-lo): Aham...

 

Roger (levantando as mãos aos céus): Obrigado Deus por ter escolhido o papel certo!

 

Artur e Vera continuam atenciosos à mesa. Roger se aproxima um pouco mais.

 

Roger: Quais as opções?

 

Vera (suspirando): Hércules, Nabucodonosor,  Sansão, Emenergildo, Dasolino, Sósteles


Elvis Presley, Telesforo, Étore, Cremildo, Estrogildo...

 

Artur: Ósmiodo, Flugstênio, Xenório, Hilo, Chaperona, Vamino, Cléio, Astolfo, Hórebe Hipérbole, Cayro, Altiere, Ledegelson  e Miguel ou Fernando...

 

Roger (irônico): Uau! Miguel ou Fernando. Que nomes mais estranhos, tomara que o meu irmãzinho tenha sorte na escolha.

 

Ele sorri, em seguida sai. Vera e Artur se olham.

 

Vera: Ele foi sarcástico não foi?

 

Artur: Não liga pra ele, vamos nos concentrar aqui...

 

Vera: Vai Artur, fecha os olhos e pega de uma vez...

 

Música de suspense

 

Artur fecha os olhos e bem devagar pega um dos papeis. Abre um pouco demorado.

 

Vera (apreensiva): E então? Qual saiu?

 

A câmera se aproxima do rosto de Artur que sorri. A tela escurece.

 

 

Casa de Cláudio – Sala.

 

Cláudio e Helen estão sentados no sofá, assistindo televisão e comendo pipoca. Ambos estão em silêncio.

Após alguns segundos, Helen coloca a tigela ao lado e pega o controle, desligando o televisor.

 

Helen: Já chega...

 

Cláudio (olhando-a com repreensão): Posso saber o que você está fazendo?

 

Helen levanta e puxa Cláudio consigo.

 

Cláudio: Helen!

 

Helen (puxando-o): Nós dois vamos sair agora! (pára próxima a porta)... E presta atenção mocinho... Não me venha com desculpas!

 

Ela lança um olhar ameaçador a ele. Em seguida abre a porta e o puxa para fora. Cláudio fecha a mesma.

 

 

Centro de Bom Destino – Corta para alguns takes da mesma.

 

Música: Dashboard Confessional - Hands Down

 

Vemos cenas de pessoas na lanchonete, caminhando pelo acostamento da avenida, casais abraçados no banco da praça, pessoas em frente ao carrinho do Chicão.

 

Corta para Cláudio e Helen que caminham pela praça.

 

Helen: Bonita a noite, huh?

 

Cláudio (irônico): Ôooo...

 

Helen: Você nunca irá me perdoar pelo que fiz aquele dia, não é?

 

Cláudio (suspirando): Ouça, não é nada pessoal. É que não estou no clima realmente...

 

Helen: Por mais que seja uma justificativa que poderia ser convincente, não estou muito certa disso...

 

Cláudio: Então por que está tentando? Não deixei bem claro aquela vez, que havíamos rompido qualquer tipo de laços?

 

Helen: Pelo jeito então, romper comigo é mais fácil do que manter uma promessa para toda a vida.

 

Eles param. Cláudio abre a boca para falar, mas é interrompido com a chegada de Gustavo.

 

Gustavo (sorrindo): Olha se não temos aqui a minha duplinha preferida? ... (pensativo)... Se bem que não são mais uma dupla... Mas que bom que estão voltando a ativa... (sorri para Cláudio)... Você não sabe o quanto a Helen sofreu por sua causa... (imitando)... Oh vida, o Cláudio me odeia, o que será de mim agora?

 

Cláudio (bufando): Era só o que me faltava!

 

Helen (séria): Tudo bom... (enfatiza)... Gustavo?

 

Gustavo: Melhor agora que encontrei vocês... (fecha os olhos)... Amo cidade pequena!

 

Ele olha para Cláudio com um olhar de pena, em seguida coloca a mão em seu ombro.

 

Gustavo: Que barra, hein meu amigo? Quero que saiba que estamos solidários a você.

 

Cláudio (tirando a mão dele de seu ombro e sorrindo forçado): Dispenso!

 

Helen: Querido Gustavo, olha só, sem querer parecer chata, mas nós estamos dando um passeio e...

 

Cláudio (cortando): Deixa ele...

 

Helen (estranhando): Deixa?

 

Gustavo (estranhando): Deixa?

 

Cláudio: É, ele vai insistir mesmo. Pode ser até bom a presença de um palhaço para tentar animar.

 

Gustavo (sorrindo): Vou deixar passar a parte do palhaço... (fica no meio dos dois e os abraça)... Mas se tem uma coisa que eu entendo, é de tirar alguém do desespero, não é mesmo Helenzinha?

 

Helen (girando os olhos): Eu que o diga...

 

Eles começam a caminhar. O som aumenta e toma conta da cena. A câmera corta para um ângulo aéreo, ainda focando os três. 

 

 

Uma rua qualquer. Lívia e Roger caminham, conversando.

 

Música: Sixpencer Non The Richer - Kiss Me (instrumental)

 

Roger: Minha vez… Um sonho?

 

Lívia: Saltar de pára-quedas.

 

Roger: Sério?

 

Lívia: Eu tenho um instinto meio esportivo.

 

Roger: E teria coragem de saltar de pára-quedas?

 

Lívia: Não...

 

Roger (rindo): Então por que é um sonho?

 

Lívia: É algo difícil de se realizar devido a minha falta de coragem. Mas se um dia eu vier a conseguir, poderei dizer que realizei tudo o que sonhava, das coisas mais fáceis às impossíveis.

 

Roger (subindo as sobrancelhas): É, pensando por esse lado...

 

Lívia: Agora sou eu... O que te atrai em mim?

 

Roger (pensativo): Hum, meio complicado...

 

Lívia: Okay, eu troco de pergunta...

 

Roger (sorrindo): Estou brincando,é a coisa mais fácil de dizer... (pausa)... Esse seu jeito de falar, sempre de alto astral, tentando me colocar pra cima, me fazendo rir quando a maioria das vezes eu quis chorar...

 

Close no rosto de Lívia que ouve com bastante atenção.

 

Roger: Sua mania doida de contar os números das casas que passamos... (pausa)... Suas covinhas quando sorri...

 

Ela sorri. Roger faz o mesmo.

 

Roger: Viu? Adoro suas covinhas!... (a olha com admiração)... O jeito em que se tornou especial em tão pouco tempo...

 

Eles ficam de frente um para outro, se admirando.

 

Roger: Seus olhos azuis, confesso que são lindos que conheço...

 

Breve silêncio enquanto a música começa a tomar formato original.

 

Roger: Ouça, Lívia, eu sei que anda bastante insegura em relação a nós dois...

 

Lívia o interrompe beijando-o carinhosamente. Roger abre os olhos surpreso, em seguida fecha os mesmos, cedendo a intensidade do beijo.

 

Música: Sixpencer Non The Richer - Kiss Me (refrão)

 

Após alguns segundos eles se separam, olhando um para o outro.

 

Lívia: Acho que tenho facilidade em ser conquistada...

 

Roger: Posso pedir um Bis?

 

Lívia: E tem outro jeito? A gente sempre acaba fazendo...

 

Eles sorriem e aproximam seus lábios, beijando-se apaixonadamente por alguns instantes. Em seguida eles se separam e Roger a olha com bastante determinação.

 

Roger: Quero que fiquemos juntos oficialmente.

 

Lívia (confusa): Oficialmente?

 

Roger: Lívia, quer namorar comigo?

 

A câmera se aproxima lentamente do rosto de Lívia, que parece sem reação. Corta para o rosto de Roger, que morde os lábios e sobe as sobrancelhas. A tela escurece.

 

 

Abre na parte interna de um bar. Cláudio, Helen e Gustavo estão sentados à mesa. O lugar está movimentando. No palco é possível ver uma pessoa cantando como se fosse um karaokê. Volta para a mesa. Gustavo está com o cardápio aberto na frente do rosto.

 

Gustavo: O que vão querer beber? Whisky, tequila... Aqui tem ótimas batidas também...

 

Cláudio e Helen se olham. Gustavo abaixa o cardápio, olhando-os.

 

Gustavo: O que? Aqui ninguém irá pedir nossas identidades, fiquem frios... (acena)... Então Cláudio, o que será?

 

Cláudio: Pra mim qualquer coisa...

 

Gustavo: Pode conter álcool?

 

Cláudio: Que seja...

 

Helen (para Cláudio): Você não bebe, esqueceu?

 

Cláudio: Um pouquinho não vai fazer mal a ninguém...

 

Gustavo: É, Helen. Nosso amigo está na fossa. Deixa ele livre pelo menos esta noite...

 

Cláudio: Além do mais, nunca é tarde para começar, huh?

 

Ele lança um olhar condenando-a. Ela nada responde, apenas suspira.

 

Gustavo: Vai nos acompanhar?


Helen (sorrindo): Claro, só me dêem licença um instante.

 

Ela levanta e sai. Gustavo e Cláudio a acompanham com o olhar, franzindo a testa. Em seguida Gustavo o olha, sorrindo.

 

Gustavo (sorrindo): Vou fazer da sua noite, memorável.

 

Parte externa do bar. Helen caminha alguns passos pela calçada, com o celular no ouvido.

 

Helen: Oi, o que está fazendo?

 

Voz de Amanda: Nada, por quê?

 

Helen: Tenho uma missão pra você...

 

 

Casa de Adriana. Ela caminha até a porta, abrindo-a. Lucio aparece, sorrindo. Em seguida entra e vai até a sala. Adriana fecha a porta e vai até ele. Lucio ainda sorrindo mostra um envelope a ela.

 

Lucio: Sabe o que é isso?

Adriana: Quer que eu morra mais rápido, só de curiosidade?

 

Lucio (entregando a ela): Abre e leia o nome que está escrito.

 

Ela pega o envelope e começa a ler, franzindo a testa ao mesmo tempo.

 

Adriana: Lucas Baptista Cambini... (pausa)... Espera aí, Cambini?

 

Lucio (sorrindo): Agora é oficial. O Lucas tem meu nome...

 

Adriana (emocionada): Eu nem sei o que dizer... (sorri)... Agora ele é de fato seu filho.

 

Lucio: Não, de fato ele já é desde que foi concebido. Agora apenas fará parte do meu testamento... (sorri).

 

Lucas aparece na sala, correndo.

 

Lucas (feliz): Papai!

 

Lucio abaixa e o pega no colo, sorridente e lhe beija o rosto. Lucas olha para a mãe e estranha ao vê-la com os olhos lacrimejando.

 

Lucas: Por que a mamãe está chorando?

 

Adriana (se aproximando): A mamãe está feliz... (pausa)... Muito feliz...

 

Ela beija o rosto de criança, encostando a cabeça dele na dela. Lucio sorri levemente e beija o rosto de garoto também. A câmera começa a se afastar do cômodo, parando em determinado ponto. Frisa essa imagem por instantes.

 

 

Bar. Amanda e Helen caminham pelo bar, indo em direção a mesa em que Gustavo e Cláudio estão.

 

Amanda: Então você quer que eu ajude todos a se manterem sóbrios? Esse mundo está de ponta cabeça mesmo. Pelo que me recordo, esse era trabalho seu.

 

Helen: Exatamente. Mas me manterei sóbria. Acontece que uma ajudinha a mais sempre é bom para certificar.

 

Elas param perto da mesa e estranham. A câmera mostra Cláudio e Gustavo, conversando e rindo como se fossem velhos conhecidos.

 

Amanda: Acho que cheguei um pouquinho atrasada...

 

Helen (balançando negativamente a cabeça): Vem, vamos sentar... 

 

Elas se aproximam, sentando-se. Close na mesa que possui sete copos vazios. Cláudio olha para Helen, sorrindo.

 

Cláudio (animado): Onde esteve? Você demorou. O Gu e eu estávamos lembrando aquela vez que meu rosto ficou cheio de bolo, você lembra?... (começa a rir)... Foi hilário!

 

Gustavo (rindo): Foi muito engraçado... (pensativo)... Bom, tirando o soco que levei no final... 

 

Cláudio: Desculpa parceiro... Vou te pagar uma bebida...

 

Amanda: Olá garotos?

 

Cláudio (animado): Mandy! Como você está menina? Que saudades de você!

 

Amanda (estranhando): Bem... E vejo que você também está.

 

Cláudio: Não poderia estar melhor!

 

Cláudio começa a beber enquanto Gustavo fala algo no ouvido dele. Helen puxa Amanda.

 

Helen: Sóbrios, hein? Não esquece!

 

Amanda: Fica tranqüila, pode deixar comigo...

 

Corta instantaneamente para os quatro rindo, visivelmente altos. Na mesa há uma quantidade incontáveis de copos vazios.

 

Cláudio (levantando o copo): Quero propor um brinde... (pausa)... Aos amigos verdadeiros...

 

Close no rosto de Gustavo que faz sinal de positivo com a cabeça.

 

Cláudio: Ao amor, que é uma droga! E a minha ex-namorada que me trocou por uma aventura...

 

Amanda (levantando o copo): Disse a mais pura verdade. Ao amor que é uma droga! Por eu ter jogado meu ex nos braços de outra... Tudo isso por quê? Por causa de um maldito surfista!

 

Helen (levantando o copo): Ao amor, que é uma droga! Ao meu ex-namorado que me trocou por uma bola e sequer um telefonema foi capaz de me dar...

 

Gustavo (levantando o copo): Hey, eu tive uma namorada em Pardal. Linda demais, mas me trocou por um gostosão... (bufa)... Sofri demais... (pausa)...  Ao amor, que é uma droga!

 

Os quatro batem os copos, brindando. Em seguida começam a beber. A câmera dá um giro de 360º graus, simbolizando outra passagem de tempo. Na mesa vemos apenas Helen e Amanda.

 

Helen: Você não ia me ajudar?

 

Amanda: Como você queria que eu fizesse, com todos na fossa?

 

Ouve-se o barulho do microfone, dois dedos sendo batidos como se fosse um teste. A câmera se desloca mostrando Cláudio e Gustavo em cima do palco.

 

Cláudio: Atenção, atenção a todos...

 

Corta para Helen e Amanda que ficam de bocas abertas.

 

Helen: Não acredito...

 

Cláudio (cortando para ele): Eu e meu parceiro aqui, gostaríamos de cantar uma canção...

 

Gustavo (com outro microfone): É uma homenagem a todos que estão apaixonados... (pausa)... Quem está apaixonado aqui?

 

Algumas pessoas levantam a mão e gritam.

 

Cláudio: Muito bom, muito bom, porque temos que avisá-los...

 

Eles se olham e falam juntos.

 

Cláudio e Gustavo: O amor é uma droga!

 

Cláudio: Solta o som!

 

A música começa a tocar.

 

Cláudio (cantando): O amor pode ser algo muito esplendido... Não se pode negar as alegrias que trás... Uma dúzias de rosas, anéis de diamantes... Sonhos a venda e contos de fadas...

 

Gustavo (cantando): Faz você ouvir uma sinfonia, e você simplesmente quer que o mundo veja, mas como uma droga que te deixa cego, vai te enganar o tempo todo...

 

Cláudio: O problema do amor é, pode te destruir por dentro, faz seu coração acreditar numa mentira...

 

Gustavo: A historia sempre termina na mesma, você parado na garoa, feito um bobo...

 

Os dois cantam muito mal, mas parecem não se importar. As pessoas no bar escutam em silêncio. Close em Amanda e Helen, que observam pasmas, ao mesmo tempo sorriem. Um homem se aproxima delas.

 

Homem: Desculpa mocinhas, mas posso saber a idade de vocês?

 

Helen e Amanda se olham, assustadas. Corta novamente para os dois cantando no palco, abraçados. Após alguns segundos, a tela escurece.

 

 

Abre na frente da casa de Helen. Um taxi está parado e dele saem Cláudio e Helen. Cláudio continua alegre e cantarolando, enquanto os dois caminham até a porta da casa.

 

Helen: Shsh, minha avó vai escutar...

 

Cláudio (alegre): Não seja uma menina boba...

 

Helen: Ah claro, agora eu virei a menina boba...

 

Eles se aproximam da porta. Helen coloca a chave na fechadura, mas a porta abre-se antecipadamente, mostrando Rosa do outro lado. Ela olha seriamente para eles. Helen esboça um sorriso amarelo.

 

Rosa: Isso parece um Déjà Vu...

 

Cláudio (alegre): Oii dona Rosa! Que saudades do tempo que eu vinha tomar chá com a senhora... (a olha)... Ainda tem daquele chá gostoso?

 

Rosa balança negativamente a cabeça. Em seguida abre a porta por completo para que ambos entrem. Close na expressão de Helen que parece envergonhada. Rosa lança um olhar repreensivo a ela.

 

Sala. Helen ajeita Cláudio no sofá, que resmunga coisas inaudíveis.

 

Rosa: Parece que os jovens daqui tem uma tendência a queda, huh?

 

Helen: Eu não estou que nem ele...

 

Rosa: Mas bebeu, não bebeu?


Helen apenas abaixa o olhar.

 

Rosa: O mais triste era que vocês dois eram exemplos de bons jovens. Hoje, acredito que até o seu ex-namorado se envergonharia de te ver assim...

 

Rosa entorta a boca e sai. Close no rosto de Helen que parece envergonhada.

Corta para ela colocando um cobertor em cima de Cláudio que está deitado no sofá. Ele está de olhos fechados. Ela o olha por alguns segundos.

 

Cláudio: Por quê?

 

Helen: O que?

 

Cláudio (abrindo os olhos): Por que ela fez isso comigo?

 

Ela o olha com expressão de pena. Em seguida passa a mão na cabeça dele.

 

Helen: Você ainda é jovem, vai superar essa perda. Daqui um tempo, acabará rindo dessa situação. Confie em mim...

 

Cláudio a olha por alguns segundos, em seguida coloca a mão no rosto dela, ainda aparentando estar alcoolizado.

 

Cláudio: Eu te amo, sabia? Te amo muito...

 

Helen (sorrindo): Eu também te amo, seu babado. Espero que amanhã continue me amando também...

 

Cláudio (esboçando um leve sorriso): Esse tipo de amor é bom sentir... (respira fundo e fecha os olhos)... Muito bom sentir...

 

Helen novamente sorri para ele, que continua de olhos fechados, aparentando que está dormindo. Ela beija o rosto dele, em seguida levanta e sai. A câmera se aproxima lentamente do rosto de Cláudio, que dorme tranqüilamente. Após alguns instantes, a tela escurece outra vez.

 

 

Abre mostrando o céu ensolarado. A câmera desce mostrando o centro da cidade, em movimento.

 

Corta para dentro da casa de Helen. Cláudio está sentado no sofá, com as mãos na cabeça. Helen aparece, sorrindo para ele.

 

Helen: Boa tarde, dorminhoco.

 

Cláudio: Céus, acho que extrapolei ontem...

 

Helen: Parabéns, conquistou sua primeira ressaca...

 

Cláudio: Que horas são?

 

Helen: Quinze para as duas...

 

Cláudio (assustado): Tudo isso? Minha mãe deve estar louca de preocupação...

 

Helen: Fica tranqüilo. Eu liguei para o Bruno ontem e ele ficou de avisá-la que você ia passar a noite aqui em casa...

 

Cláudio: Obrigado... (coloca a mão na cabeça)... Minha cabeça parece que está girando...

 

Rosa (aparecendo): Bem feito, quem manda beber? Vocês tem um habito muito feio de fugir dos seus problemas através disso...

 

Cláudio: Desculpa dona Rosa...

 

Rosa: Desculpa nada! Sua mãe não vai ficar sabendo, mas os dois estão de castigo.

 

Cláudio: Acho que é merecido...

 

Rosa: Que bom que estão de acordo. A arrumação da casa fica por conta de vocês. Com ou sem dor de cabeça...

 

Ela lança um olhar sério para os dois, em seguida sai de cena. Helen e Cláudio trocam olhares, em seguida ela se aproxima, sentando ao seu lado no sofá.

 

Música: Saliva - Rest In Pieces

 

Helen: Acho que agora você deve estar com mais raiva ainda de mim, não é?

 

Cláudio: Por quê?

 

Helen: Porque ao invés de te ajudar, acabei piorando as coisas...

 

Cláudio: Não, não se culpe por ontem. O que eu fiz, creio que faria com ou sem você por perto. Estava tudo muito acumulado dentro de mim...

 

Ela abaixa o olhar, triste, em seguida volta a olhá-lo.

 

Helen: Queria tanto voltar no tempo em que você me considerava seu anjo... No qual dizia que eu era sua coluna...

 

Cláudio: Eu também queria...

 

Helen: Ter te procurado ontem, não foi apenas pelo motivo de tentar te fazer sentir-se bem pelo que aconteceu no seu namoro. Aquilo foi apenas um empurrão para ter fazer algo que eu já queria ter feito há tempos...

 

Cláudio: E por que não fez antes?

Helen: Porque fiquei com medo de você me negar outra vez...

 

Cláudio: Bom, se eu fizesse isso, o que seria bem provável... (sorri)... Seria apenas da boca pra fora, impulso de um coração machucado... (a olha)... Eu amo você sua boba. Talvez não possa voltar a considerá-la como anjo logo de cara, mas, nunca deixará de ser minha irmãzinha. 

 

Helen sorri, seus olhos se enchem de lágrimas.

 

Cláudio (sorrindo): Não importa o que aconteça, fizemos uma promessa para toda a vida. E também tenho uma dívida com o Léo, não posso deixar de cumprir...

 

Helen: Que dívida?

 

Cláudio: Prometi que cuidaria de você como se fosse a mais preciosa das jóias.

 

Helen (após alguns segundos): Você me perdoa?

 

Cláudio: Claro que eu perdôo, sempre.

 

Eles se abraçam, demoradamente. Instantes depois voltam a se olhar.

 

Cláudio: Só me prometa uma coisa...

 

Helen: Qualquer coisa...

 

Cláudio: Que nunca mais fugirá dos seus problemas bebendo...

 

Helen: Prometo nunca mais beber. Chega de decepcionar todos a minha volta. Até minha avó não me conhece mais.

 

Cláudio: Eu também prometo que essa foi a primeira e última vez também...

 

A câmera começa lentamente a se afastar do cômodo.

 

Helen: E agora, o que pretende fazer?

 

Cláudio: Fechar de vez um capitulo da minha vida... Preciso deixar uma coisa para trás...

 

 

A imagem transparece para frente da casa de Nicole. Corta para dentro. Gabriel entra, chegando à sala e colocando a mochila no sofá.

 

Conti- Saliva - Rest in Pieces

 

Gabriel: Nicole? Nick?

 

Ele olha para cima e começa a subir as escadas.

 

 

Uma rodoviária – Parte Interna.

 

Cont- Saliva - Rest in Pieces

 

Nicole está de frente a uma motorista, entregando uma passagem para o mesmo.

 

 

Casa. Gabriel chega à porta de um quarto, batendo na mesma.

 

Cont- Saliva - Rest In Pieces

 

Gabriel: Nicole? ... (bate outra vez)... Nick?

 

 

Rodoviária. Nicole começa a subir os degraus do ônibus.

 

Cont- Saliva - Rest In Pieces

 

Nicole (em off – Voz ecoada): Uma passagem!

        

Gabriel (em off – Voz ecoada): Pra quando? Não consigo ver a data...

 

Nicole (em off – Voz ecoada): Não tem data seu burro, eu comprei em aberto, a data eu escolho... (pausa)... O primeiro desgosto que tiver neste lugar, eu me mando de mala e cuia...

 

A porta do ônibus começa a fechar.

 

 

Interior da casa. Gabriel continua parado em frente à porta do quarto. Após alguns segundos ele abre a mesa.

 

Cont- Saliva - Rest In Pieces

 

Gabriel: Eu queria saber por que você não foi ao colégio hoje?

 

Ele se depara com o quarto vazio. Ele estranha e começa a andar pelo mesmo.

 

 

Parte Interna do ônibus.

 

Cont- Saliva - Rest In Pieces

 

Nicole caminha pelo corredor, sentando na poltrona do fundo, na parte da janela. Ela aparenta estar triste, abatida. A câmera muda para o lado de fora, onde vemos o ônibus dando ré, depois seguindo o trajeto para fora da rodoviária.

 

 

Parte Interna da casa – Quarto.

 

Cont- Saliva - Rest In Pieces

 

Gabriel está sentado na cama de Nicole, pensativo. Ele olha para o guarda-roupa, que está com a porta entreaberta. Ele franze a testa e levanta, indo na direção do mesmo. Ele abre o guarda-roupa. Close em boa parte do mesmo vazio. A câmera se aproxima lentamente do rosto de Gabriel, que novamente fica pensativo. Instantes depois, a tela escurece.

 

 

Vista aérea do jardim secreto de Helen – Noite.

 

Música: The All-American Rejects - It Ends Tonight

 

Cláudio caminha pelo jardim, em direção ao parapeito onde é possível ver a cidade por completo.

 

Cláudio (em off): Quase todos os sentimentos existentes no mundo são claros ao homem. Podem ser simples ou complexos, porém nós os entendemos...

 

A câmera se aproxima lentamente dele, onde está pensativo olhando para frente. Ele levanta a mão direita, olhando para o anel por alguns segundos.

 

Cláudio (em off): Mas há um sentimento que nós sentimos, porém, não o entendemos. Ou pelo menos, não completamente.

 

Cláudio tira o anel do dedo, ainda olhando para o mesmo.

 

Cláudio: Definitivamente...

 

Ele toma impulso e em câmera lenta o vemos jogar o anel no penhasco. Ainda em câmera lenta vemos a trajetória do mesmo, que gira e cai, sumindo de vista. Volta a imagem em tempo real, cortando para o rosto de Cláudio.

 

Cláudio: Adeus!

 

Ele vira e começa a andar. A câmera muda para um ângulo aéreo. Após mostrá-lo chegando à escada, a imagem se movimenta até a visão da cidade iluminada.

 

A tela escurece.

 

 

 

 

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Créditos Finais:

 

 

Criado e Escrito por:

 

Thiago Monteiro

 

Participações Especiais:

 

Paula Marshall - Adriana

Jackson Brundage – Lucas

 

Música Tema:

 

Switchfoot - Meant To Live

 

Trilha Sonora:

 

The All-American Rejects - It Ends Tonight

The Calling – Unstoppable

Matthew Ryan - Return to me

Dashboard Confessional - Hands Down

Sixpencer Non The Richer - Kiss Me

Saliva - Rest In Pieces

 

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