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Jojo (em off): Anteriormente em Descobrindo...

 

Doutor: Filho, sua mãe tem aneurisma cerebral, é como se fosse uma bomba relógio dentro da cabeça dela e se não for desativada o quanto antes, não haverá nada que possamos fazer.

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Lucio: Olha, isso não tira minha culpa. Devia ter enxergado e aceitado os momentos em que tentou se aproximar de mim. Deveria ter te respeitado. O Cláudio não merecia o pai ausente que sempre fui. Mas infelizmente, já estava envolvido em várias outras coisas.

Silvia: E por que voltou?

Lucio: Porque pensar na possibilidade de te perder pra sempre, fez renascer aquele forte sentimento do começo que outrora estava latente. Me fez pensar em várias coisas, principalmente perceber que meu filho estava crescendo e não tinha o pai como referencia... (pausa)... Me fez perceber o quanto minha será vazia se você se for.

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Cláudio: Mãe, você sabe que eu...

Silvia (interrompendo): Volta... (pausa)... Eu vou fazer a operação.

Cláudio (surpreso): Mesmo? Está falando a verdade?

Silvia (cortando para ela no telefone, abrindo e fechando os olhos): Sim, vem pra casa, eu vou precisar bastante do meu filho por perto.

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Léo: Sobre a Helen, pode ficar tranqüilo, há tempos que já havia desistido do tal plano infantil. Ela merece o melhor. Cláudio (sorrindo): Pela primeira vez aplaudo uma atitude sua.

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Léo (para Gil): Ficou maluco? Não me viu marcado? O Cláudio estava livre na frente.

Gil (confuso): O que?

 

Corta:

 

Léo (falando alto): Se você não tocar a bola para ele, quando estiver desmarcado, eu juro que vou te tirar daqui à ponta-pés.

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Gil: Me responde uma coisa antes, como se sentiria se soubesse que não passa de um brinquedo nas mãos do Léo?

Helen: Do que você está falando?

 

Corta:

 

Gil: O nosso amigo aqui, se aproximou de você, apenas no intuito de ganhar sua confiança e depois usar isso para chantagear o Cláudio a deixar o time, caso contrario, ele faria você chorar pelos cantos do colégio assim que estivesse loucamente apaixonada por ele.

 

Corta:

 

Helen: Léo, é verdade o que ele está falando?

Léo (com dor): É, é verdade.

Ela o olha por alguns instantes, seus lábios começam a tremer. Em seguida vira e começa a andar. Léo vai atrás, segurando-a.

Léo: Mas eu posso explicar tudo...

Ela imediatamente vira e acerta um tapa no rosto dele.

Helen (com os olhos cheios de lágrima e falando pausadamente): Nunca, nunca mais eu quero ouvir a sua voz. Não se aproxime de mim outra vez. Eu tenho nojo de você.

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Cláudio: Lembra quando me disse que estou te devendo uma?

Pri: E realmente está.

Cláudio: Chegou a hora de pagar.

Ele abraça Priscila e a beija. A câmera se desloca mostrando Larissa andando de cabeça baixa e falando sozinha.

Larissa (falando sozinha): Cláudio, preciso te confessar uma coisa. Eu gosto de você, é isso mesmo, gosto de você, gosto de você, gosto de voc...

Ela olha para frente e pára ao ver Cláudio e Priscila abraçados, se beijando.

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Abre mostrando uma sala cirúrgica. Alguns médicos estão no local. Close no aparelho cardioscópio, mostrando os gráficos com as ondas do coração. Ouvimos seu barulho também. A enfermeira passa um lenço na testa do médico, enquanto ele mexe na paciente.

 

Médico: A situação está crítica.

 

A imagem desce lentamente, mostrando o rosto de Silvia, envolto de faixas na cabeça.

 

Lado externo. Vemos Cláudio na sala de espera sentado num sofá, batendo insistentemente a perna. Aos seu lado esquerdo está Helen e do direito está Priscila. Ambas seguram nas mãos dele. A câmera abre, mostrando Lucio em pé, encostado na parede e com os olhos fechados. Espalhados pelo local, também estão Amanda, Roger, Larissa, Léo e Felipe.

 

Close no rosto de Cláudio, que está bastante tenso. Ele fecha os olhos.

 

Corta novamente para a sala cirúrgica. O monitor cardíaco começa a tocar alteradamente.

 

Médico: Hemorragia!

 

Corta para o aparelho que mostra uma linha reta e um toque único.

 

Médico: Estamos perdendo-a...

 

A câmera se aproxima do rosto de Silvia, ficando assim por alguns instantes. Um clarão toma conta da tela, deixando a mesma totalmente branca por alguns segundos. Quando se desfaz, vemos um consultório médico. Cláudio, Lucio e Silvia estão sentados de frente para o doutor a sua mesa.

 

Legenda: Três dias antes.

 

Doutor: A quarta e a quinta década de vida, são as mais propicias a acontecer a ruptura do aneurisma. Essa ruptura é perigosa e geralmente causa sangramento dentro do cérebro podendo causar a morte. E como você quase chegando à quarta década, eu realmente sugiro que faça a cirurgia.

 

Silvia: E quais as chances de sobrevivência, doutor?

 

Doutor: Seu estágio é considerado de segundo grau, forte dor de cabeça, sensibilidade à luz e pequena preguiça. As chances de sobrevivência segundo números são de  60%.

 

Close no rosto de Cláudio.

 

Doutor (sorrindo): Não se preocupem, nós faremos uma micro cirurgia vascular cerebral que consiste na colocação de um clipe metálico junto ao aneurisma, essa técnica já está consagrada com baixa mortalidade e seqüelas.

 

Silvia: Mas 60% é muito pouco.

 

Doutor: Eu disse isso em caso de ruptura da doença. Mas você estará nas mãos dos melhores especialistas no caso. Eu mesmo nunca perdi um paciente, e com você não será diferente. Eu prometo.

 

Corta para a visão dos três. Silvia olha para Lucio, visivelmente assustada. Ele segura forte na mão dela. A câmera se aproxima do rosto de Cláudio, que nada diz, mas também se mostra assustado. A tela escurece.  

 

 

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Casa de Cláudio, parte interna. Close na porta abrindo e eles entrando e indo em direção a sala. Silvia pára na escada.

 

Silvia: Eu vou subir e descansar um pouco.

 

Lucio: Vai sim, eu vou preparar alguma coisa para comer e logo subo para te fazer companhia.

 

Silvia (sorrindo): Okay.

 

Ela começa a subir. Lucio vai até a sala. Close em Cláudio em pé, com uma expressão séria, pensativo.

 

Lucio: Você está bem?

 

Cláudio (olhando-o): Estou, estou bem... (pausa)... Eu vou dar uma volta.

 

Cláudio passa por ele e sai. Lucio olha na direção que ele saiu, com um ar de preocupação.

 

 

Corta para uma rua do condomínio. Cláudio e Roger caminham, conversando.

 

Música:  Snow Patrol - How To Be Dead

 

Cláudio: Parecia fácil, mas agora que isso se torna cada vez mais próximo da realidade, estou começando a me apavorar.

 

Roger: Vai dar tudo certo, brother. Sua mãe é guerreira, sairá dessa com facilidade... (pausa)... E como ela está reagindo?

 

Cláudio: Tenta se mostrar forte, mas está tão ou mais apavorada que a gente.

 

Roger: Sei que você não vai gostar do que vou dizer, mas, seu pai tem se mostrado uma grande pessoa nesse tempo difícil.

 

Cláudio (respirando fundo): É, por mais que me odeie admitir isso, não posso negar que ele tem sido de total importância a ela nessa fase turbulenta.

 

Roger: O trato de ele ir embora, ainda está de pé?

 

Cláudio (pensativo por alguns instantes): Claro, vou até o fim com isso.

 

Roger sobe as sobrancelhas. Eles param próximos a casa de Larissa.

 

Roger (apontando para a casa com a cabeça): E quanto a ela? Não tem mesmo mais jeito?

 

Cláudio: Não, o pouco que teve, ou quer dizer, não teve, acabou. Agora estou em outra.

 

Roger (balançando positivamente a cabeça): Priscila... (pausa)... Estão saindo mesmo?

 

Cláudio: Ela é legal.

 

Roger: Mas não é por quem você foi apaixonado a vida inteira.

 

Cláudio: Coisa infantil, uma hora teria que passar. Agora vamos, antes que ela apareça na janela e pense que estou espionando.

 

Roger (andando): Okay!

 

Cláudio continua olhando para a casa de Larissa por alguns instantes. Roger que estava na frente, pára e o olha.

 

Roger: Você não vem?

 

Cláudio (olhando para casa e depois para Roger): Claro!

 

Cláudio corre até ele. Ambos continuam a caminhar.

 

 

Casa de Cláudio, quarto de Silvia. Silvia está deitada, visivelmente cansada. Lucio entra trazendo consigo uma bandeja.

 

Lucio: Você precisa comer alguma coisa, se desgastou muito hoje.

 

Silvia (levantando): Não vai trabalhar hoje?

 

Lucio: Hoje, nem nos próximos dias. Quero ficar bastante tempo ao seu lado.

 

Silvia: Você deixando de trabalhar? Preciso adoecer mais... (pausa)... Desculpa, não consegui perder a piada.

 

Lucio (sorrindo): Tudo bem. E não é porque você está doente. Por você eu sou capaz de vender a empresa e passar o resto de nossas vidas numa ilha deserta.

 

Silvia: Eu estive pensando. Que tal passarmos um dia inteiro num sitio, eu, você e o Cláudio, o que acha da idéia?

 

Lucio: Maravilhosa. Após a cirurgia, vamos onde você quiser.

 

Silvia: Eu quis dizer, amanhã.

 

Lucio desfaz o sorriso, vai até o guarda roupas e encosta a cabeça nele.

 

Música Instrumental Lenta.

 

Silvia: O que foi? Disse alguma coisa que não devia?

 

Lucio (ainda com a cabeça encostada no guarda-roupas): Silvia, não!... (ele vira e a olha)... Não vamos passar um dia, como se fosse o último seu entre nós. Você vai sobreviver a essa operação, vai estar melhor do que hoje.

 

Silvia: Não é isso... (pausa)... Ah, eu quero sim passar um dia especial com o meu marido e meu filho, que mal tem nisso?

 

Lucio: Tudo bem, podemos fazer essa viagem na condição de que não será uma despedida, em nada isso será cogitado, certo?

 

Silvia (sorrindo): Claro, não será uma despedida.

 

Ele se aproxima dela, sentando à sua frente. Em seguida ele passa a mão em seu rosto. Silvia fecha os olhos. Lucio se aproxima e beija com delicadeza a boca dela. Após alguns segundos a imagem escurece lentamente.

 

 

Quarto de Helen. Ela está deitada na cama, visivelmente desanimada. Rosa abre a porta e entra.

 

Rosa: Adivinha quem era no telefone?

 

Helen não responde, apenas a olha.

 

Rosa: Aquele garoto já ligou umas cem vezes aqui na última semana, pode me dizer o que está acontecendo?

 

Helen: Diz pra ele que eu morri.

 

Rosa (sentando na cama): O que ele te fez?

 

Helen: Nada! A culpa é minha por ser sempre essa garota boba, ingênua que acredita no lado bom das pessoas, que um dia elas possam mudar. Eu sou uma estúpida!

 

Rosa: Hey, não fala assim! Você não é boba, muito menos ingênua. Apenas tem um coração enorme, o que não é defeito algum e sim uma grande virtude.

 

Helen: E qual a vantagem de ter tal virtude se a todo tempo você é passada para trás?

 

Rosa: Pode parar com essa auto-culpa, piedade ou seja lá o que for. Você não é assim, sempre encarou as coisas de cabeça erguida. Não é um simples garoto que será capaz de te derrubar.

 

Helen fica em silêncio, pensativa por alguns instantes.

 

Rosa: E se você foi ingênua, quem dirá eu. Na verdade me sinto até culpada por ter incentivado a reaproximação de vocês dois. É isso mesmo, a culpa é minha, vai, desconta toda sua raiva e frustração em mim, eu agüento.

 

Helen (sorrindo): Eu não estou magoada com a senhora, sei que fez para o meu bem.

 

Rosa: Ouça querida, tudo que eu fiz até aqui, foi pensando no seu bem estar. Claro que algumas das vezes trocamos os pés pelas mãos e acabamos fazendo o que desagrada um, mas que no nosso ver é melhor para a pessoa. Portanto, nunca coloque em duvidas as intenções do que eu já fiz por você.

 

Helen (desconfiada): Ainda estamos falando do que o Léo fez a mim?

 

Rosa (sem graça): Claro que estamos... (pausa)... Agora me conta nos detalhes o que aconteceu?

 

Helen (suspirando): Eu realmente acreditei que ele havia mudado, semana passa no parque...

 

 

Quarto de Larissa. Larissa está deitada na cama, folheando uma revista. Ouve dois batidos na porta. Ela levanta e abre. Jonatas aparece segurando uma caixa. Ele entra e coloca em cima da mesinha.

 

Larissa: O que é isso?

 

Jonatas: Sua coisas, o castigo acabou. Daqui a pouco trago seu computador de volta.

 

Larissa: O que fizeram vocês mudarem de idéia?

 

Jonatas: Digamos que ultimamente você não tem sido desobediente, não tem sido estúpida com sua mãe, não tem chegado em casa tarde da noite. Coisas que nos fizeram perceber que teoricamente você amadureceu.

 

Larissa (sem jeito): Obrigado.

 

Jonatas (sorrindo): Mas apronta de novo que da próxima vez confisco sua cama!

 

Larissa (sorrindo): Dormir meses no chão não parece uma boa idéia... (pensativa)... A propósito, minha mesada volta com o fim do castigo?

 

Jonatas: Volta, claro. E se continuar se comportando, pode até haver um aumento.

 

Larissa: Está tentando me comprar?

 

Jonatas: Por quê? Isso ajudaria em alguma coisa?

 

Larissa (sorrindo): Serei um anjinho, pode confiar!

 

Jonatas ri e sai do quarto. A câmera se aproxima do rosto de Larissa, ela esboça um largo sorriso.

 

 

Ginásio do colégio Esplendor. A quadra está vazia, apenas Léo se encontra no local. Ele está chutando algumas bolas no gol. Roma se aproxima.

 

Música: The Doves - Caught By The River

 

Roma: É assim que eu gosto de ver, meus atletas dedicados até em dia que não treino.

 

Léo: Este lugar me transporta para outro mundo.

 

Roma: Eu também... (pausa)... Problemas?

 

Léo (suspirando): Problemas, problemas.

 

Roma: Uma garota, estou certo?

 

Léo (olhando-o e franzindo a testa): Essa é mais uma de suas qualidades?

 

Roma (rindo): Não precisa ser um gênio para perceber.

 

Roma caminha até o banco de reservas, Léo o acompanha, sentando no banco.

 

Léo: Não sei por que estou ligando tanto. Isso nunca foi nada pra mim, sempre foram apenas, garotas. Mas com ela, não sei, é diferente, vem de dentro, entende? Parece que falta um grande pedaço em mim.

 

Roma (sentando): Bom, isso só pode significar uma coisa, você está com um sério sintoma.

 

Léo: Sintoma?

 

Roma (sorrindo): Você está apaixonado, garoto.

 

Léo (pensativo): Apaixonado?

 

Roma: Quando uma garota tira do sério até mesmo alguém como você, pode ter certeza que o negócio é sério.

 

Léo (subindo as sobrancelhas): Alguém como eu?

 

Roma: Claro, popular, garanhão, arrogante.

 

Léo (sarcástico): Obrigado!

 

Roma: Mas é verdade. Quando olho pra você, me vejo na época do colegial. Astro do time, que brilhava com as garotas e se achava num patamar acima de todos à sua volta... (pausa)... Até que um dia rompeu os ligamentos e se viu obrigado a parar de jogar. Sua fama, seus supostos amigos, foram tudo embora. Mas tinha alguém que se importava com ele, oh se tinha. Ela apareceu e mudou tudo, cuidou de mim sem se importar com o que eu era e o que eu seria dali pra frente... (olha para Léo)... Uma garota assim mudou a minha vida, me fez enxergar muito alem de fama, poder... Conseguiu me mostrar o verdadeiro valor das coisas, quando se tem alguém que nos ame e se importam verdadeiramente conosco.

 

Léo: E essa garota, o que aconteceu com vocês?

 

Roma (sorrindo): Nos casamos e estamos juntos há quarenta anos.

 

Léo sorri, ao mesmo tempo em que fica pensativo.

 

Roma: Jóias como essas, são raras de se encontrar... (olha para Léo)... Você sabe o que deve fazer.

 

Léo (balançando positivamente a cabeça): Sei... (levanta)... Eu vou fazer de tudo para conseguir o seu perdão.

 

Léo vira para sair, mas antes pára e esboça um sorriso para Roma.

 

Léo (sorrindo): Obrigado pelo conselho, treinador.

 

Roma: Disponha. Continue obediente como tem sido ultimamente, que poderemos ter mais conversas como essa. (sorri).

 

Léo novamente sorri, em seguida sai apressado. A câmera se aproxima do rosto de Roma, quem expressa uma feição feliz.   

 

 

Centro da cidade. Praça. Amanda e Roger estão sentados no banco. Close na feição de Roger que parece distante.

 

Amanda: O que se passa, meu lindo?

 

Roger (sorrindo): Obrigado pelo lindo... (desfaz o sorriso)... O Cláudio, estou preocupado com ele. Está sabendo que amanhã é a cirurgia da Silvia, não sabe?

 

Amanda: Sei, que barra.

 

Roger: Pois é, de certa forma isso me afeta também. Fomos criados como irmãos, conheço a Silvia desde novinho, chego a considerá-la uma segunda mãe. Agora, se eu que não tenho o mesmo sangue estou me sentindo assim, que dirá ele que é filho literalmente?

 

Amanda: Sabe o que vocês estão precisando? De uma noite sem estresse, qualquer coisa que possa distrair.

 

Roger: E você tem algo em mente?

 

Amanda: Meus pais não estarão em casa hoje, podemos reunir a turma para jogar conversa fora, assistir alguns filmes, o que você acha?

 

Roger (sorrindo): Brilhante idéia, assim também ele pode ver que estamos juntos nessa empreitada. Vou avisar o Cláudio.

 

Amanda: E eu aviso a Lari e a Helen.

 

Roger: Wow, wow, wow, espera um pouquinho. Não acho que convidar a Lari seria uma boa idéia. Esqueceu que eles não estão se bicando?

 

Amanda: Acontece que ele é seu melhor amigo e ela minha melhor amiga, terão de aprender a conviver juntos, não podem ficar com isso pra sempre.

 

Roger (pensativo e dando os ombros depois): Tudo bem, você que manda!

 

Amanda (sorrindo): Foi o que pensei.

 

Eles se olham e se beijam com bastante ternura. Após alguns instantes, Roger deita a cabeça no colo de Amanda, a mesma começa fazer carinho nele, alisando seu cabelo. A tela escurece.

 

 

Shopping. Léo e Felipe caminham olhando as vitrines das lojas. 

 

Felipe: Ainda não conseguiu falar com ela?

 

Léo: Não, ela sumiu do colégio, não fica mais no refeitório, não atende meus telefonemas. Creio que entre as muitas qualidades que ela possui, desaparecer e teletransportar estão no topo. 

 

Felipe: Verdade, também não tenho visto ela no colégio. Deve se trancar em algum lugar no intervalo.

 

Léo: Por isso preciso reparar o erro que cometi.

 

Felipe: E quanto ao Gil, não vai mais falar com ele?

 

Léo: Até pouco tempo atrás, não perderia a chance de quebrar a cara daquele imbecil. Mas quer saber? Meu desprezo falará por si.

 

Felipe: Ouça, não aprovo o que ele fez, até me sinto culpado por ter proposto tal coisa, ainda mais depois de ter visto a carinha que ela fez quando soube de tudo. Mas se você já havia desistido, devia ter falado pra gente.

 

Léo: Acho que meu maior erro foi não ter falado com ela. Por mais que na minha cabeça esse plano não existisse mais, ela tinha o direito de saber a verdade. Sem falar que provavelmente isso viria à tona mais cedo ou mais tarde.

 

Eles entram em uma loja.

 

Léo: É essa aqui, tem inúmeras variedades.

 

Felipe (dando uma olhada geral no local): E coloca variedades nisso.

 

Eles começam a andar pelos departamentos da mesma.

 

Léo: Alguma sugestão?

 

Felipe (sorrindo): Se eu fosse uma garota e estivesse interessada em você, apenas o seu sorriso me bastaria. (ri).

 

Léo: De repente ele virou comediante... (olha para um balcão de perfumes)... Perfume?

 

Felipe: Não, nada disso. Ela não parece o tipo de garota que se impressiona com jóias, perfumes. Tem que ser algo diferente, que chame atenção, que desperte algum valor sentimental toda vez que ela olhar para o mesmo. Perfume acaba, o frasco é jogado fora...

 

Léo olha para Felipe e franze a testa, surpreso.

 

Felipe: O que? Tenho duas irmãs em casa. Já perdi as contas do tanto que ouvi desabafos sentimentais.

 

Léo (rindo): Okay!... (olhando em volta da loja)... Algo que chame atenção...

 

Ele começa a olhar fixo em determinado ponto no alto, em seguida começa a esboçar um sorriso.

 

Léo: Acho que já sei o que poderá impressioná-la.

 

Casa de Helen, parte externa. Léo se aproxima da porta, carregando consigo uma cesta e um grande urso de pelúcia. Ele coloca a cesta no chão, apertando a campainha em seguida. Após alguns segundos, Rosa abre a porta, expressando uma aparência séria ao vê-lo.

 

Léo: Oi dona Rosa, eu poderia falar com...

 

Rosa (interrompendo): Olha aqui seu deliquentezinho, eu pensei que havia sido bem clara quando disse que te faria em picadinhos se você fizesse alguma maldade para a minha neta, portanto você tem dez segundos para sair daqui, antes que cumpra o prometido.

 

Léo: Por favor, me da uma chance de falar com ela, tentar acertar as coisas.

 

Rosa: Ela confiou em você, eu confiei em você. E pela segunda vez você conseguiu quebrar isso, não creio que a Helen queira ouvir a sua voz.

 

Léo: Por favor, uma ultima chance para tentar consertar o que fiz, apenas isso. 

 

Rosa: A Helen viajou. Foi pra bem longe e não volta nunca mais.

 

Léo fica em silêncio por alguns segundos, em seguida olha abaixa para pegar a cesta.

 

Léo: Pelo menos a senhora poderia entregar... (levanta).

 

Rosa fecha a porta, ele desanima ao ver a mesma fechada.

 

Léo (completando): Essa cesta de chocolates e urso a ela? ... (bufa)... Droga!

 

 

Frente da casa de Amanda. Noite.

 

Música: Simple Plan - Perfect World

 

A câmera se aproxima da porta, cortando para dentro. Amanda e Larissa estão na sala, mexendo na prateleira de CDs.

 

Larissa (apreensiva): Será que ele vem mesmo?

 

Amanda: Eu mandei o Roger trazê-lo aqui, nem que seja amarrado.

 

Larissa: Meu medo é que ele saia quando me ver.

 

Amanda: Relaxa, isso não vai acontecer.

 

A campainha toca.

 

Amanda: Chegaram!

 

Ela se encaminha até a porta, abrindo-a. Close em Cláudio e Roger parados, Amanda sorri e faz sinal com a cabeça para que eles entrem. Roger dá um selinho em Amanda. Amanda cumprimenta Cláudio com um abraço. Eles caminham até a sala. Cláudio e Larissa se encaram.

 

Roger (sorrindo): Oi Lari?

 

Larissa (sorrindo): Oi Roger, tudo bem?

 

Roger (sorrindo): Na medida do possível.

 

Amanda (falando baixo, ao ouvido de Roger): Vamos deixá-los sozinhos um pouco.

 

Roger: E pra onde nós vamos?

 

Amanda: Vamos a cozinha estourar pipocas.

 

Roger: Uau, que proposta tentadora.

 

Amanda: Tem algo melhor em mente?

 

Roger (sorrindo): Na verdade, tenho.

 

Amanda (rindo e puxando até a cozinha): Nós vamos fazer pipoca, fiquem a vontade.

 

Roger: E não façam nada que eu não faria... (pisca para Cláudio).

 

Roger e Amanda saem. Cláudio e Larissa se olham, constrangidos.

 

Larissa: Como você está?

 

Cláudio (dando os ombros): Como diria o Roger, bem, na medida do possível.

 

Ele caminha até a estante onde há vários DVDS. Larissa vai atrás.

 

Larissa: Quero que saiba que estou torcendo por sua mãe. E isso é de coração.

 

Cláudio (acenando e expressão um leve sorriso): Obrigado.

 

Eles ficam em silêncio por alguns instantes.

 

Larissa: Cláudio...

 

Cláudio: Larissa...

 

Larissa: Não, deixa eu falar primeiro. O que você disse no parque tem razão, eu não sou uma pessoa que possa inspirar confiança e não posso exigir uma segunda chance, se em casa eu faço o contrário. Pode não acreditar em mim, mas quero que você saiba que estou tentando melhorar lá primeiro.

 

Cláudio (sorrindo): Que bom... (pausa por alguns segundos)... Olha, não leve a mal tudo o que disse aquele dia. Sei que exagerei devido ao calor da discussão.

 

Ouve-se o barulho da campainha.

 

Cláudio: É melhor eu ir atender.

 

Larissa acena lentamente com a cabeça. Cláudio vira e vai em direção a porta, abrindo-a. Close em Helen do lado de fora. Ele sorri ao vê-la. Ambos se abraçam fortemente, ficando assim por alguns instantes.

 

 

Casa de Cláudio. A câmera mostra Lucio parado em frente à escada, o ambiente está escuro.

 

Lucio (falando alto): Pode descer.

 

Silvia aparece na escada, sorrindo. Ela começa a descer. A câmera mostra espalhados pelos degraus, várias pétalas de rosas. Lucio segura em sua a mão e a conduz até a sala. Close em velas espalhadas por todo o ambiente, na copa, vemos a mesa posta com dois pratos de cada lado com algumas bandejas de prata, fechadas.

 

Silvia (impressionada): Isso tudo pra mim?

 

Lucio: Não é metade do que você merece.

 

Ele caminha até o som, ligando o mesmo.

 

Música: Folhas – All By Myself

 

Silvia (pensativa): Essa não é...

 

Lucio (se aproximando, sorrindo): A música que eu estava ouvindo, quando você invadiu o meu dormitório.

 

Silvia (sorrindo): A música da nossa primeira noite juntos.

 

Lucio: À noite em que você ganhou meu coração.

 

Lucio a abraça e ambos começam a dançar.

 

Lucio: Há momentos que ficam marcados para sempre em nossas vidas. Aquele, levarei para eternidade... (ele a olha nos olhos)... Meu coração batia na mesma intensidade que está batendo agora. 

 

Silvia aproxima seu rosto e o beija com bastante intensidade por alguns instantes.

 

Silvia: E vamos fazer desse um novo começo para nós dois... (ela olha para cima)... O que você acha de jantarmos mais tarde? (sorri).

 

Lucio (franzindo a testa): Está querendo me dizer...

 

Silvia sorrindo, balança positivamente a cabeça.

 

Lucio (sorrindo): É pra já, meu grande amor!

 

Lucio a pega no colo. Ambos começam a se beijar outra vez. Após alguns segundos, a câmera os acompanha até a escada, subindo em seguida. A tela escurece lentamente.

 

 

Frente da casa de Amanda. Cláudio e Helen estão sentados nos degraus que fica entre a fachada e a porta.

 

Música: Five For Fighting - Easy Tonight

 

Helen: Nervoso?

 

Cláudio: Parece uma mistura de vários sentimentos, não sei explicar.

 

Helen: Vai dar tudo certo, lá do céu Deus te cuidado de você e sua família.

 

Cláudio: Eu sei, tanto que ele enviou um anjinho pra cuidar de mim aqui na terra. 

 

Ele a olha e sorri, Helen faz o mesmo, fechando os olhos.

 

Cláudio: E você, como está? Não te vi a semana inteira no colégio.

 

Helen: Eu meio que tenho me escondido de certas pessoas.

 

Cláudio: Entendo. Desculpa por estar um pouco ausente.

 

Helen: Não precisa se desculpar. Essa semana tem sido muito difícil pra você, compreendo perfeitamente.

 

Cláudio: Ouça, o que quer que tenham te feito, não deixe isso afetar a pessoa doce que você é. É essa Helen que eu quero ter sempre por perto, independente das desilusões que a vida venha causar.

 

Helen (sorrindo): Pode deixar.

 

Cláudio coloca a mão no ombro dela, abraçando-a em seguida. Ela fecha os olhos encosta a cabeça na dele. A porta abre e Amanda aparece.

 

Amanda: Vocês dois, pra dentro, já! O filme já vai começar.

 

Eles se olham e sorriem, em seguida levantam, se dirigindo até a porta. A câmera começa a se afastar e subir, mostrando eles entrando e fechando a porta. Close na casa numa vista aérea por alguns instantes. A tela escurece lentamente.

 

 

Abre mostrando um sitio pela manhã. Nele vemos um capo todo gramado, uma casa, um parque, uma piscina e um lago espalhados pelo lugar. Corta para o interior da casa. Silvia e Cláudio estão sentados na sala. Lucio aparece com uma vara e um chapéu de pescador na cabeça.

 

Lucio: Vocês não imaginam a quantidade de peixes que tem neste lugar. Vou pegar alguns para o nosso almoço mais tarde. Vem comigo, filho?

 

Cláudio: Não obrigado, quero dar uma geral no lugar primeiro, depois apareço por lá. (sorri).

 

Lucio (sorrindo): Okay então. Preparem-se para o melhor peixe que irão comer.

 

Ele vira e sai. Cláudio e Silvia se olham e riem.

 

Silvia: Imagina as historias que ela irá contar aos amigos, após sair daqui, huh?

 

Cláudio: Um peixe de três metros com certeza será o melhor.

 

Novamente eles riem. Após alguns segundos Cláudio desfaz lentamente o sorriso e levanta.

 

Cláudio: Eu vou dar uma volta.

 

Ele sai. Silvia franze a testa e o acompanha com o olhar.

 

 

Colégio Esplendor, parte interna, refeitório. Léo está sentado sozinho à mesa onde ele e Helen costumavam sentar. Sua feição é triste. A câmera gira mostrando a mesa onde Felipe e Gil estão.

 

Felipe: Até quando vocês vão ficar assim?

 

Gil: Ele que não quer mais falar comigo, por mim tudo aquilo já morreu.

 

Felipe: Claro, depois de ter estrago o relacionamento dele com a Helen.

 

Gil: Tem como me condenar sozinho por isso? Alguma vez ele chegou na gente e disse que o plano havia acabado?

 

Felipe: E mesmo se ele tivesse dito, a história seria diferente no parque? 

 

Gil não responde.

 

Felipe: Tenta falar com ele, se desculpar, sei lá.

 

Gil (respirando fundo): É, talvez eu tente falar sim com ele. 

 

Corta para a porta do refeitório. Larissa entra puxando Helen pelo braço.

 

Helen (tentando se esquivar): Eu não quero!

 

Larissa: Vamos, chega de passar o intervalo presa no banheiro. Não pode se esconder pra sempre, uma hora terá d encarar isso.

 

Helen (fazendo sinal de positivo com a cabeça): E vou. Mas não agora.

 

Ela tenta virar, mas Larissa a segura novamente. A câmera recua rapidamente, mostra Léo levantando a cabeça e avistando Helen, logo ele levanta e vai até ela. Close em Helen vendo que ele está vindo, ela volta para dentro do colégio. Léo se aproxima da porta, mas é barrado por Larissa que coloca a mão no peito dele.

 

Larissa: Posso saber aonde você vai?

 

Léo: Larissa, eu preciso falar com a Helen.

 

Larissa: Por quê?

 

Léo: Porque eu preciso desfazer o erro que cometi a uma pessoa maravilhosa como ela.

 

Larissa o olha surpresa, em seguida sorri convencida e tira a mão do peito dele, abrindo espaço para que ele passe. Ele corre para dentro.

 

Do corredor, vemos Helen andando. Léo aparece logo atrás.

 

Léo: Helen!

 

Ela olha para trás e começa a caminhar apressadamente, entrando no banheiro. Léo para em frente do mesmo. Após alguns segundos bufa, empurra a porta e entra.

 

Vemos várias portas abertas, apenas uma fechada.

 

Música: Fountains Of Wayne – All Kinds Of Time

 

Léo caminha até a porta que está fechada.

 

Léo: Olha, você pode me odiar, eu não tiro a sua razão. O que eu fiz foi horrível... (pausa)... Alguém como você merece ter homens se arrastando a seus pés, não idiotas que tramam planos infantis. Não posso nem dizer que fiz aquilo sem te conhecer, porque já te conhecia há dois anos, só que havia esquecido o quão bem me fazia estar perto de você, como aquilo inspirava que há de melhor em mim... 

 

Ele coloca a mão na porta, encostando a cabeça em seguida.

 

Léo: E foi preciso essa nova temporada para conseguir brotar o que até então havia sido plantado no passado... (pausa)... Helen, toda vez que tento seguir meu coração, o único nome que ele consegue chamar é o seu. Por favor, me dê mais uma chance de provar que eu mudei, me dê uma chance de mostrar que meus sentimentos são sinceros... (silêncio por alguns segundos)... Por favor.

 

Após alguns segundos, a porta principal abre e a faxineira entra, trazendo um balde e uma vassoura. Ela pára ao ver Léo encostado na porta.

 

Faxineira: O que está fazendo no banheiro feminino?

 

Léo (triste): Nada. Já estou de saída.... (para Helen)... Implanta isso na sua bondade “todos merecem uma terceira chance”.

 

Ele sai. A faxineira franze a testa e se aproxima da porta fechada.

 

Faxineira: Tem alguém aí?

 

Helen abre a porta e sai. Seus olhos estão cheios de lágrimas.

 

Faxineira: Você está bem?

 

Helen (balançando positivamente a cabeça/enxugando as lágrimas): Eu estou bem.

 

 

Corta para o corredor. Léo caminha em direção a porta do refeitório. Gil sai por ela. Ao vê-lo, Léo vira e começa a andar na direção oposta. Gil vai atrás.

 

Gil (andando): Léo, a gente precisa conversar.

 

Léo (andando): A gente não tem nada para conversar.

 

Gil (abrindo os braços): Qual é? Vai deixar a nossa amizade estragar por causa de uma garota qualquer?

 

Imediatamente Léo vira, pega Gil pela gola e empurra com violência contra a parede.

 

Léo (furioso): Presta bastante atenção no que eu vou dizer. Em primeiro lugar, Helen está longe de ser uma garota qualquer, portanto meça as suas palavras ao se referir a ela. Em segundo lugar, não me chame de amigo. Amigos não apunhalam o outro pelas costas simplesmente porque ficou nervoso. Faz um favor pra mim, não me dirija mais a palavra, ignore minha existência, porque da próxima vez, eu juro que não responderei pelos meus atos.

 

Ele solta Gil, empurrando-o mais uma vez. Em seguida sai. A câmera se aproxima do rosto de Gil que se mostra bastante assustado.

 

 

Sitio. Cláudio está sentado perto do lago, bastante pensativo. Ele mexa na água com uma pequena vara. Silvia se aproxima e senta ao seu lado.

 

Som Instrumental

 

Silvia (olhando para água): Lembra quando eu te ensinei a nadar?

 

Cláudio (sorrindo): Eu morria de medo da água, você teve que insistir milhares de vezes até que eu tomasse coragem de entrar.

 

Silvia: E você conseguiu. Superou seu medo, seu obstáculo. Assim como tem superado cada dificuldade que enfrenta nessa fase difícil da adolescência, como crescer... (ela o olha por alguns instantes)... Você é meu herói, meu garoto, e é assim que eu quero que continue, sempre enfrentando os medos que vierem pela frente... Filho...

 

Cláudio (interrompendo): Mãe, não faça isso.

 

Silvia: Não fazer o que?

 

Cláudio: Você sabe. Nós não vamos nos despedir, porque você não vai morrer. Não tente pensar em todas as possibilidades, pense apenas na mais positiva delas que é você estar em casa, se recuperando da operação. Você é minha mãe, eu te amo e não pode me deixar.

 

Silvia: A morte não irá por fim no amor que sentimos um pelo outro. Onde quer que eu vá, sempre estarei com você.

 

Cláudio: Mas eu não aceito que desista ou se conforme... (ele a olha)... Olha pra mim... (Silvia o olha)... Se eu venci todos os meus obstáculos, foi porque você me ensinou a ser assim, agora, não queira tirar essa imagem de que eu tenho de você, lute, vença...

 

Silvia (com os olhos cheios de lágrimas): Eu tenho muito orgulho de você sabia? Sempre foi um garoto maduro para a sua idade... (fecha os olhos e deixa as lágrimas escorrerem)... Eu não vou me entregar, meu anjo, eu prometo.

 

Cláudio (fazendo sinal de positivo com a cabeça): Assim espero... (beija o rosto de Silvia)... Eu preciso ir ao banheiro.

 

Silvia acena positivamente a cabeça. Cláudio levanta e sai. Ela olha pra frente, necessariamente para o lago. Fecha os olhos e respira fundo.

 

 

Corta para dentro da casa. Lucio está em pé, frente à mesa, mexendo na vara de pescar. Cláudio entra apressado e sobe as escadas. Lucio vê e franze a testa.

 

Corta para um quarto. Cláudio está em pé, com a mão encostada na parede. Lucio se aparece na porta e olha por alguns instantes.

 

Lucio: Você está bem?

 

Cláudio (ainda de frente para a parede): Não.

 

Ele se vira para Lucio e seus olhos estão cheios de lágrimas.

 

Música Instrumental lenta.

 

Cláudio: Eu tentei me mostrar forte até agora, mas não consigo mais. Eu estou desesperado, morrendo de medo. Não sei o que será da minha vida se ela se for.

 

Lucio o olha com pesar, em seguida se aproxima, coloca a mão em seu ombro e o puxa, abraçando-o. Cláudio se entrega, também abraçando, em seguida desaba a chorar.

 

Lucio (passando a mão na cabeça do filho, ainda abraçado a ele): Esse pesadelo vai logo acabar, filho, vai logo acabar.

 

Lucio fecha os olhos. O som instrumental aumenta, tomando conta da cena, deixando-se ouvir apenas o choro de Cláudio. A imagem começa a se afastar lentamente, até que na mesma proporção a tela escurece.

 

 

Abre no interior de um hospital. Cláudio está no corredor, colocando uma ficha na maquina expresso. A imagem abre mostrando Helen ao seu lado. Amanda e Roger chegam, se aproximando deles.

 

Roger: Hey amigão.

 

Ele abraça Cláudio.

 

Roger: Sabe que estamos na expectativa, não sabe?

 

Cláudio sorri, acenando de leve a cabeça. Amanda também o abraça.

 

Amanda: Confia que tudo irá dar certo.

 

Cláudio: Obrigado, gente, vocês são incríveis.

 

Helen (segurando na mão de Cláudio): Vamos ser bastante otimistas, okay?

 

Cláudio (sorrindo): Okay... (respirando fundo)... Eu vou ver como ela está, logo volto.

 

Eles acenam com a cabeça, Cláudio sai. A câmera o segue caminhando por um corredor. Ouve-se a voz de Larissa.

 

Larissa (fora de cena): Cláudio.

 

Ele vira e a olha. Larissa se aproxima e imediatamente lhe dá um abraço bastante apertado. Em seguida beija o rosto dele.

 

Larissa: Dê boa sorte para sua mãe e diz que estou torcendo por ela.

 

Cláudio (esboçando um leve sorriso): Obrigado... (pausa)... Mesmo.

 

Larissa: Eu estarei lá na sala de espera se precisar de mim.

 

 

Ele balança positivamente a cabeça, esboçando novamente um leve sorriso. Larissa beija outra vez o rosto dele, que fecha os olhos no mesmo instante. Em seguida ela o olha por alguns segundos e sai. Cláudio coloca a mão no lugar beijado, ficando pensativo por instantes. Em seguida vira e continua a caminhar.

 

Corta para um quarto. Silvia está deita na cama, com aparência de bastante cansaço. Ela já veste roupas médicas e na sua cabeça uma faixa encobre o que provavelmente foi raspado para a operação. Lucio puxa uma cadeira e senta ao seu lado.

 

Lucio: Nervosa?

 

Silvia: Um pouco. Mais cansada pra falar a verdade. Acho que os anestésicos já estão fazendo efeito. (sorri).

 

Lucio: Quando acordar, será uma nova mulher.

 

A câmera se desloca mostrando a porta. Cláudio está prestes a entrar, mas desiste ao ver Lucio. A imagem corta para ele encostando na parede, ainda próximo a porta. Volta para Lucio e Silva.

 

Silvia: Já pensou que esse pode ser o meu último fechar dos olhos?

 

Lucio: Mas não vai ser.

 

Silvia: Lucio, sei que temos tentado evitar essa conversa, mas é chegado à hora de pensarmos sim em todas as possibilidades... (pausa)... Se der errado, o que você pretende fazer daqui pra frente?

 

Lucio hesita em responder, visivelmente segurando o choro. Ele levanta, e se ajoelha na cama, segurando na mão dela. Close em seus olhos que se enchem de lágrimas.

 

Música Instrumental Lenta.

 

Lucio: Bom, se você se for, terá de arrumar um jeito de voltar. Porque eu não sei mais viver sem você.

 

Corta para Cláudio do lado de fora, nota-se claramente que ouviu o que Lucio disse. Ele abaixa a cabeça ficando pensativo.

 

Volta novamente para o quarto.

 

Lucio (ainda com os olhos cheios de lágrimas): Você não tem o direito de me deixar, sem provar todo o amor que eu tenho pra te oferecer.

 

Silvia (também com os olhos lacrimejando): Eu já provei. Essas últimas semanas foram as melhores da minha vida. Não se sinta culpado, pois conseguiu me fazer a mulher mais amada do mundo.

 

Lucio (beijando a mão dela): Eu te amo. Muito, muito!

 

Silvia (sorrindo): Eu também te amo muito.

 

Close no rosto de Cláudio do lado de fora. Ele desencosta da parece e começa a andar pelo corredor novamente, sentando num banco próximo. Ele começa a bater insistentemente as pernas e olha para cima.

 

Cláudio (olhando para cima): Eu sei que a gente não conversa muito. Mas eu preciso desesperadamente da Tua ajuda. Por favor Deus, faça ela sair dessa... (pausa)... Por favor.

 

Ele se inclina, colocando as mãos sobre a cabeça. Lucio aparece, cutucando suas costas. Ele levanta.

 

Lucio: Sua mãe que ver você.

 

Cláudio faz sinal de positivo com a cabeça e levanta em seguida, indo em direção ao quarto. Corta para o mesmo.

Cláudio se aproxima de Silvia.

 

Silvia: Parece mais tenso que eu.

 

Cláudio (sorrindo): Impressão sua.

 

Ele segura na mão dela, olhando com bastante ternura para a mãe.

 

Silvia: Eu sei que você não quer saber de despedidas e não irei fazer. Mas queria que pelo menos um pedido pudesse ser realizado... (pausa)... Filho, perdoa seu pai. Ele errou como qualquer ser humano erra. Mas tem tentado de tudo pra mudar o passado e ser melhor no futuro. Eu o amo e o perdoei, gostaria muito que você fizesse o mesmo.

 

Cláudio: Não vamos falar disso agora, okay? Quando acordar conversaremos a respeito.

 

Ele se inclina e beija a testa dela.

 

Cláudio: Agora descanse bastante. Não esquece que eu te amo, e estou te esperando lá fora.

 

Silvia (fechando os olhos): Eu também te amo, meu anjo.

 

Música: Evanescence – My Immortal

 

A câmera desce mostrando a mão dele ainda segurando na dela. Fica assim por alguns instantes, até que a imagem começa a transparecer, mostrando Léo e Felipe entrando na sala de espera. A câmera se desloca, mostrando Cláudio já no local. Ele os olha e vai até eles.

 

Léo (sem jeito): Ouça, cara. Nós temos nossas diferenças, mas quero desejar boa sorte a sua mãe.

 

Felipe: O time todo deseja... (entrega um cartão a Cláudio)... O Roma pediu para entregar esse cartão, assinado pelo time inteiro.

 

Cláudio (pegando o cartão e esboçando leve sorriso): Obrigado.

 

Eles acenam com a cabeça, em seguida Cláudio vira, voltando para perto de Helen. Ela e Léo se encaram até que a mesma desvia o olhar. Priscila entra afobada, indo ao encontro de Cláudio.

 

Pri: Desculpa pelo atraso, já começou?

 

Cláudio: Estão levando-a para a sala de operação.

 

Pri (segurando na mão dele): Vai dar tudo certo.

 

Cláudio: Eu sei que vai.

 

Close em Larissa que olha para os dois. A imagem começa a subir, enquanto o som começa a tomar conta da cena.

 

Cont- Evanescence – My Immortal (em todas as cenas seguintes).

 

-Silvia está na sala cirúrgica. Ela começa a fechar lentamente os olhos, até que os fecha por completo.

-Lado externo. Lucio caminha de um lado para o outro, visivelmente nervoso. Ele coloca as mãos na cabeça.

-Lado interno. Vemos os médicos já em movimento, provavelmente realizando a cirurgia.

-Lado externo. Cláudio está sentado no sofá, tenso. Helen e Priscila seguram suas mãos, uma de cada lado. A câmera abre mostrando Roger, Amanda, Felipe, Léo, Larissa e Lucio espalhados pelo local.

-Lado interno. Close no rosto de Silvia, em seguida sobe a imagem mostrando os médicos. A imagem se desloca mostrando o aparelho cardíaco.

-Lado externo. Lucio encosta a cabeça na parede, fechando os olhos em seguida. A câmera se movimenta, até chegar a Cláudio, em seguida se aproxima lentamente de seu rosto, ele fecha lentamente os olhos. A tela escurece.

 

 

Abre mostrando Lucio encostado na parede. O médico entra na sala. Imediatamente ele abre os olhos e se desloca até o mesmo. Cláudio levanta do sofá e também vai até ele.

 

Lucio (apreensivo): E então doutor, como foi?

 

Cláudio: Como ela está?

 

Corta para o rosto de médico, de Lucio, Cláudio, médico novamente. A imagem começa a descer lentamente até mostrar o chão.

 

Legenda: Continua...

 

 

A tela escurece.

 

 

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 Créditos Finais:

 

 

Criado e Escrito por:

 

Thiago Monteiro

 

Colaboração:

 

Raquel Rosa

 

Participação Epecial:

 

Anthony Edwards – Doutor

 

Música Tema:

 

Switchfoot - Meant To Live

 

Trilha Sonora:

 

Snow Patrol - How To Be Dead

The Doves - Caught By The River

Simple Plan - Perfect World

Folhas – All By Myself

Five For Fighting - Easy Tonight

Fountains Of Wayne – All Kinds Of Time

Evanescence – My Immortal 

 

 

                                                       

 

 

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