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Calvin Goldspink (em off): Anteriormente em Descobrindo...

 

Léo: Tudo bem... (pausa)... Helen...

Helen (voz no telefone): Oi?

Léo (olhando para baixo e levantando para frente): Eu...

 

Imediatamente ele arregala os olhos assustado e gira o volante rapidamente, close numa forte luz na sua frente, em seguida vemos o celular caindo. Corta para o lado de fora onde o carro desvia de outro na contra mão e bate num poste.

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Léo: Não. Eu tenho um jogo importante daqui a quatro semanas, não posso perder essa oportunidade.

Médico: Sinto muito. Mas terá que assistir ao jogo pela arquibancada, pois não vai poder correr... (pausa)... Agora tente descansar um pouco.

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Léo (balançando negativamente a cabeça): Só pode estar brincando, o Roma não te admitira de volta assim tão facilmente.

Gil: Tem certeza? Vamos raciocinar... Com você de fora, o time ganha dois desfalques. O Roma não pode substituir colocando alguém que não atuou em nenhum jogo, que não conhece muito bem suas táticas. Então ele acabou implorando para que eu voltasse.

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Deise: As férias escolares estão chegando, então pensei em levar a Helen para viajar comigo durante um mês, assim eu posso conhecê-la melhor e guardar isso pra sempre comigo... (pausa)... Não creio que possa me negar um pedido desses.

 

Corta:

 

Rosa: Okay, eu vou pensar muito, mas muito nosso assunto. Mas ainda assim vai depender se Helen vai querer.

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Helen: A empregada me deixou subir... (olha para o gesso no chão)... O que você está fazendo?

Léo: Por favor, Helen. A última coisa que eu preciso neste momento é de repreensão.

Helen: Mas é isso que você está merecendo. Ficou maluco? Recém colocou esse gesso, não pode tirá-lo por conta.

 

Corta:

 

Helen: Okay, eu entendi. Só não espere que eu fique do seu lado, vendo você se acabar por causa de um jogo.

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 Roma: Não é confirmação, que fique bem claro isso. Mas talvez se nos esforçarmos, lembre-se, eu disse talvez, você possa jogar meio tempo... (pausa)... Eu vou te ajudar.

Léo (feliz): Mesmo? Ainda há uma possibilidade?

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Larissa: O Jonatas recebeu uma proposta irrecusável de emprego.

 

Cláudio franze a testa, sem entender.

 

Larissa (deixando as lágrimas escorrerem): Na capital.

 

Corta:

 

Cláudio imediatamente a abraça forte.

 

Cláudio (falando com dor): Nós daremos um jeito nisso... (pausa e fecha os olhos)... Eu prometo, daremos um jeito nisso.

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A câmera segue uma Picape em alta velocidade, dobrando a esquecia. Atrás é possível ver vários rapazes amontoados, com mascaras de palhaços, segurando sacos de papelão. Conforme vai avançando, percebemos que se aproxima da frente do colégio Esplendor.

 

Música: Yellowcard - Lights and Sounds

 

Corta para vários alunos transitando pelo jardim, na frente do colégio. Ouve-se os pneus do carro cantando, a câmera se movimenta mostrando o carro vindo na direção deles. Alguns alunos correm, outros se aproximam, curiosos. O carro pára e de repente, os rapazes que estão em pé na traseira, começam a tirar ovos dos sacos de papelão e atacam nos alunos na frente. Em seguida o carro acelera novamente e alguns alunos sujos de ovos correm, tentando alcançá-lo até desistir.

 

A imagem gira até o jardim, onde vários alunos estão sujos.

 

Rapaz (sujo do ovo, caminhando): Odeio esses jogos das finais, sempre sobra para os mais fracos!

 

Corta para próximo o portão. Felipe, Larissa e Amanda observam os alunos. Cláudio e Roger se aproximam deles.

 

Cláudio: O que aconteceu aqui?


Felipe (subindo as sobrancelhas): As finais, meu caro... (o olha)... Jogo contra nosso maior rival, era previsto que fariam alguma coisa para provocar... (toca o ombro de Cláudio)... Se prepara, a guerra começou.

 

Cláudio olha para frente, observando os alunos que tentam se limpar. Após alguns instantes, a tela escurece.

 

 

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Abre no que parece ser uma sala de musculação. Vemos uma perna subindo e descendo num aparelho. A imagem abre, mostrando se tratar de Léo que está deitado sobre o mesmo. Ao seu lado está Roma, segurando um relógio e olhando para o mesmo.

 

Roma (apertando o botão do cronômetro): Pronto!

 

Léo (respirando fundo): Como eu fui?

 

Roma: Melhorou bastante seu rendimento.

 

Léo: Isso indica que eu irei jogar, certo?

 

Roma: Meio tempo só.

 

Léo: Hum.

 

Roma: E não reclama, agradeça por não ver o jogo da arquibancada.

 

Cláudio e Felipe entram na sala, se aproximando deles.

 

Felipe (sorrindo): Como está nosso herói?

 

Léo: Devagar, quase parando.

 

Roma: Reclamando que nem uma criança.

 

Felipe: Acreditam que fomos atacados por uma metralhadora de ovos na entrada?

 

Roma (nervoso): O que? Eu tenho que tomar uma providencia, onde já se viu?... (começa a caminhar)... Só pode ter sido idéia daquele técnico meia boca deles... Só pode ter sido!

 

Roma sai. Léo e Felipe riem. Cláudio os olha sem entender.

 

Cláudio: O que deu nele?

 

Léo: Rincha com o treinador deles, todo ano ele fica assim... (pausa)... Então, fizeram muito estrago?

 

Felipe: Sujaram alguns alunos, mas nada comparado ao que fizemos ano passado. (ri).

 

Cláudio (curioso): E o que vocês fizeram ano passado?


Felipe: Fomos de madrugada à cidade deles e enchemos a frente do colégio de papel higiênico, tintas, tomates podres, entre outras coisas... (ri)... Foi demais!

 

Cláudio: E não deu problema pra vocês?

 

Léo: Quem ia provar que foi a gente? Era a palavra deles contra a nossa. Pra todos os efeitos, tínhamos álibis indicando que estávamos na concentração no mesmo dia.

 

Cláudio (sorrindo): Legal! Eles não tentaram se vingar?

 

Felipe: Sim, descontaram em quadra, dando um chocolate na gente.

 

Léo: Mas este será diferente... (pausa)... Só tem uma pessoa que me preocupa.

 

Felipe: Fica tranqüilo, ele vai colaborar. Ficou mais calminho depois do gelo geral.

 

Cláudio: Bom, eu vejo vocês depois... (toca o ombro de Léo)... Vê se não abusa dos exercícios.

 

Léo faz sinal de positivo com a cabeça. Cláudio cumprimenta Felipe e em seguida sai.

 

Léo: Nunca pensei em dizer isso, mas esse aí virou peça importante na equipe.

 

Felipe (sorrindo): E pensar que queríamos tirá-lo do time a todo custo.

 

Léo (sorrindo): Pois é, as coisas mudam... (olha para Felipe)... Eu estive pensando em algumas táticas de furo de bloqueio. Como não irei atuar no primeiro tempo...

 

 

Corredor. Cláudio caminha pelo mesmo. Helen aparece atrás, chamando-o.

 

Helen: Cláudio.

 

Cláudio (virando e sorrindo ao vê-la): Oi meu anjo, tudo bom?

 

Helen: Estou bem... (se aproxima)... Faz um tempinho que a gente não conversa, queria saber como você está... (mexe o ombro)... Fiquei sabendo da Larissa.

 

Cláudio: Estou bem também, na verdade a ficha sobre isso ainda não caiu cem por cento.

 

Helen: Entendo... (pausa)... Ouça, estou aqui ta, se quiser conversar, desabafar, me procure.

 

Cláudio: Me responde uma coisa... Você acredita em relacionamentos a distância? Acha que pode durar?

 

 Helen (pensativa): Não sei, talvez sim... (pausa)... Ou não, depende do tamanho da distância.

 

Cláudio (encostando na parede e fechando os olhos): Ótimo.

 

Helen (olhando com pesar): Não fica assim, cada caso é um caso. Existem relacionamentos que sobrevivem há léguas de distância, como também relacionamentos que não resistem morando ao lado... É complexo.

 

O sinal toca. Cláudio desencosta da parede.

 

Cláudio (bufando): Espero que o meu seja o primeiro caso... (pausa)... Vou pra sala, a gente se fala mais tarde, branquinha.

 

Helen (sorrindo): Beijo.

 

Cláudio começa a caminhar, em direção a uma sala. Helen fica olhando-o com uma expressão de pena.

 

 

Sala de aula. Amanda e Larissa estão sentadas no fundo com suas carteiras coladas.

 

Amanda: Como está seu relacionamento com o Cláudio diante disso tudo?

 

Larissa: A gente evita falar sobre o assunto, como se de última hora fosse aparecer uma saída.

 

Amanda: Mas há uma saída... (sorri)... Você pode morar lá em casa. Ta certo que o relacionamento lá não é dos melhores, mas tenho certeza que não irão se opor a idéia.

 

Larissa (pensativa): Será?... Eu não sei.

 

Amanda: Pensa nisso, okay? Porque ficarei tão desesperada quanto o Cláudio, caso você tenha que ir realmente... (pausa)... Como ficarei sem minha melhor amiga?

 

Larissa esboça um sorriso a ela, em seguida segura em sua mão. Amanda a olha com uma expressão triste, ao mesmo tempo tentando sorrir.

 

 

Casa de Cláudio. Silvia está sentada no sofá, assistindo televisão. Lucio chega, trazendo consigo um papel.

 

Silvia (curiosa): O que é isso?

 

Lucio (sorrindo): Nosso roteiro de viagem. Como você não escolheu o lugar, tomei a liberdade de fazê-lo... (entrega a ela)... Dá uma olhada.

 

Silvia (olhando): É lindo! Sempre quis fazer um cruzeiro marítimo.

 

Lucio: É meu sonho, sabia?  Navegar no meio do mar com a mulher dos meus sonhos... (sorri).

 

Silvia: Só estou meio preocupada em deixar o Cláudio aqui, ele parece tão tristinho ultimamente.

 

Lucio: Eu notei isso... (pausa)... Vou tentar falar com ele pra saber o que está acontecendo, aproveito para convencê-lo a viajar com a gente. Um programa em família, o que você acha?

 

Silvia: Fará isso?

 

Lucio: Claro que sim, afinal, eu não sou o pai?

 

Silvia sorri para ele, em seguida Lucio a abraça.

 

Lucio: É um novo tempo para todos nós, meu amor... (sorri)... Um novo tempo.

 

A câmera começa a se afastar, mostrando as costas do sofá, parando em determinado ponto. A tela escurece.

 

 

Refeitório do colégio Esplendor. Léo e Helen estão sentados à sua tradicional mesa, conversando.

 

Música: Santana & Match Box 20 – Smooth

 

Helen: Como vai a fisioterapia?

 

Léo: Um pouco puxado, mas é um mal necessário.

 

Helen: E vai dar pra você jogar?

 

Léo (sorrindo): Meio tempo, talvez um pouco mais.

 

Helen (sorrindo): Que ótimo! Meio tempo é muita coisa pra quem não ia jogar sequer cinco minutos.

 

Léo: Pois é, mas não estou preocupado com isso... (entrega uma folha a ela).

 

Helen: O que isso?

 

Ela pega o papel, lendo. De repente abre bem os olhos, surpresa e olha para ele.

 

Léo (sorrindo): Irei me inscrever no vestibular da faculdade vizinha. É uma ótima universidade e tem o curso de educação física que eu quero fazer.

 

Helen: E quando decidiu isso?

 

Léo: Há alguns dias, mas queria fazer surpresa. A grande vantagem é que nos veremos sempre... (sorri).

 

Helen (sorrindo): Estou orgulhosa de você, sabia?

 

Léo: Claro que tudo vai depender se eu passar de ano. Mas creio que irei conseguir, tenho tido uma incentivadora de plantão que pega no pé toda hora para estudar.

 

Helen: E agora que já sabe o que quer da vida, vou pegar ainda mais no seu pé.

 

Léo (aproximando seu rosto e beijando-a): Contanto que fique sempre perto de mim, será um prazer fazer esse sacrifício. 

 

Eles começam a se beijar, mas logo são interrompidos com a chegada de Cláudio, Larissa, Roger e Amanda. Todos tomam lugares nas cadeiras e sentam.

 

Cláudio: Estávamos observando e pensando: Pobre casal, isolado de todos, devem se sentir mal com isso...

 

Larissa (completando): E como somos demasiadamente generosos, resolvemos fazer a boa ação do dia e enturmá-los ao grupo... (sorri).

 

Helen e Léo se olham e riem.

 

Roger: Hey, Léo. Posso pegar um pouco dessas batatas fritas?

 

Léo (sorrindo): À vontade.

 

Felipe se aproxima deles.

 

Felipe: Opa, reunião do grupo e ninguém me chamou?

 

Amanda: Senta aí Felipe. Coma um pouco de batatas fritas.

 

Roger (erguendo o prato para Felipe): Estão realmente ótimas.

 

Felipe pega algumas batatas, introduzindo a boca em seguida. O som toma conta da cena, e a câmera enquadra nesse grupo. A imagem vai passando pelo rosto de cada um, mostrando eles interagindo, rindo, conversando. Roger oferecendo as batatas para os outros. Após alguns instantes, a imagem sobe lentamente, ao mesmo tempo em que escurece novamente.

 

 

Quadra. Os rapazes estão treinando chutes a gol. Léo está correndo, dando voltas na quadra. A câmera se movimenta para a entrada, mostrando um grupo de rapazes entrando e olhando com desprezo para os lados, observando o ginásio.

 

Rapaz: Que porcaria de lugar.

 

Felipe (se aproximando): Mesmo? Por que está aqui então?

 

Rapaz (sorrindo): Fala Felipe! Como vai amigão?

 

Felipe: Me poupe do sarcasmo, Clayton.

 

Léo pára de correr e se aproxima deles. 

 

Léo: O que fazem aqui?

 

Clayton: O treinador mandou a gente vir reconhecer a quadra adversária. Não deixaram avisado que viríamos não?

 

Léo começa a rir. Clayton o olha com seriedade. 

 

Clayton: Posso saber qual é a graça?

 

Léo: Eu pensei que você já tinha se formado. Me responde uma coisa, quantas vezes pretende fazer o terceiro ano?

 

Clayton: O suficiente pra presenciar sempre a derrota de vocês... (pausa)... Fiquei sabendo do seu acidente, que cosia chata, huh?

 

Léo: Verdade, imagino que tenha chorado litros por conta disso, acertei?

 

Clayton: Com certeza. É sério, pensa que eu gosto de saber que não irá jogar? Não quero ouvir desculpas que os Gladiadores só perderam porque seu maior astro estava machucado. Se bem que não é difícil ganhar do seu time, com ou sem você dentro de quadra.

 

Léo: Eu não cantaria muita vitória antes do tempo... (abre os braços)... Mas, realmente não irei jogar, o que é uma pena. Porém sei que o restante do time dará conta do recado.

 

Cláudio e Felipe o olham, estranhando.

 

Clayton: É realmente lamentável... (pausa)... Sabia que terá olheiros nesse jogo? Seria tão mais prazeroso que me escolhessem ao invés de você, se estivesse jogando.

 

Léo: Realmente é uma pena. Mas tomara que você consiga mesmo entrar para algum time profissional. Tendo em vista que parece que não sabe fazer outra coisa, senão isso.

 

Clayton: Vamos deixar o resto das provocações depois que o jogo acabar... (respira fundo)... Bom, já vimos o bastante desse lugar... (sorri para Léo)... Mando um beijo pra você da arquibancada, quando fizer o primeiro gol.

 

Léo: Aguardo ansioso por isso. (sorri).

 

Clayton e sua turma saem. Cláudio olha para Léo.

 

Cláudio: Não entendi, você não disse que ia jogar pelo menos meio tempo?

 

Léo: Golpe tático. Imagina ele dizendo isso ao treinador deles? Quando eu entrar em quadra, com certeza confundirá todo o esquema que ele preparou.

 

Cláudio sobe as sobrancelhas, balançando positivamente a cabeça em seguida.

 

Felipe (sorrindo): Nosso Gladiador novato tem muito o que aprender ainda.

 

Roma aparece, indo em direção ao banco. Os jogadores vão até ele.

 

Roma: Acabei de receber um telefonema dizendo que os jogadores do Dimensão virão aqui hoje, fazer reconhecimento da quadra.

 

Felipe: Chegou atrasado, treinador. Acabaram de sair.

 

Roma: Mas como? Entraram sem ser avisados? Que porteiro é esse que deixa entrar qualquer pessoa no colégio? ... (pausa)... Viram vocês treinando? É melhor eu mudar várias coisas no esquema tático...

 

Roma começa a andar, fazendo algumas anotações em uma prancheta.

 

Cláudio: Realmente ele fica louco nas finais.

 

Os rapazes olham na direção de Roma, rindo. Em seguida voltam a tomar posição na quadra e Léo volta a correr em volta.

 

 

Praça do centro da cidade. Amanda está deitada com a cabeça no colo de Roger. O mesmo faz carinho na cabeça dela.

 

Música: McFly – All About You

 

Amanda: Você acha que se a Lari se mudar realmente, ela e o Cláudio continuarão juntos?

 

Roger: Não sei, mas ele diz que sim.

 

Amanda: Acha que daria certo?

 

Roger: Não sei, pode ser que sim, pode ser que não.

 

Amanda: E se fosse com a gente, caso eu tivesse que me mudar. Você iria querer continuar namorando comigo?

 

Roger: Não sei, pode ser que sim, pode ser que não.

 

Amanda levanta e lança um olhar sério para ele.

 

Roger (rindo): Estou brincando, bobinha. Mas sei lá, eu sou carismático, irresistível. Imagina você pintando fora e uma legião de garotas vindo me consolar, querendo tirar uma casquinha? É uma situação complicada.

 

Amanda: Não dá pra falar sério com você.

 

Roger: Hey, relaxa... (pausa e a abraça)... A resposta é simples e objetiva. Claro que eu iria querer continuar namorando com você. Não consigo olhar para frente e não nos ver juntos... (a olha e sorri)... Você me completa de todas as formas possíveis e imaginárias, menina ranzinza.

 

Amanda (olhando-o e sorrindo): Sabe que eu adoro ouvir você dizendo essas coisas sobre nós?

 

Roger: Por isso puxa tal assunto?

 

Amanda: Eu te amo, meu palhacinho.

 

Roger (sorrindo): Eu sei que sim.

 

Eles aproximam seus lábios e começam a se beijar. O som aumenta, tomando conta da cena, frisa essa imagem por alguns segundos.

 

 

Casa de Cláudio. Cláudio está sentando no sofá, assistindo televisão. Após alguns instantes, Lucio se aproxima, sentando ao seu lado.

 

Lucio: Nervoso para o jogo de amanhã?

 

Cláudio: Bastante ansioso. À medida que o tempo se aproxima, o frio na barriga vai aumentando gradativamente.

 

Lucio (sorrindo): É algo inevitável de se sentir. Mas vocês vão se sair bem.

 

Cláudio: É... (sorri)... Espero.

 

Lucio: É só sobre o jogo que você está preocupado ou tem outra coisa em te incomodando?

 

Cláudio: Ta meio que na cara, não é?... (suspira)... Minha namorada está de mudança para a capital e não sei como agir para que ela se sinta bem, eu me sinta bem.

 

Lucio: Bom, essa é a garota que você é apaixonado desde pequeno, certo? Se vocês se amam de verdade, vão conseguir passar por cima disso tudo. Além do mais, hoje os meios de comunicação estão evoluídos. Existe internet, webcam, a cada quinze dias um pode visitar o outro...

 

Cláudio sobe as sobrancelhas, ficando pensativo, ao mesmo tempo em que balança a cabeça positivamente, concordando.

 

Lucio: Todo amor passa por uma prova. Os primeiros dias podem não ser muito fáceis, mas depois vocês acabam superando todo obstáculo.

 

Cláudio (abaixando o olhar): Verdade... (após alguns instantes, levanta o olhar)... Ou, uma idéia meio louca acabou de passar pela minha cabeça... (olha para Lucio)... Posso te pedir uma coisa?

 

Lucio (fazendo sinal de positivo com a cabeça): Vai em frente!

 

A câmera se aproxima do rosto de Cláudio, o mesmo começa a abrir um grande sorriso na face.

 

 

Centro da cidade. A câmera passeia mostrando o movimento do comércio, as pessoas passeando na praça, os carros parando nos faróis, até girar na lanchonete.

 

Música: Atomic Kitten - The Tide is High

 

Helen e Deise estão à mesa, cada uma com uma lata aparentemente de refrigerante.

 

Deise: Você sempre quis saber mais sobre sua mãe, não é?

 

Helen: Muito mais.

 

Deise: Eu estive conversando com a sua avó e ela milagrosamente acabou concordando. Mas claro que tudo dependerá da sua aprovação, se você vai realmente querer.

 

Helen: Claro, e o que realmente eu posso querer ou não?

 

Deise (sorrindo): Depois que as aulas terminarem, gostaria de fazer uma viagem comigo, para que possamos passar um tempo juntas e assim fortalecer nossos laços? Podemos até visitar a cidade em que nasceu.

 

Helen (desconfiada): E minha avó concordou com isso?

 

Deise (rindo): Sei que parece algo extremamente impossível, mas pode perguntar a ela.

 

Helen: E quanto tempo duraria essa viagem?

 

Deise: Um mês.

 

Helen começa a rir por alguns segundos. Deise a olha sem entender.

 

Helen (rindo): Desculpa... (parando de rir)... Mas é extremamente impossível crer que a dona Rosa tenha concordado que viajemos durante um mês... (pausa)... Você a drogou, certo?

 

Deise (sorrindo): Eu sei que é impossível, mas se quiser podemos ir agora a sua casa e poderá constatar por si própria que sua avó até que não é uma pessoa tão carrasca assim, quando diz respeito à família da sua mãe.

 

Helen: Okay, se for verdade então, tudo bem, acho que será muito bom pra eu saber ainda mais sobre você, minha mãe, e quem sabe outros parentes distantes... (faz sinal de positivo com a cabeça)... Eu aceito fazer essa viagem.

 

Deise (feliz): Eu prometo que você não irá se arrepender. Grandes surpresas a esperam nesse tempo nosso.

 

Helen sorri para ela. Close no rosto de Deise que também sorri.

 

 

Condomínio. Cláudio e Larissa caminham de mãos dadas por uma rua qualquer.

 

Música: Extreme – More Than Words

 

Larissa: Cláudio, a gente tem evitado esse assunto, mas precisamos conversar a respeito do nosso futuro.

 

Cláudio (sorrindo): Eu sei que temos.

 

Larissa (olhando-o): Posso saber que sorriso é esse?

 

Cláudio: Estou feliz, muito feliz!

 

Larissa: Ah, legal! Conformou-se mais rápido do que eu pensei.

 

Cláudio: Estou feliz porque encontrei uma solução para o nosso caso... (sorri).

 

Larissa (parando): Encontrou?

 

Cláudio (parando e ficando de frente para ela): Lari, me responde uma coisa... Você quer ir embora da cidade?


Larissa: Claro que não.

 

Cláudio: Então pronto, é simples. Você vai ficar.

 

Larissa (confusa): Não entendi.

 

Cláudio: Agora pouco tive uma conversa com meu pai e perguntei se você podia morar em casa. Ele disse que não via problema desde que seus pais aceitassem... (sorri)... Não é incrível?

 

Larissa: A Amanda me fez a mesma proposta.

 

Cláudio: Fantástico! E nós nos preocupando a toa... Agora é só perguntar para sua mãe se ela permite que você fique conosco.

 

Larissa não responde, ficando pensativa sem esboçar reação.

 

Cláudio: Okay, confesso que não era a reação que eu esperava... (pausa)... Qual o problema?

 

Larissa: É que eu queria ficar, mesmo. Mas também que minha mãe estivesse junto...

 

Cláudio: Não estou entendendo.

 

Larissa (suspirando): As coisas estão se acertando entre nós agora, não sei, talvez esse tempo que passaremos juntos sirva para que possamos finalmente ser uma família de verdade, incluindo até o Jonatas.

 

Cláudio olha para o lado e desfaz a expressão alegre.

 

Cláudio: E como ficaremos então?

 

Larissa: Do mesmo jeito que estamos, só que alguns quilômetros separados. Não vamos terminar.

 

Cláudio: Você diz isso agora, mas e quando fizer novos amigos, tiver adaptada no colégio novo e tudo mais?

 

Larissa: E você não confia no que eu sinto por você?

 

Cláudio (olhando-a): Claro que eu confio, mas é que em poucos meses tanta cosia é capaz de mudar... (suspira)... Eu tenho medo.

 

Ela o olha por alguns instantes, em seguida passa a mão no rosto dele. Ele beija sua mão.

 

Larissa: Olha, não está nada decidido, temos tempo ainda. Prometo que irei pensar muito na possibilidade de ficar, okay?

 

Cláudio: Sei que posso estar parecendo egoísta. Mas só de pensar em ficar longe de você, depois de tanta luta, acabo ficando sem chão... (pausa)... Mas é claro que deve tomar a melhor decisão pra sua família.

 

Larissa (abraçando-o): Eu também não me imagino longe de você. Então não vamos dar nada como decidido ainda... Eu prometo que irei pensar.

 

Eles se olham por alguns instantes, em seguida começa a se beijar com bastante ternura, aumentado a velocidade e intensidade em seguida. A câmera começa a se afastar lentamente, ao mesmo tempo em que na mesma velocidade a tela vai escurecendo.

 

 

Abre mostrando o dia amanhecendo, o sol surgindo e após alguns segundos, anoitecendo novamente.

 

Música: Ronan Keating - I Love It When We Do

 

A câmera desce, mostrando a frente do ginásio. Se aproxima, transparecendo para dentro.

Algumas pessoas já ocupam o lugar. Larissa e Amanda caminham pelo corredor, ambas vestindo camisetas do time. Elas olham para a arquibancada. Helen está na parte de cima, a mesma acena para elas. Ambas sorriem e sobem até ela.

 

Larissa: Trouxemos algo pra você.

 

Amanda (entregando um embrulho): É certeza que irá gostar.

 

Helen pega o embrulho, abrindo-o com curiosidade. A câmera mostra uma camisa dos Gladiadores. Ela sorri e olha para as garotas.

 

Larissa: Olha atrás.

 

Ela olha atrás. Close no número e o nome de Léo estampado atrás.

 

Helen (feliz): É perfeito, gente. Obrigado mesmo!

 

Larissa sorri e desvia o olhar para a entrada do ginásio, em seguida franze a testa e começa a rir.

 

Larissa (rindo): Oh meu Deus, o que é aquilo?


Amanda (olhando na mesma direção): O que?

 

A câmera gira, mostrando Roger caminhando do corredor, sorrindo. Ele veste uma camisa vermelha, faixa da mesma cor na testa. No seu rosto vemos duas linhas vermelhas pintadas em cada bochecha e algumas faixas brancas nos braços. Ele acena para as pessoas que olham para ele. Amanda o espera no corredor, ele vai ao seu encontro.

 

Amanda: O que você está fazendo?

 

Roger: Ué, vestido a caráter para torcer pelo nosso time... (grita)... Vai Gladiadores, acaba com eles!

 

Amanda (rindo): Você não existe sabia? Me mata de vergonha.

 

Roger (sorrindo): Eu sei, às vezes nem acredito em mim mesmo.

 

Ela balança negativamente a cabeça, ainda rindo, em seguida segura na mão dele e ambos começam a subir, indo ao encontro de Helen e Larissa.

 

 

Vestiário. Os jogadores estão em pé, a maioria fazendo alongamentos. Cláudio visivelmente aparenta estar nervoso. Roma entra, parando centro e olhando para cada um.

 

Música Instrumental Lenta

 

Roma: Quando passaram por aquela porta, não serão mais simples alunos vestindo o uniforme de uma equipe escolar. Serão Gladiadores, prontos para acabar e aniquilar o inimigo que vier pela frente... (pausa)... O tropeço do ano passado, não refletirá este ano, porque vocês estão mais prontos para a guerra, prontos para vencer. Eu costumo dizer que tinha um timo ótimo ano passado, mas este ano, tenho um excelente, que conseguiu aprender e amadurecer num curto período de tempo...

 

A câmera passeia mostrando os rostos dos jogadores.

 

Roma: E só esse fato os torna heróis, e se crerem, nada vai tirar nossa vaga na final, nem Dimensão ou qualquer outra equipe deste estado. Vocês são meu orgulho e não vão deixar de ser. Portanto, ajam como um grupo unido lá em quadra, cedendo um para o outro, ajudando nas assistências, avançando e voltando, sempre pensando no grupo, na torcida, em mim. 

 

Léo (batendo as mãos): É isso galera, vamos mostrar a eles quem é que manda!

 

Felipe: Isso, quem deve intimar somos nós, os Gladiadores!

 

Léo: E nada, nem ninguém tirará esse titulo da gente!... (vai até Roma e faz sinal com as mãos para o grupo)... Venham aqui!

 

Os rapazes se aproximam, formando uma roda e se abraçando. Alguns começam a falar: Um, dois, três...

E todos gritam juntos: Força Gladiadora!

 

Em seguida começam a gritar.

 

Música: Blink 182 – All the Small Things

 

Roma (batendo palmas): É isso aí, vamos lá fora mostrar de quem é esse território!

 

Novamente eles gritam e começam a ir em direção a porta, saindo.

A câmera muda para o lado de fora, mostrando eles entrando em quadra. O local já está completamente lotado. A torcida ao vê-los começam a gritar e aplaudir.

 

Já em quadra vemos o time do Dimensão, vestindo camisas verdes, calções pretos e meias verdes.  Clayton olha para Léo.

 

Clayton: Pensei que não fosse jogar.

 

Léo (sorrindo): E perder a chance de fechar sua matraca? ... (sorri)... Acho que não.

 

Clayton: Mesmo que jogue, está bichado, muito longe de fazer uma grande partida.

 

Léo: É impressão minha ou já não está mais tão seguro como antes?

 

Clayton: Está pra nascer o dia em que você me intimará.

 

Léo sorri para ele, em seguida vai para o banco de reservas. Clayton fecha a cara e volta a se aquecer.

A câmera gira até a grade lateral, onde Cláudio e Larissa se beijam.

 

Larissa: Para dar boa sorte... (fica pensativa)... Ou devo mandar você quebrar as pernas, como fazem no teatro?

 

Cláudio (sorrindo): Eu não sei, mas esse beijo já valeu por tudo.

 

Larissa: Meu herói, vai lá e acaba com eles.

 

Cláudio: Vai me amar mesmo se perdemos?

 

Larissa: Nunca te amei por causa do jogo, não vai se por isso que vou deixar.

 

Eles sorriem um para o outro, em seguida dão um selinho. A câmera se movimenta para o lado, onde Helen e Léo conversam.

 

Léo: Me deseja boa sorte?

 

Helen (beijando-o): Boa sorte. Mas olha, se sentir alguma dor, pede pra sair, okay?

 

Léo (sorrindo): Certo, minha enfermeira linda.

 

Ela sorri e o puxa, beijando-o em seguida. A câmera gira para o banco de reservas, onde Roma está olhando para sua prancheta, um senhor se aproxima dele.

 

Senhor (estendendo a mão): Boa sorte, treinador Roma, que vença o melhor.

 

Roma (cumprimentando-o): Boa sorte pra você também, treinador Francisco. Que vença o melhor realmente.

 

Francisco: O melhor.

 

Ele aponta com a cabeça para o seu time, em seguida sai, sorrindo. Roma balança negativamente a cabeça.

 

Roma: Imbecil.

 

No centro, os jogadores começam a tomar posição. A torcida grita e canta sem parar. Léo vai para o banco e senta. 

 

Cláudio está parado na meia quadra, com o pé em cima da bola. Gil está ao seu lado. Cláudio olha para Clayton que o está encarando.

 

Clayton (sorrindo): Pronto pra virar paçoca?

 

Gil (para Cláudio): Não liga, ele só está querendo te intimidar.

 

Cláudio respira fundo e acena com a cabeça, para Gil. O juiz apita e o jogo tem seu inicio.

 

Música: Green Day – Holiday

 

A câmera se movimenta mostrando a torcida na arquibancada, é notória uma pequena torcida do Dimensão no canto da mesma. Corta para Roma no banco, para Léo e o restante dos reservas. A câmera se movimenta mostrando a quadra.

 

Um jogador adversário está com a bola, ele passa para um companheiro, em seguida o mesmo passa para Clayton. Clayton passa por Felipe, passa por outro rapaz e chuta forte em gol. A bola passa no canto esquerdo do goleiro, entrando.

 

Eles pulam comemorando. Close na pequena torcida que pula e vibra com o gol. Clayton olha para Léo e aponta para ele, sorrindo. 

 

Corta para a arquibancada, onde Larissa, Helen, Roger e Amanda estão.

 

Roger: Logo no começo?... (grita)... Juiz ladrão! Sem vergonha! Ordinário!

 

Amanda: Que culpa teve o juiz?

 

Roger: Nenhuma, mas na falta de um culpado, o juiz sempre paga pato... (grita)... Seu lugar é prisão! Ão, ão, ão!

 

Volta para a quadra. O Dimensão está com a bola, o jogador lança, Clayton se antecipa, recebendo, Gil tenta tirar a bola, em vão. Clayton avança e fica de frente para o goleiro. Ele chuta e a bola entra.

Clayton começa a correr, comemorando junto com seus companheiros. Close na torcida adversária que mais uma vez comemora.

 

Roma joga sua prancheta no chão, visivelmente nervoso. Ele olha para o lado e vê Francisco olhando- o e rindo.

Clayton passa perto de Léo e o provoca.

 

Clayton: Assim ta muito fácil. Cadê a graça?

 

Léo não responde, apenas o encara. Ele olha para Roma, que está vermelho, visivelmente nervoso.

 

Corta para alguns takes do jogo:

 

-Cláudio toca para Gil, Gil para Felipe, Felipe chuta, mandando para longe.

-Clayton dribla Felipe, dribla um rapaz, tenta passar por Gil e é derrubado.

-Close no goleiro dos Gladiadores defendendo uma, duas, três, quatro vezes.

-Close em Roma que anda de uma lado para o outro, abrindo os braços, reclamando.

-Close em Larissa olhando aflita para quadra, Roger levantando os braços, e falando algo. Labialmente nata-se que se trata novamente do juiz.

-Léo do banco bate insistentemente a perna no chão, também nervoso.

-Clayton chuta a bola, batendo na trave.

-Cláudio chuta a bola, passando direto para fora.

 

A câmera muda para um ângulo aéreo da quadra. Após alguns segundos, a tela escurece lentamente.

 

 

Abre no vestiário. Os jogadores estão espalhados pelo mesmo, visivelmente desanimados, abatidos.

Roma entra e pára, olhando-os.

 

Roma: O que é isso?

 

Rapaz: Isso, é a entrega. Eles estão acabando com a gente, treinador. Não há a mínima chance de vencermos.

 

Roma balança negativamente a cabeça, em seguida abaixa o olhar e olha para eles novamente.

 

Roma: Sendo assim, já posso informar a todos, que o juiz apitando o final do jogo, eu apresento minha demissão.

 

Léo: O que? Não pode fazer isso! Por quê?

 

Roma: Porque eu não treinei um time para se dar por vencido. Não treinei vocês para abaixarem a cabeça diante o aparente “gigante”. Eu treinei vocês para superarem obstáculos, pois nessa hora, em que acham que estão derrotados, que vocês mostram a verdadeira força que possuem. E mesmo que venha perder essa luta, a cabeça continua em pé, porque em nenhum momento deixaram de lutar, foram apáticos, ou desanimadores. Mas foram guerreiros até os minutos finais.

 

A câmera passei pelo rosto dos jogadores.

 

Roma: E se o que eu tentei passar esse tempo todo não fez efeito. Então o culpado está aqui... (aponta para si)... E não mereço vestir a camisa de técnico desse time.

 

Silêncio por alguns segundos.

 

Roma (abaixando a cabeça): Espero vocês na quadra, para terminar de cavar nossa sepultura.

 

Ele os olha uma última vez, em seguida sai do vestiário.

 

Léo: Ele está certo, galera... (levanta)... Qual é, não chegamos até aqui pra morrer no mar. Vencemos coisas mais difíceis, a começar por nossas diferenças...

 

Ele olha para Cláudio, que faz sinal de positivo com a cabeça pra ele.

 

Léo: Sabe qual é a diferença entre nós e eles? A cor da camisa, tirando isso, não são melhores que a gente, e podemos sim, vencer esse jogo... (caminha)... Para alguns de nós aqui, este é ultimo ano. Será que daqui vinte anos sentiremos orgulho de olhar para trás e lembrar do time que só prometeu e nada e nada conquistou?

 

A câmera passeia pelos rapazes que se olham e fazem sinal de negativo com a cabeça.

 

Léo: Então vamos levantar a cabeça e voltar para aquela quadra com espírito renovado, devemos isso a esse colégio... (pausa)... Devemos isso ao treinador que nunca deixou de acreditar em nós.

 

Ele estende a mão no meio.

 

Léo: Quem está comigo?

 

Os rapazes começam a gritar e vão ao encontro de Léo, formando uma roda e colocando as mãos uma em cima da outra.

 

Todos juntos (gritando): Força Gladiadora!       

 

 

Quadra. Roma está sozinho no banco de reservas, limpando o suor com um pano.

 

Música: Hawk Nelson - Every Little Thing

 

A torcida começa gritar, Roma olha na direção do vestiário, a câmera acompanha mostrando o jogadores correndo e vibrando, levantando as mãos para que a torcida grite ainda mais.

Eles correm até Roma, Léo se aproxima dele.

 

Léo: Estou pronto treinador! Nós vamos vencer esse jogo.

 

Roma (sorrindo): Vamos mandar esse Dimensão pra... (ri)... Outra dimensão.

 

Léo sorri, em seguida toma posição no meio de quadra. Ele olha para Clayton.

 

Léo: Já riu? Bom, porque a partir de agora você fará o oposto...

 

Clayton apenas o olha, sem nada a responder. O juiz apita e o jogo se reinicia. O jogador do Dimensão está com a bola, ele tenta passar a bola para um companheiro, mas Gil se antecipa, pegando a mesma e tocando para Léo. Léo toca rapidamente para Felipe, que pega a bola e chuta forte no gol. O goleiro espalma para a lateral.

 

A câmera gira rapidamente até a Helen, Roger, Amanda e Larissa na arquibancada.

 

Larissa: O que aconteceu com eles?

 

Roger: Parece que tomaram algum energético.

 

Quadra. Gil cobra a lateral para Cláudio, o mesmo pisa na bola e observa atentamente. Clayton corre em sua direção, deixando Léo livre de marcação na frente. Cláudio lança para ele, Léo de cabeça toca para Felipe que recua a bola para Gil que chuta no gol, indefensável no canto direito. Os Gladiadores pulam comemorando, juntamente com a torcida. Léo corre até o gol, trazendo consigo e bola e colocando-a no meio para que o jogo se reinicie rapidamente. Corta para o banco, onde Roma comemora com as mãos fechadas e olhos também.

 

Léo olha para Clayton e pisca para ele. Clayton lança um olhar fulminante a ele.

O jogo se reinicia. Clayton está correndo com a bola, Cláudio chega firme e consegue tirar a bola, chutando com força para a lateral. Léo corre até ele e o cumprimenta.

 

Léo: É isso mesmo, não dá moleza não!... (olha para Clayton)... Alguns se comportam fragilmente sobe pressão.

 

Clayton novamente encara Léo. A câmera sobe até o placar eletrônico que mostra: Gladiadores 1x2 Visitantes.

 

Corta para Roma que anda de um lado para o outro, alterado. Ele olha para o relógio e começa a bater as mãos, claramente nervoso.

 

Léo está com a bola, ele toca para Felipe, Felipe dribla um adversário e toca para Cláudio, Cláudio toca para Gil, o mesmo vê Léo sozinho e toca. Léo fica frente a frente com Clayton. Ele faz que vai para um lado e vai para outro, desconcertando Clayton e passando por ele. Léo se aproxima do goleiro e toca para Felipe ao lado que apenas empurra a bola para dentro do gol. Close na torcida que pula e vibra, close em Roma que senta no banco levanta o punho, comemorando.

 

Corta para o placar: Gladiadores 2x2 Visitantes.

 

A câmera mostra o jogo sendo reiniciado, em seguida dá um giro de 360º em volta da arquibancada, indicando uma possível passagem de tempo. 

 

Close em Roma, ele olha para o relógio. Ao seu lado, poucos metros, Francisco faz o mesmo.

 

Clayton está com a bola. Ele passa para um companheiro, o mesmo toca para outro. Gil e Felipe ficam na cobertura, ele toca no meio, conseguindo furar o bloqueio deles e deixando Clayton livre na frente do gol. Ele chuta, o goleiro espalma, mandando pra lateral. Close na torcida que coloca as mãos na cabeça.

 

O juiz apita o final do jogo. Os jogadores correm até seus treinadores.

 

Roma: Parabéns a todos vocês. Entenderam o recado, e fizeram por merecer. Agora é gol de ouro, quem fizer na prorrogação leva. Então, não deixem de bloquear e chutar... (olha para Léo)... Como está sua perna?

 

Léo: Está ótima, dá pra jogar tranqüilo.

 

Roma: Tem certeza?

 

Léo: Absoluta, pode confiar.

 

Roma: Okay... (pausa)... Agora é chegada a hora do triunfo, meus garotos!

 

Cláudio: Nós vamos vencer pelo senhor, treinador!

 

Léo: É isso mesmo, se tem alguém que mereça mais que todos aqui, esse alguém é você... (olha para os companheiros)... Como é que é galera, vamos jogar pelo nosso paizão aqui?

 

Os jogadores gritam, concordando. Léo dá uma abraço forte em Roma, em seguida beija sua careca.

 

Léo (sorrindo): Pra você!

 

O juiz faz sinal para que os jogadores voltem. A câmera se desloca e sobe até a arquibancada.

 

Helen (nervosa): Eu nunca me interessei por esses jogos, mas agora mal consigo ver essa prorrogação de tão nervosa que estou.

 

Roger: Nem eu... (se deslocando para sair e tocando o ombro de quem está na frente)... Com licença.

 

Amanda: Aonde você vai?

 

Roger: Estou nervoso, preciso mastigar.

 

Amanda (se deslocando): Eu vou com você.

 

Eles saem. Helen e Larissa se olham, em seguida seguram nas mãos uma da outra.

 

Corta para dentro de quadra. O jogo se reinicia.

Cláudio está com a bola, ele corre para lado esquerdo e chuta direto para o gol. A bola bate na trave, ele coloca as mãos na cabeça.

O goleiro adversário cobra tocando para um jogador. O mesmo tenta avançar, mas perde para Felipe que recua para Gil. Gil toca para Léo no canto direito. Léo dribla um rapaz e começa a correr pela lateral, Clayton corre junto, chegando ao seu lado. Ele olha para Léo, esboça um sorriso maldoso. A câmera desce mostrando suas pernas, o joelho de toca o de Léo, fazendo-o cair. Léo cai, segurando o joelho e gritando de dor. O juiz apita a falta. A câmera muda para o rosto de Helen, apreensiva ao ver a cena. Volta para quadra.

 

Clayton (abrindo os braços): Eu não fiz nada!

 

Felipe (nervoso, empurrando-o): Não fez nada? Isso foi jogo sujo seu bexiguento!

 

Os jogadores dos dois times se amontoam e começam a se empurrar. Ambos os técnicos se aproximam, juntamente com o juiz, apartando a briga.

 

Roma (empurrando seu time para trás): Pára, pára. Não vamos perder a cabeça agora! Pará trás, para trás!

 

Close em Léo sentado, sendo analisado por um massagista. Roma se aproxima dele, em seguida olha para trás.

 

Roma: Pedro, se aqueça, rápido.

 

Léo (segurando a perna de Roma): Não! Me deixa continuar, por favor!

 

Roma: Olha o seu estado, está forçando mais do que permitido.

 

Léo (levantando): Eu consigo treinador, por favor?

 

Roma (após alguns segundos): Se começar a mancar, não pensarei duas vezes antes de te tirar!

 

Léo (sorrindo): Combinado.

 

Roma balança negativamente a cabeça, em seguida volta para o banco. Léo vira para frente, olhando para Clayton. Uma mão toca sem ombro.

 

Música: The All-American Rejects – Move Along

 

Quando ele vira, percebemos que se trata de Gil.

 

Gil: Hey, irmão... (pausa)... Vamos vencer esse jogo, eu te dou cobertura.

 

Léo (esboçando um sorriso, após alguns instantes): Vamos irmão, vamos vencer.

 

Gil estende a mão para ele, Léo segura e ambos se abraçam. Ouve-se a vibração da torcida dos Gladiadores. A câmera muda mostrando o rosto feliz e satisfeito de Roma vendo a cena.

 

Léo cobra a falta, lançando na defensiva para Cláudio. Cláudio avança e toca para Gil. Gil está na frente, correndo para receber a bola, o jogador adversário o acompanha. Felipe toca para Léo. O mesmo começa a correr, Gil está na sua frente também correndo. Léo toca na frente para Gil, o mesmo pára a bola e corre, deixando-a e enganando os que o acompanhavam, deixando a mesma para que Léo pegue, ficando de frente com o goleiro.

 

Gil: Chuta!

 

Léo chuta. O som abafa e em câmera lenta vemos a trajetória da bola em direção ao gol. O goleiro pula, ela passa por ele e bate na trave, girando lentamente. A câmera corta rápido para os rostos de Léo, Cláudio, Felipe, Gil, Clayton, Roma, Marcos, Larissa, Helen, Francisco, novamente Léo e na bola que continua girando em câmera lenta. Lentamente a vemos entrar no gol.

 

Léo arregala os olhos e abre a boca, gritando e pulando. A imagem volta à velocidade normal.

 

Cont- The All-American Rejects – Move Along (Refrão)

 

Os jogadores correm para abraçar Léo, que se ajoelha. Eles pulam em cima dele, fazendo um montinho.

A câmera gira até o banco, onde Roma está sentado, parecendo não acreditar, ele ri e olha para o céu. Corta para a arquibancada, onde Helen e Larissa estão pulando abraçadas. Léo consegue sair do monte e olha para Clayton com um sorriso provocativo. Clayton abaixa a cabeça.

 

Corta novamente para Roma, ele olha para o lado e avista Francisco, desnorteado. Francisco olha para ele, em seguida forma a palavra “Parabéns” com os lábios. Roma sorri e acena para ele, em seguida começa a caminhar pela quadra, indo em direção aparentemente da sua sala.

 

Num ângulo aéreo, vemos a torcida invadindo a quadra, indo ao encontro dos jogadores. Cláudio e Larissa se abraçam e começam a se beijar.

 

Léo ainda abraçado com os outros, avista Helen metros à frente. Ele sorri e corre até ela, abraçando-a, levantando-a e rodando-a. Em seguida a desce e começa a beijá-la com bastante intensidade.

 

Roger e Amanda se aproximam de Cláudio e Larissa. Roger abre os braços para Cláudio e o abraça. Após alguns instantes, Cláudio começa a olhar para os lados, como se estivesse procurando alguém.

 

Larissa: O que foi?


Cláudio: O Roma, preciso dar um abraço nele!

 

Amanda: Vi ele indo em direção a sua sala.

 

Cláudio (para Larissa, sorrindo): Eu já volto.

 

Larissa (beijando-o): Vai lá, me herói.

 

Cláudio: Sabia que já sonhei com essa cena?

 

A câmera se desloca, mostrando Léo e Helen abraçados. Um homem se aproxima de deles.

 

Homem: Léo, posso falar com você um instantes?


Léo (sorrindo): Claro, diretor... (olha para Helen e dá um selinho nela)... Eu já volto.

 

Helen (sorrindo): Temos todo tempo do mundo.

 

Léo e o diretor começam a caminhar. Ele o leva até um homem próximo a grade.

 

Diretor: Leonardo, esse é Ronald... (sorri)... Ele é olheiro e quer trocar algumas palavrinhas com você.

 

Léo sorri para ele e o cumprimenta.

 

 

Corta para a sala de Roma. A música cessa, dando lugar a um som instrumental.

 

Roma caminha pela sala, com os olhos cheios de lágrimas, visivelmente emocionado. Ele olha para alguns retratos que estão numa estante, em seguida vai até a mesa. A câmera se aproxima de uma placa, onde está escrito “Treinador Roma”. Ele sorri e pega a placa, olhando para a mesma por alguns instantes. De repente ele franze a testa, parecendo sentir algo e derruba a plaquinha. Sua respiração começa a ficar ofegante e imediatamente coloca a mão no coração e apóia com a outra na mesa. Segundos depois ele cai de joelhos esparramando-se de costas para o chão. A câmera se desloca para a porta, onde ouvimos duas batidas. Cláudio a abre, feliz.

 

Cláudio (sorrindo e entrando): Treinador eu queria... (pára de falar e arregala os olhos ao ver Roma caído)... Oh meu Deus, treinador!

 

Cláudio corre desesperadamente até ele. Roma nada diz, apenas geme baixo e continua com a mão no coração.

 

Cláudio (desesperado): Treinador, treinador... (começa a gritar)... Socorro! Alguém me ajude! Socorro!

 

Ele olha para Roma e começa a dar tapinhas em seu rosto.

 

Cláudio (desesperado): Vamos, não, por favor, não!

 

Cláudio olha para a porta e corre até ela. Um homem está passando pelo corredor. Cláudio o segura, em desespero.

 

Cláudio: Pelo amor de Deus! Os paramédicos... Uma ambulância!

 

Close no rosto do homem que se assusta. 

 

A imagem volta para dentro da sala e a câmera começa a passear devagar pelo chão até chegar em Roma caído. Fixa em seu rosto por alguns instantes que está de olhos abertos, mas aparentemente desacordado.

 

 

Lentamente a tela escurece.

 

 

 

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Créditos Finais:

 

 

Criado e Escrito por:

 

Thiago Monteiro

 

Participação Especial:

 

Heather Tom – Deise

Stephen Colletti - Clayton

Ed Lauter- Treinador Francisco

 

Música Tema:

 

Switchfoot - Meant To Live

 

Trilha Sonora:

 

Yellowcard - Lights and Sounds

Santana & Match Box 20 – Smooth

McFly – All About You

Atomic Kitten - The Tide is High

Extreme – More Than Words

Ronan Keating - I Love It When We Do

Blink 182 – All the Small Things

Green Day – Holiday

Hawk Nelson - Every Little Thing

The All-American Rejects – Move Along

 

 

 

                                                       

 

 

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