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Abre mostrando uma sala vazia, onde há algumas almofadas no chão. Corta para um aparelho de som, uma mão colocando o cd e apartando o play, em seguida mostra o rosto de Helen.

 

Música: Dios Malos - You Got Me All Wrong

 

Helen: Que tal essa?

 

Deixa a música tocar por alguns instantes. A imagem abre mostrando Léo ao lado dela.

 

Léo (sorrindo): Até que é bonitinha... (desfaz o sorriso)... Para animar velório.

 

Ele tira o cd e coloca outro, sorrindo satisfeito em seguida.

 

Música: Tree 63 - No Other

 

Helen: Perfeito. E fazer um bando de louco pular e bater com as cabeças...

 

Léo: Mas esse é o espírito da coisa. É um baile, não um funeral.

 

Helen (se levantando): Isso não vai dar certo!

 

Léo: O que? Tudo bem, podemos usar sua música na parte romântica, sem problema algum...

 

Helen: Não me refiro a isso... (faz sinal com as duas mãos abertas, apontando para Léo)... Me refiro a isso, nós dois, trabalhando, juntos.

 

Léo: Por que não? Pelo que me lembro já formamos uma grande dupla no passado.

 

Helen: Disse bem, passado. Isso antes de você se tornar um...

 

Léo: O que? Popular, líder, rei do pedaço? ... (se levanta e vai até ela, sorrindo)... Vai dizer que não é uma honra andar com alguém com tantas qualidades?

 

Helen (irônica): Obviamente, você não sabe como isso me deixa nas nuvens... (caminha para perto do som, desligando o cd)... Vou pedir para a professora trocar as duplas.

 

Léo: Pra que? Deixa de ser paranóica, Helen, estava só brincando.

 

Ele respira fundo e se aproxima dela.

 

Léo: Ouça, eu também não pedi pra fazer dupla com você. Na verdade eu nem queria estar nesse castigo estúpido que me deram. Mas se quero sair logo disso, vou precisar de alguém responsável para me ajudar. E certamente não vejo ninguém melhor do que você para conseguir tal feito.

 

Helen (mexendo as sobrancelhas): Quem sabe eu venha a ganhar uma medalha de honra ao mérito por ter feito um idiota trabalhar em algo que beneficie a todos.

 

Léo (sorrindo): Exatamente, tirando a parte em que sou ofendido. A propósito, você tem feito isso com freqüência ultimamente, huh? Aprendeu com quem, seu amigo perdedor?

 

Helen: Deixa o Cláudio de fora e vamos acabar logo com isso.

 

Ele sorri e se aproxima dela.

 

Léo: Tenho uma canção perfeita.

 

Ele aperta o som do botão e a imagem transita para outra cena.

 

 

Larissa está na sala de reforço, sentado com a mesma garotinha de outrora. Atrás dela vemos Cláudio também com o mesmo garotinho.

 

Larissa (para a menininha): E então, o que temos aqui?

 

Menininha permanece em silêncio.

 

Larissa: Vamos lá, eu sei que você sabe.

 

Menininha permanece em silêncio.

 

Larissa: O que aconteceu, por acaso o gato comeu sua língua?

 

Menininha faz careta e mostra a língua para ela, em seguida levanta e sai.

 

Larissa: Ah, sua pestinha.

 

Ouve-se a risada de Cláudio atrás. Larissa vira.

 

Larissa: Alguma coisa engraçada?

 

Cláudio (rindo): Absolutamente, não.

 

Larissa balança negativamente a cabeça em seguida vira para frente. A imagem se aproxima de seu rosto, transparecendo para fora da sala. Ela caminha pelo corredor, entediada. Cláudio aparece logo atrás dela.

 

Cláudio: Seja paciente com a Gaby.

 

Larissa: Esse é o nome da pestinha? Pois me odeia tanto que nem o nome quis me dizer.

 

Cláudio (sorrindo): Você precisa conquistá-la, usar algum método que a faça se animar em aprender.

  

Larissa: E você tem alguma idéia em mente?

 

Cláudio (dando os ombros): Talvez haja na biblioteca algum livro que ajude.

 

Larissa (fazendo sinal de positivo com a cabeça): Okay, então vamos para lá.

 

Cláudio pára, surpreso. Ela continua caminhando, em seguida pára e vira para ele.

 

Larissa: Você vem?

 

Cláudio (sorrindo): Claro.

 

Ela vira novamente e continua caminhando. Cláudio se apressa até ela. A tela escurece.

 

 

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Quarto de Silvia. Ela está deitada na cama, visivelmente cansada. Ouve-se dois batidos na porta, em seguida vemos Lucio entrando. A mesma já estava entre aberta.

 

Lucio (esboçando um leve sorriso): Oi.

 

Silvia (cansada): Oi.

 

Lucio: Vim saber se você está bem, se precisa de alguma coisa.

 

Silvia: Eu estou bem, obrigado.

 

Silêncio por alguns segundos. Lucio senta na cama.

 

Lucio: Conversei com seu médico.

 

Silvia (ríspida): Definitivamente, não quero falar sobre isso.

 

Lucio (fechando e abrindo os olhos): Silvia, você precisa fazer essa operação.

 

Silvia: Não, o que eu preciso é que você volte para São José e me deixe em paz.

 

Lucio: Perdeu o juízo? É claro que você precisa fazer, o quanto antes. Se continuar adiando, a qualquer momento você pode... (não termina a frase).

 

Silvia: E se eu fizer posso estar antecipando a minha morte também. Ou você acha que eu não estou a par do risco de me deitar naquela mesa cirúrgica?

 

Lucio: Não é verdade, as chances de você sair bem dessa são grandes. Muito mais do que ficar sem se mover.

 

Silvia: Claro, mas também são grandes as chances de sair com graves seqüelas depois... (pausa)... Ouça, não me veja como uma pessoa teimosa e infantil, mas eu preferiria morrer a me tornar um peso futuramente na vida do meu filho. E sim, é um risco que estou correndo, verdade, mas a ruptura da doença pode acontecer hoje, com a daqui dez anos. Ou seja, quero aproveitar o máximo de tempo possível com o meu filho.

 

Lucio: Jamais você se tornaria um peso na vida do Cláudio, caso Deus me livre alguma coisa saísse de errado. Ele não pensa assim.

 

Silvia: E como você pode ter tanta certeza, huh? Por acaso sabe o que se passa na cabeça do seu filho? Você sequer o conhece realmente.

 

Lucio não responde, olhando para o lado.

 

Silvia: Por que você voltou, Lucio? Eu não preciso que sinta pena de mim.

 

Lucio: Eu não estou sentindo pena de você. Voltei porque precisava voltar, porque quero recuperar o que perdi. Você e nosso filho.

 

Silvia: É uma pena, pois eu acho que é tarde demais para isso.

 

Lucio (levantando): Bom, não posso desistir sem ao menos tentar.

 

Ele se dirige até a porta.

 

Silvia: Eu não vou operar, já tomei minha decisão.

 

Lucio (virando para ela): Bom, se prefere morrer a lutar para viver, talvez não ame tanto o seu filho assim, pois o que ele mais quer nessa vida, é ver a mãe lutando. E isso não preciso conhecê-lo bem para ter certeza, está visível em seu olhar.

 

Ele ainda a olha por alguns instantes, em seguida sai. A câmera se aproxima do rosto de Silvia, seus olhos se enchem de lágrimas.

 

 

Praça de alimentação de um shopping. Amanda está sentada à mesa, pensativa, batendo os dedos na mesa. Roger se aproxima segurando dois sorvetes de casquinhas, ele entrega um a ela.

 

Música: ColdPlay - Beautiful World

 

Roger: Chocolate pra mim e misto pra minha princesa. (sorri).

 

Ela pega o sorvete um pouco desanimada. Ele senta e começa a lamber o dele. Após alguns segundos percebe que o dela está intacto e seu olhar está distante.

 

Roger: Geralmente vira uma meleca na mão se deixar o sorvete derreter.

 

Amanda: Desculpa... (olha para o sorvete e dá uma lambida).

 

Roger: Qual o problema?... (mexe os ombros e sorri)... Claro, outro que não seja estar dentro de um shopping lotado, acompanhada por mim.

 

Amanda: Não é isso, você é o ultimo dos meus problemas hoje.

 

Roger: Okay. Bom, se somos namorados de mentirinha, creio eu que não seria de todo ruim se pudéssemos conversar, sei lá, tentarmos ser amigos nesse curto período de tempo... (faz sinal de pequeno com o dedo)... Nem que seja bem de leve.

 

Ela fica pensativa por alguns instantes, em seguida o olha.

 

Amanda: Minha irmã mais velha, ela está vindo passar o final de semana conosco.

 

Roger: Legal, eu sempre quis ter um irmão mais velho.

 

Amanda: Confie em mim, você está melhor do jeito que está.

 

Roger: Qual o problema sua irmã?

 

Amanda (respirando fundo): Não é propriamente com ela o problema e sim com meus pais. Sabe? É difícil você viver num ambiente onde há comparações, um é melhor que o outro, somente um é elogiado. E você, sempre passando por despercebido para as pessoas da sua própria casa.

 

Roger: Entendo perfeitamente esse lance de exclusão.

 

Amanda: Mesmo?

 

Roger: Esqueceu que estudamos no Esplendor?

 

Amanda (rindo): É verdade. (parando de rir)... Mas, imagina isso dentro de casa. Seus pais não te dando atenção alguma, falando o tempo todo da filha perfeita, fazendo comparações caso você faça algo de errado aos olhos deles, enchendo a boca pra dizer Natália, Natália, Natália.

 

Roger: E isso acaba se transformando em raiva até mesmo da sua irmã, estou errado?

 

Amanda: Não, não está. Ouça, não é inveja que eu sinto dela, a única coisa que eu queria receber era atenção e carinho na mesma proporção que ela recebe. Sempre acariciada pelo meu pai, mimada pela minha mãe... (triste)... Eu só queria poder conversar com eles, contar os meus problemas, ser ouvida assim como...

 

Roger (interrompendo): Está fazendo agora?

 

Amanda fica pensativa por instantes.

 

Amanda: É, como estou fazendo agora... (ela o olha)... Nunca pensei que isso pudesse acontecer, ainda mais com você.

 

Roger (rindo): Okay, se foi um elogio, agradeço, se não foi, te perdôo porque está tristinha. 

 

Ela sorri. Ele empurra um pouco a cadeira, ficando mais próximo dela.

 

Roger: Eu não sei o que se passa na cabeça dos seus pais para ignorar uma filha tão linda como você, e embora insista em me atacar a maioria das vezes, não deixa de ter grandes qualidades que eu admiro muito.

 

Amanda (tímida): Obrigado.

 

Roger: E tente relaxar e ocupar a cabeça com coisas mais alegres. 

 

Amanda: Como por exemplo?

 

Roger (sorrindo): Andar comigo! Já viu alguém mais desastrado e pateta como eu?

 

Amanda (rindo): Definitivamente, não.

 

Roger (sorrindo): Viu? Pelo menos para uma coisa serviu estar perto de mim. Você pode rir.

 

Amanda: É verdade. E você tinha razão em outra coisa... (levanta a mão suja de sorvete derretido).

 

Roger levanta a dele, mostrando-a também suja. Eles começam a falar, mas suas vozes são encobertas pelo som que toma a cena.

 

 

 

Biblioteca do Colégio.

 

Música: 3 Doors Down - Let me go

 

Vemos algumas cenas de Cláudio e Larissa em diversos setores da biblioteca. Larissa pega um livro, olha para o mesmo e devolve.

Em outro ambiente vemos Cláudio pegando outro, observando-o e fazendo sinal de negativo com a cabeça. E outro ambiente vemos Larissa também olhando para outro livro, mas devolvendo-o. Corta para eles no mesmo corredor, porém afastados. Cláudio pega um livro, franze a testa e olha para o mesmo, olhando para Larissa e fechando-o rapidamente. Larissa o olha e começa a rir, fingindo-se estar indignada. Cláudio ri e faz sinal de negativo com a cabeça, devolvendo o livro. A câmera dá um close no livro, mostrando na sua lateral os dizeres: Kama Sutra.

 

Corta para ela em outro corredor, Cláudio se aproxima e lhe mostra um livro.

 

Cláudio: Talvez esse aqui sirva.

 

Ela pega o mesmo, olhando para ele. Close na capa colorida com os dizeres: “Aprendendo Matemática Brincando, volume 1”.

 

Larissa (Subindo as sobrancelhas): É, talvez sirva mesmo... (o olha e sorri)... Seu pervertido.

 

Cláudio (sorrindo): Aquilo não passou de um acidente.

 

Larissa: Ah claro, vou perguntar para a bibliotecária amanhã, se você não voltou aqui mais tarde... (abrindo o livro)... Será que aqui existe alguma mágica que faça a menininha se interessar.

 

Cláudio: Eu não sei, mas quem sabe um pouco de dedicação e interesse da sua parte, também possa ajudar?

 

Larissa: Está me chamando de não interessada?

Cláudio: Negue se eu estiver mentindo?

 

Larissa (levantando a mão): Culpada confessa.

 

Cláudio: Viu? Talvez seja por isso que ela esteja resistindo?

 

Larissa: Hum, então agora você é psicólogo infantil também?

 

Cláudio (sorrindo): Digamos que eu tenha certo dom com elas.

 

Larissa (sorrindo): Perfeito, pois vou precisar contar com a sua ajuda.

 

Cláudio: Pode contar com a minha ajuda sempre.

 

Ela o olha, sorri e em seguida volta a folhear o livro.

 

 

Parte Interna do Shopping. Gil e Felipe caminham próximos da praça de alimentação.

 

Gil: E sua perna, cem por cento para o jogo de amanhã?

 

Felipe: Noventa e cinco, mas vou arrasar na partida e claro, na festa da Pri mais tarde. (sorri).

 

Gil: E com a Pri!

 

Ambos riem e param perto de uma lanchonete. Gil começa a desfazer lentamente o sorriso, notoriamente indicando que viu alguém. Felipe olha para ele e franze a testa.

 

Felipe: O que foi?

 

Gil (apontando com a cabeça): Olha aqui ali.

 

A imagem gira por trás deles, mostrando Amanda e Roger conversando animadamente.

 

Gil (se deslocando): Eu vou bater um papinho com eles.

 

Felipe (tentando segurá-lo): Qual é, deixa isso pra lá.

 

Ele não consegue segura-lo e fica parado, levantando as mãos. Corta para Roger e Amanda rindo. Gil se aproxima deles.

 

Gil (sorrindo): Olha se não temos aqui o casal mais fofo da face da terra.

 

Roger (bufando): Outra vez? O que você quer agora, round dois?

 

Gil (colocando a mão no ouvido e olhando para cima): Alguém falou comigo? Algum idiota disse alguma coisa?

 

Roger não responde, apenas balança negativamente a cabeça. Gil se aproxima de Amanda e sorri para ela.

 

Gil: Então, Amandinha. O que me diz de hoje à noite, nós dois, como antigamente, huh?

 

Amanda (sorrindo): Quem sabe?

 

Gil sorri.

 

Amanda (séria): Em seus sonhos!

 

Gil: Você não costumava falar assim, lembra?

 

Amanda (sorrindo): Gil, você é uma parte do meu passado que eu prefiro esquecer... (pega na mão do Roger)... Agora se nós dá licença, temos coisas mais importante pra fazer do que ficar aqui perdendo tempo com você.

 

Ela e Roger levantam de mãos dadas e começam a andar, Roger vira para ele e lança um sorriso provocativo. Close na expressão furiosa de Gil. Felipe se aproxima dele.

 

Felipe: Podia dormir sem essa, não é mesmo?

 

Gil (olhando na direção deles): Isso não vai ficar assim.

 

 

Frente do colégio Esplendor. A câmera se desloca para poucos metros dali, onde vemos Helen caminhando pela calçada. O carro de Léo se aproxima dela. Ele abaixa o vidro. De dentro a vemos olhando-o, subindo as sobrancelhas e voltando a atenção para frente.

 

Léo: Quer uma carona?

 

Helen: Não, obrigado... Gosto de caminhar até em casa.

 

Ela continua caminhando e o carro a seguindo.

 

Léo: Uma carona minha vai te matar?

 

Helen: Não, mas mais um tempo alem do previsto com você, isso sim irá me matar.

 

Léo: Pelos bons tempos.

 

Helen: Não temos bons tempos, você sabe muito bem disso.

 

Ela pára, olhando-o.

 

Helen: Por que anda insistindo nisso? Me ignorou durante dois anos, todas as vezes que passou perto de mim sequer me olhou nos olhos, como se eu fosse uma completa estranha pra você. E quer saber a verdade? Você acabou me fazendo um favor com isso, primeiro porque eu jamais continuaria sendo amiga de um perfeito idiota e jamais me enquadraria num grupo completamente infantil como o seu.

 

Léo: Sua avó ainda faz aquele bolo de chocolate divino?

 

Helen (girando os olhos): Inacreditável.

 

Ela continua a caminhar. Léo volta a segui-la.

 

Léo: É só uma carona, Helen.

 

Helen: Não. E coloca isso definitivamente na cabeça. Eu não gosto de você, fim.

 

Ela dobra a esquina, entrando numa praça. Léo pára o carro. Close no rosto dele que a segue com o olhar até perdê-la de vista. A tela escurece.

 

 

Parte Interna do Colégio. Cláudio caminha pelo corredor, carregando uma caixa. Atrás dele vemos o treinador Roma, seguindo-o.

 

Roma: Cláudio, posso falar com você um instante?

 

Cláudio (virando para ele): Claro, treinador.

 

Corta instantaneamente para a sala do treinador. Cláudio está sentado de frente para Roma que o encara por alguns segundos. Em seguida abre uma gaveta e coloca em cima o envelope de dispensa deixado por Cláudio.

 

Roma: Essa semana fui pego de surpresa com uma carta sua, pedindo para sair do time. Pode me explicar isso direito?

 

Cláudio: Eu percebi que isso não é pra mim, treinador.

 

Roma: E chegou a essa conclusão em um único jogo?

 

Cláudio: Por vários motivos, você mesmo viu como eu estive lá... (pausa)... Ouça, entrar para a equipe foi uma decisão estúpida.

 

Roma: A sorte é que eu não desisto fácil dos meus atletas.

 

Cláudio (se levantando): Desculpa, mas eu já tomei minha decisão.

 

Roma: Aí é que você se engana, filho. Não é você que decide isso.

 

Ele joga uma folha em cima da mesa. Cláudio franze a testa e pega a folha, sentando novamente.

 

Cláudio: O que isso?

 

Roma: É uma norma do colégio para os que entram nas atividades extracurriculares. Leia o parágrafo três.

 

Close no rosto de Cláudio olhando a folha, em seguida arregala os olhos, surpreso.

 

Roma: Qualquer aluno que entra para alguma atividade extracurricular, como o time de futsal e queira sair , se não for por problemas físicos ou de saúde, estará sujeito à detenção de seis meses e suspensão de uma semana...(pausa)...Então você só sai do time se eu quiser, ou se tiver algum desses problemas, caso contrário, acho melhor  você pensar direito antes de querer dar um desgosto para os seus pais.

 

Cláudio (olhando-o): Isso é injusto.

 

Roma: Injusto é largar o seu treinador quando precisa de você... (pausa)... Te espero amanhã na concentração antes do jogo, apesar de você ter faltando os treinos essa semana.

 

Cláudio acena lentamente com a cabeça, segundos depois ele levanta, abre a porta e sai. A câmera se movimenta até Roma na mesa, ele sorri vitorioso.

 

Roma (amassando a folha): Ainda bem que ninguém se interessa em saber das reais normas do colégio.

 

Ele começa a rir e joga o papel no lixo. A câmera acompanha o papel até entrar no cesto, cortando para dentro da casa de Helen.

 

 

Helen está no sofá, com o controle nas mãos, mudando insistentemente de canal, entediada. Rosa se aproxima, sentando ao seu lado.

 

Rosa: Como está o trabalho voluntário?

 

Helen (entediada): Uma droga!

 

Rosa (estranhando): Por quê? Até pouco tempo estava empolgada com a realização do baile.

 

Helen: Isso foi antes de ter que fazer dupla com o garoto mais idiota do colégio.

 

Rosa: E quem é esse garoto?

 

Helen (bufando): Léo.

 

Rosa (pensativa): Léo, Léo, Léo... (olha para Helen)... Seria aquele garoto que vivia aqui em casa?

 

Helen (séria): O próprio.

 

Rosa (sorrindo): Então vocês voltaram a se falar? Lembro que você ficou tão tristinha quando deixaram de ser amigos.

 

Helen: Não, não voltamos a nos falar. Ele é um idiota, só estamos fazendo dupla porque ele brigou no museu com um garoto, que por ventura é meu melhor amigo... (pausa e olha sério para a tv)... Odeio ele!

 

Rosa: Sabe o que eu acho?

 

Helen: Poderíamos mudar de assunto?

 

Rosa: Acredito que esse tempo que vocês terão de passar juntos, sirva para resolver as coisas que deixaram no passado. Veja pelo lado positivo da coisa.

 

Helen (sorrindo sarcasticamente): Estou um pouco cansada de tentar ver o lado positivo quando não há nada para ver.

 

Rosa: Então veja essa opção. Ajudando ele, talvez se torne uma pessoa melhor. A parte benéfica é que seu melhor amigo também poderá sair ganhando nisso.

 

Rosa sorri, dá dois tapinhas na perna da neta, em seguida levanta e sai. A câmera se aproxima do rosto de Helen que fica pensativa por alguns instantes.

 

 

Casa de Cláudio. Cláudio está sentado no sofá, assistindo televisão. Lucio se aproxima, sentando ao seu lado.

 

Lucio (sorrindo): Algum filme bom na tevê

 

Cláudio não responde, ainda olhando para frente.

 

Lucio: Então, como andam as coisas no colégio?

 

Cláudio (ríspido): Perfeitas.

 

Lucio: Fiquei sabendo que você entrou para o time, fiquei muito orgulhoso de você. A gente podia qualquer dia desses...

 

Cláudio (levantando): Preciso sair.

 

Lucio (acompanhando com os olhos): Filho, não fuja de mim. Vamos conversar.

 

Cláudio (parando e rindo ironicamente): Não fuja de você? Vamos conversar? Sabe, chega a ser irônico isso. A minha vida toda eu esperei você vir conversar comigo, perguntar como tenho andado, me aconselhar sobre alguns problemas e tudo mais. Onde você estava nos momentos em que mais precisei da sua ajuda? Sabe algo da minha vida? Sabe que sou apaixonado há anos por uma garota e sofro com isso? E já que perguntou sobre o time, sabe que fui humilhado na minha primeira partida diante toda a cidade? Onde estava o meu pai que deveria me encorajar a não desistir num momento como esses? Não venha me pedir para não fugir de você, você fez isso muito antes.

 

Lucio: Eu quero uma nova chance de tentar ser um bom pai pra você.

 

Cláudio (balançando negativamente a cabeça): Está no mínimo dezesseis anos atrasado. Confie em mim, agora é tarde demais pra isso.

 

Ele vira a sai de cena. Lucio fica parado, sem reação. Ele coloca as mãos na cabeça, ficando visivelmente perdido. A tela escurece.

 

 

Abre mostrando o céu estrelado. Segundos depois começa a clarear e novamente a ficar escuro, simbolizando outra noite.  

 

Música: Rock 'n' Roll Soldiers - Funny Little Feeling

 

Ginásio do colégio Esplendor. O local está totalmente cheio.

 

A câmera passeia rapidamente pelas arquibancadas, mostrando a torcida, maioria de vermelho, pulado e gritando.

Corta para a quadra, onde o jogo já está em andamento. Os Gladiadores vestem seu tradicional uniforme vermelho e preto, enquanto o adversário está completamente de preto.

 

Roma se agita de um lado para o outro perto do banco, visivelmente nervoso. Podemos ver Cláudio sentado no banco.

 

Roma (gritando e abrindo os braços): Passa a bola, Léo.

 

Corta para Léo em quadra, olhando-o e em seguida recebendo a bola. Ele dribla três adversários em seqüência, ao seu lado vemos um companheiro pedindo a bola, mas ele insiste na jogada individual e perde a mesma. Sobe a imagem no placar que marca “Gladiadores 1x2 Visitantes. Desce mostrando Roma ainda mais agitado que antes. Ele olha para o juiz, fazendo sinal de tempo com a mão. O juiz apita, apontando para o mesmo.

 

Os jogadores se reúnem em volta do treinador.

 

Roma (nervoso): Faltam dez minutos para acabar o jogo e nenhum chute a gol foram capaz de dar. O que acham que estão fazendo ali dentro, huh? Se não querem jogar pede pra sair.

 

Ele olha para Léo.

 

Roma: Quanto a você, estou há um passo de perder a paciência. Quem você acha que manda nessa equipe? Se eu mandar você passar a bola... (fala alto)... Passe a bola.

 

Léo: Relaxa treinador, eu vou resolver isso agora, como sempre resolvo aqui.

 

Roma: Escutou o que eu disse? Existe mais quatro em quadra junto com você, não Léo e o restante... (aponta para o banco)... Senta.

 

Léo: O que?

 

Roma: Escutou o que eu disse você será substituído.

 

Léo: Você não vai me tirar da partida.

 

Roma: Já tirei... (olha para Cláudio)... Você, se alonga, dez segundos, rápido.

 

Close na expressão surpresa de Cláudio. Volta a cena para a roda.

 

Léo (balançando negativamente a cabeça): Está cometendo um grande erro, sem eu esse time não é nada. Eu que faço os gols aqui, eu que o levo para o topo. É mais fácil você sair queimado por me tirar, do que eu ficar de fora. Reconsidere o que disse e esquecemos isso.

 

Roma (rindo): Garoto petulante, você ainda tem muito que aprender nessa vida e pode ter certeza que não tenho medo de ameaças, se fosse assim não seria treinador do colégio há mais de vinte anos. 

 

Léo: E espero que seja o último.

 

Ele vira, saindo nervoso da quadra, indo em direção ao vestiário.

 

Roma (para os jogadores): Voltem para quadra e vençam esse jogo.

 

Os rapazes se deslocam para dentro. Cláudio se aproxima de Roma.

 

Cláudio: Treinador, não acho que seja uma boa idéia me colocar agora, esqueceu que eu não treinei a semana inteira?

 

Roma: Você sabe o que precisa ser feito e sabe muito bem que essa é sua oportunidade de virar o placar, não eletrônico, mas da sua vida... (pausa)... Agora entra lá e dê o melhor de si.

 

Cláudio respira fundo, em seguida corre até o centro de quadra. A imagem gira mostrando Helen e Roger felizes ao ver a cena.

 

Roger: Ele vai entrar!

 

Helen (torcendo): Esse é o momento da redenção.

 

Roger (dando a mão para ela): Quer fazer uma corrente?

 

Helen: Eu não acredito em correntes. Mas me dá essa mão aqui.

 

Ela segura na mão dele. Corta para dentro de quadra. Cláudio conversa com Gil, Felipe e outro companheiro.

 

Cláudio: Okay, sei que vocês me odeiam aqui, mas vamos fazer isso pelo time e provar que ele não depende apenas de um jogador, como foi dito outrora. O que vocês acham?

 

Gil e Felipe se olham, em seguida fazem sinal de positivo com a cabeça.

 

 

O jogo tem seu reinicio. Os Gladiadores correm de um lado para o outro, tentando tomar posse da bola. Gil tira a bola do adversário, em seguida vê Cláudio livre e toca para ele. Cláudio com a bola, toca para Felipe, o mesmo chuta em gol. A bola bate na trave e sai.

 

Corta para a torcida, em seguida para Roma novamente.

 

Roma (gritando): Cinco minutos!

 

A bola está com o goleiro adversário. Ele lança para frente, Cláudio se antecipa pegando a bola primeiro e correndo, ele dribla um adversário e chuta em gol, o goleiro espalma para escanteio. Cláudio coloca as mãos na cabeça. Corta para a torcida, em seguida novamente para o banco de reservas.

 

Roma (gritando): Um minuto!

 

A bola está com o goleiro dos Gladiadores. Ele joga rasteiro para um companheiro, o mesmo toca para Gil. Gil dribla um rapaz e passa para Felipe que imediatamente toca para Cláudio. Cláudio corre com a bola, driblando o adversário, driblando outro e ficando cara a cara com o goleiro. A imagem fica lenta e o som é abafado pelas fortes batidas de seu coração. Close no rosto do goleiro, em seguida no de Cláudio. Ainda em câmera lenta vemos Roger e Helen levantando, de mãos dadas. Roma no banco fazendo sinal para que ele chute. Gil e Felipe correndo até ele. Som nenhum se escuta mais. A imagem mostra o rosto de Cláudio e desce até seus pés que chuta a bola. A imagem volta em tempo real. Vemos sua trajetória passando pelo goleiro, batendo na trave e entrando no gol.

 

Música: Dishwalla – Collide (refrão)

 

Close em Cláudio que ajoelha sem acreditar. Os companheiros correm em direção a ele. Corta para a torcida na arquibancada que pula vibrando, Helen e Roger pulam abraçados. Roma comemora com o banco de reservas. Close nos companheiros em cima de Cláudio, abraçando-o. A câmera se desloca para o fundo, perto da entrada, onde vemos Lucio em pé, sorrindo orgulhoso.

 

 

Vestiário. Léo está sentado sozinho, de cabeça baixa. Os jogadores entram comemorando, inclusive Cláudio. Gil, Felipe e os demais ao verem Léo, tentam disfarçar. Roma entra no local.

 

Roma: Não fiquem tão alegrinhos, porque apenas empatamos um jogo aparentemente fácil. A partir de segunda feira, treino dobrado para tenta fazer jus a fama de favorito que a equipe ganhou antes de começar o campeonato.

 

Ele olha seriamente para Léo que o encara.

 

Roma: E quanto a você, mister dono da quadra... Ficará na reserva até que aprenda a ser humilde e respeitar seus superiores.

 

Ele vira para sair. Cláudio vai até ele.

 

Cláudio: Treinador... (sorri)... Eu não sei o que dizer, obrigado.

 

Roma: Faça o que eu disse quando entrou para o time. Dedique-se.

 

Cláudio (sorrindo): Pode deixar.

 

Roma esboça um leve sorriso para ele, em seguida sai.  Cláudio sorri satisfeito.

 

 

Quadra. As pessoas ainda tumultuam o local. Roger se aproxima de Amanda que conversa com Larissa.

 

Roger: Que jogo, huh?... (pega na mão de Amanda e coloca em seu coração)... Sente meu coração!

 

Larissa (girando os olhos): A gente se vê na festa.

 

Ela sai. Roger a segue com o olhar.

 

Roger (falando alto): É sempre um prazer falar com você, Larissa.

 

Amanda: Roger!

 

Ele a olha e sorri.

 

Roger: Então, uma festa?

 

Amanda: Acredite, você não vai querer ir.

 

Roger: Amanda, não seja uma menina má. Te dei uma folga no jogo pra poder ficar com suas amigas, agora é hora de eu entrar para o seu convívio social.

 

Amanda (respirando fundo): Okay, mas sem fazer palhaçadas lá.

 

Ela começa a andar, ele a segue.

 

Roger: Por acaso eu tenho pinta de quem faz isso?

 

A câmera gira até a porta do vestiário. Cláudio sai por ela, poucos centímetros ali vemos Helen parada, olhando para ele e sorrindo. Ele abre um enorme sorriso ao vê-la e vai ao seu encontro. Ambos se abraçam.

 

Helen: Parabéns, herói. Eu disse que você ia dar a volta por cima.

 

Cláudio (sorrindo): Foi apenas um jogo... (sorri mais ainda)... Mas ficarei bastante otimista daqui pra frente.

 

Priscila se aproxima deles, olhando para Cláudio.

 

Pri: Belo jogo.

 

Cláudio (sorrindo): Obrigado.

 

Pri: Eu vou dar uma festa em comemoração hoje lá em casa, seria bom que você fosse.

 

Cláudio: Acho que não. A última vez que me convidaram para uma reuniãozinha alá Elite, as coisas não saíram muito bem.

 

Pri (sorrindo): Isso porque você não foi convidado por mim. Pode confiar, não há nada com que se preocupar, alem do mais, será uma forma de conhecermos melhor o mais novo herói Gladiador... (entrega um cartão a ele)... Aqui está meu endereço, te espero lá.

 

Ela pisca para ele e sai. Cláudio olha para o cartão. Helen sorri para ele.

 

Helen: Um jogo é capaz de te tirar do inferno e te levar para o paraíso. Então, você vai?

 

Cláudio (pensativo): Talvez não seja uma má idéia, se...

 

Helen (desconfiada): Se?

 

Cláudio (sorrindo): Você for comigo.

 

Helen: De jeito nenhum, eu não vou me infiltrar numa festa cheio de mauricinhos e patricinhas que medirão até os fios do meu cabelo. Sem falar que ela convidou você, praticamente não viu que tinha alguém do seu lado.

 

Cláudio (amassando o papel): Sendo assim, eu também não vou.

 

Helen: Cláudio, ta escrito na sua testa que você está tentado a ir. Vai, eu vou ficar bem.

 

Cláudio: É verdade, confesso que estou realmente tentado a ir... (mexe os ombros)... Mas, quem sabe uma outra vez, ou sei nunca.

 

Ele começa a caminhar, Helen o olha seriamente.

 

Helen: Você não vai me fazer sentir mal por não ir nessa festa.

 

Cláudio (fingindo-se de triste): Claro que não.

 

Helen vai até ele e olha para seu rosto que mantém uma expressão triste. Helen o olha por alguns segundos, em seguida bufa.

 

Helen: Okay, eu vou.

 

Cláudio (olhando-a rapidamente e sorrindo): Eu sabia que você iria aceitar.

 

Helen: Provocou isso não foi? Justamente por saber que eu não resistira ver sua carinha assim.

 

Corta para eles de costas.

 

Cláudio: Eu não,estava triste realmente.

 

Helen: Claro, e eu nasci ontem.

 

Cláudio começa a ri. Ela o empurra com o braço. A tela escurece.

 

 

Vista aérea de uma mansão. Vários jovens dançam e bebem espalhados pelo local, a sua maioria no jardim, o som é bastante alto. Cláudio e Helen caminham, tentando passar pelas pessoas. Helen um pouco deslocada, Cláudio aparentemente tranqüilo.

 

Música: Barlow Girl – She Walked Away

 

Helen (tampando os ouvidos): Eu não acredito que você me arrastou para essa loucura.

 

Cláudio (sorrindo): Não é tão mal assim.

 

Helen: Foi assim que você se sentiu quando o Roger te arrastou para aquela festa?

 

Cláudio: Diferente, porque estávamos de penetras, agora não sou convidado de honra da dona da casa.

 

Helen (fazendo caretas): E que honra!

 

Eles caminham para frente. Corta para o interior da casa, onde vemos Roger sentado no sofá, conversando com Amanda e duas garotas. As duas estão no sofá da frente. Amanda está sentada no braço do mesmo sofá que o de Roger.

 

Roger: E foi desse jeito, sabe? Coisas na vida que são inexplicáveis... (sorri)... Foi amor a primeira vista.

 

Garota 1 (encantada): Eu sempre quis ter alguém por quem eu me apaixonasse assim, ou que fossemos apaixonados como vocês são.

 

Roger: Você encontrará, passamos à vida inteira a procura da nossa metade, quando menos esperamos... (Olha para Amanda)... Ela está mais perto do que imaginamos.

 

Ele segura na mão dela e dá um beijo. As garotas se mostram derretidas com a cena. Amanda sorri para ele e o puxa pelo braço.

 

Amanda (sorrindo para as garotas): Nos dêem licença só um instante.

 

Eles se afastam alguns centímetros.

 

Amanda: Que tal você ir na cozinha pegar uma bebida pra mim, antes que eu te enforque por causa dessas mentiras? Ou, essas duas acabem te agarrando.

 

Roger (sorrindo): Até que a segunda opção não é má idéia.

 

Amanda (dando um tapa no braço dele): Vá!

 

Roger ri e sai. Amanda balança negativamente a cabeça.

 

 

Corta para o lado de fora. Priscila e duas garotas se aproximam de Cláudio e Helen.

 

Pri: Que bom que você veio... (olha para Helen e ironiza)... E em boa companhia.

 

Helen a olha, esboçando um sorriso irônico também.

 

Cláudio (sorrindo): Obrigado pelo convite... (segura Helen)... Vamos procurar alguma coisa para beber.

 

Eles saem, deixando Priscila e as garotas sozinhas. Ela o observa com o olhar, esboçando um sorriso malicioso.

 

Garota 1: É lindinho, não?

 

Pri (sorrindo): É e não vai me escapar.

 

Close na sua expressão cheia de malicia.

 

 

Lado interno da casa. Cláudio e Helen estão num canto.

 

Helen: Eu disse que era uma má idéia ter vindo.

 

Cláudio: Hey, você está comigo, okay? Se fizerem algo a você, estarão mexendo comigo... (pausa)... Quer beber alguma coisa?

 

Helen (dando os ombros): Um refri, talvez.

 

Cláudio: Certo, vou pegar pra você, espera aqui que eu já volto.

 

Ela esboça um leve sorriso e faz sinal de positivo com a cabeça. Cláudio sai. Ela cruza os braços, em seguida caminha até o lado de fora, na varanda. Após alguns segundos franze a testa, como se acabasse de ver algo. A câmera se desloca, mostrando alguém cambaleando, indo para o fundo do jardim.

 

 

Cláudio caminha por entre a sala, tentando desviar das pessoas. Ele esbarra em alguém.

 

Cláudio: Desculpa...

 

Na segunda tentativa de desvio, olha para cima. Close em Larissa sentada na escada, de cabeça baixa.

Corta para ela, Cláudio se aproxima, sentando ao seu lado.

 

Cláudio: Hey, você está bem?

 

Larissa (levantando a cabeça e rindo, visivelmente bêbada): Hey! Você! Que prazer te encontrar numa festa, que não seja dentro de um banheiro... (ri).

 

Cláudio (sorrindo): Creio que alguém aqui ultrapassou mais uma vez o limite do álcool.

 

Larissa (rindo): Eu? Não, uns copos apenas... (fica séria)... Ó meu Deus!

 

Cláudio: O que foi?

 

Larissa (colocando a mão na boca e levantando): Acho que vou vomitar.

 

Ela corre para cima, Cláudio vai atrás dela.

 

 

Parte externa. Helen caminha na direção em que avistou alguém. Vemos as costas de uma pessoa, sentada num tronco. Ela caminha até chegar perto, então vemos que se trata de Léo.

 

Helen: Oi?

 

Léo (bêbado, sorrindo): Você! Esse lugar não é para garotinhas como você... (levanta um dedo)... Realmente, não é.

 

Helen: Alguém está bêbado, aqui, huh?

 

Léo: Eu? Imagina. Só estou tomando uns goles para comemorar. Perdi minha garota, o treinador me tirou do jogo, o babaca fez o gol que eu deveria ter feito... (bebe um gole de uma garrafa de cerveja)... Não é motivo suficiente para comemorar? Vem aqui, toma um drink comigo.

 

Ela não responde, apenas o olha por alguns instantes.

 

Léo: Quando terminar essa garrafa, vou lá pra dentro, encontrar aquele cara, dizer umas boas verdades a ele e quebrá-lo em pedaços... (olha para Helen)... Ele veio, não veio?

 

Helen (se aproximando): Eu tive uma idéia melhor, que tal eu te levar para casa?

 

Léo: Não posso, se meus pais me verem assim, é o fim da minha vida... (respirando fundo)... Se bem que nada mais importa mesmo.

 

Ela fica pensativa por alguns instantes, em seguida se aproxima e abaixa perto dele.

 

Helen: E que tal você ir lá pra minha casa? Minha vó fez aquele divino bolo de chocolate que você adora.

 

Léo (olhando-a): Você me odeia, por quê?

 

Helen (sorrindo): Sim, eu te odeio, mas quem sabe essa possa ser a chance de passar a te odiar um pouco menos daqui pra frente? O que me diz?

 

Léo fica pensativo por alguns segundos.

 

Léo: Okay, deixa eu pegar a chave do meu carro.

 

Helen: Eu estive pensando em pegarmos um taxi, o que você acha dessa aventura, huh?

 

Léo (sorrindo, bêbado): Eu adorei, você é bastante aventureira, sempre soube disso, sempre.

 

Ela o ajuda a se levantar, colocando o braço dele em volta do seu pescoço.

 

Léo: Tem bolo mesmo?

 

Helen (sorrindo): Se não tiver, mando providenciar.

 

Parte Interna da casa. Amanda está na sala, com os braços cruzados e batendo o pés insistentemente.

 

Amanda: Que demora, Roger.

 

Gil se aproxima abraçando-a por trás e dançando.

 

Amanda (nervosa/tentando escapar): O que você está fazendo, me larga!

 

Gil (ainda abraçando-a/tentando beijar seu rosto): Lembrando dos velhos tempos, nega que está gostando?

 

Ela consegue escapar, vira de frente para ele e o empurra com força. As pessoas próximas começam a reparar, ficando me volta.

 

Amanda (furiosa): Se afasta de mim!

 

Gil (nervoso): Vai dar uma de santa agora?  Vem cá, quanto aquele imbecil te pagou para sair com ele? (começa a rir)... Porque só assim pra você ficar com um único cara.

 

Ela respira ofegante e acerta um tapa no rosto dele, cheio de ira. Ele vira o rosto, colocando a mão em cima do local acertado. Gil a olha, esboça um leve sorriso e a segura com força, beijando-a. Amanda tenta escapar. A câmera gira mostrando Roger saindo da cozinha com dois copos nas mãos.

 

Roger (olhando para os copos): Você não imagina a muvuca que estava lá para pegar uma... (olha para a frente, avistando a cena).

 

Ele deixa os dois copos caírem e vai apressadamente até eles. Close em Gil ainda agarrando Amanda que tenta escapar. Roger coloca a mão em seu ombro, puxando-o, quando ficam de frente um para o outro, Roger acerta um soco no rosto de Gil, fazendo-o cair entre as pessoas. Roger vai até Amanda.

 

Roger: Você está bem?

 

Amanda: Agora estou.

 

Gil levanta cheio de fúria. E balança negativamente a cabeça, olhando para Roger.

 

Gil: Você está morto!

 

Ele corre para cima de Roger, o mesmo desvia para o lado e chuta a bunda de Gil. Gil vai ao encontro da parede e se choca contra ela, batendo a cabeça e caindo. As pessoas em volta começam a rir, inclusive Roger e Amanda.

 

Roger (segurando na mão de Amanda): Vamos sair daqui antes que o resto da gangue chegue.

 

Amanda faz sinal de positivo com a cabeça e ambos saem apressadamente do local. Felipe aparece, franzindo a testa ao ver Gil que já está de pé. Ele coloca a mão na cabeça. Felipe vai até ele.

 

Felipe: O que aconteceu?

 

Gil: Chama os caras, vamos pegar aquele débil mental, agora!

 

Parte de cima da casa. Cláudio está no quarto com Larissa. Ela está deitada na cama. Ele está sentado próximo a ela.

 

Cláudio: Se sente melhor?

 

Larissa: Um pouco... (coloca a mão na cabeça)... Maldita dor de cabeça!

 

Cláudio: Pior você vai sentir quando acordar de manhã.

 

Larissa (olhando-o, ironizando): Obrigado.

 

Ela encosta a cabeça no travesseiro, fechando os olhos.

 

Larissa: E obrigado, por cuidar de mim.

 

Cláudio (dando um leve sorriso): Eu disse que poderia contar sempre comigo.

 

Ela sorri e vira para lado.

 

 

Casa de Helen. Ela e Léo estão entrando. Ele está apoiado a ela.

 

Helen: Shhh, não queira acordar minha avó.

 

Léo (falando baixo): E o bolo?

 

Helen: Já vou pegar.

 

Corta instantaneamente para ele sentado no sofá. Helen se aproxima com um copo.

 

Léo: O que isso?

 

Helen: Bebe, você irá gostar.

 

Léo pega o copo, bebe e em seguida faz careta.

 

Léo: Que droga é essa?

 

Helen (sorrindo): Pra que você se sinta melhor, agora beba tudo.

 

Ele resiste um pouco, mas Helen coloca a mão nela na dele, conduzindo o copo à boca, fazendo-o beber tudo. Léo encosta a cabeça no sofá, fechando os olhos em seguida. Helen o olha por alguns segundos.

 

Helen: O que você se tornou, Leonardo?

 

Close no rosto dele por alguns instantes, ele parece dormir.

 

 

Vista aérea de uma floresta. Roger e Amanda correm por ela, parando em determinado ponto.

 

Roger (sorrindo): Acho que escapamos.

 

Amanda (rindo): É, acho que sim... (respira fundo)... Nunca corri tanto na minha vida.

 

Roger (sorrindo): Então, seja bem vinda ao meu mundo.

 

Eles se olham por alguns instantes.

 

Amanda: Eu não tenho palavras para te agradecer.

 

Roger (balançando negativamente a cabeça): Não foi nada.

 

Amanda: Foi sim, nunca alguém me defendeu daquele jeito. Você foi um amor.

 

Roger (sorrindo): É o mínimo que eu poderia fazer para a minha namorada, mesmo sabendo que estou com os dias contados. (ri).

 

Ela se aproxima dele e lhe surpreende com um forte abraço.

 

Música: Story Of The Year - Sidewalks 

 

Em seguida lhe dá um beijo demorado no rosto. Eles se olham por alguns segundos, com os rostos quase que colados. Amanda se afasta alguns centímetros.

 

Amanda: Acho que esse pode ser o começo de uma grande amizade.

 

Roger (sorrindo): Que bom, pelo menos saberei que não estarei sendo inconveniente por perto.

 

Eles sorriem um para o outro e começam a andar, conversando, mas o som encobre o que eles dizem. A imagem corta para um ângulo aéreo, em seguida sobre até os céus, descendo na mansão.

 

 

Quarto onde Cláudio e Larissa estão. Ele a observa dormindo por alguns instantes. Em seguida passa a mão no cabelo dela, inclinando e beijando sua testa.

 

Cont- Story Of The Year - Sidewalks 

 

Cláudio: Dorme bem, meu amor.

 

Ele levanta e vai em direção a porta, abrindo-a e saindo. A câmera permanece no quarto, e se movimenta lentamente até a cama, mostrando o rosto de Larissa. Ela está com os olhos abertos, dando a entender que estava acordada, ciente.

 

 

Após alguns segundos, a tela escurece.

 

 

http://i190.photobucket.com/albums/z119/lindaum458/Comunidade/Amanda.jpg

 

Créditos Finais:

 

 

Criado e Escrito por:

 

Thiago Monteiro

 

Música Tema:

 

Switchfoot - Meant To Live

 

Trilha Sonora:

 

Dios Malos - You Got Me All Wrong

Tree 63 - No Other

ColdPlay - Beautiful World

3 Doors Down - Let me go

Rock 'n' Roll Soldiers - Funny Little Feeling

Dishwalla – Collide

Barlow Girl – She Walked Away

Story Of The Year - Sidewalks

 

 

                                             

 

 

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